Os Incapazes de Sonhar
13 Capítulo 13: Primeira Porta
Eu estava assustada, eu caminhava com ele, ele praticamente arrastava-me pelo corredor macabro, as imagens, aquelas crianças, tudo isso iria permanecer eternamente na minha memória no meu ser.
Então restavam apenas três portas... Depois de ver todo aquele terror, a face de jovens, de crianças, homens e mulheres, haviam restado apenas três portas, que me levariam em um lugar que onde eu tenho certeza que me marcaria... Para sempre.
- Hm... Esta é minha parte preferida.
Eu olhei para as três portas tentando saber o que o Marcus ia fazer, ele estava em tom pensativo, acho que tentava lembrar-se de algo, pelo menos era o que sua face demonstrava.
Então ele caminhou em direção da porta que estava em nossa frente, ele virou para me olhar e parecia curioso sobre algo.
- Venha.
Ele chamou, e eu fui, dei os mesmos passos que ele. Entrei na sala, havia um homem ali, virado, eu apenas via suas costas, ele usava roupas de festas e uma cartola.
Marcus me guiou até a frente dele, observei, ele estava em uma mesa colonial, o lugar era decorado como uma sala de jantar. Haviam três empregados, não prestei atenção nos empregados... O homem de cartola, ele sim, algo nele, me chamava atenção, eu olhava mais e mais... E ele que estava de cabeça baixa não ousava nem ao menos se mexer, continuou imóvel por algum tempo.
- Meu senhor, o jantar será servido, e é seu prato favorito.
De modo estranho ao olhar para o lado um dos empregados estava com uma bandeja de cor prata, talvez até fosse do material.
Ele abriu a bandeja e quando vi...
- Marcus!? O que é isso? Isso é...
- Desculpe senhorita, mas esse é o jantar do meu senhor, se continuar gritando sua presença será incomoda.
Marcus permaneceu quieto, eu estava assustada. O homem deu uma garfada,depois começou a comer com gosto, como se fosse à coisa mais deliciosa do mundo.
Nunca senti tanto nojo na minha vida...
- Eu mesmo tirei os ossos.
Um dos empregados disse como se fosse à coisa mais maravilhosa do mundo. Não aguentei corri até ele.
- Maldito! O que pensa que está fazendo? Tirar os ossos disso? Você sabe muito bem o que isso era! E como pode?
Eu gritava com ele, ele olhou pra mim. Os outros dois riam, enquanto ele me olhava com desprezo.
- Eu sei muito bem o que era... Afinal Todos nós já fomos algum dia um recém-nascido... E te garanto que foi extremamente excitante o ver chorar de dor... Foi um dos melhores momentos da minha vida, nunca vou me esquecer daqueles olhos pequenos que não entendiam nada do que estava acontecendo.
Meu coração se despedaçou, nunca tinha sentido tanto ódio na minha vida, eu me virei, o que eu poderia fazer? Onde eu estava? Essa loucura, ele estava comendo uma pessoa morta, uma criança, que provavelmente sofreu torturas até o final de sua vida...
Virei-me e acertei-lhe um soco, ele foi para trás com o impacto, mas ao voltar era como se não sentisse nada, era como se não houvesse dor.
Marcus me puxou e me colocou atrás dele... Ele encarou os três empregados e todos ficaram em silencio no mesmo estante, era como se o Marcus fosse à autoridade máxima.
- Está gostoso?
Marcus perguntou ao homem da cartola que ainda estava com sua cabeça baixa, era quase impossível ver seu rosto...
- Nada como um bom jantar.
O homem respondeu e olhou para o Marcus. Eu que estava atrás dele, fechei os olhos com força e coloquei minha cabeça nas costas do Marcus. O homem simplesmente tinha os olhos costurados, Só dava para ver a pele, e a marca da costura... Eu fiquei horrorizada, minhas lagrimas caíram mais e mais...
- Vê isso Sofhia? Esse é o destino desses infelizes. Pessoas como eu, são
marcadas para serem demônios. Eu sou um deles... Só que eu opinei por uma vida mais divertida... Nós somos monstros, por que a vida nos transformou assim.
Ele se virou para me encarar, eu estava assustada, tremia, sentia nojo de mim, nojo deste lugar, nojo de tudo que me cercava ali.
- Este homem, é mais um dos infelizes que eu já conheci, eu o abriguei aqui, conforto, silencio e uma boa gastronomia.
Ironia era o que saia de sua voz.
Neste mundo, onde trouxe você forçadamente, você é apenas mais um dos meus bixinhos bem tratados... Por que, você ainda não viu todos os demônios que ti cercam...
- Demônios?
- É apenas uma expressão, já que nós não podemos ser considerados anjos, mas não se preocupe minha Sofhia, demônios também tem sua luz.
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