Os Irmãos de Bayswater
1 Capítulo único - O Rapaz do 1º Andar
Notas iniciais
Este plot já rondava minha mente e como sei que o casal retratado aqui é um dos preferidos dela resolvi arregaças as mangas e escrever essa fic.
Tenho muito que agradecer a minha Grande Amiga Viviane, que betou o capitulo, editou a capa e ainda me encheu de imagens lindas RadaxKanon (Mesmo ela não curtindo este fandon). Vivi te Amo.
Imagem do capitulo pixiv é 来原 絢音
Opa! Chega de papo, boa leitura

O Rapaz do 1º Andar
— Sr. Wyvern, este é o apartamento, térreo, dois quartos, sala, cozinha, banheiro e localizada no centro de Londres, este imóvel nos foi deixado por nossos avós, o senhor não vai achar lugar melhor em Bayswater. — Sasha comentava de forma pausada.
— Bayswater é um local muito agradável, Sr. Wyvern, é tranquilo, tem boa vizinhança e longe dos pontos turísticos da cidade, aqui vai ter a paz que diz procurar. — Complementou o jovem Alone, irmão de Sasha, os irmãos eram os senhorios de um pequeno prédio de dois andares do bairro de Bayswater, região que fica acima do Hyde Park. É uma área bastante ocupada por pessoas que querem sossego em Londres, uma vez que é bela, tranquila e facilmente acessível ao transporte público. E um detalhe importante não tem pontos turísticos por perto, além do parque.
O imóvel estava decorado com motivos sóbrios, em móveis em mogno estilo clássico, chão coberto com carpete vinho em detalhes bege, um dos quartos seria utilizado por Radamanthys como escritório e o outro, naturalmente, seria utilizado para dormir, coisa que o escritor estava fazendo cada vez menos.
— Sim, o local é exatamente o que eu procuro: Tranquilo. Preciso escrever meu livro, mas não gosto de lugares muito afastados, prefiro locais tranquilos na comodidade das cidades grandes. — Comentou Radamanthys. — Sou um homem urbano, no final das contas.
E assim, com os detalhes do contrato de aluguel acertados, Radamanthys se mudou naquela semana. Era um homem solitário, tinha apenas a companhia de seu cão Kaos, um labrador preto de cinco anos que Radamanthys adotou quando este tinha apenas um mês de vida.
Nas duas noites após a mudança Radamanthys havia passado o dia tentando escrever algo para o seu livro, quando seu companheiro Kaos começou a dar sinais de que precisava ir ao banheiro, e Radamanthys sabia que o seu cão só o chamaria uma vez, caso não fosse atendido faria suas necessidades na sala mesmo, e definitivamente o loiro não estava disposto a lidar com a limpeza que teria que fazer caso Kaos ousasse em fazer suas necessidades ali. — Ok, seu chato, vamos dar uma volta.
Quando estavam voltando do passeio, Radamanthys viu seu cão parar e ficar olhando fixamente para o alto da escada que dava acesso ao apartamento de cima, o loiro tentou puxar pela memória se os irmãos Elísios haviam comentado algo sobre os moradores de cima, ou melhor, se haviam moradores em cima.
— O que foi, medroso, viu um gato lá em cima? — O escritor brincou com seu animal que apenas abanou o rabo com as orelhas baixas e o rabo entre as pernas. — Mas é um medroso.
— Um cão medroso, essa é novidade pra mim. — Ouviu-se uma voz do alto da escada sobressaltando o rapaz que brincava com seu cão.
— Nossa, você me assustou. — Comentou Radamanthys olhando para o rapaz no alto da escada.
Alto, olhos azuis, cabelos pretos azulados* compridos, com um corte repicado, um ar rebelde e um jeito despojado, atraente e muito bonito, era uma beleza máscula aos olhos o escritor.
O rapaz nada disse sobre o comentário de Radamanthys sobre o susto que levara, apenas o observava com um meio sorriso nos lábios.
— Este cão é um medroso de marca maior, acredita que ele tem medo de gatos? — O escritor preferiu continuar falando sobre seu cão, na realidade ele mal sabia o motivo de ter continuado a falar, não era do tipo que faz amizades, ainda mais com vizinhos.
— É um belo cão, medroso, mas ainda assim belo. Não importa se ele é medroso, contando que seja leal. — Comentou o homem, antes de virar as costas e entrar.
Radamanthys se deu conta que nem ao menos se apresentou ao rapaz, pelo visto não era o único antissocial ali.
....
Cansado após escrever um capítulo inteiro, e resolver apagar tudo, o escritor resolveu sair para fumar seu cigarro e tentar colocar suas ideias em ordem.
Estava acostumado a fumar enquanto escrevia, mas precisava de ar, saiu e sentou-se na escada analisando a noite.
— Preocupado? — Ouviu a voz atrás de si o assustando novamente.
— Você precisa parar com essas entradas impactantes, posso enfartar sabia? — Ralhou o loiro fazendo o outro sorrir e logo acender um cigarro também.
— Kanon Nikolus. — O moreno falou e Radamanthys apenas respondeu.
— Wyvern, Radamanthys Wyvern!
— Radamanthys Wyvern, o escritor de romances policiais? — O outro perguntou com real interesse.
— São histórias policiais, não romances. — Corrigiu o escritor.
Kanon apenas riu com gosto antes de continuar. — De fato seus finais nunca são felizes, duas mocinhas mortas e o vilão mais carismático que o mocinho chato morre no final. Definitivamente não podemos mesmo chamar de romances.
Radamanthys apenas sorriu ante a observação do outro. – Esses livros são antigos.
