Notas iniciais
Primeiro ato do casal mais votado nos comentários passados! Eu adoro Jane e Henry, assim como a maioria das pessoas da fanfic. Henry, meu personagem, que ao contrário dos rapazes da época é descontraído e risonho, e Jane, a camponesa Lancaster. Espero que gostem, boa leitura.

Chapter 14

“Amor é fogo que arde sem se ver;

Ferida que dói e não se sente;

É um contentamento descontente;

É dor que desatina sem doer” – Luís de Camões

ATO I

Pensava nela em todo instante, mesmo durante o desjejum e o fumo dos homens na sala de jogos, onde ele permanecia com todos os demais cavalheiros, enquanto as senhoras bebericavam seus chás docíssimos e bordavam tagarelando sobre os melhores partidos da Temporada deste ano. E como se não bastasse, ele podia ouvir seu nome ser exclamado sempre que sua mente o levava a corte de sua senhora. Quanto mais tempo haveria de passar sem vê-la, sem dizê-la. Apenas pensar doía, mais dor que os devaneios que acabavam com finais infelizes para ele, quando ela o recusava, quando se negava a casar com ele.

Por isso, quando o cheiro de fumo tomou conta de seus pulmões e ele não aguentou mais, tirou do bolso seu relógio dourado e observou as horas. Em breve teriam permissão de se juntar ao salão de chá, com as moças. E mesmo assim não era um grande consolo, pois ela não estaria lá. Claro que não estaria. Convidá-la para ir ao retiro não significava que Jane iria aceitar o convite. Sentia-se frustrado, pois além de ter nutrido esperanças de um possível desenrolar romântico entre eles nesta semana que se seguia, estava longe de Birmingham, e não participaria dos bailes que ela participava. E se retornasse e ela já estivesse nos Estados Unidos, sem nem mesmo despedir-se? Seria aterrador!

— Irmão, por que não tiras este olhar de peixe morto do rosto? Ficaria muito mais atraente com um de teus únicos sorrisos brincalhões. – incentivou Bernard Howard, o duque e filho mais velho de Julianne Howard, a marquesa de Molyneux. – Precisas retornar com ao menos um nome em mente, ou mamãe o matará.

— Que me dizes tu? Já escolheu a sua presa? – ele perguntou, lançando ao irmão seu mais enraivecido olhar, enquanto tamborilava os dedos sobre o braço da poltrona. – Ou continua buscando a duquesa perfeita?

— Na verdade, possuo alternativas. Katherine, a duquesa de Northumberland, é uma moça responsável e de grande poder, as terras de seu pai são muito ricas, e quem se casar com ela irá herdá-las. É quase um partido irrecusável, mamãe nunca a soltaria se soubesse que estou considerando-a. – comentou Bernard, enquanto se sentava na poltrona ao lado do irmão menor, e acendia seu cachimbo. – Mas Lolita Fairchild é o grande nome da Temporada. Filha de um militar condecorado, não possui muito sangue nobre, apenas por parte de mãe, mas é inegavelmente bela e educada, seria uma companhia agradável, embora seu corpo pequeno não favoreça o nascimento de filhos robustos, mas mamãe também é estreita e conseguiu cinco filhos saudáveis e fortes. – explicou Bernard – Katherine me interessa muito pelo que tem, ela me ajudaria a controlar os dois ducados e seria uma ótima conselheira quando eu precisasse, saberia criar filhos e eu poderia contar com ela em qualquer situação. Lolita me faria sempre bem, mantê-la por perto para recorrer quando me sentir necessitado, seria uma mãe amorosa para criar filhos obedientes e educados, além de ter um dote incrivelmente grande para a filha de um marechal.

— Pode parar de falar como se isso fosse um mercado de carnes? – Henry irritou-se, tentando imaginar seu irmão avaliando Jane. O socaria, com certeza socaria.

— Ah, mas é exatamente isso que se trata a Temporada. Conhecemos jovens, avaliamos seu valor e damos nossos lances no leilão. O melhor ganha, o pior volta na próxima Temporada.

— Felizmente eu não sou o filho mais velho – Henrick revirou os olhos, enquanto Bernard sorria, como o homem inteligente e sádico que era (por mais que ninguém percebesse).

