Os Herdeiros do destino - EM CORREÇÃO
26 Capitulo 25
Notas iniciais
Capitulo 25
Mitsashi Tenten
“Existem momentos em que precisamos decidir entre dois caminhos:
Ter coragem e enfrentar
Ou ter medo e fugir.
O estranho é que eu preferia ter tido medo naquele instante,
Mas a coragem falou mais alto.”
“Merda, merda, merda, merda...” essa era a única palavra em que consegui pensar naquele instante. As coisas tinham fugido do controle. Enquanto eu ajudava Temari na apresentação que ela teria na aula de canto dela, acabei me esquecendo de que teria a minha. Incrível. Ou eu passava metade do meu dia pensando em como tirar minhas amigas das besteiras em que se metem ou eu ficava deitada na minha cama que nem uma mosca morta pensando no moreno mais lindo que eu já vi em toda a minha vida.
Por culpa dele eu me esqueci dos meus estudos, de mim mesma e só queria dançar quando eu sabia que ele estava olhando. Hyuuga Neji acabou com tudo o que eu acreditava ter sobre controle. Ótimo.
E agora presenciaria a minha humilhação pública.
Quando se trata de tocar qualquer música, eu sei fazer. Agora cantar? Isso era como pedir a Ino que parasse de se olhar no espelho: impossível. Nunca tive facilidade para cantar e quando lutei contra todos os meus princípios para entrar na KGO, eu me esqueci, momentaneamente, que teria que fazer isso.
— Tenten? – Kakashi-sensei chamou mais uma vez. Respirei fundo e olhei para Ino, logo em seguida para Sakura e balbuciei sem som algum: “Me desejem sorte!”
Levantei daquela cadeira giratória e comecei a caminhar em direção ao fundo da sala, o som dos alunos girando suas cadeiras para me acompanhar rugia em meus ouvidos como o som da unha do sensei, quando arranhava o quadro negro. O som da morte. Tudo bem, isso foi dramático.
O tempo que eu levei para chegar lá pareceu decorrer em câmera lenta, vários pensamentos ultrapassavam minha mente em um turbilhão. O que fazer? O que fazer? Será que finjo ter desmaiado? Será que consigo pedir ajuda para as meninas? Qual é a única música que eu sei cantar?
Mas quanto eu cheguei à frente aquele microfone, a resposta veio. A música que eu cantava no chuveiro seria a escolhida. Céus, que eu consiga. Peguei meu celular e o pluguei a caixa de som, como os outros alunos fizeram, utilizando a entrada do fone de ouvido. Agradeço eternamente aquele dia em que me deu à louca e eu baixei o instrumental dessa música só para poder cantar na hidromassagem do meu pai enquanto ele e minha mãe viajavam. Apertei o play e agarrei o microfone.
E que seja o que Deus quiser.
Narrador
Uzumaki Karin estava empoleirada contra a porta, somente seu avermelhado olho direito podia ser visto através do vidro da mesma.
— Gostei da calcinha cor de rosa. – Uma voz a fez saltar e se afastar da porta com rapidez, a ruiva arregalou os olhos e encarou o rapaz de cabelos lisos e branco parado a sua frente, com as mãos nos bolsos.
— Suigetsu! – Exclamou surpresa, mas logo em seguida ficou raivosa – O que está fazendo aqui? E como assim “gostei da calcinha cor de rosa”?
O Hozuki sorriu e começou a andar em sua direção, o que fez a Uzumaki dar dois passos para trás, ficando, consequentemente, com as costas coladas a parede ao lado da porta. Ele parou a alguns centímetros de distância e espalmou as mãos ao lado de sua cabeça, dando um sorrisinho de lado.
— Eu vim atrás de você – Sussurrou próximo ao seu rosto – E o lance da calcinha... Bem, vamos combinar que a sua saia é muito curta – Ele olhou para baixo, encarando o seu decote – E em compensação o seu decote é muito grande, mas voltando ao assunto. A forma em que você estava empoleirada naquela porta me permitiu essa visão. Muito boa, por sinal.
Karin o encarou sem desviar o olhar, uma raiva começava a queimar no fundo do seu coração. Suigetsu, ou sempre a atrapalhava em suas investidas em Sasuke ou sempre estava atrás de si. Isso a irritava.
— Qual tal você deixar de ser irritante e parar de me seguir?
— Que tal você parar de imitar o Sasuke? – O rapaz afirmou com raiva, estava de saco cheio de ver Karin seguir o Uchiha dessa forma; era como se ela fosse uma cachorrinha pronta para abrir as pernas para ele a cada segundo, quando ele bem quisesse.