— Mas gosto deles, o que faz aqui? — Kanon tornou a perguntar tragando seu cigarro.
— Estou escrevendo um livro, ou melhor, tentando escrever, mas as ideias não fluem, penso uma coisa e escrevo outra, não estou conseguindo me encontrar. — "Pelos deuses estou me abrindo com um estranho, e pior um estranho que é meu vizinho?" — Pensou Radamanthys sem saber qual o motivo que o levara a fazer esse comentário.
— Entendo, precisa de um lugar tranquilo, mas não isolado. — Concluiu o moreno.
“Kanon quem está aí? Você está tramando algo, não é? Eu vou pegar você Kanon, não vou deixar você acabar comigo, não vou deixar.”
Os dois rapazes se sobressaltaram com aquela voz que veio do apartamento de Kanon.
— Desculpe, meu irmão é esquizofrênico, ele tem esses surtos às vezes. — Kanon apagou seu cigarro e entrando fechando a porta atrás de si.
Logo se ouviu alguns gritos e barulhos de coisas se quebrando até que algum tempo tudo ficou calmo.
— Ah, que maravilha, um maluco que fica gritando era tudo que eu não precisava agora. — Resmungou o loiro antes de terminar seu cigarro e entrar.
Quando foi até a cozinha verificou que a parede da cozinha estava úmida, muito possivelmente com alguma infiltração, o loiro apenas grunhiu irritado, ligaria para os senhorios do apartamento no dia seguinte.
....
Já passavam das três, numa madrugada chuvosa Radamanthys pensava, pensava e nenhuma ideia concreta saía de sua mente, apenas frases, frases soltas.
"Eu vou matar a todos, sei que vocês querem o meu lugar, não vou permitir, não vou! Todos! Eu vou matar a todos"
Novamente os gritos no andar de cima começaram, se estava difícil se concentrar em sua escrita antes, agora seria ainda pior.
"Kanon, deveria colocar esse maluco num hospício isso sim, um homem bonito como aquele se sacrificando por um irmão maluco" — Pensou o loiro enchendo seu copo com whisky, tomando dois goles e saindo para fumar seu cigarro nas escadas observando a noite.
Não demorou muito sentiu a presença de Kanon. — Já estou me acostumando a suas entradas silenciosas.
Kanon apenas sorriu e acendeu seu cigarro, há algum tempo aquela tinha se tornado uma rotina para os dois, observar a noite, fumar e às vezes conversar, Radamanthys apreciava muito aqueles momentos com o vizinho.
— Desculpe pelo meu irmão, às vezes não consigo evitar. — Kanon pediu sincero.
— Não entendo, por que faz isso? — Perguntou Radamanthys para a estranheza do outro.
— Isso o quê? — Quis saber Kanon.
— Se enterrar aqui para cuidar de uma pessoa doente. — Continuou o escritor.
— Porque é uma pessoa doente e, além disso, é meu irmão e ainda por cima somos gêmeos, não posso abandoná-lo por aí num manicômio qualquer. — Respondeu Kanon sem se ofender com a pergunta do outro.
— Gêmeos?! — Repetiu Radamanthys surpreso.
— Sim. — Começou Kanon tragando seu cigarro. — Muitas vezes penso que poderia ser eu ali, eu poderia ser o esquizofrênico, por sorte não tive esse problema, mas poderia ter sido eu. — Concluiu soltando a fumaça.
— Entendo, mas me conte como é o seu relacionamento com seu irmão? Ele aparenta ser bem arisco, não tem medo que ele venha a te ferir de fato? — Perguntou o loiro com real interesse. Conversar com as pessoas era fascinante e sempre rendia alguma inspiração para boas histórias.
— Não, sempre consigo controlar meu irmão. — Kanon respondeu confiante.
Naquela conversa Radamanthys descobriu que Kanon e Saga, o irmão se chamava Saga, eram órfãos e que Saga começou a apresentar o quadro de esquizofrenia quando tinham vinte anos atualmente estavam com vinte e nove, quatro menos que Radamanthys. Saga começou a ter surtos psicóticos no trabalho, ele era professor de filosofia, Kanon era biólogo, mas largou seu trabalho para se dedicar ao irmão.
Aquela história de certa forma aguçou a inspiração do escritor que abandonou sua antiga escrita, e passou a se dedicar ao seu novo romance: Os Irmãos de Bayswater.
“Saga, um chefe de polícia corrupto da cidade de Londres, tem a ambição de entrar para a política, se tornar Prefeito, Governador e por que não, Primeiro Ministro?
Saga tinha um irmão gêmeo, Kanon, que também almejava o poder, mas por meios escusos, ao contrário de Saga, Kanon ficava na sombra, agia por trás, não tinha os holofotes apontados para si como o irmão, sabia-se que Kanon era chefe da máfia local.
Em uma emboscada Saga conseguiu prender Kanon que jurou vingança.”
Na manhã seguinte quando Radamanthys foi finalmente dormir já tinha dez mil palavras de seu novo romance.
....
“Ele sabe que eu estou aqui Kanon, ele vai me achar. Você me traiu não foi? Nós vamos matá-lo!”
O loiro escritor acordou assustando-se com as palavras que vinham do andar de cima.
O confuso é que a impressão que Radamanthys tinha era que aquilo não passava de um sussurro, mas como ele poderia ouvir de seu apartamento se fosse apenas um sussurro?
Não dando muita importância para aquele detalhe, Radamanthys se levantou, já era tarde.
Pouco depois de fazer o seu desjejum a campainha tocou.
