Os Herdeiros do destino - EM CORREÇÃO
39 Capítulo 38
Notas iniciais
Capitulo 38
“Quando a morte está a um passo,
os momentos felizes são os escolhidos para acalentar um coração sofredor.
O amor.
A amizade.
A família.
Um conjunto lindo que vem à memória quando tudo é tão feio e assustador”
Ela sentiu a água quente deslizar por seu corpo, podia ver as rajadas marrons da tinta que estava tirando dos cabelos e não conseguia deixar de pensar que estava conseguindo concluir sua vingança... Finalmente... Finalmente seus pais poderiam descansar em paz!
Sua risada reverberou pelo banheiro branco e imaculado, eles pagariam pelo que fizeram a ela... Mesmo que estivesse, lá no fundo, triste pela menina Haruno ter que ser usada para isso, contudo, ela não podia esconder a satisfação, mesmo que não seja completa.
A bela mulher saiu do chuveiro e pisou no chão frio, pegou a toalha branca como a neve e se secou lentamente, para logo em seguida enrola-la em seu corpo e ir pra frente do espelho. Secou seu cabelo, antes loiro agora castanho, sua cor natural, passou uma maquiagem leve em seu rosto e um batom vermelho como o sangue nos lábios.
Depois deixou a toalha cair e pegou o vestido branco que estava dobrado em cima da pia, o vestiu e se estudou no espelho. Estava linda, muito mais do que antes, agora com seu cabelo e olhos castanhos, sem as lentes de contato era muito melhor.
O vestido era sem decote na frente e ia até a metade das cochas, ela virou de costas e olhou por cima do ombro, admirando o decote profundo nas costas, revelando sua pele clara e lisa. Ela sorriu, estava maravilhosa como sempre deveria ser.
Enfiou os pés no salto alto branco e abriu a porta do banheiro.
Obito, que estava do outro lado da sala de estar, levantou o olhar e ficou sem fala.
— Rin... — Sussurrou a olhando dos pés a cabeça.
Ela sorriu e caminhou até ele, entrelaçou os braços em volta de seu pescoço e ronronou.
— Mesmo que não acredite em mim... Eu te amo... Eu sempre te amei e sempre te amarei.
Obito arregalou os olhos, não sabia porque ela dizia aquilo, mas não podia impedir que seu coração batesse cada vez mais forte. Ele amava aquela mulher desde a época em que os dois eram apenas crianças e sempre a amaria. Até que seu ultimo suspiro saísse de seu corpo, até que seu coração parasse de bater e até que o sol parasse de brilhar.
Ele não disse nada daquilo porque já havia dito de todas as formas possíveis, por isso ele segurou seu rosto com as mãos e a beijou lenta e apaixonadamente. Ela deslizou as mãos de seu pescoço, pelo seu ombro até desliza-la pelo seu peito e o abraçou pela cintura.
Eles se beijaram por um longo momento, prometendo tudo naquela brincadeira de línguas e lábios e sentimentos.
***
Shikamaru era conhecido por sua inteligência acima do normal, mas também por sua preguiça e pela leve inclinação que tinha para ideias perigosas e insanas.
E ele teve uma de suas ideias quando eles pararam a mini van da mãe do Naruto em frente a uma casa de classe média, que tinha um belo e amplo telhado, que era magicamente ligada a outro prédio comercial e por alguma feliz razão do destino, tinha uma escada de incêndio que dava livre acesso ao seu alvo.
— Tudo bem, eu acho que tive uma ideia, mas antes de ter certeza de que ela dará certo, tenho que confirmar uma coisa. — Ele olhou para Sasuke, que estava sentado no banco do carona. — Fique de olho para que nenhuma delas saia desse carro, você é o único em quem eu confio o suficiente para ter certeza de que não se deixará levar pela emoção.
Dito isso, ele saiu do lado do motorista e atravessou a rua rapidamente, aproveitando que estava usando um casaco preto com capuz. Olhou para os dois lados e então subiu silenciosamente pela escada de incêndio. Quando chegou ao topo, saltou para o telhado ao lado e sorriu satisfeito, tinha acesso, como imaginou que teria. Shikamaru pegou o celular e ligou para Sasuke. O Uchiha atendeu no primeiro toque.
— Chame Naruto e o Neji e venham até aqui, peça ao Gaara para que olhe as meninas e as enrole o máximo possível, vamos entrar e olhar o ambiente, depois que tivermos uma noção do que nos aguarda, chamaremos elas.
O moreno desligou sem nem mesmo responder e em menos de três minutos, os três pularam silenciosamente no telhado.