— Idiota!
— Ridícula!
— Imbecil!
— Cachorrinha!
— O que!? – Gritou Karin, já com o rosto a centímetros de distancia do de Suigetsu, mas do que antes.
— Isso mesmo que você escutou! – Ele rugiu, seus gritos eram abafados pelo som da música que saia tanto daquela sala quanto das outras – Fica correndo atrás do Uchiha como uma cachorrinha!
— Não fico não! Seu esquisito! Eu a-mo o Sasuke-kun! – A ruiva estava mais vermelha que tudo. O rosto de Suigetsu se desfigurou de raiva, ele mergulhou as duas mãos nos cabelos ruivos e repicados que ele tanto amava e sussurrou ao seu ouvido, com os dentes trincados.
— Quero ver amá-lo depois disso! – E atacou seus lábios com ferocidade.
Karin arregalou os olhos e sentiu um arrepio atravessar seu corpo dos pés a cabeça no exato segundo em que Suigetsu enfiou a língua em sua boca, que estava semiaberta pela discussão. Por puro instinto ela agarrou o colarinho do casaco de couro negro que o Hozuki utilizava e o colou mais ainda ao seu corpo; suas línguas travavam uma batalha feroz, a mão esquerda de Suigetsu deslizou desde os cabelos ruivos, passou pelo ombro direito da garota, passou pela lateral do seio direito – fazendo outro arrepio atravessar o corpo de Karin – e desceu até o quadril, onde agarrou com força e o imprensou contra o seu.
Seu coração bombeava com uma força tão grande que ele nem ao menos acreditava que a estava beijando. A garota pela qual é apaixonado desde os sete anos.
Tão violento quanto começou, o beijo terminou. Karin estava ofegante, com os cabelos bagunçados e os lábios inchados e vermelhos. Seu corpo todo tremia e ela não sabia de onde vinha aquele fogo que queimava suas vísceras. Mas de uma coisa ela sabia: jamais, nem mesmo com Sasuke, ela havia sentido aquilo. E foi por isso que a raiva brotou em si, não raiva pelo beijo, oh não... Aquele foi o melhor beijo de sua vida, mas raiva porque foi, pela perspectiva dela, com a pessoa errada.
Por essa razão ela desferiu um tapa no rosto de Suigetsu. Mas o lindo rapaz de olhos violetas apenas sorriu, tentando recuperar o fôlego, enquanto observava a cabeleira ruiva sumir no final do corredor. Ele sabia que ela sentiu o mesmo. E estava feliz por isso.
Logo, logo... Karin será dele.
***
Girl On Fire
She's just a girl, and she's on fire
Hotter than a fantasy
Lonely like a highway
She's living in a world, and it's on fire
Feeling the catastrophe, but she knows she can fly away
“Garota Em Chamas
Ela é só uma garota e está em chamas
Mais quente que uma fantasia
Solitária como uma rodovia
Ela está vivendo em um mundo em chamas
Sentindo a catástrofe, mas sabe que pode voar para longe”
A Mitsashi iniciou a música de olhos fechados, sua voz era potente e tomava conta de toda a sala. Os alunos pararam de falar ou comentar.
Tenten tinha uma das vozes mais lindas que todos já viram. Ela cantava sobre si mesma, mantendo os olhos fechados para poder imaginar seu banheiro e sua hidromassagem. Um sorriso brotou em seu rosto quando constatava a veracidade daquela letra.
Oh, she got both feet on the ground
And she's burning it down
Oh, she got her head in the clouds
And she's not backing down
This girl is on fire
This girl is on fire
She's walking on fire
This girl is on fire
“Oh, ela tem os pés no chão
E está incendiando
Oh, ela tem a cabeça nas nuvens
E não irá voltar atrás
Esta garota está em chamas
Esta garota está em chamas
Ela está andando sobre as chamas
Esta garota está em chamas”
Ela alcançava as notas mais altas e graves com tanta facilidade quanto Hinata alcançava as mais altas e agudas.
Neji encarava a morena com um sorriso nos lábios, vinha observando-a desde a sua primeira apresentação na aula do Gai-sensei. Percebeu o quanto ela era sonhadora e parecia viajar para outro mundo em certos momentos, mas também pode observar que mantinha os pés no chão e era como um porto seguro para sua prima e as amigas.
