Os Homens Merecem Morrer
2 Grande homicídio, carta de uma assassina e o pé na bunda
Notas iniciais
CAPÍTULO DOIS
Grande homicídio, carta de uma assassina e o pé na bunda
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— O programa dessa RW é um sucesso — Lysander Scamander comentou sutilmente, colocando as torradas em um prato. Scorpius Malfoy, que tomava seu café recostado contra o balcão da cozinha, deixou um muxoxo de insatisfação escapar. — A rádio Marine está faturando horrores.
— E você ouve esse programa de mulheres solteironas e dá dinheiro de graça para essa doida que ensina a matar. Eu que estou tendo trabalho no Departamento Investigativo.
Lysander arqueou uma sobrancelha, enrolando uma mecha loira de seu cabelo entre os dedos.
— Mas ela diz a verdade. As mulheres deveriam ser mais vingativas quando os homens aprontam com elas...
— Mas como eu não sou um deles, você não tem que se preocupar — Deu um beijo na testa dela, e se afastou para pegar o paletó e a maleta em cima do sofá. — Além do mais, é melhor não concordar muito com essa maluca ou mando te prenderem. — Sorrindo maliciosamente, abriu a porta do apartamento. — Te vejo mais tarde.
Assim que ele saiu, Lysa pegou seu celular em cima do balcão, agilmente fazendo uma ligação.
(...)
— Houve o homicídio ontem à noite do cara eletrocutado na banheira — Alvo Potter disse com frustração, enquanto alcançava o Departamento de Polícia com seu melhor amigo, Scorpius. — Aposto que o chefe vai nos entregar o caso. E aposto que vamos nos ferrar bonito assim como das outras 30 vezes.
— Não seja ridículo. Só nos ferramos 15 vezes até hoje. E todas elas por causa da maldita RW.
— Você deveria começar a recusar esses casos. Vamos pegar coisas mais simples. Tipo palhaços que vendem órgãos, suicídio de pombo, gato na árvore, mutantes com dor de dente que arrancam os pulmões das vítimas... Sei lá cara. Até ataque terrorista comandado pelo falecido Bin Laden é mais fácil que capturar a liga de feministas psicopatas.
Subiram as escadas que levavam às portas do Departamento de Polícia, e logo que entraram viram o completo caos. Policiais discutiam entre si, enquanto outros funcionários tentavam colocar alguma ordem na situação.
— O que está... — começou Alvo, mas foi interrompido assim que a figura do velho e gordo Valter Dursley surgiu no campo de visão de ambos.
— Potter e Malfoy! Venham pra minha sala agora!
O chefe não possuía a noção de que a menos de três metros ele não precisava gritar — até porque tal ação concedia as vítimas um banho de baba.
Seguiram pelos corredores, e adentraram a porta escancarada onde se encontrava o chefe, sentado em sua poltrona e comendo uma maçã como sempre fazia de cinco em cinco minutos.
Valter fez sinal para que para se sentassem, logo que Alvo fechou a porta.
— Temos que parar essa loucura! — Exasperou-se repentinamente o chefe, e Alvo e Scorpius se encolheram quando o mesmo deu um murro na mesa. — A rádio Marine está promovendo uma extinção! Esse programa vai causar a minha morte! Minha esposa acha que sou um cafajeste quando chego atrasado, e ontem a vi comemorando ao telefone com umas amigas malucas sobre a morte do cara na banheira! Eu não durmo mais! Estou começando a pensar em me livrar do óleo de cozinha da minha casa, depois do programa da manhã.
— Mas o senhor teria que se livrar da água também, chefe... Sabe... Tímpanos fritos.
— Cala a boca, Potter! Depois de ontem, é obrigação nossa encontrarmos a localização da rádio Marine e prendermos a RW! E VOCÊS — cuspiu restos de maçã nos rostos dos dois enquanto nos rostos dos dois enquanto berrava. — Vão fazer isso! Acabem com isso de uma vez antes que as mulheres nos aniquilem!
— Mas...
— Mas nada Malfoy! Façam o que mandei se não quiserem que eu mesmo queime seus tímpanos e os mate numa banheira com óleo quente! Agora sumam daqui!
E com tal ameaça, saíram com o rabinho entre as pernas da sala, atordoados, deixando um chefe devorando mais maçãs.
— Até imagino porque a esposa anda furiosa com ele — disse Scorpius emburrado. — Com tantas maçãs, ele nem caga mais. E com tanta merda acumulada deve estar até com impotência sexual.
— Estamos fudidos — Alvo entrava em desespero crônico. — Mortos. Vou vender pastéis no inferno. E surdo ainda! Meu Deus...