— Naruto, como sei que você é expert em abrir fechaduras, já que conseguia fugir da sua casa não importa que tipo de tranca o impedia, quero que você abra a porta.
O loiro assentiu e foi até a porta, pegou um canivete do bolso traseiro e começou a trabalhar, enquanto Shikamaru continuava.
— Vou invadir o sistema e ver quantas pessoas tem na sala, depois entraremos silenciosamente e eu mandarei uma mensagem para o Gaara falando sua parte e a das meninas no plano.
Todos assentiram. Passados exatos cinco minutos, o baixo clique da porta se abrindo pode ser ouvido por todos, Naruto abriu a mesma com um galanteio e sorriu orgulhosamente para os amigos, depois de olhar por uma fresta para saber se tinha alguém lá.
Shikamaru sorriu para o amigo e deu um tapinha no ombro dele. Ele tirou a mochila que havia em suas costas e de lá pegou um notebook cinza, abriu o mesmo e começou a fazer a sua mágica. Logo, todas as câmeras da casa estavam programadas para repetir o que ocorreu na ultima hora.
— Agora... Vamos ver o que está acontecendo na casa.
Todos se posicionaram atrás do moreno, Shikamaru passava de cômodo a cômodo.
— Estranho... Não tem ninguém aí. — Sasuke resmungou, confuso. Até que a imagem focou em um quarto de casal, onde um homem e uma mulher se beijavam, logo em seguida apareceu um quarto totalmente vazio, com exceção de uma cadeira no centro da sala... Onde...
— É a Sakura-chan! — Naruto exclama.
Todos ficaram em silencio observando a amiga que estava sentada na cadeira, suas mãos estavam amarradas e outra corda a envolvia pelo peito e pelos braços, a prendendo na cadeira, e os seus pés estavam amarrados aos pés da cadeira. Seu vestido verde, antes belo, estava sujo e rasgado em algumas partes, seu cabelo, sempre tão arrumado e bem cuidado, estava desgrenhado em sua cabeça. E como se conseguisse sentir que estava sendo observada, a Haruno ergueu a cabeça e olhou diretamente para a câmera, fazendo todos eles prenderem a respiração.
— Eu vou matar quem fez isso com ela! — Sasuke rosnou enquanto olhava para a marca roxa em seu olho direito, o seu lábio partido e o filete de sangue que escorria da sua boca e do seu nariz.
Shikamaru sacou o celular e discou.
— Gaara, podemos dar conta da casa... Não, não, ligue para a polícia, peça para Ino ligar para a Kushina-san e mande Temari e Tenten irem para a porta da casa, logo precisaremos delas... Não, elas saberão quando precisarmos. Okay, tchau. — Ele olhou para os amigos. — Vamos entrar. Eu e Naruto vamos para a sala com o criminosos para rendê-los, Sasuke e Neji vão buscar Sakura!
Todos entraram silenciosamente e desceram as escadas, no final delas havia uma porta, Shikamaru a abriu e ficou de frente para um longo corredor branco com várias portas, ele fez sinal para todos pararem e pegou seu notebook novamente, após teclar algumas vezes, ele apontou para a porta de frente para eles, no final do corredor.
— Ela está lá! — Sussurrou.
***
Sasuke tremia da cabeça aos pés, de medo e de raiva, ele apoiou a mão direita na maçaneta da porta e a girou, abrindo-a lentamente, enquanto seu coração batia cada vez mais forte.
Mas então, seu coração parou.
Por um mísero segundo, ele parou.
Nada poderia prepara-lo para o que ele encontrou quando abriu a porta daquele quarto. Nem mesmo a gravação que viram antes de entrar ali.
— Sakura... — Sussurrou por baixo da sua respiração, mas foi o suficiente para que a rosada erguesse a cabeça rapidamente de sua posição caída.
Sasuke e Neji entraram correndo, enquanto Sakura abria um sorriso sangrento. Pelo visto o sangue não escorria do lábio partido, mas sim da parte interna da boca, onde ela pode ter mordido a língua ou as bochechas enquanto apanhava. O corpo de Sasuke começou a tremer mais do que antes, mas ele engoliu em seco e ajoelhou-se em frente a rosada.
— Eu estou horrível né...? — Ela sussurrou.
— Só um pouquinho...
Ela soltou uma risada leve e doída, o que o fez sentir ainda mais dor, como se a dor dela fosse dele também.
— Olha só como evoluímos! Você até mesmo fez uma piadinha comigo...
