Os Herdeiros da Alvorada
6 Capítulo V - A ilha dos sonhos
Os tripulantes continuaram a viajem, mas sem temer a nada, pois após vencerem a criatura, seus espíritos estavam restaurados. Depois de muito tempo navegando, eles finalmente viram a ilha ao longe. O céu permanecia fechado, mas agora, pelo fato de a chuva ter passado, as coisas que ficavam distantes podiam ser vistas com mais facilidade. Noop não havia voltado totalmente para sua forma original. Ele tinha muito pelo na face e nas costas das mãos, mas era possível ainda assim ver sua pele por entre os tufos.
Kouta tirou o Tamulack de sua mochila, que até aquele momento não havia secado totalmente e se assentou em um barril caído para lê-lo. Ele ficou assim por muito tempo, em silêncio, e totalmente concentrado. O capitão chefe tinha desaparecido, pois provavelmente estava na parte de baixo de seu barco, dentro do alçapão; ele havia se escondido por causa do medo das pessoas dizerem que Noop estava certo e ele errado.
Quem conduzia era seu outro filho, Tim, o mais novo e o mais odiado, pois por ter nascido com uma mão torta, ele sofria nas mãos de se pai e dos irmãos dês de cedo. Apesar de tudo isso, o rapaz tinha um bom coração. Kouta via isso apenas olhando para os seus olhos.
Lóbin estava em um canto, triste e com a cabeça baixa. Ranael o observava de longe enquanto amolava uma faca usando a pedra que havia comprado antes de embarcar. Ele olhava para a água para ter certeza pelo amigo que agora já não tinha forças para isso. Noop se sentia um pouco culpado e por isso também estava bastante quieto.
Raaph andou até onde a garota ruiva estava descansando e viu que ela já havia acordado, só que ainda estava deitada pois suas forças não tinham retornado. Um pano molhado estava sobre o seu peito e sua cabeça descansava em um travesseiro que o capitão emprestou; ele era um homem muito gentil, apesar de falar muito.
Raaph se assentou perto dela, com as costas apoiadas na borda, e sorriu.
— A criatura estava fraca quando nos atacou, foi por isso que conseguimos sobreviver — ela disse, com dificuldade.
— Você sabe de muita coisa sobre ela, não é?
— Sim, eu sei o suficiente para ter certeza de que ela não morreu. Sei que retornará e quando isso acontecer, quem estiver em seu caminho sofrerá com sua fúria. Eu sei disso, pois aquela merda matou o meu pai! — ela falou enquanto tentava se levantar, mas Raaph a impediu de continuar.
— Fique deitada! Vai precisar estar descansada quando chegarmos na ilha — ele disse.
Ela se deitou e olhou par ao céu que aos poucos se abria. A luz do sol, poderosa e potente, ofuscava os seus olhos verdes. Raaph ficou curioso para saber o assunto sobre o pai da jovem, mas se segurou, pois não queria criar uma situação constrangedora.
— Vejo que você não é daqui! — Raaph falou — cabelos vermelhos, olhos verdes, sotaque forte... Você é de alguma parte da região branca ou de fora do continente?
— Na verdade minha mãe é de Anep e meu pai de Jahlasuh — ela disse enquanto se levantava de vez — eu vim para me vingar do monstro, pois soube que ele havia sido avistado por aqui e que os barcos para a prova do cholder passariam por essa rota — continuou.
— Espera! Você sabia que iriamos nos encontrar com o monstro? por qual motivo não avisou para as pessoas? Vidas foram perdidas! — Raaph falou, indignado.
— Você acha que acreditariam? — ela indagou — o garoto raposa tentou avisar sobre a tempestade, que era algo que todo mundo conseguia ver, mas mesmo assim todos continuaram enquanto zombavam dele. Acha que acreditariam que o flagelo estava por essas bandas?
Raaph ficou calado. O que ela falou fazia sentido. Ele viu que em seus olhos havia muito ódio e que a ilha não era o seu real objetivo.
— Quando vi o monstro, não consegui fazer nada a não ser invocar alguns espíritos... Eu travei, fiquei com medo, raiva, tristeza... — ela segurou em sua espada que estava deitada ao seu lado — os seus amigos foram muito corajosos. Eles conseguiram ferir o monstro e eu fiquei apenas desacordada... E antes que pergunte como eu sei, um dos elementais me contou assim que eu acordei... vocês não o viram pois ele havia perdido a forma física.