— Boa tarde Sr. Wyvern, vim trazer o encanador para verificar a infiltração. — Anunciou Alone acompanhado por um rapaz.
“Ótimo! Tudo que eu preciso é um pouco de barulho de obra” — pensou Radamanthys antes de deixar os dois rapazes entrar.
— Lá na cozinha. — Avisou e os rapazes seguiram para o local indicado.
Após alguns minutos, Alone voltou para sala. — Vamos torcer para que ele ache o vazamento.
— Talvez seja no andar de cima. — Sugeriu o escritor para o rapaz que estava de pé em frente à janela.
Percebeu que Alone fez uma careta e o ouviu resmungar. — Deus queira que não!
O escritor iria perguntar se o rapaz tinha medo do irmão de Kanon, mas o encanador os chamou na cozinha dizendo que havia encontrado o vazamento, e a pergunta acabou se perdendo.
....
— Não sente falta de seu trabalho Kanon? — Radamanthys perguntou, era uma noite chuvosa ambos admiravam a chuva que caia lá fora da escada coberta, Kaos, o cachorro de Radamanthys aos poucos foi se acostumando a presença de Kanon, mas deitava sempre próximo ao seu dono.
— Confesso que às vezes sim, pra falar a verdade sinto muita falta do meu trabalho, da minha vida, mas... — Kanon não completou a frase apenas ficou com o olhar perdido no nada e Radamanthys não quis ser mais invasivo, preferiu se calar e passou a observar seu interlocutor.
Kanon era na mesma medida, másculo, forte, mas tinha uma expressão triste que fazia Radamanthys querer protegê-lo, cuidar dele, como se fosse frágil, algo que com certeza ele não era.
Obviamente o escritor não poderia dizer com toda a certeza se o seu vizinho era gay de fato, uma vez que nunca conversaram nada de cunho pessoal, sobre relacionamentos amorosos, e nem mesmo flertaram, ou será que flertaram? Radamanthys não saberia dizer com certeza.
Como se percebesse o olhar o outro sobre si, Kanon o olhou nos olhos de uma forma sensual na opinião de Radamanthys, e pediu. — Fale-me sobre sou novo livro, sobre o que é a história?
O escritor ficou sem jeito por um momento, não poderia dizer que estava escrevendo sobre gêmeos, o clichê: Um bom outro mal.
Na realidade em sua história não havia bom ou mal, ao bem dizer não havia motivos para que não falasse sobre sua obra, obviamente sua inspiração surgiu depois das conversas com Kanon, mas não havia nada que Kanon não pudesse saber claro que seria interessante ocultar a parte dos gêmeos. — Se te contar sobre o que estou escrevendo vai perder o interesse e eu perderei um possível leitor. — Gracejou a fim de evitar responder a Kanon.
O gêmeo de Saga, no entanto sorriu antes de dizer. — Não acredito que me fará comprar o livro para saber!
O loiro apenas sorriu torto antes de responder. — Bom ao menos terá um livro com uma dedicatória especial para você.
Radamanthys não saberia dizer como o flerte entre eles começou, mas podia sentir que em minutos toda a atmosfera ao redor dos dois mudou, havia sim um flerte, havia sim um mútuo interesse.
— Não quer entrar para tomar algo comigo? Um vinho ou um whisky para nos aquecer nessa noite fria. — Sugeriu o escritor notando que o rapaz dos cabelos pretos azulados mordia os lábios de uma maneira sensual tentado a aceitar seu convite, quando começaram a ouvir os gritos de Saga.
“Vou matar a todos!! Não vão me pegar! Jamais permitirei! Morram!!! Morram!!!"
— Droga! — Kanon começou ao se levantar num rápido. — Desculpe, Rad, nosso vinho fica pra outra oportunidade.
O rapaz saiu para auxiliar o irmão que estava em surto, deixando um aborrecido Radamanthys para trás, contudo, o loiro não pôde deixar de sentir seu peito aquecer ao notar que Kanon o chamou por um apelido que só as pessoas muito íntimas tinham coragem de chamá-lo: Rad.
“Você está com eles Kanon, é um traidor, um maldito de um traidor, vou matar você, preciso matar você.”
Radamanthys ainda ficou um tempo a postos para ver se precisaria ajudar o vizinho, mas logo tudo se acalmou.
Não tendo outra opção foi pra casa e passou a trabalhar em seu livro, abriu a garrafa de vinho que pretendia dividir com Kanon, sentou em frente ao seu notebook e começou a digitar.
"Kanon era envolvente e sabia do seu poder de sedução, aos seus pés ficavam mulheres e homens, um desses homens era o agente secreto da Scotland Yard, Rad."
Radamanthys sorriu ao se incluir na história, sim acabara de usar o apelido pelo qual Kanon o chamara há pouco. — Tudo bem, depois eu mudo isso com um simples comando de “substituir por” e tudo ficará bem. — O escritor pensou alto continuando a digitar.
“A tensão sexual entre Rad e Kanon era palpável, o agente secreto precisava do mafioso para pegar um peixe maior, seu irmão gêmeo Saga.
Kanon, como bom negociador que era, conseguiu um acordo com a Scotland Yard, eles o deixariam em paz e ele seria o informante. Os dois começaram a trabalhar juntos e a tensão sexual aumentava a cada novo contato...”.
Radamanthys digitava alucinadamente, fazia algumas pausas somente para tomar um gole do seu vinho ou acender um cigarro, que muitas vezes queimava no cinzeiro sem mesmo ser consumido por inteiro.
....