Sasuke ergueu a mão direita e tocou levemente o roxo em volta do olho esquerdo de Sakura, mas a afastou rapidamente quando a Haruno gemeu de dor.
— Eu vou te soltar Sakura... Sasuke cuide para que ela não caia! — Neji disse, indo para trás da garota e começando a desatar o nó apertado.
— Onde dói mais? — O Uchiha perguntou, botando a mão esquerda no lado direito de seu rosto. E seu coração se apertou mais ainda quando a rosada apoiou o rosto em sua mão e fechou os olhos, suspirando aliviada.
— Não sinto nada além de felicidade por você ter me encontrado, Sasuke-kun...
O Uchiha usou sua mão livre para pegar as de Sakura, que ainda estavam presas, e as levou aos lábios, depositando um beijo carinhoso em cada uma, algo tão atípico dele que deixou a rosada corada e surpresa.
— Não deixarei que mais nada aconteça com você, você tem a minha palavra.
A rosada assentiu levemente com a cabeça.
— E eu acredito em você.
Como se fosse a deixa perfeita, Neji termina de desamarrá-la e Sakura cai direto nos braços de quem mais a faz se sentir protegida.
Finalmente.
***
“Quando uma luta termina, não quer dizer que a guerra acabou.”
Shikamaru abriu a porta com tanta força que ela bateu na parede e um pequeno buraco surgiu onde ocorreu o impacto entre a mesma e a maçaneta.
Obito se afastou rapidamente da amada e a pôs atrás de si mesmo, olhando surpreso pros dois rapazes na porta cujas armas estavam apontadas diretamente para a sua cabeça.
— Nenhum movimento, ou nós atiramos! — Rugiu o moreno, porém seu olhar ainda era sereno e calculista.
— Quem são vocês!? — Rin questiona, ficando nas pontas dos pés para olhar por sobre o ombro de Obito.
— Quem somos nós? Quem somos nós!? — Naruto Esbraveja, seu rosto vermelho e seu olhar irado. — Você sequestra, tortura e quase mata a minha melhor amiga e ainda pergunta quem somos!?
Rin fica quieta por um segundo, encarando Naruto com um olhar avaliador, até que ela solta uma risadinha.
— Ah, sim! Você é o Uzumaki, o mais idiota do grupinho que destruiu a minha vida. Fico surpresa por você estar aqui, não sabe como me poupou trabalho... — Ela saiu de trás do Obito e parou ao lado do mesmo. — Não brinquei ainda com vocês, rapazes, porque eu sempre soube que essas garotinhas seriam suas fraquezas... Então, enquanto eu brincar com elas, todos irão sofrer. Ainda mais por elas serem tão frágeis e bonitas! — E então Rin sorriu, um sorriso grande e feliz. — Você não tem noção do quão feliz eu fiquei por cada soco que dei na cara da sua querida amiga... Foi o momento mais glorioso da minha vida!
Naruto a encarava com raiva, seu corpo tremia e seu sangue fluía com força por suas veias, bombeando tão alto que seu corpo inteiro pulsava, mas ao mesmo tempo suas mãos continuaram firmes, com a arma apontada direto para o coração dela. Ah... Como ele sentia vontade de atirar e acabar com tudo aquilo.
— Oh! Obito, meu amor! Olha a carinha dele... — Ela soltou uma risada alta, mas logo ficou séria. — Parece até mesmo o olhar que eu tinha quando vi meus pais sendo enfiados naquela van policial, ou melhor, o mesmo olhar que eu tinha quando liguei a televisão no dia seguinte e descobri que eles estavam mortos! Que a porcaria da van deslizou no gelo, capotou e explodiu, com os meus pais dentro!
Ela pegou um abajur que estava em cima da cômoda ao seu lado e o lançou contra a parede, assustando Naruto e Shikamaru, mas os dois se mantiveram firmes e não atiraram.
— Seus queridos pais... Eles destruíram a minha vida e família! Tudo por acusações falsas! — Ela gritou histérica. Obito não tinha reação, ele só conseguia olhar para ela enquanto a mulher da vida dele enlouquecia. — Meus pais não roubaram ninguém, eles só estavam trabalhando... O casal de advogados responsáveis pelas gravadoras H&U, eles não faziam ideia que seus nomes estavam sendo usados como laranjas na troca de propinas... Mas os pais de vocês permitiram que eles fossem presos mesmo assim... Não é mesmo? E então? — Sua voz saia cada vez mais baixar e fraca — e então eles morreram... Sem ter a chance de se defender... Depois de uma semana presos, quando estavam sendo transferidos... Aconteceu... E eu? Eu fiquei excluída, fui julgada, xingada, evitada... E depois de me destruírem a ponto de ninguém me deixar comprar comida em uma loja de conveniência, seus pais lançaram uma banda pop nova e... Puff! Foi tudo esquecido. O processo chegou ao fim e eu fui esquecida, assim como meus pais!