— Mas há uma terceira opção, que é também muito vantajosa para nós. Lancaster sempre foi o ducado base da Inglaterra, até pouco tempo pertencia a família real, mas agora está nas mãos de uma jovem debutante da sociedade. Quem se casar com ela, recebe Lancaster como dote. Se formos colocar Nothumberland e Lancaster em uma balança, com certeza Lancaster venceria, apenas pela força do nome. “Arquiduque de Lancaster e duque de Norfolk”. – disse Bernard, saboreando os títulos. – E ela não tem muita experiência na sociedade inglesa. Seria muito fácil consegui-la, apostando nos lugares certos.

— Cale a boca. – Henry resmungou, sabendo que ele estava apenas enchendo-lhe a paciência, até que estourasse, como acontecia diversas vezes. Quando crianças, Bernard conseguia ser insuportável. Agora ele se controlava mais, mas continuava a deixá-lo louco.

— A arquiduquesa que não sabe governar um arquiducado. Quanto desperdício. Jane Lancaster com certeza é a minha mais valiosa opção.

— Ela irá chutá-lo no saco antes que você consiga se ajoelhar para pedir-lhe a mão. – afirmou Henry, sem se importar com o tom de voz alto e os cavalheiros ao redor que lhe lançaram olhares furtivos por motivo do palavreado. O irmão arregalou os olhos, ofendido.

— Uma dama jamais faria isto.

— Exatamente, Jane não é uma dama. Ela não é... não é... – Henry tentou pensar em algo inteligente a dizer, algo que elevasse Jane acima de qualquer mulher da Inglaterra, mas colocá-la como “não uma dama” parecia a pior ofensa que ele poderia ter feito diante de uma sala cheia de cavalheiros solteiros e interessados em ouvir o que os irmãos Howards falavam sobre as moças da Temporada.

— Que rude, meu irmão, um Howard jamais desonra uma mulher desta forma, mesmo que ela seja apenas uma criada, não se diz algo como tal. – Bernard cutucou-o ainda mais, fazendo-o chegar ao limite.

— Mas que grande porcaria, Bernard! – gritou, levantando-se de supetão da poltrona, cruzando a sala. – Você é impossível! Tire seus olhos dela antes que eu os tire de você!

E antes que Bernard pudesse responder, deixou a sala de jogos para sair da casa, percorrer o jardim e parar em um banco entre árvores de cerejeira asiáticas, plantadas com esmero entre arbustos de flores brancas e bancos de mármore branco. A grama estava bem cortada e era intensamente verdejante. Um belíssimo quadro para um péssimo humor que o afundava no banco, resmungando conforme repassava o diálogo com seu irmão. Era claro que Bernard só dissera aquilo pois queria irritá-lo, não era segredo seu interesse por Jane, mamãe até mesmo parara de incomodá-lo nos bailes quando passou a correr atrás de sua senhora. Porém, mesmo sabendo que tudo não se passava de uma brincadeira de mau-gosto, imaginá-lo competindo com Bernard pela mão de Jane... não teria chances.

Era assustador.

Enquanto seus devaneios o levavam cada vez mais ao universo sombrio do pessimismo, a delicadeza dos passos de mulher se aproximavam mais e mais, ela muito divertida com toda a situação de tê-lo visto fugindo para os jardins antes mesmo de descer da carruagem. Entre as árvores e arbustos, escondia-se com o mais belo e rico veludo em corpete, azul vívido e mangas de brocado com fios de ouro desenhando folhas de outono douradas. As anguinhas moviam-se na parte traseira do vestido, o que a incomodava um pouco, mas era a moda, decerto melhor que armações de metal. Seus sapatos afundavam na grama molhada pelo clima tempestuoso.

Henry estava sentado com as costas curvadas, os cotovelos apoiados nos joelhos e a cabeça baixa. Olhos fechados e milhares de suspiros soltos com extrema dramaticidade. Jane achou-o muito teatral e melancólico, o que a fez hesitar entre se sentar ao seu lado ou simplesmente deixá-lo sozinho com seu... sofrimento? Seria possível Henrick Howard sofrer? A única imagem que lhe cabia bem era o sorriso animado e o olhar endiabrado.