— Cala essa boca — o Malfoy foi ríspido, analisando o caos no saguão do prédio, caminhando até sua mesa. — Estamos passando por uma crise geral! Esposas matando maridos, mais perigosas que muçulmanos com poder de fogo americano. É questão de honra protegermos nossa raça antes que aconteça o pior.
Alvo pensou por um instante, ponderando cada palavra do amigo.
— Será que seu eu escrever em uma camiseta “Eu mereço morrer. As mulheres tem razão”, elas poupam meu corpinho lindo?
(...)
Scorpius descansou na cadeira, exausto. O caos entre os policiais e funcionários se prolongara por mais quatro exaustivas horas, e nas outras três, o loiro analisou relatórios sobre a cena do crime do homem na banheira.
Seu nome era John Steven, e sua esposa, Pansy Parkinson, havia mandado um agradecimento escrito para RW (uma ideia muito burra por sinal), que foi felizmente interceptada pela polícia.
“Cara RW,
Não sei ao certo seu nome, mas estou grata por suas palavras de apoio a mim. Descobri à pouco tempo as farsas do meu marido (que o diabo o tenha!), e graças ao seu programa, dei a volta por cima e fiz o que tinha de ser feito. Agora estou saindo de São Paulo, e pretendo não voltar nunca mais!
Com os melhores votos,
Pansy P.”
— Você já está relendo essa carta 40 vezes — disse Alvo, surgindo como um fantasma às costas de Malfoy, bocejando audivelmente.
— Não diga bobagens. Foram apenas 10 vezes — Scorpius largou a carta entre os relatórios, massageando a testa em seguida. — Estava tentando encontrar alguma pista, uma palavra-chave que pudesse denunciar o paradeiro dessa maluca...
— Sabe, acho que é melhor esquecer a Parkinson — Alvo suspirou como um velho de noventa anos, colocando a mão sobre o ombro do amigo. — Acabou. Já era. Ela venceu. Assim como outras mulheres vão vencer depois dela... E outras... E outras... Até que exista apenas uma geração com mulheres assassinas fazendo o restante dos homens de cachorrinhos...
— Eu não vou aceitar isso! — Scorpius levantou-se de supetão, reunindo os relatórios em sua pasta (até então vazia, apenas para parecer alguém que fazia alguma coisa importante), e vestiu o paletó deixado em sua cadeira. — Não. Vou parar essa coisa.
— Foi isso que o Lex Luthor dizia sobre o Superman. — devaneou Alvo, com cara de cansado. — E no desenho da Liga da Justiça ele morreu.
Scorpius fez uma careta, enquanto Alvo dava de ombros.
— Eu sou bandeirinha. Torço pra quem vence cara.
— Vamos embora. Já passou da hora de eu cair fora daqui — Scorpius revirou os olhos, e saiu pelo saguão mais silencioso do que naquela manhã.
Contemplou o céu que adquiria tons mais escuros, anunciando a noite. Um vento gelado os atingiu de chofre, enquanto ambos caminhavam pela calçada apinhada de gente.
Ambos passaram por uma loja com uma plaqueta roxa, com uma grafia desenhada. Alvo que caminhava a frente passou despercebido por metade da loja, até parar repentinamente e olhar para dentro.
— LINGERIES! E... PRIMA!
Scorpius por pouco não colidiu com o Potter.
— O que foi jumento? — E olhou para dentro da loja, vendo uma ruiva e uma morena tagarelando entre si. Nada demais por sinal...
— É a minha prima. Faz tempo que não a vejo — E como um louco, adentrou a loja.
Scorpius permaneceu parado na calçada, com a mão ainda estendida como se fosse dizer algo, enquanto observava Alvo praticamente esmagar a ruiva em um abraço forte. Suspirou, resolvendo entrar na loja também.
— Rose! Amor da minha vida! Como você cresceu! — Alvo a analisava, todo sorridente. Rose franziu o cenho como se quisesse dizer “de onde você veio, inferno?”, mas pareceu reformular sua frase melhor e disse:
— O que você tá fazendo aqui?
— Eu moro aqui! São Paulo lembra?
— Eu sei jegue. Mas o que você faz aqui, na minha loja?
— Ah — Alvo ia responder quando seus olhos encontraram o de Alice. De repente esqueceu-se do que ia dizer.
Viu-se saltitando por um parque, arrastando a morena consigo, admirando seu sorriso. Em seguida, ambos tomando sorvete, de mãos dadas, com vinte e dois filhos que formavam o time “Papai é demais”...
— Olá. — Foi tudo que conseguiu dizer para a morena, ainda mergulhado em sonhos apaixonados.
— AHHHHHHH! — Alice pulou para trás, com a mão no coração, repentinamente despertando o Potter. — Quem é você?