Lagrimas escorriam pelo seu rosto. Lagrimas verdadeiras e sinceras.
— Tudo porque seus pais não acreditaram nos meus... Tudo por causa deles!
Foi aí que ela começou a correr em direção a Naruto, enlouquecida, e no susto o loiro apontou a arma para o chão e atirou. O estrondo foi tão alto que todos pararam seus movimentos no mesmo segundo. Naruto olhou nos olhos castanhos de Rin, que estava a cinco passos de distancia, e disse somente uma frase antes que tudo ficasse silencioso.
— Se eles te vissem agora, eles teriam vergonha de te chamar de filha.
E então uma voz vinda de um mega fone, do lado de fora da casa, pode ser ouvida.
— Parados! Aqui é a polícia!
***
Uma hora antes...
Hinata observava aquele pontinho vermelho fixamente desde que todos saíram, o que já faz cerca de dez minutos, sua mente estava a mil. Por medo pelo que podia estar acontecendo, por inutilidade, já que não foi salvar a Sakura com seus amigos, e por preocupação, afinal... Por que Yumi estava naquela parte da cidade e naquele local?
A morena minimizou a janela em que o GPS estava e procurou no google o endereço do local em que sua madrasta estava.
Quando a pagina carregou, um sentimento estranho tomou conta do seu estômago ao ler o nome do lugar.
Hospital Público Psiquiátrico de Tokyo
A morena olhou para a irmã e para Konohamaru. Ela estava acompanhando Shikamaru pelo tablet e Konohamaru mantinha os olhos no local onde Sakura estava. Que Deus queira e ela ainda esteja lá e não só seu celular.
— Terei que sair por um momento, mantenham-se de olho em tudo, irei levar esse notebook comigo.
Hanabi olhou-a desconfiada.
— Você está indo atrás da Yumi, Hina?
— Estou indo atrás de verdades, Hana. Irei deixar meu celular com você, mas vou levar o seu, assim vocês podem me mandar mensagem ou me rastrear. Não se esqueça de atender quando o Shikamaru ligar! Ah! E fiquem de olho na Karin e não digam nada a ela, qualquer coisa nós demos uma saída e já voltamos. Beijos.
A morena se levantou, fez a troca com a irmã, saiu do escritório e foi até a cozinha, onde sabia que as chaves ficavam do lado de uma porta que dava direto para a garagem. Pegou uma e saiu.
Uzumaki Naruto
“Quando tomamos uma decisão de vida ou morte,
Somente o destino pode dizer qual será a resposta.”
Graças a Deus...
Essa foi a única coisa que consegui pensar, meu estômago estava congelado, minhas mãos suadas e meu cérebro em branco. No mesmo segundo que as palavras saíram da minha boca, eu me arrependi.
Rin congelou no lugar e me encarou, seus olhos estavam desfocados. Olhei por sobre o ombro dela, para o cara que estava logo atrás. Eu me lembrava dele, o vi no hospital... Quando vi a Sakura pela última vez. Tentei controlar meu gênio e voltei meus olhos para a mulher.
Ela abriu a boca e disse
— Você tem razão... — Ela olhou em volta, parecendo desorientada. — Você tem toda razão... — Então ela olhou para mim novamente e sorriu... Só que o sorriso foi diferente... Foi um sorriso triste. — Eles teriam vergonha de mim... Eles teriam muita vergonha de mim! — Seus olhos se encheram de água e então, tudo aconteceu muito rápido.
Ela acabou com a distância entre nós dois e agarrou minhas mãos, apontado a arma para o próprio coração.
— Talvez eu devesse acabar com isso logo... Sim... Eu devo. — Ela sussurrou enquanto olhava mais uma vez em meus olhos, agora suas lágrimas escorriam livremente pelo seu rosto. — Eu mandei matar a mãe da pequena Hinata, há doze anos, eu me senti frustrada por que a menina não morreu e por nunca ter encontrado o corpo da mãe dela... Eu mandei atropelar a mãe da Sakura... Eu mandei sequestrar a garota e eu a torturei.
Meu sangue gelou com cada revelação que ela fez, e eu senti uma vontade imensa de apertar o gatilho enquanto eu olhava pro sorriso que ela dava ao falar de cada um dos seus crimes... Mas eu não sou um assassino, e não iria me tornar um por causa dela.