Assim como tinha um fogo que parecia incendiá-la toda vez que dançava. Observá-la dançar era o que encantava mais ainda. Porque quanto Tenten dançava, o mundo inteiro incendiava junto com ela.
Looks like a girl, but she's a flame
So bright, she can burn your eyes
Better look the other way
You can try, but you'll never forget her name
She's on top of the world Hottest of the hottest girls say
“Parece uma garota, mas é uma chama
Tão brilhante que pode queimar seus olhos
Melhor olhar para o outro lado
Você pode tentar, mas nunca esquecerá seu nome
Ela está no topo do mundo
As garotas mais quentes dizem”
Tenten sorriu e se sentiu mais confiante, abrindo assim seus belos olhos achocolatados, ela começou a mover o corpo levemente acompanhando o som da música. Balançava os quadris seguindo a batida enquanto algumas garotas da classe acompanhavam batendo palmas.
Encarou os olhos perolados que a observavam e mandou sua mensagem. Garotas como ela estavam no topo do mundo. E ela jamais poderia ser esquecida.
Oh, we got our feet on the ground
And we're burning it down
Oh, got our head in the clouds
And we're not coming down
This girl is on fire
This girl is on fire
She's walking on fire
This girl is on fire
“Oh, temos nossos pés no chão
E estamos incendiando
Oh, temos nossas cabeças nas nuvens
E não iremos voltar
Esta garota está em chamas
Esta garota está em chamas
Ela está andando sobre as chamas
Esta garota está em chamas”
Ela emendou um verso ao outro e apontou para todas as garotas, incentivando-as a se levantar e acompanhar sua dança. Ino foi a primeira, a loira ficou de pé em cima da cadeira e começou a bater palmas acompanhando o ritmo, Sakura foi logo em seguida e então todas estavam de pé.
Enquanto a Mitsashi cantava o refrão com agudos perfeitos, todas faziam o baking vocal.
A comoção era geral, todas queriam provar que era únicas a sua própria maneira, e Neji, ao ver o que a morena estava fazendo, sorriu juntos de alguns dos outros rapazes.
Everybody stands as she goes by
Cause they can see the flame that's in her eyes
Watch her when she's lighting up the night
Nobody knows that she's a lonely girl
And it's a lonely world But she gon' let it burn, baby, burn, baby “Todos se levantam quando ela passa
Porque podem ver a chama em seus olhos
Observe-a enquanto ela acende a noite
Ninguém sabe que ela é solitária
E é um mundo solitário
Mas ela vai deixar queimar, baby, queimar, baby”
Ela caminhou pela lateral da sala, incentivando todas a dançarem. As meninas abriam caminho para ela, até que a morena subiu em cima de sua cadeira – entre Ino e Sakura – e continuou a cantar e dançar.
Os rapazes continuaram sentados e começaram a bater palmas com ela. As meninas faziam coro ao fundo enquanto ela cantava. Uma série de “Oh’s”. No ultimo verso ela não conseguiu se segurar e olhou para Neji, balançando mais ainda os quadris enquanto passava a mão pelo corpo.
This girl is on fire
This girl is on fire
She's walking on fire
This girl is on fire
Oh, oh, oh
She's just a girl, and she's on fire
“Esta garota está em chamas
Esta garota está em chamas
Ela está andando sobre as chamas
Esta garota está em chamas
Oh, oh, oh
Ela é só uma garota e está em chamas”
No ultimo refrão ela desceu da cadeira e voltou a caminhar em direção ao fundo da sala, todos batiam palmas ao ritmo da música e dançavam.
Tenten cantava os “Oh’s” com uma dedicação grande, se curvando sobre o próprio corpo para dar ênfase.
No ultimo verso, ela baixou o tom de voz, finalizando a música.
Todos aplaudiram e a morena sorriu, havia conseguido superar a si mesma. E estava louca e incondicionalmente feliz por conta disso.
***
Hyuuga Hinata
“Nós sempre temos que enfrentar nossos medos,
O meu problema foi que...
Que meus medos me enfrentaram.
E eu não estava preparada para combatê-los.”
O encarei por alguns segundos e logo desviei o olhar para o carpete vermelho. Não conseguia encará-lo mais, não sem lembrar tudo o que eu sempre quis fugir.
— Porque não me avisou que estava indo embora? – A voz imponente do homem que eu nem mesmo reconheço, me fez estremecer novamente.
— E-eu... – Gaguejei e me odiei. – Eu... Achei que não teria n-necessidades e...