— Quem está aí? – ele se levantou, de repente, braços erguidos e punhos fechados, em posição de luta. Quando concluiu quem estava aí, deixou os braços caírem mortos ao lado do corpo. Ele inteiro estava mortificado com visão tão oportuna de uma deusa da felicidade, afinal fora tomado pela tristeza sem fim há menos de dois minutos. – Jane...

— Jane Margareth Lancaster, obrigada. – ela corrigiu, piscando os olhos em seguida.

— É claro, onde estão os meus modos? – ele se curvou, um súdito fiel, um vassalo beijando as mãos de sua suserana. – Senhorita Lancaster, a que devo a honra?

— Minha tremenda magnanimidade, sem dúvidas. – respondeu, ainda avaliando o estado de humor dele. Em um momento como este, Henry já teria retrucado algum flerte barato sobre seus belos olhos ou sobre como o vestido lhe caía bem, porém ele continuava apenas segurando-lhe a ponta dos dedos, com a boca próxima de seus nós, olhando para cima, para ela. – Você está bem, Henry?

— Henrick Jonathan Howard, obrigado.

Jane gargalhou, ignorando suas preocupações. Ele não era um garoto de se abalar por sentimentos como tristeza ou melancolia. Simplesmente não seria Henry.

— Senhor Howard, estás bem? – perguntou, curvando-se do mesmo modo que ele fizera.

— Como nunca. Apenas sua presença já me revigora as forças. Nunca estive tão entediado. A Escócia consegue ser pior que a Inglaterra. Mas assim como em qualquer lugar, a senhorita transforma tudo em chocolate.

— Chocolate?

— É, claro. Já viu algum tipo de chocolate não ser bom? – ele perguntou, piscando várias vezes os olhos, como se fosse um fato incontestavelmente verdadeiro (o que por si só já era redundante).

— Não. É mesmo, chocolate é como eu! Delicioso!

— Sem sombra de dúvidas, minha senhora. – e beijou-lhe a mão novamente. Só então Jane percebeu que ele ainda a segurava. – Talvez queira me agradar um pouco, já que estive tão tristonho por dois dias inteiros. Aliás, fora convidada e chegaste atrasada? Entendo que faz parte da etiqueta atrasar-se alguns minutos para um evento, mas dois dias?

— É o proporcional. Atrasa-se uma hora para um baile de três horas. Dois dias para um evento de uma semana.

— Vocês americanos são mesmo gênios, aposto que nenhum britânico chegaria a tal conclusão. Como o esperado, minha senhora.

— Não precisa continuar com esse galanteio. – ela empurrou-lhe o ombro suavemente, com intimidade de amigos que levou Henry a loucura e o trouxe ao fundo do mais profundo abismo, tudo em menos de um segundo. – Somos somente nós, aqui. Jane e Henry.

— Eu não seria um cavalheiro se não me comportasse como um longe dos olhares da sociedade. E eu sou um cavalheiro. – ele disse, com seu sorriso avassalador, que a fez sorrir também. Henry era um grande conforto, afinal ela não se encaixava na fria sociedade inglesa, onde as regras tinham de ser seguidas a risca. Se caso alguém os encontrasse ali, poderiam ser obrigados a se casar. Mas Henry não se importava com isso, ele era diferente, divertido, ele tinha o calor americano do qual sentia falta. Quem diria que sua fazenda no Maine seria mais interessante que uma mansão em Birmingham...

Como ficou em silêncio por tempo demais, Henry começou a se perguntar se toda a sua pompa a estava incomodando. Jane era uma garota comum, cresceu na América, deveria correr com os cavalos ao invés de montá-los com maestria e graciosidade. Apostava que ela já havia carregado fardos de feno nas costas, coisa que nem mesmo ele havia feito ou pensava fazer. De alguma forma, por este motivo, Jane parecia mais forte que ele e ver uma mulher mais forte era estranhamente muito sedutor.