— Por isso... Eu mereço morrer.
— Não. — Eu olhei para ela com tanto ódio, que ela afrouxou levemente o aperto sobre a arma — Eu não vou permitir que você seja uma covarde! — Lágrimas escorreram pelo meu rosto. — E não vou permitir! Você vai largar essa arma e vai pagar pelos seus crimes! Você... Você! Como você ousa falar que quer vingar os seus pais? Como você ousa falar que está fazendo isso por eles!? Você não merece nem mesmo falar o nome deles! — Gritei contra seu rosto e, consciente ou inconscientemente, ela largou a arma e deu um passo para trás. — Como alguém egoísta como você se acha no direito de querer se vingar de alguém!? Você sofreu com isso, você chorou por isso, você enlouqueceu por isso, e fez o mesmo com a Hinata!? Você tirou a mãe dela!? — rosnei contra seu rosto.
— Mas diferente de você... Diferente de você! Ela superou, ela cresceu e se tornou a mulher maravilhosa que ela é hoje! Então, não diga pra mim que você merece morrer, por que você não merece! Você merece passar toda a sua vida atrás das grades lembrando a cada segundo dos seus dias tudo o que você fez pra essas garotas!
Olhei por sobre o ombro dela, para o seu parceiro, e graças a Deus aquele imbecil entendeu o que devia fazer. Ele aproveitou o momento de surpresa dela e a agarrou por trás, prendendo seu corpo contra o dele.
— O que... — ela olhou por sobre o ombro pra ele e arregalou os olhos. — O que você está fazendo!?
— Eu prefiro passar todos os dias na prisão esperando o momento em que poderemos estar juntos de novo, do que te perder. Por que ele está certo Rin... — Ele a apertou carinhosamente. — Nós não merecemos morrer, nós merecemos pagar pelo que fizemos. E se levarmos a vida inteira pra fazer isso... Não se preocupe, nós ainda nos encontraremos um dia. Nem que seja na nossa próxima vida.
E foi nesse momento que a porta se abriu com força, olhei por sobre o ombro, assustado e vi um vulto passar por mim. Quando olhei pra frente novamente, Sasuke estava lá. Ele empurrou Rin para o chão e partiu para cima do Obito, desferindo soco atrás de soco. E o Obito estava deixando isso acontecer, ele permitiu que Sasuke desferisse incontáveis socos em seu rosto sem fazer um único movimento pra se defender ou desviar. E então Shikamaru passou por mim e agarrou Sasuke, o puxando para longe de Obito. Isso finalmente me tirou do meu transe e eu fui ajudar Shikamaru a segurar o Sasuke, o que estava se provando uma tarefa muito difícil.
— Como você ousou fazer isso com ela!? Qual é o seu problema? Eu vou te matar, seu desgraçado!
— Senhor, se acalme! — Veio uma voz da porta. — Nós pedimos que não se descontrolasse! Mas entendo a sua situação.
Um policial estava entrando na sala, acompanhado de outros.
— Vejo que não teremos problemas aqui...
Rin se levantou do chão e correu até Obito, segurando seu rosto entre as mãos enquanto soluçava. O policial deixou que eles ficassem juntos por alguns segundos, mas logo caminhou até eles e segurou o pulso de Rin, prendendo-o em uma algema.
— A senhorita tem o direito de permanecer calada, tudo o que disser poderá ser usado contra você nos tribunais, você tem direito a um advogado.
Outro policial fez o mesmo com Obito. E logo os dois foram retirados do local.
Sasuke pareceu se acalmar então eu e Shikamaru o soltamos.
— Onde está a Sakura-chan? — Perguntei, depois de alguns segundos de silencio.
— Ela está em uma ambulância com a Ino, a caminho do hospital. Eu ia com ela, mas... Não poderia deixar essa chance passar, eu nunca mais poderia fazer alguma coisa e... Isso estava me consumindo.
Eu entendia perfeitamente o que ele estava sentindo, eu sentiria o mesmo se fosse com a Hinata...
— Temos que ligar lá pra casa e avisar que está tudo bem! — Anunciei, pegando meu celular e discando os números.
— Alô? Konohamaru?
— Fala Naruto, deu tudo certo aí?
— Deu sim parceiro, a Sakura está a caminho do hospital agora mesmo!
— Que bom! Vou falar agora mesmo pra Hanabi!
— Mas vem cá... Antes disso, você pode passar o telefone pra Hinata? Eu... Preciso ouvir a voz dela. — Senti um leve rubor nas minhas bochechas, mas ignorei.