Raaph ficou em silêncio por uns estantes. Ele olhou para cima e viu as gaivotas voando tranquilamente pelo céu que aos poucos ficava azul. Ele sorriu e olhou novamente para a garota.
— Eu também fiquei com medo! Eu não consegui fazer nada em comparação a Kouta, Noop e Jasmine. Eles lutaram, com grande força ou inteligência, que é o caso do Noop, que é o cabeça da equipe... Eu... — Ele ficou em silencio, mas depois continuou — Eu te entendo, em parte, pois sei o quão difícil é ser forte enquanto vemos os outros se destacaram. Mas sei que isso também nos dá forças para continuarmos com nossos objetivos na esperança de também sermos reconhecidos. Sei que deve colocar a cabeça no travesseiro enquanto pensa quanto tempo vai demorar pra acontecer, ou se vai acontecer... Eu sei...
Ambos ficaram em silêncio. Raaph se segurava para não chorar na frente da garota e ela também fazia o mesmo. Kouta, que escutava toda a conversa enquanto fingia que estava lendo, apesar de ter tido a força necessária, também se sentia assim. Ele achava que seu ataque contra a besta foi pura sorte e que se fosse para fazer de novo ele não conseguiria; todos tinham mais em comum do que pensavam.
Ele então começou a ler um capítulo interessante que falava sobre a perseverança e então esqueceu o papo daqueles dois; quando se distraia com algo interessante, rapidamente sua concentração ficava em xeque.
Depois de muito tempo as embarcações chegaram na ilha. Eles a circularam e viram uma entrada que ficava por entre as rochas e continuava adentrando a floresta através de uma estrada aquática e por incrível que pareça, a sua correnteza era contrária não desaguando no mar. Os barcos passaram em fila, sendo que o primeiro era do capitão chefe, que agora havia saído, pois não queria perder a vista magnífica. As árvores, grandes e majestosas, fechavam o céu fazendo com que somente alguns raios de sol passassem por entre os galhos; o lugar era bem parecido com o bosque de Elora, só que maior e com plantas diferentes.
Alguns animais como os coelhos gigantes pulavam na margem para vê-los chegar. Eles pareciam curiosos e assim como no bosque falavam um dialeto próprio, o que deixou as pessoas intrigadas, menos Kouta que já estava acostumado com esse tipo de coisa. O caminho continuou, mas virando em zigue e zague vez ou outra. A magia resplandecente queimava como o fogo e congelava como o inverno ao mesmo tempo, mas não como algo negativo e sim como o vento que entra pelos narizes das crianças quando essas dão seus primeiros suspiros de vida. Kouta sorriu ao se lembrar da mestra e viu que ali também haviam porcos cinzentos bem parecidos com os que ela comprou.
— Essas águas cristalinas não me enganam! — a garota ruiva falou — há muita magia aqui... Estranho... — ela olhou para os lados, desconfiada.
— Mas isso não é ruim, né? — Raaph perguntou — veja os peixes nadando, veja como eles parecem felizes. Além do mais, ter magia de mais não é sinônimo de negatividade... Eu acho.
— É, pode ser... — ela respondeu, mas ainda com o mesmo olhar.
Então, enquanto se aproximavam do destino, a quantidade de árvores começou a ficar cada vez menor. O rio parecia se abrir mais e os animais não eram mais frequentes. Eles passaram então por uma entrada toda iluminada que dava para uma área aberta do rio. Ela era grande e se parecia com um lago, só que haviam outras entradas na direita e na esquerda, que eram outros caminhos aquáticos. No fim daquele lago estava um grande quiosque feito de madeira com parte da base dentro da água. A estrutura era chique e bastante bela combinando com o estilo lúdico do lugar.
Eles desembarcaram e seguiram o capitão chefe que adentrou o local enquanto deixava os seus filhos dando conta dos barcos. O chão de madeira rangia muito, talvez pelo peso do número de pessoas, ou pelo fato da estrutura se bastante antiga.
Eles se viram então em uma sala aberta com janelas naturais em toda a parte. No meio dela havia uma garota coelho de olhos castanhos e cabelos de mesma cor. Ela era extremamente bela e tinha um sorriso fofo e meigo, apesar de ser bem estranha. Ela usava peças leves de roupa, pois antes de receber a todos, estava nadando no rio, ato esse que era tentador para muitos ali presentes.
