Os Herdeiros do destino - EM CORREÇÃO
36 Capítulo 35
Notas iniciais
Capítulo 35
Hyuuga Hinata
“Os momentos passam rápido
Confusos
Surpreendentes
Assim como as mudanças em nossas vidas
Hoje acreditamos em algo,
Mas no dia seguinte tudo pode acontecer de forma diferente”
Quando abri meus olhos, a única coisa que fui capaz de enxergar foi uma luz branca e forte. Os fechei novamente, só para abrir mais uma vez, agora mais preparada.
Dessa vez vi um teto branco. Já li livros o suficiente para saber que esse era o momento em que eu acordo e vejo um teto branco, aí eu brilhantemente assumo que estou em um hospital. Então eu olho pra direito e descubro que o cara por quem eu estou apaixonada está lá, com um olhar preocupado, pronto para dizer que também me ama e contar como ele me salvou de ser atropelada por um trem depois que fugi dele por tê-lo visto recebendo um beijo de uma garota que odeio. Um beijo na boca.
Mas como a vida é totalmente injusta, nada disso aconteceu. Bom, pelo menos uma parte.
Sentei-me na cama dura, eu definitivamente estou em um hospital e definitivamente estou me sentindo como se um trem tivesse passado por cima do meu corpo. Duas vezes. Talvez até mesmo três.
Não tenho nada conectado a mim, o que significa que não estou a beira da morte, mas... Onde Sakura, Tenten e Karin estão? Será que algo aconteceu com elas?
Levanto da cama rápido o suficiente para precisar dar uma pequena pausa, tentando aplacar a dor na cabeça. Ainda estou vestindo o vestido que Kushina e Mikoto fizeram para mim, então isso quer dizer que não faz muito tempo desde que saí da festa, ou pelo menos é isso que eu espero.
Ando a passos rápidos até a porta e a abro de supetão, assustando consequentemente a uma enfermeira que passava no corredor naquele segundo. Aproveitando a fonte de informação, fui até ela.
— Olá, a senhora poderia me informar o porquê de eu estar aqui?
A mulher, de aproximadamente quarenta anos, me olhou como se eu fosse algum ser de outro mundo.
— A senhorita não se lembra?
Neguei com a cabeça, corando fortemente.
A mulher suspirou e me dedicou um olhar compreensível.
— Também, do jeito que a senhorita e as suas amigas chegaram aqui, não me surpreendo.
—Do jeito que chegamos aqui? Como chegamos aqui? E onde estão minhas amigas?
As perguntas começaram a jorrar dos meus lábios de um jeito que eu não pude impedir. Um pânico começava a crescer dentro de mim.
— A senhorita precisa se acalmar. Vá para o quarto no fim do corredor, lado direito. Todas as duas que acordaram estão lá com a terceira, te aguardando. Assim que eu terminar de atender ao paciente do 501, irei chamar o doutor para explicar a vocês o estado da sua amiga. Então cal-
Nem mesmo esperei ela terminar de falar, simplesmente sai correndo pelo corredor em direção ao quarto. Meu coração martelava contra minha caixa torácica feito louco. Que nada de ruim tenha acontecido, que nada de ruim tenha acontecido, que nada de ruim tenha acontecido... Repeti esse mantra até abrir a porta do quarto.
Senti um alívio imenso quando constatei que Sakura e Tenten se viraram para mim assustadas.
— Vocês estão bem... — suspirei, mas logo minha respiração ficou presa na garganta quando vi que havia alguém na cama. E diferente de mim, Karin estava pálida, seus batimentos cardíacos estavam sendo medidos por aparelhos, ela estava recebendo soro e usava um aparelho para auxiliar na respiração. — O que aconteceu com ela!?
Corri até Karin, mesmo ela fazendo tudo o que fez, depois da noite passada, eu a considero minha mais nova amiga. Mesmo que ela ainda não tenha conhecimento disto.
— Não sabemos... — Tenten tinha um aspecto cansado e sua maquiagem estava totalmente borrada, assim como a de Sakura e com toda a certeza a minha também.
— Espero que ela fique bem... Mesmo sendo uma vadia, estou preocupada. — Sakura apertou levemente a mão pálida de Karin.
— Vocês sabem como viemos parar aqui? — Perguntei.
— Só me lembro de algumas coisas.— Tenten afirmou.
— Eu também, mas não sei como viemos para o Hospital. E por falar nisso, que hospital é esse? — Eu estou tão confusa que me esqueci até mesmo de perguntar a enfermeira.