Contudo, não pude ignorar o silêncio do outro lado da linha.
— Konohamaru? Cadê... A Hinata?
Ouvi o engolir em seco do outro lado da linha.
— É... Naruto... É...
— Fala logo cara!
— Então, ela... Saiusozinhaatrásdamadrastanojenta.
— Fala direito cara! Você ta me deixando preocupado!
— Ela... Saiu sozinha atrás da madrasta nojenta e foi para a parte mais perigosa da cidade usando um dos seus carros de luxo propensos a chamar muita atenção de bandidos armados com fuzis loucos pra roubar uma garota linda como a Hinata, que merda to falando demais, vem logo pra casa pra você poder ir atrás dela por que ela é muito louca-
Parei de ouvir quando ele chegou em “nojenta” e já estava correndo para o carro com Shikamaru e Sasuke nos meus calcanhares.
Essas garotas ainda vão nos matar um dia, disso eu tenho certeza.
***
Narrador
15 minutos antes...
Hinata estava dirigindo um Audi R8 conversível que, graças a Deus, estava com a capota levantada, mas isso não a impediu de se arrepender de não ter pegado um carro mais discreto, principalmente quando entrou na área pouco movimentada. Estava nas ruas próximas ao hospital.
Assim que entrou na rua principal e comprovou que o hospital estava bem a sua frente, ela suspirou aliviada ao ver uma BMW estacionada na calçada em frente ao edifício.
A Hyuuga estacionou logo atrás do carro e saiu do próprio, olhou para o hospital e observou a fachada decrépita. O prédio tinha três andares e mais parecia um presídio do que um hospital, sua pintura branca estava descascada, havia um pequeno pátio na frente, com um muro o separando da rua. A morena caminhou até o portão de ferro e o abriu, andou pelo pátio e parou na porta da frente.
Hinata respirou fundo e tentou abrir a porta, agradecendo a Deus pela mesma estar destrancada. Quando botou a cabeça para dentro, percebeu que a sala de espera estava totalmente vazia, estranhando, ela entrou e procurou algum sinal de vida.
— Olá? — Chamou, olhou envolta do cômodo vazio onde só tinha um sofá, um bebedouro e um balcão sem nada por cima.
Ao não receber uma resposta, Hinata foi até o cômodo seguinte e viu que era um corredor cheio de quartos. Olhou um a um, eram todos iguais: pequenos, com uma cama e um criado mudo.
Quando constatou que não tinha ninguém em nenhum dos quartos do primeiro andar, a morena subiu para o segundo andar e começou a sua busca. Porém, quando estava indo abrir o último quarto do corredor, ela ouviu alguma coisa. Curiosa, ela encostou a cabeça na porta para poder escutar melhor.
— Agora está tudo acabado, meu bem... Eles foram pegos. Eu não queria ter que fazer isso, mas se eu quiser continuar com a vida que eu sempre tive, eu não posso arriscar te deixar zanzando por aí... — A morena arregalou os olhos ao reconhecer a voz de Yumi, mas estranhou não escutar mais nada. Com quem ela estava falando? — Não me olhe desse jeito, você sabe que eu não gosto disso. Estamos juntas a muito tempo, por isso eu sempre pensei que você me respeitaria mais... — Ela escutou um barulho, parecia o ranger de uma cama. — Eu vou tirar essa mordaça, mas você não pode gritar, está bem? Eu sei que ninguém pode te escutar, mas eu realmente não suporto que gritem. Isso me deixa muito irritada, você não quer me ver irritada, não é? — Hinata tinha certeza que quem quer que fosse havia respondido negativamente, Yumi podia ser bem assustadora quando queria. — Muito bem... Muito bem... Agora abre a boquinha...
Ao ouvir isso, a morena percebeu que já era o suficiente e escancarou a porta. E o que viu lá dentro... O que viu lá dentro fez o seu coração parar e o seu corpo gelar.
Yumi estava de pé, com um copo na mão. Um cheiro forte de gasolina estava em todo o lugar e Hinata pode sentir o chão molhado assim que entrou no quarto, que era consideravelmente maior que os outros. Mas o que a fez parar foi a pessoa que estava na cama.
Mesmo que tenha passado anos que a viu pela ultima vez, Hinata a reconheceria em qualquer lugar... A mulher tinha a pele branca como a neve, cabelos negros como a noite, olhos perolados. Mas diferente da sua infância, ela não pareci tão alta e forte quanto antes... Não... Ela estava magra... Bem magra, magra de uma forma nem um pouco saudável, as maçãs do rosto estavam chupadas e o olhar perdido. Mas cara... Hinata a reconheceu. Lágrimas escorreram pelo seu rosto e suas mãos tremiam.