— Sejam todos bem vindos! — ela falou enquanto ria e fazia poses estranhas; sua voz era levemente infantil apesar da idade. — meu nome e Lila Dranbusque e informarei a todos sobre a prova.
Ela andou até a beira de uma das sacadas e se apoiou na madeira para olhar a paisagem. Um vento suave sacudiu seu cabelo e ela o ajeitou em seguida o colocando atrás orelhas. Muitos rapazes tiveram seus corações laçados naquele momento.
— Esse lugar belo, sereno e apaziguador é extremamente chamativo, pois é exuberante e afrodisíaco, mas... — ela se virou novamente para todos, só agora tinha um olhar penetrante e ameaçador — ele é completamente amaldiçoado! É como se tudo o que você imagina de ruim estivesse aqui, se alimentando das coisas boas! — ela começou a andar em direção aos participantes enquanto seus dentes pontiagudos ficavam cada vez maiores e amarelados, juntos aos seus olhos que também ficaram vermelhos e grandes — o mal se alimenta do bem e é por isso que vocês viram tantas coisas bonitas, pois assim como um fazendeiro mantem uma vaca viva para lhe tirar o leite, o mal deixa as coisas boas viverem enquanto suga cada vez mais, todos os dias e sem descanso algum.
— Eu gosto de fazendeiros! — Noop cochichou para Kouta. Ele tentou amenizar o clima.
— Mas isso não é problema de vocês, certo? Estão aqui somente para completar a prova na qual somente quatro passarão — ela disse com um sorriso sádico — o objetivo de vocês é chegar ao templo que fica no topo daquela montanha o mais rápido possível. Vocês terão que passar por muitos lugares que não são tão lindos como aqui e talvez seus corpos nunca serão achados, talvez é claro! Agora vamos as regras: matar o outro participante é proibido? Não, mas tenham em mente que vocês querem ser auxiliares de um herói e, portanto, algo assim está fora de questão. Podem trapacear? Sim, o quanto quiserem, mas saibam que a ilha cobrará isso de vocês! — ela falou, sorrindo — somente quatro participantes passarão, ou seja, o cargo tem poucas vagas, entenderam? Alguma pergunta?
— Err... Eu tenho — Noop falou — como saberemos se alguém chegou lá em cima?
— Boa meu querido companheiro hibrido. O céu brilhará assim como uma aurora das regiões brancas, ou seja, vocês terão que apenas olhar para cima.
Todos se entreolharam. Aquilo tudo parecia uma loucura. Muitos estavam animados, mas outros tinham medo e arrependimento.
— Há algo nessa sala que está me incomodando! — ela falou enquanto olhava para as pessoas, uma a uma — há menos guerreiros do que o combinado, não?
Por um momento, que eram poucos segundos, mas para Kouta foram minutos, todos permaneceram em silêncio, com medo de chamar a atenção daquela fera disfarçada de ovelha para si.
— Muitos de nós morremos no caminho, pois nos encontramos com uma besta do abismo — o capitão chefe falou, olhando para a frente sem mexer a cabeça. Ele parecia temer a garota que agora se aproximava dele lentamente.
— Uma besta do abismo? No mar da aliança? Como isso é possível? — ela perguntou, mas não obteve resposta — Eu perguntei como! — Ela gritou.
— Eu não sei senhora... ele... ele... ele apenas apareceu! — o capitão chefe, que agora suava frio, falou, gaguejando.
— Maldição! — a garota se virou, possessa — tenho assuntos a tratar. Por hora é isso! Vão, comecem a prova, agora!
Todos continuaram parados olhando para ela que estava balbuciando coisas enquanto rangia os dentes com grande fúria.
— Eu disse para irem em bora! Saiam daqui, agora! — ela gritou. Os participantes correram assustados para o fundo do quiosque que dava para a entrada da floresta e posteriormente o coração da ilha, que não era nada fácil de ser alcançado.
Kouta e seus amigos pegaram um caminho alternativo por entre as árvores enquanto muitos outros grupos que haviam se formado ou continuavam pela estrada, ou também procuravam outras direções.
