Os Incapazes de Sonhar
28 Capítulo 28: Ultimo Ato
Eles queriam um espetáculo desde principio e era isso que eu iria dar para eles, era assim que iria funcionar.
Eu iria dar um belo espetáculo, onde todos ali seriam atores, eu sentia a loucura, ela tinha chego para mim, ela sussurrou docemente no meu ouvido, maldita loucura que agora tomava conta de meu ser, e saboreava meus lábios.
Eu andei, e abri a porta bruscamente as pessoas apavoradas olhavam para mim e para o corpo que eu carregava, elas me olhavam tentando entender o que aconteceu, eu voltei a caminhar e simplesmente joguei o corpo em cima do que deveria ser uma bancada em frente ao júri.
- Eu o matei, e não tenho medo das consequências, não tenho medo de nenhum de vocês e nunca vou ter medo, eu irei assumir a pós a decisão sobre o que será feio com o Marcus, e não me importo de ter que matar todos nessa sala para eu fazer o que quero.
- Sinto muito, mas foi tarde, já se foi resolvido o que se fará, e alias, nem o próprio Marcus está aqui, ele já está sendo preparado para a morte.
- Onde está Lorenzo?!
Gritei, saquei a espada esperando uma resposta mais nada, apenas olhavam para mim, muitos assustados, outros admirados, eu não entendia o que eles queriam com esses olhares, a única coisa que tinha sobrado era uma garota louca em busca da única coisa que achava que era para ser feito.
Finquei minha espada no chão.
- Eu assumirei de agora em diante, não pensem que podem me matar, conheço cada segredo, podre sobre vocês, e tenho certeza que meus amigos Macbeth e Caim eram me ajudar sem sombra de duvidas, pois, caso contrario, farei todos conhecerem o inferno.
Ninguém ousou nem ao menos pronunciar alguma palavra, eu me retirei da sala sendo acompanhada por ambos.
Lorenzo tratou de aparecer, corria em minha direção, desnorteado, ele não parecia calmo, o que confirmava mais meu pensamento, Marcus estava morto.
- Tem um isqueiro?
Perguntei para ele, sem nem pronunciar uma palavra ele procurou em seus bolsos do seu traje e me entregou um isqueiro com um desenho de um dragão, um isqueiro feito de ouro, o mais puro e nobre ouro.
Ascendi e admirei durante alguns segundos suas belas chamas, e então simplesmente incendiei uma das cortinas, que logo pude ver o fogo tomar conta da sala, era assim, assim que tudo iria terminar para eles, e assim que eu atingiria o ápice da loucura.
- Vamos
Fechei o isqueiro e apertei forte em minha mão.
Andamos em direção à porta e em pouquíssimo tempo já estávamos no lado de fora, tomei alguma distancia o lugar e observei, observei como o fogo já havia se alastrado apreciei os gritos das pessoas, aos poucos não sobreviveria mais ninguém nesse lugar infernal.
É assim que tudo iria terminar, ou quem sabe começar.
O que eu faria daqui para frente, com a morte de Marcus, eu não sabia, meu coração pesado doía mais que tudo. Fechei os olhos para apreciar mais um pouco som, mas já estava na hora de ir, de fazer o que eu tinha que fazer.
Eu começaria agora com um trabalho que eu antes não julgaria digno de alguém como eu, mas o tempo passa, e as pessoas mudam, ficam fortes ou fracas.
Sem sonhos ou sonhadoras, isso depende tanto delas como de sua essência, de quem elas são realmente.
Mas o que eu faria agora não era algo que eu escolheria para mim, mas podemos dizer que isso foi obra do destino, se é que existe algo assim, bem, eu não sei dizer, mas se estou aqui, se sou o que sou, se passei o que passei, foi algo que deveria acontece, o que me fortaleceu foram minhas perdas, o que me tornou tão forte a ponto de suportar tantas cicatrizes foi o tempo, e por final o que me tornou tão forte para aguentar o que essa maldita vida me impôs foi o fato de que acima de tudo eu nunca me esqueci dos meus valores, minha honra.
Por que nesse mundo, fedido e ridículo, isso seria o que sobrou de nossa sociedade, foi o que me fez ser assim... Apenas espero que esse ódio que eu sinto por isso tudo alcance você... Mas, no final a culpa é de nossas almas...
Somos o que somos. Nada mais, nada menos.
Por que tal infelicidade que tocou meu coração, um dia poderá quem sabe beijar seus lábios e como um ato comum e te dizer boa noite, mas garanto que para pessoas como eu, ela não é tão amigável.
Incapazes de sonhar, sem coração, sem esperanças e sem sonhos. Buscamos por algo quem nem nós mesmos sabemos dizer, enquanto isso, nós nos tornamos nossos próprios pesadelos.
Pessoas como nós há muito tempo se esqueceram de como sorrir com veracidade.
Olhei para o céu mais uma vez, antes de entrar no carro...
Em outro lugar.
Ele olhou para o céu, sem medo, sem destino.
- Você se tornou minha melhor obra prima, a minha melhor pintura, minha garota. Você será o que sou. Nada mais, nada menos.
Ele continuou a caminha para longe dos olhos de todos.
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