— Mã... Mãmãe...? — Era somente um sussurro, mas foi o suficiente para que Yumi saísse do seu transe.
— Ora, ora, ora... Se não é a princesinha Hyuuga. — E então... Ela sorriu. Ela sorriu! E finalmente, finalmente, Hinata surtou.
Sail
Navegue
A morena soltou um grito tão forte, que a mulher na cama saltou. E antes mesmo que Yumi pudesse fazer algo, ela se lançou sobre a loira.
— Sua desgraçada! Sua filha da puta desgraçada! — Hinata agarrou seus cabelos com força e aproveitou a oportunidade para bater a cabeça de Yumi contra a parede, deixando a outra desorientada. — Você ia matar a minha mãe!? Você... Sua vadia imunda... Você a escondeu por doze anos!? — Ela desferiu um gancho no nariz de Yumi, fazendo-a tropeçar para trás até cair contra a parede.
Sail
Navegue
— Você me tirou meu pai, minha irmã, minha mãe e se aproveitou de nós todo esse tempo!? — Ela deu uma joelhada no estômago da loira. — Você destruiu a minha família!
Yumi caiu no chão respirando com dificuldade, um filete de sangue escorria de sua boca e outro do nariz, que começava a inchar. Hinata a agarrou pelo colarinho da blusa social transparente que ela usava.
This is how I show my love
I made it in my mind because
I blame it on my A.D.D., baby
É assim que eu mostro meu amor
Eu criei isso na minha mente, porque
Eu culpo o meu transtorno de déficit de atenção, querida
— Eu só não te mato, por que não quero me rebaixar ao seu nível... — Ela rosnou no rosto da madrasta. — Mas você está acabada querida... Eu vou te destruir de todas as maneiras possíveis! Eu te aturei por anos, aturei você fazendo meu pai de gato e sapato, aturei perder a infância da Hanabi por que você me fez acreditar que minha irmã me odiava, eu aturei quando você destruiu o meu sonho de seguir meus próprios passos quando participei da banda com minhas amigas... Mas isso? Isso!? Isso eu nunca vou aturar! — Ela jogou Yumi com força no chão e depois correu para a sua mãe.
This is how an angel dies
I blame it on my own sick pride
Blame it on my A.D.D., baby
É assim que um anjo morre
Eu ponho a culpa no meu próprio orgulho doentio
Culpe o meu transtorno de déficit de atenção, querida
— Mãe... — A morena a abraçou com carinho, mas quando não recebeu o gesto de volta, ela se afastou e olhou nos olhos da mãe. E o que viu lá a fez ficar desesperada. Seus olhos estavam vazios... Ela parecia...
— Ela enlouqueceu meu bem. — Yumi disse da porta. Hinata ergueu os olhos assustada com o que ela disse e encontrou a madrasta com um isqueiro na mão. — Eu fiz o favor de dar tanta droga para ela no primeiro ano que ela passou aqui que ela ficou viciada... — E então, ela riu. — Foi tão bom assistir ela gritando e se arranhando, desesperada por mais... A Grande Hyuuga Hitomi estava implorando pra mim... Ajoelhada no chão! — Então ela gargalhou de prazer.
Sail!
Sail!
Sail!
Sail!
Navegue!
Navegue!
Navegue!
Navegue!
Quando Hinata estava prestes a se erguer para pular em cima dela novamente, Yumi ergueu o isqueiro.
— Nah, nah, nah, Hinatinha... Você não vai fazer nenhum movimento brusco, senão eu ponho fogo em tudo isso aqui. — E então ela gritou — Agora você vai escutar! Eu esperei muito por isso, então você vai escutar! — Sua voz se acalmou novamente e ela continuou. — Eu estudava com a sua mãe, sabia...? Ela era linda, popular, inteligente... Mas pena que era pobre. Eu só a aturei durante todos os anos de colégio, fingindo ser amiga dela, por que eu era a única coisa que ela não poderia ser: rica. Eu tinha todos aos meus pés, mesmo que não fosse pela minha beleza, era pelo meu poder. E eu amava ser mais poderosa que ela... — Yumi abriu o isqueiro e ficou observando a chama. — Mas então... A escola acabou. — Ela fechou o isqueiro com raiva. — E nós tivemos o infeliz destino de ir para a mesma universidade: A universidade de Tokyo, até aí dava pra suportar. Até que, no nosso segundo ano, eu tive uma reunião com meu pai e ele disse que nossa empresa de cosméticos estava falindo, e eu só tinha que fazer uma coisa: seduzir e me casar com Hyuuga Hiashi, um homem poderoso e rico, herdeiro das gravadoras Hyuuga. — Ela bufou e voltou a abrir o isqueiro e a observar a chama.
