Os Jogadores
4 Capítulo 4
Notas iniciais
– Se eu não soubesse, diria que sua mãe também está participando do plano, essa do anel foi sensacional minha noivinha! – eu ri.
Quando descemos da moto a duas quadras da boate – já que estava tudo ocupado com os automóveis dos prováveis convidados do Tiago – já ouvíamos Bang Bang tocando não muito longe, de tão alto. Seguimos á direção do som.
– Se lembra de todos os planos, independente de como esteja lá dentro.
– Lembro sim, maninho. Podia não estar dando muita fé nisso, não. Mas me lembro. E você, se lembra? – o desafiei.
– Bom, não quero me gabar, mas lembro muito bem – ri com seu sorriso torno e ele fez o mesmo.
– Vamos, só posso beber até as quatro da manha. Tenho fé de ficar até às seis. Acha que aguenta o tranco?
– Você está falando com a garota que da última vez que você veio passou basicamente três dias. Seguidos. Acordada. Vamos, ou acha que não aguenta?
Quando chegamos à música já havia trocado e dessa vez era Worth it – Fifth Harmony feat Kid ink.
– A festa tá animada, hein. – Rick falava alto no meu ouvido por causa da música.
– Convite, por favor. – Pedia o recepcionista que parecia simpático.
– Aqui. – entreguei. Ele abriu passagem para nós e piscou para mim.
– Não pisca pra minha namorada cara, olha o perigo! – falou o Rick e não me aguentei e comecei a rir, mas o recepcionista ficou todo sem jeito.
– Você é mal. – gritei para meu meio irmão.
– É uma das minhas maiores qualidades. – bati no seu ombro de leve. Esse é o tipo de mania que quando você pega não larga mais.
– Desde que eu cheguei já é a sexta vez que você me bate. Vou te denunciar no João da Penha.
Eu ia responder, mas foi quando eu os vi... Os jogadores. Eles estavam numa mesa onde qualquer um poderia vê-los. – Acho que a do aniversariante. – mas não estavam com cara de felicidade. Os jogadores em plena festa que prometia diversas garotas bêbadas sem meios de ir para casa e eles estavam de mau humor? Quem são eles e o que fizeram com quem estava fazendo brincadeiras de péssimo gosto até algumas horas atrás?
Eu estava à direita do Richard e apertei sua mão esquerda, ele virou para mim e depois para onde eu estava olhando quando viu quem eram, passou a mão direita pela minha cintura e me puxou para mais perto.
– Eu estou aqui. Não precisa se preocupar. – Ele falou bem alto no meu ouvido, mas eu quase não escutei com o som alto. – Vamos dançar a música já está quase acabando, vamos pegar uma bebida e vamos pra pista pra próxima música. – Assenti.
O bar não estava muito cheio mais não estava vazio, havia quatro Barman ocupados, mas uma Barmaid que estava livre veio nos atender.
– O que vão querer? – ela perguntou secando o balcão com um pano.
– Duas doses de Vodka, por favor. – disse o Rick.
– É pra já! – disse ela e foi a mil buscar sei lá aonde. Achava que essas coisas ficavam por perto.
– Você não está achando que eu vou beber Vodka, não é?
– Acho sim, porque você vai dançar muito hoje, e sem álcool no sangue você não vai fazer nada. Como você acha que metade das garotas dessa boate ficam grávidas antes de terminar o ensino médio?
– Você tem razão, nas se eu ficar bêbada a culpa é sua! Não quero ficar grávida ainda não, ouviu? – falei fingindo uma ameaça.
– Como se você nunca tivesse bebido. – desdenhou.
– Em público não.
– Aqui está. – disse a simpática Barmaid arrastando dois copos transparentes na nossa frente. Um, dois, três, foi! Bebi tudo em um gole, contando que tudo não era grande coisa, o líquido desceu queimando pela minha garganta com uma sensação desconfortável, mas ao mesmo tempo boa e familiar. Quando olhei para o Rick seu copo também já estava vazio.
Começou Tik Tok da Kesha e ele me arrastou pra pista de dança a onde já tinha mais umas três garotas dançando completamente bêbadas, dois garotos e duas garotas numa rodinha, mas nós ficamos no canto perto do bar onde sabíamos que se os jogadores fossem olhar nos veriam.
Não vou negar que eu e o Richard dançamos bem juntos, música eletrônica, lenta, sertaneja e até arriscamos o rock. Dançamos até o chão com a música, sensualizamos – depois de quase um minuto de música, antes disso estava mais dura que uma pedra. – e também agíamos de vez em quando feito doidos varridos levantando a mão para o alto enquanto dançávamos e quando vimos nós estávamos em uma roda com umas oito pessoas e quando a música acabou todos começaram a aplaudir e gritar como tinha sido boa, até eu. Quem dança os males espanta.
– Viu amor, você tem que sair mais assim pra se divertir. Você nem viu que a mesa principal tava de olho na gente, não vamos ser mal educados, temos que parabenizar o aniversariante.
– Antes uma tequila, por favor. – disse saindo do meu estado de agitação da dança. Enquanto tocava Click da Anahi, Miranda e Moderato, tomamos nossa tequila e fomos parabenizar o aniversariante.
