Os Homens Merecem Morrer
10 Idealização dos homens, a reunião e dipirona com café
Notas iniciais
CAPÍTULO NOVE
Idealização dos homens, a reunião e dipirona com café
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O início de segunda-feira marcou o começo de uma semana turbulenta após um exaustivo e estressante final de semana.
Rose fora dormir quatro horas da manhã, e acordara as seis para se arrumar para o trabalho, com a cabeça latejando de dor.
— Você está com uma cara de morta que pelo amor de Deus — Scorpius ironizava logo pela manhã, tomando um copo de leite da geladeira. Rose o encarou com desprezo, engolindo dois analgésicos de uma vez. — É sempre assim? Você já se droga sempre que tem uma dor de cabeça?
A ruiva continuou a ignorá-lo, arrumando sua bolsa silenciosamente. Sua mãe e seu irmão ainda não haviam despertado, já que Hugo estava com dor de barriga e não iria para a escola.
— Não vai falar comigo mesmo?
— Que eu saiba, não sou obrigada a falar com você. — Rose serviu-se do café que a cafeteira terminava de passar, colocando-o em sua garrafa térmica. — Segundo, que eu deveria matá-lo por colocar baratas no meu guarda-roupa...
— Você que me prendeu nele logo que me viu na sua casa à noite! — reclamou Scorpius, fechando a cara. — Foi só questão de ficarmos quites.
— Terceiro — Rose prosseguiu, evitando encará-lo. — Eu não te mato porque foi Hugo quem abriu o guarda-roupa. Assim ele aprende a não remexer nas minhas coisas sem minha permissão.
— Isso foi um obrigado? — ironizou Scorpius, terminando de tomar o leite.
Rose arqueou uma das sobrancelhas, já com a mão na maçaneta da porta.
— Não. Não sou de agradecer a homens que não sejam da minha família, quanto mais a caras tão desprezíveis como você. — E dizendo isso, saiu porta a fora, batendo-a em seguida.
Scorpius revirou os olhos, pronto para lavar a louça.
— Bom dia para você também.
(...)
Uma excelente segunda-feira para você, mulher de fibra que acordou tão cedo para ir trabalhar e não tem noção do que seu marido faz enquanto isso. Bom dia para você, mulher carente dos carinhos do marido, ou que está com uma dor de cabeça maldita e não aguenta mais a tagarelice do macho alfa da casa.
Hoje no OS HOMENS MERECEM MORRER, a tia RW vai falar sobre a terrível gripe e o bafo de onça.
Nesse inverno rigoroso (de 30 graus Celsius na sombra ao meio-dia), é comum pegarmos aquele resfriado chato, que ficamos assoando o nariz de cinco em cinco minutos, espirrando intensamente, tendo a garganta arranhada por lindos gatinhos e a dormência no corpo.
E então, entra o maridinho, namorado, peguete na história.
Homem tem a mania de pensar que nós mulheres temos que estar 24 horas por dia perfeitas, arrumadas, com um cabelo que brilha no escuro, um hálito fresco (um oferecimento de Colgate, para uma boca mais limpa e saudável), e com aquele perfume irresistível.
Okay, nós estamos assim ao menos 10 ou 12 horas por dia, quando saímos para o trabalho e chegamos ferradas em casa. Mas a realidade minha gente, é que quando uma mulher fica gripada, a beleza estonteante se vai por uma semana, duas ou três nos casos mais graves.
E então, ficamos o pó da rabiola. E é nessa época mulheres de fibra, que sabemos até onde o amor vai. Porque tudo é um mar de rosas, até ele te ver acordando, com o nariz escorrendo, aquela cara de zumbi que foi atropelada por um caminhão e esqueceu de tirar as marcas de pneu da cara, aquele bafo de onça por conta daquele catarro preso na garganta que às vezes fica preso no peito também (eu entendo amore, eu entendo).
E eles não entendem, querida. Eles ficam chocados pela sua beleza ter ido embora, ficado de folga temporariamente para ir passear por aí pelo bosque. Eles não compreendem nem de longe, que não somos perfeitas como pensam. Sim, somos divas, sensacionais, maravilhosas (beijinho no ombro pro recalque!), mas perfeitas de corpo, alma e mente não somos.
E sabem por que eles desejam tanta perfeição? Porque eles não a possuem nem de longe.