— Droga, eu não queria sair andando aleatoriamente por aí — Noop falou, com raiva — nós tínhamos conversado sobre isso na taberna — continuou.
— É meu amigo, mas a prática é diferente da teoria — Raaph falou enquanto corria e desviava das árvores — depois do que ouvimos a respeito da possibilidade de morte, acredito que não podemos confiar em ninguém aqui.
— Você está em uma ilha amaldiçoada, mas seu maior medo são os outros participantes? — Noop perguntou, mas não obteve resposta.
Eles continuaram correndo por muito tempo até que se cansaram totalmente. Kouta se assentou no chão, Jasmine se apoiava em uma árvore, mas mantinha a cabeça baixa e Noop e Raaph estavam deitados de barriga para cima em meio às plantas e as raízes; todos estavam ofegantes.
— Não podemos continuar assim sem nenhum plano! — Jasmine falou, com dificuldade.
— E o que faremos? Assim como eu disse na taberna, nós não conhecemos a geografia do lugar e nem sabemos se o caminho que estamos pegando pode ser uma boa alternativa — Noop falou — a não ser que continuemos até sair da floresta, mas olha uma coisa engraçada: Não sabemos se essa floresta tem um fim!
Eles ficaram quietos enquanto esperavam que o cansaço passasse. Para pessoas tão atléticas, era estranho estarem nesse estado após uma corrida; com certeza era a ilha agindo em seus corpos e mentes.
— Espere! Vocês estão ouvindo isso? — Noop perguntou enquanto olhava assustado para o oeste.
— Ouvindo? Ouvindo o que? Os pássaros? — Jasmine perguntou com tom ironia.
— Shhhh, escutem com mais atenção! — Noop falou, cochichando.
Eles ficaram em silêncio, mas apenas ouviam o som natural de uma floresta. Depois de um tempo o som de água batendo nas pedras ficou mais claro.
— Um riacho? Isso é bom? — Kouta perguntou.
— Depende! Se ele estiver na mesma posição que a estrada que saia do quiosque, possivelmente a gente pode o usar como trilha — Noop falou — Mas vai depender também da profundidade dele.
Os quatro seguiram o som, mas devagar, pois ainda estavam cansados. Eles viram que quanto mais adentravam o lugar, mais a floresta ficava densa e escura, parecendo que havia adivinhado os seus planos. Kouta tirou sua espada da bainha e começou a cortar as plantas para abrir caminho. Jasmine fez o mesmo e Raaph e Noop a seguiram, pois suas armas não eram propícias para fazer isso.
Eles se depararam então com um rio e não riacho. Ele era estreito, mas parecia fundo além de ficar muito em baixo em comparação a eles.
— Droga, eu não esperava por isso — Noop falou após se espremer em meio a vários cipós para ver melhor o seu objetivo — pelo menos está na mesma direção que a estrada e provavelmente ele desagua la no lago.
— Sim, você este certo! — Kouta falou enquanto abria mais um pouco seu caminho — droga! Minha espada não é tão afiada quanto a sua, Jasmin... — ele não terminou de falar, apenas olhou para frente sem se mexer.
— O que aconteceu, Kouta? — Jasmine perguntou, pois queria o ouvir o que ele tinha a falar de sua espada. Ela adorava quando as pessoas a elogiavam.
— Aquilo é uma casa? — Kouta perguntou.
Ele apontou para o outro lado do rio. Na borda havia um cercado velho, cheio de musgo, coberto por cipós e um mato muito alto. Bem no fundo, em meio as plantas, havia uma cabana antiga e destruída pelo tempo. Se não fosse pelos bons olhos de Kouta, ninguém teria avistado aquilo.
— Será que alguém mora ali? — Kouta perguntou.
— Obvio que não! — Noop respondeu — está abandonada. Olhe os vidros quebrados e a árvore que sai de la de dentro pela janela.
— É verdade! — Kouta disse — acha que deveríamos checar?
— O que? E se tiver alguma cobra la? — Jasmine perguntou, aflita.
— Você está falando sério, Jasmine? — Noop falou — você lutou com um monstro marinho gigante e agora está com medo de uma cobrinha?
— O monstro marinho eu não tive escolha, mas agora essa cabana... — ela falou olhando com desprezo para as ruínas.
— Ah, vamos, não custa nada! — Noop falou.
