Os Herdeiros da Luz
1 Prólogo
Notas iniciais
A flecha atingiu a garota em cheio. Ela estava dormindo tranquila ao lado de sua melhor amiga, afinal, essa era sua viagem de formatura e ninguém melhor para acompanha-lá do que sua colega e vizinha. Seus cabelos negros e encaracolados estavam espalhados, contornando seu rosto como uma coroa. Suas mãos estavam juntas ao lado do seu rosto e em seus sonhos via o amor da sua vida.
Mas foi então que ela sentiu. Os lábios da garota se abriram, ela tentou gritar mas a voz lhe faltou. Os olhos azuis dela correram pelo quarto enquanto o desespero a dominava. E tão rápido quanto chegou, o desespero se foi.
Não havia acontecido nada! Ela estava bem, com toda certeza ela havia se perdido em pesadelos! Mas agora que ela sabia que nada havia lhe acontecido, por que ainda se sentia tão estranha?
Algo ardeu em sua pele. Puxou a gola de sua camiseta para baixo e constatou: uma cicatriz em seu peito. Ela nunca teve uma cicatriz! Não podia ser, ela devia estar sonhando, delirando ou até mesmo...
Não. Aquilo era real. Porque nem mesmo em seus sonhos ela havia visto tamanha beleza.
Bem à frente da garota um homem parou. Os olhos dele eram azuis, ela percebeu mesmo no escuro. E os cabelos dele eram negros como os dela. Eles eram parecidos, nos traços do rosto e na maneira como ficavam de pé: com as costas retas e a cabeça pendendo para um lado.
Mas a menina jamais vira beleza comparável à daquele homem. Nunca alguém lhe tirou o ar e as palavras com tamanha facilidade. E aliás, quem era ele? Por que diabos ele estava ali?
-Durma. — ele ordenou. Sua voz poderosa e calorosa.
Antes de cair novamente em seus sonhos, a garota sorriu.
...
Bem que a garota, que já havia se tornado uma mulher, tentou esquecer aquela noite, mas nada que ela tentou adiantou. Desde aquela noite ela foi desacreditada e tachada como louca pelas pessoas, "com toda razão" ela admitia.
"A cicatriz e o homem. Foram eles que fizeram com que eu enlouquecece." Ela dizia tentando se convencer. "Eu nunca tentei nada! Eu sou sã!" ela gritava sempre que tinha de falar sobre aquilo tudo. Chegou uma hora em que ela apenas admitiu e fingiu. A mulher saiu de lá em poucos dias e construiu sua vida, voltando à loucura apenas quando viu aquilo de novo.
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