Naquela noite Radamanthys escreveu sua primeira cena de sexo gay, tinha certeza que seu editor iria barrar aquele trecho, mas isso não tinha importância, escrever sobre o mafioso Kanon se deixando seduzir e se entregando para o agente secreto Rad, fora extremamente excitante, ao final da cena o escritor, que já estava completamente bêbado após secar duas garrafas de vinho, estava inacreditavelmente excitado.
O loiro foi para o seu quarto e tirou a roupa deitando, completamente nu, passou a acariciar seu corpo com as mãos, sentindo seu membro rijo, começou a se tocar chamando por Kanon. — Ahhhhh, Kanon... como que quero te sentir... entrar em você!
— Hummm... está fazendo isso pensando em mim? — O escritor assustou-se quando ouviu a voz de seu vizinho ali em seu quarto.
Pego em flagrante delito, Radamanthys pôs-se a questionar o irmão de Saga. — Kanon...? O quê...? Como entrou aqui?
— Shhhhh... Eu sei que você me quer aqui, eu sinto. — Começou o moreno fazendo gesto com o dedo na boca para calá-lo. — Não importa como entrei, o que importa é que estou aqui... aliás, eu estava aqui há muito tempo, vi o que escreveu, é um desejo?
— O quê? — Começou o escritor num sussurro como se tivesse medo de Kanon desaparecer caso fizesse algum movimento brusco.
Sorrindo maliciosamente, Kanon ajoelhou na ponta do colchão e foi engatinhando até Radamanthys.
— Eu fechei tudo... sou muito cuidadoso... Como você entrou aqui? — Radamanthys conseguiu perguntar em um sussurro, mas engoliu seco ao ver Kanon passando a língua pelos lábios maliciosamente olhando para o membro rijo do escritor.
— Pense bem... Acho que tem coisas mais interessantes pra fazermos, aqui e agora. — Kanon falou cheio de mistérios ao esticar a mão e tocar no membro rijo do escritor que soltou um gemido. — Você quer mesmo ficar conversando?
Radamanthys não sabia dizer se foi pelo vinho ou se foi só pelo desejo que tinha de possuir aquele homem másculo, resolveu para de questionar ou tentar entender o que estava acontecendo ali e puxou Kanon pelo braço trazendo o outro para perto de seu rosto, ambos se olharam intensamente antes de se beijarem com fervor.
Sentir o gosto de Kanon para Radamanthys foi divino, um beijo forte, firme, duro! Ali haviam dois homens sedentos pelo controle da situação.
Radamanthys ficou por cima e ajudou Kanon a tirar sua camisa, ao ver o dorso nu do outro, o loiro salivou de desejo, lambeu aquela barriga definida que era um convite para a perdição.
Kanon gemeu arqueando o corpo totalmente entregue.
Radamanthys sorriu ao ver o outro gemendo sob seus toques, tinha a certeza de que vencera a disputa entre dos dois sobre quem dominaria a transa.
Sentando sobre seus joelhos o escritor tirou as calças do moreno e notou o membro já desperto por baixo da roupa íntima de Kanon.
Mordendo os lábios, Radamanthys tirou aquela incômoda peça liberando seu objeto de desejo, com suas mãos fortes o loiro segurou aquele falo rijo e lambeu toda sua extensão, fazendo Kanon arquear o corpo de prazer.
Sorrindo de lado o loiro lambeu todo o cumprimento do pênis, e apreciando os gemidos de prazer do outro, o colocou na boca iniciando a sucção.
— Ai, caralho! Isso é muito bom! — Kanon disparou entre os gemidos enquanto elevava seus quadris de encontro à boca do seu escritor.
A ereção de Radamanthys estava incomodamente latejante em suas calças, o loiro sabia que em breve teria que se aliviar, então começou a preparar o segundo passo daquelas preliminares. Ainda com o falo de Kanon em sua boca que não parou de sugar, exceto nos momentos em que parava para lamber a extensão deixando Kanon mais maluco de excitação.
Radamanthys usou a própria lubrificação de Kanon para molhar os dedos e começou introduzindo um, tomando cuidados para não negligenciar o trabalho que fazia na frente, Kanon apenas gemeu e inconscientemente abriu as pernas para facilitar o trabalho de Radamanthys.
Logo o escritor adicionou o segundo dedo, e olhando nos olhos de Kanon recitou:
“A Língua fala, a Língua sente; Mas a Língua também toca e tocando faz-se canto, e o encanto se faz então... Presente!!!”
Dito esse pequeno verso Radamanthys voltou a se dedicar ao falo de Kanon, acariciando-o profundamente.
Já sentindo que podia explodir a qualquer momento, Radamanthys pediu: — Eu preciso de você Kanon, muito!
O moreno sorriu malicioso e puxou o loiro para um beijo, ao que foi prontamente correspondido. Havia muito desejo e paixão mútua naquele beijo.
Sem aviso Kanon girou o corpo ficando por cima com as pernas abertas entre o corpo de Radamanthys. — Já disse que gosto de estar no comando, acho que vai ter que mudar esse trecho em seu livro, eu vou te mostrar como você deve fazer.
Com os olhos vidrados em Kanon, o escritor atiçou. — Vamos lá, me mostre o que você sabe fazer.
Kanon sorriu malicioso, esticou o corpo abrindo a gaveta do criado mudo, onde encontrou o frasco de lubrificante.
Radamanthys o olhou surpreso. — Mas... Como?
O escritor não concluiu seu questionamento e o moreno já o respondia.
— É meio óbvio, não? Todo mundo guarda o lubrificante próximo à cama. — Kanon respondia passando uma generosa quantidade de lubrificante no falo do loiro que gemeu ante a expectativa.