— Ao contrário de vocês — Sakura começou, com o olhar sério. — Eu sei como viemos parar aqui. Mas gostaria que me contassem o que aconteceu antes disso. Por incrível que pareça, não me lembro do que aconteceu antes daquele drinque.
— Drinque? — Tenten estava mais confusa ainda.
— Me contem o que sabem e eu vejo se consigo completar com o que eu sei. — Sakura pediu enquanto se sentava no sofá creme que havia no canto do quarto.
Eu e Tenten a seguimos. Assim que nos ajeitamos no lugar, comecei a contar o que me lembro.
Narrador
Flash back on
Hinata não sabia o que sentir e muito menos o que fazer. Seu coração estava despedaçado e o seu corpo tremia. Mas não tremia de medo, ou de dor, mas sim de raiva. Aqueles poucos, mas estupidamente longos segundos em que ela ficou parada vendo Sarah pendurada no pescoço de Naruto, beijando os lábios que pouco tempo atrás estavam sobre os seus, foram demais para ela. Antes mesmo de Naruto afastá-la de si, Hinata deu as costas e começou a costurar por entre a multidão, querendo botar o máximo de pessoas entre eles.
Sakura e Tenten, vendo que a amiga estava sumindo entre toda aquela gente, correram atrás dela, deixando um Neji confuso para trás.
Hinata só parou de andar quando sentiu o ar gélido da noite contra o seu rosto. Ela nunca sentiu tamanha raiva. Nunca. Era como se no vazio em que seu coração devia estar só houvesse rancor. A morena respirou fundo várias vezes e sentiu a mão de Sakura as suas costas.
— Calma Hina... Calma... Não estore! — Sakura alisava as costas da amiga, mas Hinata se afastou dela como se aquele carinho a queimasse. Tenten observou a amiga com temor. Sabia o que acontecia quando Hinata perdia a calma. E isso só aconteceu uma vez em toda a sua vida.
— Não dá mais! — A morena ergueu os braços para alto, como se estivesse se livrando de um peso. — Não dá mais! — Hinata respirava forte, ela apoiou o corpo contra o capô de um carro vermelho que estava estacionado na escuridão. — Já chega! Eu nunca, jamais, em toda a minha vida, senti tanta vontade de chutar o pau da barraca! De quebrar tudo! De socar tanto alguém até tirar sangue! Ele... Ela... Argh! — A Hyuuga soltou um grito estrangulado e mergulho o rosto entre as mãos. — Eu não sei mais o que fazer. Hoje... Hoje eu realmente acreditei que algo havia mudado. Nós nos beijamos. E eu estava sóbria. Eu lembro como foi o primeiro. Eu senti a diferença. Eu... — Um soluço abafado soou pelo lugar. E foi nesse momento que Sakura e Tenten perceberam que deviam interferir.
Tenten foi a primeira, ela apoiou o corpo ao lado do de Hinata e a puxou para si, apoiando a cabeça da amiga no ombro, enquanto acariciava seus cabelos. Sakura apoiou-se do outro lado da morena e abraçou tanto ela quanto Tenten.
— Eu entendo essa frustração que está sentindo Hina... — Tenten sussurrou e soltou uma risadinha auto depreciativa. — Eu vivo correndo atrás do Neji, mas... Parece que nada muda. Ele não tentou nada, nenhuma vez. O único momento em que sinto que algo está acontecendo é quando nós dançamos, depois disso...
— Todas nós entendemos uma as outras, de formas diferentes. — Sakura afirmou, sua voz saiu abafada por estar com o rosto mergulhado nos cabelos de Hinata. — O Sasuke-kun nem mesmo me olha direito depois do beijo que trocamos no hospital. E o que mais me enoja é que minha mãe está em uma cama recebendo soro e eu... Eu estou aqui. Importando-me com um cara que me odeia e me divertindo.
Hinata afastou o rosto das mãos.
— Você não deve ter nojo de si mesma. Sua mãe não gostaria de vê-la no hospital, não quando ela já está fora de perigo. Seu pai está lá, Sakura-chan. Você só deve se preocupar em arrumar tudo para quando ela voltar. E preparar um belo e maravilhoso pedido de desculpas por ter ficado tanto tempo longe dela.
Sakura soltou uma risadinha baixa.
— Obrigada Hina...
— Meninas... Não é querendo atrapalhar nem nada, mas acho que devemos ir embora.
As três se afastaram depois que Tenten falou.
— Por quê? — Sakura questionou, sem entender.
— Por que... — Ela desviou o olhar para algo atrás delas. — Acho que a Hina não quer ver o Naruto agora. E ele está abrindo espaço para chegar até aqui.