— Eu ordenei que me avisasse. – Ele deu um passo à frente, fazendo com que eu o olhasse nos olhos por puro reflexo, e o que eu vi lá... Destruiu-me. Ele estava com raiva. Mais raiva do que momentos antes.
— N-não sabia... – Gaguejei novamente, como sempre, me sentia inútil e fraca diante dele. – Eu... N-não sabia.
— Não sabia? – Yumi questionou, postando-se ao lado dele. – Pelo que me lembro... Eu a avisei que deveria falar com ele momentos antes de sair, querida.
Meu pai ergueu uma sobrancelha e seu rosto ficou mais sério ainda. Comecei a suar frio.
— Eu... E-eu... – O que digo? Porque não consigo falar? Por que-
— Ah, deixe de gaguejar como uma retardada. – Hanabi resmungou, falando pela primeira vez. Desviei o olhar para a minha irmã, sem acreditar que ela havia se dirigido a mim, mesmo que tenha sido para me insultar. Normalmente isso nunca aconteceria. – Ela deixou uma carta comigo dizendo que tinha medo de falar com o senhor, papai. Como bem sabe, Hinata é uma fraca que só serve para acabar com a nossa vida.
Senti cada pedacinho, que eu havia conseguido remendar do meu coração durante essas semanas, despedaçar-se naquele momento. Eu havia me aberto para ela naquela carta... Havia dito o quanto a amava e o quanto me sentia mal e amedrontada com o tratamento de meu pai... E ela fez isso comigo? Minha própria irmã escolheu uma intrusa a mim? Ela escolhe me trair?
— Não deveria ter medo de mim, Hinata. – O homem afirmou, aproximando-se mais ainda. – Deveria se pôr no seu devido lugar e se manter fora de problemas. Se meu nome se sujar por sua culpa...
A ameaça pairou no ar. Minha própria família. Yumi sorriu de lado para mim, pegou algo na bolsa e ergueu para Hiashi. Meu pai franziu o cenho e pegou o aparelho celular.
— Acho que esse aviso chegou tarde demais. – comentou a loira, divertida.
O som de uma música começou a ressoar pela sala, mas ele saia em uma qualidade ruim. Eu mal entendi o que era, até que reconheci a voz que se sobressaiu. Era a minha voz. Arregalei os olhos quando percebi qual era a música.
Problem, da Ariana Grande, começou a ficar mais nítido, assim como as feições de raiva do meu pai. Antes mesmo de o vídeo acabar, ele arremessou o celular contra a parede em um movimento rápido e logo em seguida agarrou meu braço esquerdo com força. Meus olhos ainda estavam arregalados de surpresa e medo.
— O que você pensa que está fazendo!? — Ele rugiu entredentes – Mais de um milhão de acessos? Qual é o seu problema!? – Ele me sacudiu com força, fazendo meus olhos marejarem. – Você quer destruir nossa família de. Novo?
Senti como se o próprio céu tivesse caído sobre meus ombros. Meu corpo tremia e lembranças daquela noite começavam a passar através dos meus olhos. Meu pai ainda me sacudia e gritava, mas eu não ouvia nada. Nada além daquele “Eu te amo, Hinata”, que fora gritado ao vento. As lágrimas começaram a rolar pelo meu rosto, mas ele não parava.
Não parava.
E meu mundo ruía mais e mais, a cada segundo.
Olhei para minha irmã, ela tinha o olhar baixo e apertava os punhos. Mas eu não sabia se era por raiva de mim ou do que meu pai fazia.
Olhei para Yumi, ela sorria levemente e tinha os braços cruzados.
Eu tive vontade de socar seu rosto.
E então... Olhei para ele.
Seus olhos perolados, antes tão brilhantes e felizes, me encaravam com raiva. Mas no fundo eu pude ver o pouco de tristeza que ali se alojara desde a morte da minha mãe.
Suas mãos, que antes me afagavam, agora me sacudiam e apertavam.
Sua boca, que antes me dizia palavras amorosas, agora gritava e me culpava.
Minha família estava destruída.
— Você foi filmada enquanto dançava como uma vadia. – Ele rugiu. – Nosso país não permite esse tipo de atitude, Hinata! – Ele me sacudiu uma ultima vez e me largou. Meus joelhos mal conseguiam me sustentar e meu rosto estava banhado de lágrimas silenciosas. Eu não conseguia encará-lo mais... Não conseguia encarar ninguém. E foi por isso que eu corri dali.
Fugi mais uma vez.
Eu só queria desaparecer.
E foi o que eu fiz.
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