Com uma perna de cada lado do corpo do amante, Kanon desceu vagarosamente fazendo Radamanthys soltar um lamento de prazer, não tardou para que Kanon começasse a se movimentar ditando a regra da transa, cada vez mais forte, cada vez mais intenso, cada vez mais perto...
O loiro estava alto pela bebida, sentia-se totalmente etéreo, era só sensações. Olhava para Kanon e via-o cavalgando sobre seu falo, Radamanthys sentia sua cabeça girar, a boca adormecer, o coração disparar, tudo era muito ardente, a expressão de prazer no rosto de Kanon, os próprios gemidos de deleite que soltava, cheiros, risadas, respiração ofegante, sussurros... Kanon.
...
— Kanon? — Radamanthys despertou sonolento, não fosse o vinho de boa qualidade que bebera estaria com uma bela dor de cabeça, tinha certeza disso.
Passou as mãos por sua cama, acariciou os lençóis. — Kanon, onde você está? — Perguntou sem nenhuma resposta. Tudo em sua mente estava confuso, não lembrava o que tinha acontecido depois do sexo, a bem dizer não se lembrava nem de como terminou o sexo. “Será que eu passei vergonha?” “Será que eu consegui ir até o fim?” — Pensamentos como este giravam na mente do escritor.
Observando seu quarto Radamanthys não conseguiu encontrar nenhum sinal de roupas, o que significava que Kanon já deveria ter deixado sua casa.
— Cacete! Será que foi um sonho? — Se perguntou sem saber a resposta, mas seu sorriso floresceu um pouco quando olhou para o lado e viu o frasco de lubrificante aberto, o cheiro de Kanon ainda era forte em seu corpo, ele se jogou para trás, as costas colidindo com o colchão dando uma sensação ótima de realidade — Impossível!
Já era tarde quando Radamanthys finalmente levantou da cama, afundado no aroma de sexo e conforto que desfrutara na noite anterior, e ainda assim só o fez porque Kaos o estava perturbando para ir ao banheiro e o loiro lembrou-se do acordo entre eles: Ou saiam ou tudo seria feito dentro de casa.
— Vamos seu cachorro chato. — Falou fechando a porta de casa olhando para o andar de cima, tudo estava fechado.
Radamanthys ainda estava envolvido com o fato de que Kanon não deixara vestígios em seu quarto, em sua cama não havia sinal de que outra pessoa estivera ali, claro que em seus lençóis haviam manchas de esperma, e o frasco de lubrificante eram provas cabais, mas poderia ele mesmo a ter deixado lá, e camisinha? Não costumava transar sem camisinha, mas bêbado como estava não se atentou para esse detalhe.
— Merda! — Deixou escapar antes de ser puxado pelo seu cachorro para a rua.
Naquela noite Radamanthys foi fumar seu rotineiro cigarro próximo às escadas, na esperança que Kanon aparecesse, porém tudo continuava extremamente silencioso no andar de cima.
"Acho que eles não estão em casa" — pensou o escritor antes de jogar seu cigarro fora e entrar.
Como não tinha mais nada para fazer, nenhuma distração, Radamanthys sentou em frente ao seu Notebook e começou a trabalhar em seu livro.
"A grande reviravolta veio quando Rad descobriu que o grande vilão não era Saga, este fora apenas usado como uma a peça pelo verdadeiro agente do mal: Seu irmão gêmeo Kanon.
Rad não podia acreditar, também ele fora usado pelo criminoso sem escrúpulos, só agora com a morte de Saga tudo foi esclarecido, mas o agente da polícia secreta britânica jamais se daria por vencido.
Ele pegaria Kanon, nem que isso fosse a última coisa que faria na vida."
Radamanthys espreguiçou-se na cadeira colocando um pouco mais de café em sua xícara, anoiteceu e amanheceu e ele ali digitando sem parar.
Talvez seu subconsciente estivesse apenas esperando que seu vizinho voltasse para casa, mas até o momento nenhum sinal de Kanon ou do irmão maluco.
....
Os dias foram passando cada dia sem a presença de Kanon, Radamanthys ficava mais e mais inquieto.
A medida que os dias passavam o escritor passou a ficar muito nervoso, sempre muito irritado e com o tempo a irritação passou a ser preocupação, algumas semanas depois sua preocupação passou a ser melancolia.
Kanon foi embora sem se despedir, isso era um sinal de que o rapaz não sentia por Radamanthys a mesma coisa que Radamanthys sentia por ele. E com esse pensamento o escritor foi se fechando mais a cada dia, mal levantava de sua cama.
...
Certa noite Radamanthys estava com febre, uma gripe o pegara.
Em meio ao sono agitado pela febre e pelo tiritar dos dentes, Radamanthys sentiu a presença de Kanon, então abriu os olhos e confirmou seu amado estava ali.
— Kanon!
— Rad, me perdoe eu não tinha o direito de fazer isso com você, nem comigo. — Kanon dizia enquanto acariciava o rosto do loiro.
— Do que está falando Kan? Somos adultos e eu... — Radamanthys não concluiu o que ele estava dizendo, pois Kanon tampou seu lábio com os dedos.
— Não, Rad... não somos... não podemos, eu não posso, não mais... — Dizendo essas palavras Kanon voltou a beijar o escritor febril antes de se despedir.
— Não, Kanon, não vá! Kanon!! — O loiro pedia em meio ao desespero de ficar sem Kanon mais uma vez.
— Kanon! — Radamanthys acordou num susto, tinha sido um sonho, um sonho real, mas apenas um sonho.
...