As duas olharam em direção a porta e viram Naruto, Sasuke e Neji no meio da multidão, quase na porta.
— Droga! — Sakura resmungou.
As três se desencostaram do carro para sair dali, quando o mesmo ligou, fazendo-as soltar um gritinho assustado. A porta de trás se abriu e a janela da frente desceu.
— Entrem logo no carro! — Karin gritou.
E sem pensar duas vezes, as três pularam no banco traseiro e fecharam a porta, observando pela janela como Naruto, Sasuke e Neji saiam do edifício e encaravam o carro, estáticos.
***
— Por que você está nos ajudando? — Hinata perguntou, depois de um longo tempo de silencio mortal.
— Eu ouvi a lamentaçãozinha de vocês e... Fiquei com pena. — A ruiva respondeu, dando de ombros.
Sakura sentiu o corpo se enrijecer. Não havia nada pior do que estar no mesmo ambiente que aquela garota.
— Então se essa foi a razão, pode parar o carro que nós iremos descer. — Tenten afirmou, suas mãos estavam apertadas em punho.
— Por que isso tudo? — Karin olhou para as três pelo espelho retrovisor. — Por que se ofendem se digo que fiquei com pena de vocês? — A ruiva parou no sinal vermelho e olhou para as três, soltando uma risada que fez com que até mesmo o sangue de Hinata fervesse de raiva. — Não precisam ficar com raiva. Se eu fiquei com pena de vocês, podem ter certeza que fiquei com mais pena ainda de mim.
Aquela informação fez com que as três trocassem olhares assustados.
— Tudo bem... Se for nos esfaquear, faça antes que a gente perceba a faca. — Sakura informou.
Karin riu mais uma vez.
— Não seja ridícula, chiclete. Eu só me toquei que não preciso ficar atrás do Sasuke-kun porque penso que ele está caindo na sua. Depois de hoje, sei que você tem quase tantas chances quanto eu. A diferença é que eu ja transei com ele, e você... Não está nem perto.
Sakura sentiu um aperto no peito que só podia significar uma coisa: ciúmes. A rosada apertou o couro do banco e olhou com tanta raiva para Karin, que se pudesse ela teria se deteriorado ali mesmo e nem saberia como aconteceu.
— Bom, chegamos. — Karin anunciou.
— Chegamos? Chegamos aonde? — Hinata perguntou, confusa.
— Só desçam do carro e aproveitem. Acho que estão precisando. — A ruiva informou, saindo do veículo e fechando a porta.
Tenten e Hinata desceram, mas Sakura ficou dentro do carro por alguns segundos, antes de respirar fundo e descer também. Ela não deixaria aquela garota lhe irritar. Não mais do que já conseguiu.
Quando parou ao lado de Hinata e Tenten, a Haruno olhou para o que as duas morenas estavam olhando.
Em frente ao prédio de dois andares totalmente preto estava um letreiro de luzes fluorecentes com os seguintes dizeres: I Will Survive, mas o que chocou as três não foi somente isso, a não ser o/a Drag Queen que estava na porta conversando com a Karin.
— Acredito que essa boate é uma— Hinata foi cortada quando Karin gritou.
— Venham meninas! — E sumiu no interior do edifício.
As três seguiram a ruiva, mas não tiveram coragem de olhar para o/a segurança. Quando entraram no ambiente, qual não foi a surpresa quando ouviram que I Will Survive tocava ao ultimo volume enquanto uma Drag Queen loira com um vestido de paetês dourados estava dublando no palco e uma multidão de homens e outras Drag Queen gritavam e dançavam loucamente?
— Boate gay... — Hinata finalizou sua frase, embasbacada.
— Cara... — Tenten olhou em volta sem nenhuma expressão. — Eu sempre quis ter um amigo gay! — Ela gritou e saiu correndo para o bar.
Hinata e Sakura trocaram um olhar, deram de ombros e seguiram a amiga, assim como Karin. As três sentaram-se ao lado da Mitsashi e pediram uma bebida ao Barman, que só para constar estava usando somente uma cueca branca e um chapéu de marinheiro.
— Por que nos trouxe aqui? — Hinata perguntou a Karin, bebendo um gole do sua Lagoa Azul.
— Porque eu venho aqui quando quero espairecer. — A ruiva deu de ombros e ficou olhando aqueles homens dançando e alguns até mesmo se agarrando.
— Em uma boate gay? — Sakura se intromete, sem conseguir se conter. Karin riu.
