Os Guerreiros do Infinito
13 Revelações
Notas iniciais

O primeiro ataque, é claro, foi dos omnykhes, que avançaram contra Connor e Yin usando as armas que ainda portavam em suas mãos, disparando múltiplos lasers. Se não fosse pelo grande espinho erguido pelo hospedeiro no último momento, já teriam sido acertado várias vezes. O surgimento súbito da barreira deixou os inimigos em estado de alerta e fez com que recuassem, um pequeno ganho de tempo. Connor nunca fizera tanto esforço em uma luta antes, e seu estado emocional não ajudava, por isso ele já estava suando. Ofegante, olhou para Yin.
— O que vamos fazer?
O kloeru pensou por alguns instantes, sabia que não tinha muito tempo, e não trabalhava muito bem sob pressão. Por instinto, olhou para cima e avistou a grande nave dos inimigos que ainda os sobrevoavam. Teve então uma ideia:
— Precisamos chegar à nave deles. — Voltou seu olhar a Connor com um sorriso entusiasmado no rosto, há tempos não tinha uma luta empolgante como essa. É difícil tirar Yin do sério, mas quando conseguem fazer isso, se arrependem logo em seguida.
O jovem de cabelos morenos entendeu o que o de cabelos brancos quis dizer, e confirmou isso com um sorriso determinado. — Tecnologia omnykhe... — Ele disse em um tom animado. — Mas precisamos de uma distração.
Pensando rápido, Connor sinalizou com a cabeça para que Yin subisse no grande cristal inclinado usado como barreira para se defenderem dos lasers. O kloeru o fez, escalando rapidamente o material branco. Ao ficar exposto e à deriva dos omnykhes, dissipou a energia telepática presente em sua katane e a usou para formar um escudo a sua frente. Iria protege-lo das armas por breves segundos, era todo o tempo que precisava. O hospedeiro da esperança sabia que os robôs iriam usar todo o poder de fogo disponível para destruir rapidamente o escudo de seu amigo, e precisava lhe dar cobertura. Gesticulou então com a destra e lançou o grande cristal do chão em direção à nave, dando a Yin o impulso que precisava para chegar até o transporte. Uma vez não servindo mais como impulso, Connor dividiu o cristal branco em vários cristais menores, lançando-os em direção aos robôs e barrando os tiros que vinham em sua direção, perfurando os seus corpos logo em seguida, como fizera com o omnykhe que levou Lylith e Artêmis. Péssimas lembranças para ele. Mas o núcleo prateado daqueles seres é extremamente maleável, e por isso foram capazes de “cuspir” o espinho para longe. Connor se afastou, e conforme andava para trás, fazia com que mais espinhos brancos fossem jogados na direção dos inimigos. Sabia que nada mais funcionaria além de sua própria tecnologia, mas isso ainda estava sendo providenciado por Yin.
— Yin! Uma ajudinha! — Por mais que estivesse gerando mais energia do que o normal devido ao seu desejo de vingança, não podia ficar jogando espinhos para sempre. Isso, cedo ou tarde, cansaria seu corpo. O kloeru pôde ouvir o pedido de seu amigo mesmo lá de cima, porém ainda estava pensando no que fazer. Toda aquela tecnologia parecia muito avançada, tinha medo de que, se tirasse uma peça sequer do lugar, poderia levar a nave abaixo. Começou a procurar por armas e acabou por encontrar algumas lanças esquecidas na parte traseira da nave. Não eram como as armas a laser que os robôs estavam usando, mas pelo menos poderiam se certificar que o projétil não sairia de seus corpos com facilidade. Pulou sobre uma das plataformas que os robôs usaram em sua descida, e enquanto flutuava pelo ambiente, viu que Connor estava quase em seu limite. Por isso imediatamente cobriu a lança em sua mão direita com energia telepática e a arremessou contra um dos omnykhes, perfurando-a em seu peito. Ele ficou imóvel no mesmo instante, como se tivesse sido desligado. Ao ver a ajuda chegando, Connor sorriu em alívio e correu em direção a Yin, erguendo a destra ao alto para pegar a outra lança. Bloqueava os tiros com o seu antebraço esquerdo, criando um pequeno escudo de energia cósmica. O kloeru habilmente deixou que a lança em sua mão esquerda caísse no momento exato em que Connor passou embaixo de si, e assim ele foi capaz de pegar a arma. Saltou para cima do omnykhe e o derrubou no chão com um chute carregado de energia, perfurando a sua testa com a ponta da lança, deixando-o imóvel como o outro, ao seu lado. Estava ofegante e encarava o robô com um olhar sério. Mesmo que ainda não tivesse recuperado Lylith e Artêmis, aquilo ainda fazia parte de sua vingança. Ele permaneceu olhando para o corpo “morto” do inimigo por alguns instantes, e Yin percebeu isso. Se aproximou de Connor e colocou a destra em seu ombro esquerdo.
