- Espere aí! Então é assim que os Karas vão acabar? Não! Isso não pode acabar assim. Temos que agir. – Chumbinho saltou da cama, selou três envelopes, desceu pela janela, porque se tentasse sair pela porta da frente teria que pela sala onde estão seus pais e uma psicóloga esperando por qualquer movimento que ele fizesse, montou em sua bicicleta e desapareceu no horizonte.

* * * *

Ao recolher a correspondência do dia Crânio encontra um envelope que lhe foi endereçado. Ao abrir, uma surpresa. Um enorme K em vermelho.

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Aquela manhã de segunda estava muito quente e Calu decidira não ir ao colégio. Não suportaria entrar lá novamente sabendo que Miguel não estaria lá. Dirigiu-se ao parapeito da janela para tomar um ar, pois o quarto estava muito abafado. Ao abri-la viu cair um envelope, abriu-o e repentinamente abriu um sorriso, vestiu seu uniforme e pegou o ônibus.

* * * *

Sem dormir a dias, Magrí parecia ter saído da boca de um cachorro.

Em seu rosto notam-se olheiras profundas que nem mesmo o melhor maquiador do mundo conseguiria esconder. Se separar de um Kara é como se separar de uma parte dela mesma.

Há quatro dias não fala com nenhum dos Karas e não sabe o que fazer. Inventou uma gripe para que não precisasse mais ir ao colégio, pelo menos por enquanto, mas não agüentava mais ficar sem notícias.

- Preciso saber por que isso aconteceu. Não posso mais me esconder. –pensava ela ao lado do telefone. Quando ia discar para Crânio sua mãe a chamou. Rapidamente Magrí desceu as escadas decida a ir ao colégio. Sua mãe lhe entregou um envelope dizendo: — Chegou hoje pra você filha. Você já melhorou? Vai à escola?

- Sim mãe. Estou bem melhor obrigada. Vou me trocar. – Ansiosa para abrir, achou que fosse carta de Miguel e ao chegar no quarto e abrir o envelope, trocou-se e saiu como um furacão deixando intacto o café posto à mesa.

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Chumbinho foi o primeiro a chegar. Pouco depois foram chegando os outros um a um com intervalos de dois minutos. O último foi Crânio que desta vez não levou consigo a pequena gaitinha. Assim que Crânio chegou, Chumbinho quebrou o silêncio:

- Bem Karas, eu convoquei...

- Como assim? Ficou louco? Ninguém abre a boca enquanto o Miguel não chegar. ELE é o líder. – Magrí interrompeu o amigo impiedosamente.

- ELE não vai chegar Magrí. Entendo seu descontrole. Mas ele foi embora sem dizer pra onde nem porquê. Sem nem se despedir. E foi por isso que EU os reuni aqui. Isso não é normal. Ele nunca faria isso!

- Nunca faria, mas fez. E eu ainda sofro por isso. Sou um idiota mesmo. Desisti da minha peça por causa disso e ele nem pra mandar uma carta explicando.

- Gente, calma! Vocês estão deixando a emoção falar mais alto. O Chumbinho ta certo. Ele nunca faria isso. Cabe a nós descobrir-mos o que aconteceu e trazê-lo de volta.

- É. O Crânio tem razão. Nós somos os Karas. Não podemos deixar de usar o raciocínio nunca. Fica calmo Calu.

- Então. Como eu estava dizendo... Eu convoquei vocês aqui porque nós não podemos simplesmente esquecer tudo o que passamos juntos. – Terminou Chumbinho.

- Primeiramente temos que descobrir para onde Miguel foi. Depois, o porquê dessa mudança repentina. – Disse Crânio.

- Já sei como! – Gritou Magrí.

- Então fale. — se animou Calu.

- Vocês esqueceram que a Peggy é um cara?

- É mesmo. – Lembrou Chumbinho.

- Então. Ela filha do Presidente dos Estados Unidos. Seria muito fácil pra ela descobrir onde o Miguel está.

- Então está decidido. Aguardaremos a descoberta de Peggy. Assim que ela te der o endereço você entra em contato, Magrí. Reunião terminada! – Encerrou Chumbinho. Um a um, com intervalos de dois minutos e sem dar uma palavra, todos foram descendo para o armário das vassouras e cautelosamente se misturando à massa de estudantes que circula pelos corredores do Colégio Elite.