Eles podem ficar gripados, encatarrados, com bafo de onça, mortinhos da silva, mas se ficarmos assim, por um dia sequer, pronto! É o fim do mundo! Divórcio bateu na porta e eles servem até chocolate quente e almôndegas para a maldição do capeta!
São impossíveis os homens que nos aceitam com nossos defeitos mais simples. E uma gripe, é algo tão simples...
Então querida, se o bofe te encara com repulsa quando você está nessa fase tão crítica, mete o pé na bunda dele antes que seja tarde demais.
Fica a dica. E lembre-se: OS HOMENS MERECEM MORRER. Até a próxima.
Rose tirou o fone do ouvido, depositando-o sobre a mesa de som. Alice estava com sua prancheta na mão, fazendo anotações (ou jogando Cruzadinha mesmo).
— Você está com uma cara horrível — Alice comentou, enquanto Rose tomava seu café batizado com dipirona. — Me diga que você não colocou remédio nesse café.
— Okay. Eu não coloquei — A ruiva deu de ombros, fazendo uma careta quando sua cabeça teve mais uma pontada de dor.
Alice suspirou.
— Não deveria misturar café com remédio. Faz que nem manga no leite.
— Quer dizer que vou vomitar? Prefiro isso do que uma enxaqueca horrível — Ficou em silêncio, com a cabeça enterrada entre os braços. — Me diga que tem alguma novidade boa...
— Ah sim! Ia me esquecendo! — Alice olhou sua prancheta. — Temos uma reunião daqui meia-hora convocada pela chefe.
Rose levantou a cabeça de chofre.
— Reunião?
— Sim, reunião...
— Você disse mesmo reunião?
— Sim. Re-u-ni-ão — Alice soletrou calmamente, em seguida franzindo a testa. — O dipirona já tá te deixando tontinha da silva...
— ALICE!
— AHHH! O que foi?
— Uma reunião é maravilhoso! — Exclamou Rose, começando a andar de um lado a outro, esquecendo-se da enxaqueca ou do dilema da manga no leite. — Da última vez que tivemos uma reunião, fomos promovidas de “garotas do café” a diretoras do programa “Os Homens Merecem Morrer”.
— Verdade... — Alice devaneou. — Faz 1 ano que não temos uma reunião... AHHHHH QUE TUDO! SOCORRO! — Começou a pular animadamente.
Rose sorriu tomando mais café batizado.
(...)
— E você não se lembra de nada? — Alvo perguntou, dirigindo seu Civic preto rumo ao Departamento de Polícia.
Scorpius negou com um menear de cabeça. Alvo deu risada.
— Que pena. Dominique é super desejável entre os marmanjos...
— E se ela quiser casamento comigo?
— Nãããã. Dominique nunca ficou com um cara por mais de 48 horas. É um tabu dela.
— Vai dizer que ela é fã da RW?
— Não sei. Mas considerando o histórico de fãs da RW, até a Dilma deve ser fã dela.
Logo que entraram no prédio do D.P, viram o chefe, Válter Dursley, com uma cesta de maçãs seguindo até eles.
— 10 segundos atrasados!
— O trânsito estava horrível...
— Não me venha com desculpas, Potter! Estamos com sérios problemas! TODOS NÓS! O prefeito e o secretário de segurança querem minha cabeça e eu quero as cabeças de VOCÊS! A Parkinson está no hospital, em coma, o que nos deixa de volta à estaca zero! Agora o sobrinho do deputado desapareceu ontem...
— O filho dos Finnigan? — Scorpius questionou, perplexo.
— É MALFOY! O FILHO DOS FINNIGAN! — O Dursley repentinamente berrou, sobressaltando os dois. — E SE VOCÊS NÃO O ENCONTRAREM LOGO, EU MATO OS DOIS!
E saiu furioso, deixando um Alvo e Scorpius bem estarrecidos para trás.
(...)
— Você ainda está com uma cara horrível — Alice fitou Rose com uma careta. Ela continuava tomando café com dipirona. — Sabe que logo, logo você desmaia com tanto remédio, né?
— Eu coloquei no café por causa disso. Cafeína quebra o efeito de sonolência do remédio...
— Isso é mais uma lógica sua ou você viu isso na Wikipedia? — Indagou Alice, com certa ironia.
Ambas estavam diante da sala de reuniões, e a adentraram junto das outras funcionárias da rádio. Sentaram-se diante da extensa mesa de mogno, onde na ponta estava a cadeira espalmada de Lilá Brown e logo atrás, um telão com os gráficos da rádio.