Três meses haviam se passado desde aquela noite, Radamanthys se sentia a cada dia mais e mais angustiado pelo sumiço de Kanon.
Certa tarde os irmãos Sasha e Alone foram até a casa de Radamanthys para receber o dinheiro do aluguel e conversar sobre outros fatores referentes ao aluguel.
— É uma pena que pretende nos deixar Sr. Wyvern, mas me diga já terminou o seu livro? — Perguntou a irmã de Alone.
— Ainda não encontrei um final descente, por mais que me esforce não consigo pensar em nada. — Radamanthys respondeu apenas por educação, não era um homem de muitas palavras quando se tratava de conversas reais.
— Entendo, para nós será uma grande perda, era uma honra tê-lo conosco. — Voltou a falar a moça.
— Imagino ainda mais que os moradores de cima também foram embora, não é? — Começou o inquilino na esperança de que Sasha pudesse lhe informar alguma coisa sobre o paradeiro de Kanon.
Mas os irmãos apenas se olharam confusos. — Do que está falando Sr. Wyvern? — Perguntou o jovem Alone.
— Dos gêmeos, oras! — Insistiu o loiro.
Os irmãos voltaram a se olhar, então Sasha voltou a falar. — Não sabíamos que o senhor estava a par desse caso, sempre evitamos falar sobre isso.
— Que caso? Evitaram? O que houve? — Perguntou Radamanthys sentindo o coração apertar, como desconfiava havia algo errado.
— Sr. Wyvern não estou entendendo? Do que o senhor está falando? — Perguntou a moça.
— Oras, do que estou falando? Dos gêmeos que moravam aqui em cima? O que houve com eles? O que houve com Kanon? Nós conversávamos sempre e ele sumiu de repente. — Despejou Radamanthys de uma vez, odiava jogos de palavras.
Os irmãos se levantaram assustados e Radamanthys não sabia o porquê daqueles olhares acusatórios.
— Sr. Wyvern, eu não acredito que está brincando com algo tão horrível. — Sasha começou indignada.
— O que tem de tão horrível em conversar com o vizinho de cima? — Questionou Radamanthys se sentindo ofendido, se ela estava alarmada por uma conversa, imagine se soubesse de... todo o resto?
— É impossível que tenha conversado com ele, francamente! — Quem falou foi Alone desta vez.
— E por que é impossível? — O escritor perguntou se virando para o rapaz.
— Porque eles estão mortos! — Respondeu a moça sem paciência. — Eles estão mortos e muito antes do senhor chegar aqui, se pretendia fazer uma piada sobre isso, saiba que achei de péssimo gosto.
De tudo que fora dito naquele momento Radamanthys só absorveu uma palavra: Mortos.
Sasha só parou de falar quando percebeu que o seu inquilino estava pálido como se tivesse prestes a desmaiar.
— Quando? Como? Eu... Eu não sabia de nada, ninguém me falou nada... mortos? — Repetia Radamanthys sem acreditar ou até mesmo sem entender, sentou-se em seu sofá tremendo, Alone foi pegar um pouco de agua enquanto Sasha se aproximou falando em tom ameno agora.
— Sr. Wyvern, isso já faz alguns anos, nós erámos crianças, o senhor pode tentar achar algo sobre o caso pela internet, não posso falar muito sobre isso, não me faz bem e não tenho informações concretas sobre o caso, como disse, eu era uma criança, mas deve haver uma explicação lógica, com certeza alguém de má fé se fez passar por eles. — A moça se levantou e continuou a falar. — É uma monstruosidade sem tamanho. Sinto muito Sr. Wyvern.
Neste momento Alone falou como se percebesse algo importante. — Será que invadiram o apartamento de cima? Claro, está fechado há tanto tempo, algum espertinho deve ter entrado lá.
— Você tem a chave? Podemos ir lá tirar essa história a limpo de uma vez por todas. — Perguntou Radamanthys que queria provar a si mesmo de que não estava louco.
— Sim tenho, mas... Não sei ir até lá? — Começou o rapaz com receio.
— Francamente, um homem na sua idade com medos toscos. — Bronqueou o inquilino.
— É que dizem que o irmão maluco matou o outro enquanto ele dormia, num surto de loucura e o crime foi lá em cima. — Voltou a falar o rapaz sob os olhos tensos da irmã.
"Crianças, hunf" — pensou Radamanthys estendendo a mão sinalizando que queria a chave, sem outra opção, Alone lhe entregou, o escritor saiu apressado e foi seguido pelo jovem temeroso.
Ao colocar a chave no buraco da fechadura, o coração de Radamanthys estava com os batimentos mais lentos do que ele já teve lembrança, como se fosse parar a qualquer momento, “Kanon não foi uma miragem, não foi” — pensou o loiro ao girar a maçaneta.
A porta foi aberta inicialmente a falta de luz no ambiente não os deixou enxergar muita coisa, Radamanthys então entrou no apartamento e logo achou o interruptor, acendendo as luzes, que piscaram um pouco antes de acenderem por completo.
Lá estava o apartamento, lençóis brancos cobriam os móveis, havia muita poeira, uma prova de que não entrava ninguém ali há muito tempo.
— Esse crime, como foi? — Perguntou Radamanthys sério andando pelo local, sendo seguido pelo jovem senhorio.
— Bom, tudo que sei eu li na internet, algumas matérias da época, pois o caso chocou muito, o irmão maluco atacou o outro com uma faca enquanto ele estava dormindo, dizem que eram gêmeos, isto foi o que fez o caso ter maior notoriedade na época. — Explicou o jovem.
Radamanthys andava pelo local sem saber ao certo o que procurava quando pisou em algo e o barulho de vidro se quebrando se fez presente.