Maybe I should cry for help
Maybe I should kill myself
Blame it on my A.D.D., baby
Maybe I'm a different breed
Maybe I'm not listening
So blame it on my A.D.D., baby
Talvez eu devesse chorar por ajuda
Talvez eu devesse me matar
Culpe o meu transtorno de déficit de atenção, querida
Talvez eu seja de uma espécie diferente
Talvez eu não esteja ouvindo
Então culpe o meu transtorno de déficit de atenção
— Então eu criei o plano perfeito! Ia ter uma festa na universidade e eu sabia que somente os mais ricos e bem sucedidos iriam, afinal, era a festa daqueles que fazem administração! E na Universidade de Tokyo, o que mais tem são herdeiros de conglomerados que fazem administração. E como eu sabia que Hitomi estava saindo com um cara que fazia parte desse grupo, embora fosse muito inferior a Hiashi, ele iria me servir para chegar lá. Convenci sua mãe a me levar e bam! La estava eu! — Ela riu. — E quando eu fui falar com ele... Ela estava do meu lado. A vagabunda estava bem do meu lado! E foi naquele dia que eu percebi que não importava o quão poderosa eu fosse, ela sempre tiraria o que era meu!
Sail!
Sail!
Sail!
Sail!
La la la la la
La la la la la
La la la la la
La la la la la
Sail!
Sail!
Sail!
Sail!
Navegue!
Navegue!
Navegue!
Navegue!
La la la la la
La la la la la
La la la la la
La la la la la
Navegue!
Navegue!
Navegue!
Navegue!
Yumi socou a parede com a mão livre e rosnou.
— Ela se casou com o cara que era meu! Meu pai me botou para fora de casa, dizendo que eu não servia de nada, que eu era uma vadia que não sabia usar a vagina que ele me deu! O meu pai! — Ela respirou fundo e voltou ao sarcasmo anterior. — Então, anos depois, eu estava trabalhando em uma lanchonete para tentar me sustentar quando eu fui fazer programa com um cara que sempre ia lá, e me pagava muito bem por isso, afinal, e ele comentou que fora contratado para matar a esposa de um figurão aí... E você não sabe a felicidade que eu senti quando ele disse que era ela! Ofereci-me para ajudar e assisti enquanto ele cortava o freio do carro... Estava com ele quando ele seguiu vocês duas e o acidente ocorreu... Eu encontrei a sua mãe a metros de distância do acidente e o obriguei a levar ela até a casa dele, alegando que poderíamos pegar mais dinheiro com um sequestro... Eu o matei injetando veneno na sua corrente sanguínea enquanto nós transávamos, comemorando o dinheiro ganho...
Ela bufou.
— Depois disso, eu comprei uma roupa bonita e guardei para uma nova oportunidade, mantive sua mãe presa em um quarto e fiquei injetando heroína na sua corrente sanguínea até ela esquecer tudo da sua família e só depender disso. — Hinata rangeu os dentes e apertou a mãe contra si, ela queria matar Yumi. — Depois eu usei aquela roupa bonita e consegui seduzir o seu pai enquanto ele se embebedava em um bar... E é irônico como o dinheiro dele me permitiu comprar esse prédio e manter a sua mamãezinha aqui. Ah! E não se preocupe, eu passei tantos anos drogando ela e depois a deixando enlouquecer de abstinência que ela ficou assim... Inofensiva.
Sail with me into the dark
Sail!
Sail with me into the dark
Sail!
Sail with me into the dark
Sail!
Sail with me into the dark
Sail!
Navegue comigo pro escuro
Navegue!
Navegue comigo pro escuro
Navegue!
Navegue comigo pro escuro
Navegue!
Navegue comigo pro escuro
Navegue!
Yumi suspirou
— Agora que você está aqui eu não posso deixar você sair, não é mesmo? Eu estava planejando dar um remédio para dormir pra sua mãe, assim ela não sofreria... Mas como você chegou antes e me fez relembrar tuuuuuuudo isso... — Ela deu de ombros. — A minha raiva voltou! Por isso eu vou deixar vocês aqui, queimando lentamente. — E então, ela deixou o isqueiro cair bem na poça de gasolina, virou as costas e foi embora, cantarolando.
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