Quando subimos os dois degraus, vi que os quatro olhavam para olhavam para nós, mas não estavam sozinhos lá. Havia três garotas e outra mais nova, devia ter uns doze, treze anos.
O mais interessante era a expressão deles, Bryan estava com medo – vocês sabem como se parece um grandalhão com medo? O dia que vocês descobrirem, tomem cuidado, pois ele pode querer acertar contas com você de tanto que você estará rindo dele! -, Willian com raiva, Josh só encarava com o maxilar trincado – pelo menos era o que parecia nunca sei o que pensar sobre ele além do fato de ele ser um estranho que um terço das garotas da escola eram a fim -, e o Tiago, totalmente perdido e confuso. O Richard sorriu e foi fazer um cumprimento com Bryan.
– Você é o salvador, não é? O cara esperto que além de ficar com a fama de herói, ainda matou aula. Muito esperto! – dizia ele com ar de ironia e de forma brincalhona, como se ele realmente acreditasse que ele havia me salvado da piscina e não me jogado lá.
O som das músicas ali era mais baixo e se falássemos alto todos escutariam. O Rick foi parabenizar o Tiago e fui junto.
– Parabéns cara! – disse com outro comprimento de mão, que mesmo perdido conseguiu acompanhar. – Faz anos que não nos falamos como vai? Ah, desculpe, você não deve lembrar-se de mim. Nós três brincávamos quando éramos criança – disse sinalizando para mim também.
– Richard?
– Isso aí.
– Pô cara, quanto tempo. Vi no jornal uma reportagem que saiu com você e mais outros caras de uma competição de box, parabéns! – O sorriso no rosto do Tiago começou a aparecer. – Você continua vindo pra cá depois de tantos anos.
– Eu não posso ficar muito tempo longe da Miley, não é. – Sorriu pra mim e eu sorri de volta. Ser irmãos ajudava na atuação, acho que se fosse um simples amigo, ou o melhor deles, não seria tão fácil. Fazíamos muito isso á anos, mas eram apenas uns vídeos fajutos, acho que nunca ninguém tinha visto. – Eu queria sequestrar ela, mas a mãe dela já não gosta da ideia de ficarmos no mesmo quarto quando eu venho, imagina na mesma casa? – Eu fiquei vermelha na mesma hora, sabia que era parte do plano, mas...
– Vai ficar até quando? – perguntou Tiago. Enquanto eu sentia uma certa tensão no ar sem coragem de olhar para os outros.
– Duas semanas, depois tenho que voltar e fazer umas provas e tal. Não assisto mais aulas como os outros e tals, mas isso é só eu entrar na faculdade o ano que vem.
– Querem ficar aqui com a gente, vamos esperar mais um pouco para ir lá para baixo. E não quero deixar a minha prima sozinha, ela só tem doze anos mais queria vir daí eu trouxe. – passou um tempo muito curto, mas parecia uma eternidade para mim — Porque vocês tão emburrados? – ele disse apontando para os outros jogadores. – Pessoal, esse é o Richard, Richard estes são: Josh, Willian e Bryan, mas o Bryan acho que você conheceu mais cedo. – mais um silêncio constrangedor. Muito constrangedor. Encostei minha cabeça no braço do Richard mais logo voltei ao normal.
– É Sweet child of mine do Guns and Roses – Falei quase gritando para o Rick. – Vamos lá amor!
– Com licença, Guns and Roses chamando. – disse ele rindo e fomos rapidamente quase correndo para a pista de dança. – Que bom que você falou isso.
E começamos a pular com a música – não que fizesse algum sentido, mas álcool também não faz e as pessoas continuam bebendo, não é? -, amo rock, simplesmente faz parte da minha vida!
– Que isso? Você devia agradecer ao Guns and Roses!
– Acho que quem deveria agradecer está olhando para a gente – olhei nada discretamente para trás e vi o Bryan meio que discutindo com o Tiago – mas sempre parece que o Bryan está brigando com alguém, então não convém dizer isso. Outra coisa que vi foi o Willian e o Josh nos encarando e foi aí que deixei a música me levar.
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Quando começou as músicas FlashBack todo mundo foi ao delírio com as elas, como por exemplo Ana Júlia que não é tão velha assim e todo mundo cantava com a letra, no meio da pista vi a garota de doze anos, a prima do Tiago, provavelmente eles já estavam ali, mas eu continuei dançando com o Rick, só parávamos para beber uma ou outra dose de tequila ou vodka. Mas quando tocou Girls Just Wanna Have Fun da Cindy Louper só ficou as garotas do time da torcida dançando uma dança meio ensaiada e outras tentavam acompanhar, só que eu estava muito apertada por causa das bebidas e precisava ir ao banheiro, avisei o Rick.
Quando estava voltando para o bar me encontrar com ele um braço me puxou para uma portinha e dei um grito de susto que foi abafado por uma mão. A porta se fechou — era uma pequena salinha que deveria ser um armário de produtos de limpeza, já que havia umas vassouras perto da porta — e quando olhei para frente vi Willian me olhando enquanto me prendia em uma cadeira antes que eu pudesse pensar em qualquer coisa para evitar aquilo.
– Que bom que finalmente vamos conversar. Só nós dois! – disse zangado, podia ver seu rosto completamente vermelho, seus cabelos meio molhados e seus olhos brilhavam, mas não de alegria.
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