— Bom dia à todas — A loira entrou na sala com uma prancheta na mão. Seus saltos colidiam com o piso audivelmente. — Sinto muito por tirá-las dos seus afazeres tão repentinamente, mas foi necessário por conta de algumas modificações no nosso trabalho.
— Que tipo de modificações? — Rachel Adans, diretora do programa “Queremos Bacalhau” (um programa de culinária muito desnecessário para a raça humana), questionou em tom de desconfiança.
— Nada que atrapalhe seu programa interessantíssimo, Rachel — garantiu Brown, voltando sua atenção para o telão às suas costas que mostrava os números de audiência da Rádio Marine.
Dentre os oito programas comuns (“Queremos Bacalhau”, “Dia-a-Dia Feminino”, “Top Divas”, “Moda e Glamour”, “Dicas de Convivência”, “Amor e Casamento”, “Falsidade da Fama” e “Astronomia do Prazer”), os “Homens Merecem Morrer” estava no topo, ultrapassando os 80% de audiência em apenas um ano de existência.
Algumas das mulheres na sala demonstraram desagrado com os números, mas Alice e Rose não se importaram nem um pouco (beijinho no ombro para o recalque).
— Então — Dalila Lancaster, que comandava o programa “Astronomia do Prazer”, mexeu nos cabelos azul-celeste. — Que modificações são essas?
Lilá voltou à atenção para elas.
— Como podem ver o programa Os Homens Merecem Morrer já conquistou mais do que o esperado da nossa audiência. Nós trabalhos sigilosamente, sem mostrarmos nossas verdadeiras identidades ou dar pistas de nossas reais funções profissionais. Nós temos feito isso muito bem. E agora, mais do que nunca, com um programa considerado “agressivo” pela maldita política desse país temos de nos manter ainda mais ocultas. E com nosso objetivo, de protegermos e valorizarmos o poder feminino — A loira fez uma pausa breve. — Uma antiga amiga minha que têm influências nos EUA, conseguiu uma oportunidade perfeita para nós.
Um burburinho se prolongou entre as mulheres, mas logo elas silenciaram quando Lilá prosseguiu.
— Essa antiga amiga, faz um trabalho semelhante ao nosso em Nova York. Ela é uma detetive, especializada em desvendar maridos infiéis e entregar provas às mulheres que as contratam. Ela soube do nosso trabalho, e resolveu fazer uma sede aqui, em nossa rádio, com a condição de que possamos fazer matérias especiais em nossos programas divulgando seu trabalho. Mas a condição essencial que ela impôs — Encarou Rose e Alice por um segundo, sorrindo alegremente. — É conhecer a RW e sua escudeira e promovê-las a suas assistentes pessoais.
— Assistentes? — Rose franziu a testa.
— Escudeira? — Alice questionou com uma careta.
— Exato. Amanhã mesmo ela quer encontrá-las no Ibirapuera — Lilá entregou um envelope vermelho para Rose. — Ela pretende divulgar o programa de vocês em Nova York. Talvez com o tempo, mandá-las para lá.
— Trabalhar em Nova York? — Alice estava perplexa. — M-Mas perai! Ela nem conhece a gente! A gente nem conhece ela! Ela é uma detetive super genial de lá, que ouviu nosso programa e quer que sejamos assistentes dela? Mas não faz sentido!
— Gostei disso — Rose se pronunciou interessada, analisando o envelope vermelho. — Pode dar experiência à RW.
— Aposto que ela só quer que divulguemos o trabalho dela — Alfinetou Dora Stwart, comandante do programa “Amor e Casamento”. — E só vai querer que você e a Longbottom entreguem cafezinho para ela, como nos velhos tempos, né?
— Estou vendo daqui o seu veneno, Stwart — Rose semicerrou os olhos para a loira, sorrindo em seguida. — Que tal tentar conter um pouquinho sua inveja, “Dora Aventureira”?
Ambas se alfinetaram com o olhar, até que Lilá Brown limpou a garganta e sorriu.
— É boa essa rivalidade entre vocês, o desejo de crescer na rádio. Mas utilizem isso ao seu favor e não em um momento como este — Ela se voltou para as de mais. — Logo vamos conceder boa parte da nossa rádio para minha amiga, e com o tempo vamos nos mudar.
Agora Rose compreendia as “modificações”. Lilá Brown fizera algum trato carregado de dinheiro com sua “amiga”, que poderia tanto alavancar o sucesso de todas para fora do país, ou enfiá-las no mais profundo poço.
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