— Quem é ele? — Rose perguntou apontando para Scorpius com antipatia.
— Quem é ela? — Alvo questionou Rose, apontando para Alice.
— CALEM A BOCA TODO MUNDO! — Scorpius se irritou, largando a maleta no balcão. Alice abriu a boca para falar, mas Rose a aquietou com uma cotovelada. — Eu sou Scorpius Malfoy, e to acompanhando esse projeto de mamífero que resolveu entrar nessa loja de lingeries. Vocês duas, se apresentem de uma vez para eu dizer “muito prazer” e cair fora porque to cansado do meu emprego!
Rose arqueou uma sobrancelha, recusando-se a respondê-lo. Alice sorriu, repentinamente animada.
— Eu sou Alice Longbottom, e ela é Rose Weasley. Você é bonitinho sabia? — Ela fitava Alvo com um sorrisinho bobo, recebendo uma cotovelada dolorosa da ruiva. — Ai!
— Eu sei — Alvo recebeu o elogio, esquecendo-se completamente de agradecer por ele. Antes que pudesse falar mais alguma coisa, Scorpius já falava.
— Okay. Muito prazer te conhecer — Apertou a mão de Rose agilmente, voltando-se para Alice em seguida. — Muito prazer te conhecer também. — Sacudiu a mão de Alice. — Agora se me deem licença, tenho uma noiva me esperando. Até nunca mais!
E saiu arrastando Alvo pela parte de trás da gola de seu paletó, e o moreno acenou para as garotas enquanto era praticamente enforcado pelo amigo.
— Homens são tão gentis, não são? — Alice sorria bobamente, apoiando o cotovelo sobre o balcão.
Rose a fitou, ainda séria. Então suspirou, e empurrou a amiga com uma força descomunal, lançando-a ao chão.
— AHHHHHHH!
A ruiva começou a estapear a morena no chão.
— VOCÊ ESQUECEU QUE ELES SÃO NOSSOS INIMIGOS? SÃO HOMENS! NÃO FICAMOS COM HOMENS! NÃO NOS APAIXONAMOS PERDIDAMENTE POR HOMENS! NÃO PENSAMOS EM HOMENS! QUERIDA, HELLOOOO! ACORDA BABY! AQUELE ALI SÓ QUER TE COMER! EU CONHEÇO MEU PRIMO!
— Tá bom... Tá bom... — Alice estremeceu. Rose se recompôs, ficando novamente de pé. — Você tem razão. — conseguiu ficar de pé, cambaleando um pouco, enquanto ajeitava os cabelos escuros e passava a mão no rosto. — Tem razão. É o nosso trabalho. É. Homens são ruins! — disse decidida.
Rose baixou a porta da loja, fechando-a.
— Isso ai, garota — Deu um sorriso alegre para Alice. — Agora, temos um programa noturno para fazer!
(...)
O elevador parou no 15º andar. Scorpius saiu do mesmo, conferindo seu celular. Destrancou a porta do apartamento, e assim que a abriu, encontrou uma casa deserta.
— Lysa? — chamou, acendendo as luzes da sala.
Tudo estava impecavelmente limpo e arrumado. O problema é que não havia mais sofás, tapete, abajur, armários, estante, cortinas, cama, criado-mudo... Nada.
Procurou entre os cômodos, e tudo que havia era uma pia na cozinha, uma privada no banheiro, e um tapete de ursinho na soleira da porta do quarto, que o Malfoy considerava brochante.
Até o lavatório do banheiro haviam levado!
Scorpius começou a pensar que sua noiva havia sido raptada, que tudo aquilo era um pesadelo, que haviam entrado bandidos bem armados na casa e levado tudo!
Mas viu o bilhete preso com fita isolante na porta do hall de entrada. Tirou-o de lá.
“Caro Scorpius,
Sei que deve estar desesperado agora, mas está é a minha vingança. Você detesta a RW, e agora tem mais um motivo. Estou caindo fora da sua vida, assim como você fez algum tempo atrás. Lembra? Puxe pela sua memória, querido. Eu não sou tão ingênua e gentil quanto pensa.
Quero que aproveite essa temporada sem absolutamente NADA na sua vida. Você perdeu seu conforto, me perdeu, e alguma hora vai notar que 70% do seu precioso dinheiro desapareceram como um toque de mágica.
Tenha infelizes dias querido.
Com ódio e rancor,
Lysander Scamander”.
Permaneceu alguns minutos encarando aquele bilhete um tanto grandinho, tão atordoado quanto estivera após os gritos do chefe na manhã daquele dia.
Agora era uma questão de honra descobrir a identidade da RW, e tornar a vida daquela psicopata uma tortura infindável, assim como a sua se tornaria dali por diante, sem tudo que conquistara.
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