O escritor olhou para baixo para ver onde havia pisado.
— Você se machucou? — Ouviu Alone perguntar, mas o mundo parou naquele momento, no porta-retratos que há pouco estava embaixo de seus pés havia uma foto onde Kanon sorria sedutor acompanhado de uma cópia de si mesmo.
— Kanon! — Falou pouco mais alto que um sussurro.
O jovem ao seu lado piscou algumas vezes antes de compreender o nome que saiu dos lábios de Radamanthys. — Esse é o cara que você viu?
— Este é o homem que esteva comigo durante muitas noites, isso não pode ser verdade... — Radamanthys falava incrédulo. — Eu estive com ele, não foi uma miragem, meu cachorro Kaos, ele também o viu.
— Tem que haver uma explicação lógica pra isso, tem que haver. — O rapaz dizia, mais para si do que para o seu interlocutor.
Radamanthys apenas olhava a foto, incrivelmente ele conseguia distinguir perfeitamente quem era Kanon e quem era Saga.
— Só pode ser isso! — Alone falou como que tivesse acabando de pensar em algo e o loiro olhou para ele indagando com o olhar. — Um deles ficou vivo, claro deve ter sido o irmão maluco! Ele deve ter vindo para cá, com certeza foi isso.
Aquela era a ideia mais próxima à realidade que existia no momento, com certeza havia de ter acontecido isso, Radamanthys apenas confirmou com a cabeça antes de saírem, ele levando a foto dos gêmeos consigo.
...
Radamanthys queria respostas concretas, e os assuntos dos gêmeos mexera muito com ele, afinal havia perguntas sem respostas ainda. Quem era o assassino? Quem era o rapaz que esteve com ele naquelas noites? Quem era o homem por quem se apaixonara?
Para procurar as respostas que precisava, o escritor começou a pesquisar sobre o assunto, como os seus senhorios sugeriam: Usando a Internet.
“04/06/1999* — Bayswater — Jornal Local — HOMEM MATA IRMÃO GÊMEO DORMINDO DURANTE SURTO PSICÓTICO”
“Na madrugada dessa sexta feira, um homem de vinte nove anos matou seu irmão gêmeo enquanto este dormia, o homem de nome Saga sofre de esquizofrenia e atacou o irmão durante uma crise. Os vizinhos incomodados com os gritos do rapaz chamaram a polícia, que ao chegar ao local encontraram Saga coberto de sangue e seu irmão gêmeo morto no quarto com vários ferimentos no peito. Um levantamento preliminar informou que Saga deferiu ao menos dez golpes em seu gêmeo, que não resistiu aos ferimentos e morreu sem oferecer muita resistência ao agressor.”
Radamanthys lia a matéria atentamente procurando por mais notícias sobre o caso.
"GÊMEO MAL, SAGA NIKOLUS FOI ENCAMINHADO AO MANICÔMIO JUDICIÁRIO — Saga Nikolus, que matou seu irmão gêmeo a facadas enquanto este dormia foi considerado incapaz pelo júri sendo encaminhado para o manicômio judiciário sem tempo determinado, o caso chocou Bayswater, ambos tinham apenas vinte nove anos quando o crime ocorreu."
— Manicômio judiciário! — Repetiu o loiro, pesquisando e anotando o endereço do lugar.
"Saga pode ter tido alta ou fugido e se fez passar pelo irmão" — deduziu Radamanthys, mas no fundo de sua alma não acreditando naquelas palavras.
*-*-*-*-*
— Bom dia Sr. Wyvern, meu nome é Pandora Heinstein, sou a psiquiatra responsável desta unidade. — A bela moça morena de longos cabelos pretos o cumprimentou estendendo as mãos.
— Bom dia, Sra. Heinstein.
— Pandora me chame de Pandora. — Pediu a médica. — Achei curioso seu interesse pelo Sr. Nikolus, sabia de que desde que ele veio parar aqui ele nunca recebeu uma visita? — Questionou a médica enquanto andavam pelos corredores.
— Sim, tenho pesquisado muito sobre o caso deles, para o documentário, como expliquei ao telefone. Eles não têm parentes, eram somente os dois. — Respondeu o escritor sem se dar conta de que falava no plural, mas esse detalhe não passou despercebido pela médica.
— Sr. Wyvern, o Saga é esquizofrênico e bipolar, ele consegue ir da mais contagiante felicidade, a mais profunda tristeza em pouco tempo. Algumas vezes consigo conversar com ele como se fosse uma pessoa normal, mas quando os surtos começam... — A médica não terminou de dizer o que acontecia depois que os surtos começavam, pois o escritor a cortou.
— Sra. Hei... Pandora, eu gostaria de vê-lo, por favor! — Pediu Radamanthys sem conseguir segurar sua ansiedade.
— Especialmente hoje ele está em surto Sr. Wyvern, tivemos que o na cela reservada para evitar que ele atente contra sua própria vida. — Explicou a médica. — Não é uma cena bonita de se ver.
— Senhora, eu preciso vê-lo, por favor. É muito importante para mim.
— Tudo bem, mas ele em surto não fala nada com nada, eu mesma que cuido dele há anos não consigo entender nada. — Explicou a médica antes de entrarem na ala em que estava Saga.
Radamanthys sentia o coração acelerar, o frio na barriga, a tensão de não saber o que encontraria ali.
O barulho dos trincos ecoou, e a pesada porta se abriu dando a Radamanthys a visão do local.
Grossas espumas cobriam as paredes e o chão, a sala nada mais era que uma caixa gigante, não havia cama, não havia mesa, não havia móveis algum e deitado no chão com os braços envolta do corpo estava Saga.