A garota hesitou por um momento, mas viu que seus amigos a olhavam assim como uma criança olha para mãe quando está afim de doce e cedeu.
— Está bem, mas vai ser bem rápido!
— Eba! Mas agora... como vamos atravessar? — ele perguntou, só que olhando para a garota na esperança de que ela fizesse alguma coisa.
Jasmine revirou os olhos, cruzou os braços e invocou um relógio mágico espectral, assim como o de Kouta, só que verde e com runas totalmente diferentes. Os ponteiros giraram com muita velocidade e então ela disse algumas palavras indecifráveis bem parecidas com cânticos.
Um tremor poderoso fez com que todos desequilibrassem. Várias raízes vieram de algumas árvores que estavam atrás deles e passaram por baixo de seus pés, dentro da terra. Em seguida saíram da margem do rio se esticando até o outro lado fazendo uma ponte parecida com as que Elora fazia, só que com relógios e cânticos.
— Não se acostumem! — ela falou enquanto atravessava primeiro. Depois Noop, Raaph e Kouta foram, em fila.
Eles chegaram ao outro lado e seguraram na cerca para andar na borda até um local seguro. Noop, Raaph e Jasmine foram pela direita, e Kouta pela esquerda. Eles olharam para a parte de dentro da cerca, que estava quase cheia por casa do mato e da árvore barbada que tapava quase tudo.
— Eu conheço essa árvore... Ela parece ter uma barba que acena em dias de muito vento... — Kouta falou.
Eles andaram com dificuldade em volta da residência, pois o excesso de coisas no chão os atrapalhava. Kouta olhou então pelo vidro quebrado e sujo a parte de dentro, mas decidiu se afastar, pois viu uma aranha enorme em uma teia que estava alí; se Jasmine tinha medo de cobras, ele tinha de aranhas.
— Gente, eu achei uma porta! — Noop gritou la do outro lado. Kouta se apressou e os outros, que olhavam a redondeza, um poco afastados, correram também.
Kouta se deparou com outra cerca, que ficava na parte da frente, e na direita da casa, na parte onde os outros tinham pegado para atravessar, havia um criadouro velho de pássaros, só que sem nenhum animal dentro.
Havia também uma trilha antiga que seguia a direção do rio, indo para o norte. Ela estava cheia de mato, mas era possível ver que as pessoas que moravam ali há muito tempo usavam-na para caminhar.
— A porta parece estar quebrada. Vamos, me ajudem a empurrá-la! — Noop falou.
Raaph, Jasmine e Kouta forçaram-na para frente e muita poeira caiu sobre eles, mas mesmo assim não pararam. A estrutura antiga tremia bastante e mais uma aranha foi avistada ali. Kouta saltou para o lado e Noop riu de sua cara.
— É o segundo guerreiro com medo de um animalzinho no nosso grupo. Agora o que falta? O Raaph ter medo de morcego? — Noop falou com tom de ironia.
— Mas eu tenho medo de morcegos! Não há problema em termos medos, pois são eles que nos permitem viver e nos separa dos idiotas! — Raaph falou.
— Espera! Você está me chamando de idiota? — Noop avançou sobre o amigo enquanto Jasmine e Kouta entravam na cabana.
— Pessoal, venham aqui... — Jasmine falou com uma voz assustada.
Noop e Raaph continuaram por um tempo, mas pararam quando Kouta também os chamou. Eles entraram devagar e se depararam com os restos mortais de alguém assentado em uma cadeira de balanço. O esqueleto estava em volto a uma coberta velha e segurava um amontoado de papéis nas mãos. Jasmine pegou aquelas coisas, mas deixou cair um papel que voou até próximo a lareira. Kouta correu para pegá-lo e quando o fez, viu que em meio a lenha antiga havia várias aranhas, umas maiores do que as outras. Ele saltou para trás e caiu assentado perto de uma estante cheia de livros e baús velhos.
— O que é isso, Kouta? — Raaph perguntou.
Kouta se levantou e entregou o papel que estava dobrado em quatro partes. Quando ele abriu, um sorriso gigantesco apareceu em sua face. Era como se tivesse visto ouro puro, ou algo do tipo.
— O que é isso, Raaph? — Noop perguntou enquanto saltava para tentar enxergar o que havia no papel. O rapaz olhou para cada um deles e falou: — É um mapa da ilha.
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