Era ainda mais incrível que suas mãos de dedos calejados e unhas quebradas fossem tão pequenas e bonitas, mesmo ao toque áspero de quem já fez muito trabalho manual, que nunca usou uma luva ao escrever uma carta, que manchou seu pulso com tinta ao redigir seu diário. Essas visões tão simplórias e grosseiras, tão humildes e pobres pareciam formar a diferença entre o encanto que Jane lhe causava e o charme de qualquer outra dama da aristocracia. Ela não se esforçava para ser uma moça perfeita, ela era uma moça perfeita, humana, defeituosa e... normal. “Defeituosa” parecia pesado demais, Jane não tinha problemas, ela não deveria mudar. Eram defeitos bons. Defeitos qualitativos. Defeitos... como os dele, que somente ele tinha conhecimento, já que escondia da sociedade, de todos. Apenas sua família sabia de suas falhas, seus fracassos. E existia aqueles que conseguiam conviver com a humilhação pública, com o pouco, com suas falhas na boca do povo. Essas pessoas eram tão corajosas e fortes! E constituíam 90% da população do mundo. Por que a aristocracia é tão fraca?

— Henry? – Jane estava a sua frente, acenando a mão que ele havia avaliado com tanta perspicácia agora a pouco. Sem pensar, segurou-a no ar, fazendo-a parar de acenar. Continuou em silêncio. – Hen...ry?

— Lancaster é um sobrenome muito forte. – disse, de repente – Você podia requisitar o trono!

— O trono?! – Jane riu, desvencilhando sua mão das dele, o que fez Henry murchar um pouco, mas ela não percebeu. – Você está louco! O que uma fazendeira irá querer com o trono?

— Poder! Riqueza! Legado!

— Legado? – ela perguntou, suas sobrancelhas desalinhadas quase se unindo no meio da testa. Aquilo era muito charmoso, tinha de admitir.

— Sim, estar na história. Rainha Jane I da Inglaterra, o que acha? Conhecida por sua beleza incomparável, a mais bela mulher de seu tempo. Não! De todos os tempos!

— Como você consegue?

— Como consigo o quê? – perguntou, sorrindo travesso para ela, retomando furtivamente a mão da dama entre as suas, enquanto brincava de apertar a ponta de seus dedos.

Jane se aproximou repentinamente dele, sua respiração tocando o rosto de Henry e fazendo-o se arrepiar e contorcer involuntariamente. Cruzou as pernas.

— Repetir essas mesmas palavras para todas as damas que cortejas? – e jogou a cabeça para trás, gargalhando enquanto livrava suas mãos (de novo) das garras de Henry. O rapaz se sentiu insultado, pensou que estava conseguindo progresso, mas era apenas um brinquedo nas mãos daquela cruel criatura de sexo tão forte e impiedoso. Mas ele adorava ser brincado assim.

— Mas não faço isso! Não sou homem de me perder em cortejos sem futuro, eu planto para colher. – disse, o mais decidido possível, deixando de lado todo o seu ar de mocidade. Queria que ela compreendesse seus sentimentos, que os aceitasse ou ao menos ponderasse.

— Plantas palavras para me colher sorrisos? Moças não sorriem por serem flores de frutos, mas por pura cortesia.

— Eu quero um futuro de verdade, Jane, com uma mulher que ame e que me ame, e muitos filhos para nunca se ter a casa em silêncio, para socorrer quando caírem em suas brincadeiras e incentivar quando tiverem medo. Quero adorar a minha esposa como se fosse ela uma deusa e beijar-lhe os cabelos todas as manhãs, para jurar novamente o meu amor.

— Juramentos que têm de ser renovados, nunca são verdadeiros. – Ela retrucou, ainda sorrindo como se tudo fosse uma conversa engraçada. Aquilo o estava irritando, pois não queria tratar de brincadeiras, queria que ela o ouvisse!

— Estou sério, Jane. Muito sério.

— E eu entendo, Henry, também quero um bom casamento, com filhos saudáveis.

— Não – ele se encostou no banco, arriando os ombros e passando as mãos pelos cabelos. – Não é isso... Um casamento bom não é o bastante, é preciso amor.

— Não sei se posso exigir amor de meu companheiro, provavelmente me casarei com o “melhor partido”. Tenho de me pôr a altura de uma Lancaster, ou é isto que todos em Birmingham me dizem quando estou conversando educadamente. – ela confessa – Não posso esperar amor de onde não procuro.

