Os Irmãos do Olimpo - Volume 1
2 II - Sumiko
Notas iniciais
Eu estava encolhida atrás de Annabeth enquanto olhávamos meu irmão. Ele nunca agira assim antes e por que ele estava tão diferente? Akira estava com sua expressão sombria e a espada nas mãos olhando contra a professora.
Nico, ao meu lado, procurou ao redor o professor, mas eu apontei para um pó no chão e ele sussurrou:
– Então ele já fez o professor virar pó – admitiu.
– Meu professor era um monstro!? – perguntei quase elevando meu tom de voz, mas Nico tampou minha boca e fez que sim com a cabeça e a soltou, colocando a mão em uma espada negra (só que diferente a de Akira) que eu não sabia como ele havia pego a espada.
Eu queria entrar na frente de Akira para impedir que ele fizesse algum tipo de besteira, mas alguém me segurou e disse em meu ouvido:
– Olhe só pro seu irmão. Você vai impedir isso? – perguntou Nico.
– Sim. Ele é meu irmão e... – outra vez a mão de Nico que me segurou, dessa vez tampou minha boca.
A nossa diretora se transformou – e ficou na forma de uma mulher morcego-bruxa. Sim, ou algo do tipo. Era um bicho enrugado e terrível que eu nunca vi antes nem em filmes.
Eu arregalei meus olhos e só não gritei porque Nico ainda tampava minha boca. Eu tinha que agradecê-lo, se não houvesse tampado minha boca eu teria gritado e piorado as coisas.
Não, acho que as coisas pioraram sem eu mesmo gritar.
Observei Akira que emitiu um movimento tão rápido que em um segundo ele não parecia ter se mexido. Ele olhou pelos ombros para trás e viu aquele monstro-morcego desfazer em pó. De repente, uma aura negra surgiu em volta dele e eu não fiquei com medo – talvez aquilo não fosse me dar medo tanto quanto um monstro. Eu me senti bem.
A espada sumiu na mão de Akira e novamente o anel apareceu e ele o encaixou no dedo e piscou os olhos como se saíssem de um transe e olhou para Annabeth.
– O que houve?
Nós saímos de trás da coluna de gesso que tinha oito metros de largura (sim, oito metros, então nos escondemos bem, embora depois do monstro ser feito em pó, Annabeth deixou que ele a visse).
Annabeth apontou para o anel dele.
– Se esse anel se transforma em uma espada... – ela apontou para meu colar. – O seu colar também se transforma em espada.
– Ata. Sei – eu revirei meus olhos. Impressionante, eu ainda estava um pouco confusa com tudo isso. Olhei para Akira com uma expressão triste. – Por que você estava daquele jeito?
– Não sei.
– Como você fez isso? – Nico indagou remexendo o anel e onde deveria estar a espada, só havia o cinto preto.
– Não sei. Eu só... Ah, eu pensei que eles iriam perturbar Sumiko e então eu decidi acabar com eles logo.
Akira disse isso com tanta facilidade que me fez pensar que ele estava acostumado com isso. Annabeth quebrou o silêncio que houve por dois longos minutos.
– Bem, vamos ao acampamento. Lá precisamos explicar as coisas e... Akira.
– Sim – disse ele.
– De onde vocês vieram?
Ele a fuzilou com o olhar – como se odiasse tocar nesse assunto, mas eu não sabia o motivo. E eu também não sabia de onde tínhamos vindo só lembro-me de ter nascido no Japão e ter vindo para este colégio com Akira por um homem. Mas eu não sei direito quem é e onde estávamos.
– Eu... Eu não sei – eu senti que ele estava mentindo e Annabeth e Nico também. O único que parecia acreditar era Percy.
Annabeth fingiu acreditar e disse:
– Vamos. Argos está nos esperando.
[...]
Segui junto com Akira os três jovens que pareciam calados e tentando descobrir o motivo de que Akira havia mentido. Ele não parecia incomodado e ouviu algum rock no headphone e mantinha a calma de sempre.
Sentei entre Nico e Akira enquanto Annabeth e Percy estavam no banco de trás e o tal de Argos – que continha muitos olhos. Era muito estranho.
Nico ficou calado e olhou janela a fora.
Akira ainda estava calado e eu fiquei calada pensando no que havia acontecido e tentando puxar um pouco das minhas memórias – mas não conseguia, era impossível e dava dor de cabeça.
– O que foi? – perguntou Akira como se lesse meus pensamentos.
– Nada é que... Não me lembro de nada antes de sermos trazidos para cá – passei minha mão pela borda da minha saia do colégio e Nico me observou pensando em algo. Eu era boa em ler expressões. – E você?
– Eu também – ele mentiu novamente.
– Me conta. Eu quero saber por que você está mentindo.
Ele olhou para o outro lado e murmurou um palavrão em japonês – e eu o reconhecia claro.
Eu ri levemente sem som algum – apenas o sorriso e olhei para Nico que ainda me observava pensando em algo.
– Eu acho que...
– Chegamos – Annabeth disse interrompendo a fala de Nico.
Ela abriu a porta e agradeceu Argos e puxou Percy pela mão para fora.
– Vamos. É... Percy – ela olhou para o namorado. – Eu vou até Quíron com eles e depois vejo você.
– Eu também? – perguntou Nico.
– Você faz o que quer – Annabeth suspirou. – Vem Sumiko e... Akira... Quero lhes apresentar ao diretor de atividades, Quíron!
Eu e meu irmão a seguimos. Nico ficou atrás da gente e Percy parecia olhar algo Colina à cima.
– Bem, não se preocupem. O diretor de atividades é um centauro, mas ele é bem legal – disse Annabeth e ela começou a tagarelar sobre as coisas do acampamento.