— Eu sou muito amiga do dono. — Ela apontou para o Barman que estava preparando outro coquetel. — Ele pode parecer gay, mas não é. Só achou que por ser muito gostoso, chamaria mais clientes. Até porque, tanto homossexuais quanto mulheres vem aqui só para olhar para ele. E eu acho divertido dar uns amassos nele enquanto os outros ficam me olhando com inveja.
Hinata e Sakura piscaram, completamente sem entender o quanto Karin podia ser estranha. A Uzumaki virou o drinque e o apoiou no balcão, indicando para o Barman fazer mais.
— É bom sentir que outras pessoas tem inveja de você, se você é tão acostumada a ser humilhada e a ser obrigada a sentir inveja das outras mulheres que são mais desejáveis e bonitas que você. — Karin continuou. Mesmo a achando confusa e estranha, Hinata começava a entender um pouquinho o jeito de Karin, por isso ela virou o seu coquetel e também pediu para repetir.
— Eu nem o apresentei a vocês, né? — Karin soltou uma risada, ela estava visivelmente alta. — Meninas, esse é o Richard. Richard, essas são Sakura, Hinata e Tenten.
O Barman as olhou pela primeira vez e só então Hinata, Sakura e Tenten puderam entender o que Karin quis dizer com "causar inveja". Richard era lindo. Terrivelmente lindo. Seus cabelos eram negros e seus olhos azuis, seu peitoral era completamente desenhado por músculos salientes e duros, assim como suas pernas e costas, seu rosto era delineado e másculo, sua mandíbula era quadrada e seus traços fortes, ele devia ter entre vinte e cinco e trinta anos, e seus lábios eram levemente carnudos. Nenhuma das três poderia mentir dizendo que não sentiram o coração bater um pouquinho mais rápido e forte depois de receber um olhar dele.
— Prazer. — "Meu Deus, não basta o homem ser lindo, ainda tem que ter essa voz maravilhosa?", Sakura pensou quase derretendo na cadeira.
— Richard, amor, nosso próximo coquetel deve ser forte o suficiente para nos fazer esquecer. Na verdade, precisamos de algo que nos faça pirar como nunca piramos nessa vida. — A ruiva se debruçou por sobre o balcão e sussurrou bem perto do moreno. — Somos mulheres que sofrem por amor, então... Nos faça esquecer essa dor.
Richard sorriu e deu um selinho rápido em Karin, para logo em seguida deu as costas para as três e começou a fazer as misturas.
Karin virou-se para as três mais uma vez e sorriu.
— Mesmo que vocês me odeiem, meninas, até o fim da noite nós seremos melhores amigas.
Tenten, que estava conversando com uma Drag Queen que estava ao seu lado sobre quão gostoso era o Barman, virou-se para as outras e sorriu abertamente.
— Gente, espero que essa noite nos faça esquecer nossos problemas.
— E vai Pucca, e vai. — Karin afirmou e pegou o coquetel que Richard acabara de botar a sua frente. Todas as outras seguiram seu movimento. Karin ergueu o seu drinque e brindou.
— A melhor noite de nossas vidas!
— A melhor noite de nossas vidas! — As outras gritaram junto, esquecendo todo e qualquer problema que estavam vivendo, assim como as inimizades.
Mas a partir do momento em que as quatro viraram os drinques...
Tudo se apagou.
Flash Back Off
Hyuuga Hinata
— E é até aí que me lembro. É deste drinque que você estava falando Tenten?
Tenten assentiu.
— E eu lembro exatamente a partir deste momento. — Sakura soltou uma risadinha. — Parece que nós meio que cumprimos o que desejávamos na hora do drinque.
Eu e Tenten piscamos.
— O que... O que está acontecendo?
Nós três nos viramos rápido em direção a cama de hospital e o nosso suspiro coletivo de alivio soou alto o suficiente para a ruiva erguer uma sobrancelha.
— Karin! Que bom que acordou! — Corri até ela, sendo seguida por Sakura e Tenten.
— O que aconteceu comigo? — Ela voltou a perguntar. Karin estava pálida e sua voz estava fraca. Alguma coisa estranha estava acontecendo. Aquilo não era normal.
— Não sabemos... Uma enfermeira foi procurar o doutor que está cuidando de você. — Respondi.
— A única coisa que eu sei, é que estávamos nos divertindo e você desmaiou do nada. — Sakura afirmou, olhando preocupada para Karin.
— Estávamos nos divertindo onde? — Tenten questionou, com os olhos semicerrados.