— Mas podes procurar amor! Há milhares de bons partidos capazes de te amar. – ele logo respondeu, tentando tirar aquele peso dos ombros da amiga, que parecia tão tristonha e abatida. O coração de Henry doeu. – Um homem que não te olhe seria louco, um homem que não te deseje seria cego, um homem que não te queira... este com certeza não seria homem.

— Não sou um pedaço de carne para ser desejada, nem uma placa de ouro para ser querida. – Jane empinou o nariz, desviando seus olhos dele e deixando-o com um mortal silêncio, que Henry detestava. Aonde estavam indo parar? Por que era tão complicado ser honesto com quem não queria ouvir a sinceridade?

— Isto não é questão de ser ou não, homens olham, homens desejam, homens querem. Mas há uma diferença muito grande nisso. Olhar todos podem olhar, tanto as damas quanto os cavalheiros, olham e admiram, é uma forma de respeito e de contemplação, todos que são olhados deveriam se sentir honrados e felizes por isso.

— Ora, nisso posso concordar, olhar.

— Estou grato por isto. Em segundo lugar, homens desejam e não podem simplesmente parar isso. É... inconsciente. Eu te desejo ao te ver entrando esplendida pelos salões de bailes e desejo dançar contigo em todas as contradanças e valsas, mas não posso monopolizá-la, infelizmente. Os desejos é que categorizam os homens, eu te desejo para ter ao meu lado, apoiada a meu braço, rindo de meus gracejos. Aqueles que a desejam de formas promíscuas não são cavalheiros ou dignos de ti.

— Estás me convencendo...

— Com muita alegria ouço isto. Por último, homens querem. A maioria das mulheres confunde desejar e querer, mas há uma grande diferença em nossa sociedade. Desejar uma moça não significa que se queira casar com ela, e este é um pecado abominável aos corruptos de honra. Posso jurar de pés juntos que eu nunca a desejei sem antes a querer.

Jane assentiu, calmamente, como se implicitamente ali, naquela frase, não estivesse todos os sentimentos que ele estava reprimindo há anos. Henry queria... queria enfiar tudo dentro da cabeça dela, rodas as engrenagens, fazê-la compreender! Mas Jane logo ergueu os olhos, esperando que ele terminasse sua explicação. Ao menos estava prestando atenção.

— É por isso que você não deve sentir-se ofendida ao ser observada, desejada ou querida. Apenas afirma que és uma dama de alta estirpe e poder sobre nós, meros homens que nada mais sabem que correr atrás de vossas majestades.

Jane riu, concordando ao balançar a cabeça. Sentia-se um pouco melhor agora, havia dito coisas sérias a ela, e gracejado logo no final, e ela ouviu e riu, e isso acalmava seu coração agitado de menino-moço. Mas ainda não era o suficiente.

— Você é tão bom para mim, Henry... – ela suspirou, pousando a tez de sua fronte ao ombro do rapaz, que se eriçou todo, como cão que é excitado a correr atrás de uma bola ainda não lançada. Ainda empertigado, sentiu o peso de sua cabeça sobre seu ombro e entrelaçou os dedos sobre as pernas, tentando não tremer de euforia. Tão próxima, tão íntima! A graça da amizade! A perdição dos fracos de espírito! – Estava me sentindo solitária em Birmingham e não pretendia vir ao retiro. Mas o bailes estavam minúsculos e minha casa é grande demais para mim, perco-me em seus corredores, por isso fico sempre apenas em meu quarto, para que não aconteça algo grave. Estava... um tédio – ela murmura, com uma figura de linguagem norte-americana que Henry demorou um pouco para discernir.

— Sempre é um tédio a Temporada sem mim. – ele concordou com a mesma expressão, olhando-a de soslaio, enquanto Jane apenas suspirava e se aninhava um pouco mais. Henry lembrou-se de respirar quando já lhe faltava forças para resistir aos ataques do coração.

— É...

“E para mim, é sempre um tédio sem você”.

Notas finais
Estou lendo um livro para meu colégio, da literatura brasileira do romantismo, O Moço Loiro de Joaquim Manuel de Macedo que conta o período da regência no Brasil e ♥ Que amor! Estou adorando. Ah, me digam se gostaram do ritmo deste casal. Enquanto o anterior era mais frio e romântico, este é íntimo e sofredor. Pobre Henry... Um beijo estalado nas duas bochechas, de Lady Savoy