— Como eu falei essa é a ala de segurança, o paciente no estado dele por vir a se machucar e a machucar outras pessoas, por este motivo não há móveis aqui. — Explicou a médica.
Saga estava deitado resmungando alguma coisa e Radamanthys aproximou-se para ouvir melhor o que o outro dizia.
— Ele me traiu, me traiu. — Saga falava sozinho. — Ele mereceu morrer, ele me entregou pra máfia, por isso eu matei ele. Matei, matei.
Radamanthys sentiu o sangue gelar, Saga não podia estar falando de... "Não, isso é impossível, Saga está narrando minha história? Mas como?" — Pensou Radamanthys perturbado.
Negando com a cabeça para si mesmo o loiro concluiu seu pensamento, "isso é uma coincidência, uma terrível coincidência, mas só.”
Naquele momento, Saga se virou e ficou encarando o visitante.
Era como estar na presença de Kanon, mas Radamanthys tinha plena consciência de que aquele homem não era o homem que mexeu com ele durante aqueles meses.
— Ele traiu o oficial também, traidor!! Traidor!! — Começou Saga. — Ele mereceu morrer, traidor.
Radamanthys saiu do quarto e foi seguido pela médica.
— Tudo bem Sr. Wyvern?
— Sim, sim tudo bem, só fiquei sem ar. — Desculpou-se o escritor. — Preciso ir embora, vou voltar outro dia com mais tempo, Desculpe.
*-*-*-*-*-*
Ainda no apartamento em Bayswater Radamanthys estava sentado em frente ao seu notebook pensava no final de seu livro onde Rad descobriu a traição de Kanon, mas não sabia o que fazer, que decisão tomar. Caçar o traidor ou simplesmente o deixar ir?
Sem conseguir se concentrar resolveu sair para para fumar, e quem saber ter alguma ideia para o que fazer com Rad e Kanon?
Sentado na escada como de costume, Radamanthys sentiu a presença dele, viu seu cão Kaos abaixar a cabeça olhando fixamente para trás de onde estava o escritor.
— Me desculpe, Rad. — Pediu Kanon triste.
Radamanthys virou-se e lá estava ele, o homem que mexeu com ele, o homem por quem ele se apaixonou, mas ao contrário das outras vezes, desta vez Kanon ostentava uma blusa banhada de sangue e um ferimento no peito.
Sentindo os olhos lacrimejarem, Radamanthys perguntou: — Como? Como isso é possível Kanon?
— Eu não sei Rad, você deixou tudo aberto para mim, sua mente, seu coração... você podia me ver, você podia me ouvir era como se eu vivesse novamente. — Começou a explicar o irmão de Saga.
— Eu consegui te tocar naquela noite... — Continuou Radamanthys tentando entender o que se passou com eles.
Kanon fez um gesto de que iria tocar no rosto de Radamanthys, mas desistiu antes de concluir o ato. — Eu queria, queria muito mesmo, mas tudo que houve foi na sua cabeça.
— Não! Não, Kanon eu senti os seus beijos, senti o seus lábios, sua pele, não foi imaginação! — Devolveu Radamanthys irritado.
— Rad conhecer você foi importante pra mim, me senti leve, me senti vivo, eu perdoei meu irmão e agora sei que devo seguir em frente. — Começou Kanon em tom ameno, não respondendo os questionamentos de Radamanthys. — Me perdoe, Rad, me perdoe por te envolver nisso e me perdoe por te fazer sofrer.
O escritor sentiu que aquilo se tratava de uma despedida, uma despedida sem volta. — Eu te amo, Kanon.
— Eu te amo, Rad. — Kanon sorriu e aos poucos, sua imagem foi desaparecendo.
Kaos percebendo que seu dono estava triste foi até ele abanando o rabo e lambendo o seu rosto.
— Seu medroso, você sabia não é? Esse tempo todo você sempre soube. — Radamanthys falou acariciando os pelo de seu cão.
....
"Em meio a troca de tiros entre a polícia e os bandidos, Kanon foi atingido no peito para o desespero de Rad que ignorou o perigo e correu até onde estava o amor de sua vida.
— Rad! — Kanon falou surpreso ao ser resgatado pelo seu amor.
— Por que, Kanon? Por que me traiu? — Perguntou o agente.
— Eu não te trai, eu te salvei, Rad eu te salvei de Saga e dos homens dele. — Kanon falou já com dificuldade. — Eu abri mão do meu irmão por você.
Rad sentiu a mão do jovem acariciando seu rosto, um último olhar intenso. O agente tomou a boca do outro num beijo de amor, de despedida, quando os lábios se separaram Kanon não mais vivia.
Fim"
Radamanthys olhou para seu livro concluído e sorriu, depois piscou para a imagem de Kanon no porta-retratos.
Matar esse personagem é o único jeito que eu encontrei de te deixar ir.
Kaos começou a chamar a atenção para que seu dono o levasse para passear.
— Ok! Vamos lá, seu cachorro safado.
Radamanthys salvou seu trabalho e fechou o note antes de sair.
Notas finais
Então me diga o que achou do meu primeiro suspense?
Quis dar a essa fic um ar sóbrio, ao nível das atmosferas londrinas, não sei se consegui. XD
Pois é o Kanon não está mais entre nós, somente o Radamanthys pode vê-lo e libertá-lo de certa forma.
Espero de coração que todos que leram essa fic e em especial você amiga Amelinda tenham curtido essa fic.
Beijos (não esqueça dos comentários)
Fale com o autor