— Agora que a Karin acordou, vou contar para vocês. — Sakura deu uma pausa e olhou para cada uma de nós. — Depois do drinque nós-
— Senhoritas, vejo que estão melhor. — Sakura foi interrompida por um homem de jaleco branco que estava na porta. Seus cabelos eram negros, curtos e repicados, seus olhos eram tão negros quanto os mesmos, ele tinha um sorriso gentil e brilhante. — Sou o doutor Obito, e vim lhes informar sobre o que aconteceu. — Estranho para um médico se chamar Obito... Lembra-me de Óbito. — Informaram-me que não se lembram de nada.
— Nem todas. — Avisei.
— Nem todas. — Ele concordou. — Primeiro de tudo, devo informá-las que o estado em que apareceram aqui não foi nem um pouco aceitável. — Suas feições ficaram muito sérias. — As senhoritas, além de ingerir álcool, ingeriram também uma droga muito conhecida em festas: a LSD. Em uma quantidade suficiente para fazê-las ter alucinações e comportamentos inadequados durante quase toda a noite.
Espera... Nós o que!? Arregalei os olhos e encarei as outras, todas pareciam assustadas.
— O senhor só pode estar enganado... Não é possível. Nós não ingerimos droga nenhuma! — Eu já estava ficando em pânico, isso não podia estar acontecendo. — Nós nunca usamos nada assim!
A expressão do doutor só fez escurecer.
— O senhor só pode estar louco. — Karin acusou, mesmo estando no estado em que estava. — Isso não é possível. E mesmo que eu tivesse ingerido algo assim, não é caso de eu acordar em um hospital em...
— Saitama.
— Isso, em Sai- como nós viemos parar em Saitama!? — Karin gritou, com os olhos arregalados.
— Senhorita, se acalme. Seu estado não lhe permite essa atitude. — O doutor criticou e logo continuou. — E essa é uma pergunta que somente vocês quatro podem responder.
Mas, aparentemente, Karin não ouviu nada. Porque no segundo seguinte ela perguntou.
— Como assim no meu estado?
O médico piscou.
— Você não sabe?
Todas nós olhamos do médico para Karin e de Karin para o médico, completamente confusas.
— Não sei o que? — Karin estava mais pálida do que antes, se é que isso era possível, e parecia que iria desmaiar a qualquer momento.
— O estado em que a senhorita chegou aqui... — O doutor respirou fundo, como se o que estivesse prestes a dizer algo sério. Muito sério. — Poderia ter feito com que a senhorita abortasse espontaneamente. Mas por sorte o seu bebê está a salvo.
Haruno Sakura
"A vida nos prega peças,
Peças o suficiente para nos fazer pensar em perder.
Mas sábios são aqueles que lutam.
Lutam quando deviam desistir.
Lutam quando tudo está contra.
Lutam quando há o mínimo de chances de vencer.
Ou até mesmo quando não há."
O mundo parou e tombou.
E o meu coração tombou junto.
Não sei o que pensar, o que sentir e muito menos o que dizer.
Desvio o olhar para Karin, seus olhos avermelhados estão arregalados e transbordando de lágrimas. Ela deve estar desesperada.
— De quanto tempo, doutor? — Hinata é a primeira corajosa a quebrar aquele silêncio mortal.
— De três semanas. — O olhar do doutor era gentil.
Mas a única coisa em que eu conseguia pensar era em quem seria o pai do bebê. Mesmo que eu não queira acreditar... Há a possibilidade de ser ele.
— Oh meu Deus... — Karin sussurrou, antes de soltar um soluço alto e esganiçado. — Oh... Meu... Deus... O que eu vou fazer... Isso não pode estar acontecendo. — A ruiva estava tão desolada e chorava tanto, que eu me forcei a empurrar minhas dúvidas para o mais fundo possível. Depois de tudo o que passamos... A Karin precisa de mim. Mesmo que em grande parte do tempo ela tenha me infernizado... O que passamos essa madrugada e o que descobri sobre ela... Fizeram-me entender que Karin era muito mais do que deixava transparecer.
Caminhei até ela e a puxei para os meus braços, permitindo que Karin chorasse em meu peito. Hinata subiu do outro lado da cama e também a abraçou, Tenten sentou-se ao lado de Hinata e apertou o joelho de Karin, deixando claro que estava ali por ela. Sorri, orgulhosa, e tentei impedir as lágrimas de escorrerem.
O médico saiu da sala em algum momento, percebendo a situação. Acariciei os cabelos ruivos de Karin e aguardei que parasse de chorar, pelo menos um pouco. Quando Karin se afastou, seus olhos estavam inchados e cheios de lágrimas.
— Sinto muito Sakura... Mas o pai do meu filho é... — Sua voz falhou e ela puxou ar. — É o...
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