Akira havia tirado o headphone para ouvir o que ela tinha a dizer – como uma espécie de analisar onde ele ficaria.
Passamos o tal pinheiro de Thalia – que ela contou que era uma filha de Zeus que deu a vida para salvar os amigos, mas que há alguns anos eles conseguiram ressuscitá-la (algo do tipo) e que agora ela era Caçadora de Ártemis. Que também explicou o que era e me interessou muito.
Caminhamos até a Casa Grande e avistei tantos adolescentes e crianças com camiseta laranjas – como a de Percy e Annabeth – correndo por aí com pessoas metade humanas e metades bodes, o que Annabeth disse que eram sátiros.
– Eles são designados para proteger semideuses – Annabeth disse. – Mas algumas vezes outros meio-sangues também fazem isso. Como agora... Eu, Percy e Nico para resgatar vocês dois.
– Ah – eu disse. – Interessante.
– Então... Você tem mãe ou pai? – Annabeth perguntou.
Eu podia me lembrar de uma mulher linda, mas quando eu tentava lembrar se ela era minha mãe, o resultado era minha cabeça doendo.
– Não sei. Acho que ela morreu.
– Você... Acha? – Annabeth perguntou curiosa. Ela olhou para Akira. – E você, lembra-se de sua mãe?
Akira desviou o olhar.
– Lembro – ele disse em um tom baixo e isso me animou e ao mesmo tempo me deixou chateada. Como ele se lembrava de nossa mãe e eu não?
Annabeth e Nico me olharam e eu fui forçada a olhar para o outro lado – odiava quando alguém ficava me observando, era estranha a sensação.
Na varanda da Casa Grande, encontramos um senhor gorducho jogando cartas com um homem de cadeira de rodas – era Quíron, Annabeth me dissera que normalmente ele fica em cadeira de rodas – e uma menina ruiva que deveria ter idade de Annabeth. Ela estava debruçada olhando para gente e arregalou os olhos quando me viu e ao Akira, o que fez Annabeth murmurar algo com Nico.
– Ela é a Oráculo, Rachel E. Dare – disse Annabeth chegando perto de mim.
– Então se ela me olha assim... Nada de bom? – presumi e Annabeth assentiu.
– Mas não se preocupa – disse Nico. – Às vezes apenas umas Profecias bem ruins pro seu lado, mas não se preocupa.
– Ah é mesmo? – eu disse irônica. Como não me preocupar com profecias ruins? Nico deu um sorriso de leve e eu olhei novamente para Rachel que nos recebeu bem. – Sumiko Sasaki e esse é meu irmão Akira – eu me apresentei e Akira só acenou.
– Prazer em conhece-los – disse ela. – Já os vi em meus sonhos.
Annabeth e o tal Quíron se entreolharam e o cadeirante se aproximou.
– Sejam bem-vindos, queridos. Como Annabeth deve ter dito, sou Quíron o diretor de atividades do Acampamento Meio-Sangue. Este é o Sr. D, o diretor do acampamento – ele apresentou o homem gorducho que nos fuzilou com o olhar que continha fogo arroxeado, mas se acalmou.
– Seja bem-vindo e blá-blá-blá.
Rachel segurou minha mão, eufórica.
– Então, como foi a sua estadia no Cassi... – Akira a interrompeu com um olhar para ela e ela automaticamente ficou ereta.
– Cassi? – Nico repetiu. – Estadia... Não se lembra... Cassi... – ele arregalou os olhos e nos fitos. – Perai, vocês dois foram trazidos de um hotel, né?
– Acho que sim – afirmei confusa.
Akira o fuzilou com o olhar e a expressão de Nico se tornou sombria.
– Isso não funciona comigo – ele advertiu meu irmão que apenas mudou a expressão e deu de ombros.
Quíron se aproximou mais e o Sr. D também.
– Isso é sério... Rachel?
Ela fez que sim.
– Akira se lembra, mas Sumiko não. – Ela olhou para Akira.
Meu irmão bufou e ajeitou o headphone.
– Como assim, Akira? – ergui minhas sobrancelhas na direção dele.
– Desculpa Sumiko. Eu fiz isso pro seu bem.
– Como assim pro meu bem?
Nico ficou mais atento – como se fosse algo bem legal de se ouvir – assim como Annabeth, Rachel e os outros dois homens na varanda.
Akira suspirou.
– Eles queriam nos deixar com memórias, mas... Eu pedi que só você perdesse as suas assim não corresse tanto perigo. Eu sempre tive as memórias para caso eu precisasse te ajudar – ele passou a mão em meu rosto, o que mesmo sendo meu irmão, não foi legal. Ainda mais o que ele ainda tinha que falar. – Eu vi Nico e uma menina que sempre estava com você – olhou para o filho de Hades. – Mas eu preferi não falar nada e quando vocês foram levados, eu sabia que passávamos pela mesma coisa.
– Isso é... – eu tentei falar, mas Nico me cortou.
– Era minha irmã, Bianca.
– Como ela está? – Akira perguntou o que soou muito esquisito.
– Morta. Ela morreu há alguns anos.
Akira limitou-se a apenas continuar o que precisava falar e Nico achou melhor assim do que alguém dizer “meus pêsames”.
– Você nasceu em 2 de novembro de 1930 e eu em 2 de novembro de 1928, mas fomos para o Cassino Lótus quando completamos nossas idades atuais.
Eu arregalei os olhos. Eu nasci em 1930? Impossível.
Annabeth olhou para meu colar e para o anel de Akira.
– Então você sabe quem é seu pai... Ou mãe.
– Pai – admitiu Akira. – Eu sei quem é.
– E quem é? – Annabeth perguntou curiosa.
– Tânatos. O deus da morte.
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