— Vamos, Connor. Precisamos ver se a nave tem alguma coisa útil.
— Certo. — Respondeu o garoto em um tom quase inaudível e uma voz reflexiva. Antes que pudessem pensar em alguma forma de voltar à nave sem gastar tanta energia, ela estava vindo até eles. As luzes da máquina haviam apagado, e ela estava caindo livremente. Teria atingido a cidade se os omnykhes tivessem “estacionado” um pouco mais para baixo. Em um ato involuntário e resultante de seus instintos como hospedeiro, Connor apertou os seus punhos e os ergueu ao alto com força, fazendo com que uma grande quantidade de enormes espinhos brancos emergisse do chão, perfurando a nave antes que ela atingisse o solo e destruísse a cidade, e segurando-a. Porém, no momento em que seu metal foi perfurado, os espinhos acabaram por atingir o seu reator, fazendo com que a máquina explodisse em chamas. Yin se prontificou a proteger os dois, erguendo as mãos e fazendo novamente um escudo de energia telepática. Como naquele o kloeru usou mais de sua concentração, ficou ativo por mais tempo, e assim foi capaz de salvá-los da fumaça e das chamas por tempo necessário para que tudo se dissipasse pelo ambiente. Feito isso, o escudo foi abaixado, e Yin olhou imediatamente para Connor ao seu lado, surpreso. Não sabia como o garoto havia sido capaz de erguer uma quantidade tão grande de espinhos de uma vez só.
— Como conseguiu fazer isso? — Perguntou ele.
— Eu... não sei. Só... senti que deveria fazer, e aconteceu. Mas a nave foi destruída. Não sobrou nada.
— Não... — Levou a destra ao queixo, pensando com mais tempo desta vez. Foi quando olhou para os corpos imóveis dos omnykhes no chão. — Eles não chegaram a perder toda a carcaça, talvez Alec queira dar uma olhada. Pode descobrir algo novo.
— Devemos levar o livro?
— Seria uma boa ideia, mas e se ele atrair mais atenção?
— Realmente... mas eu tive uma ideia. Vamos levar apenas um corpo por enquanto. Depois precisaremos voltar aqui.
Yin assentiu com a cabeça e então os dois se dirigiram até um dos corpos, pegando-o pelos braços. Era mais pesado quando inativo. Começaram a carrega-lo pelo mesmo caminho, e logo a armadura de Connor sumiu em energia, havia se esforçado muito revivendo a cidade e durante a batalha.
De volta à nave de Alec, todos estavam reunidos sobre uma mesa improvisada com os escombros para analisar o corpo paralisado do omnykhe que os atacara mais cedo. Akemi ficava longe, e Ashryn apenas um pouco afastada. Não sabiam se tinham estômago o suficiente para ver a criatura sendo dissecada, mesmo que se tratasse de um robô. Apenas Alec, Dead e Aelin estavam em volta do corpo paralisado, trabalhando todos em conjunto. O cruygark se focava em analisar a parte física do robô, movendo agilmente suas mãos pelo seu metal maleável. Eagle usava seu manejo no plano espiritual para encontrar qualquer laço de espírito que o robô pudesse ter com seu mestre, Dr. Rosak. Por fim, Aelin mantinha seus circuitos ativos com a energia cósmica de seu cristal, algo semelhante ao que Connor fizera com as estruturas antes mortas da cidade. Mas ela não tinha tanta energia quanto ele, por isso era um esforço bem maior, e o suor escorria pela sua pele.
— Não estamos conseguindo nada, é como se o núcleo metálico não fosse nada além de simplesmente... metal! — Exclamou Alec, já impaciente depois de tanto tempo analisando o mesmo corpo.
— Não tem nenhum rastro de energia espiritual também, e parece que a energia cósmica de Aelin só lhe dá a capacidade de mudar sua forma. Acho que toda a informação que poderíamos conseguir ficou na carapaça. Mas está totalmente desligada. — Explicou Dead, e todos cessaram seus esforços com um suspiro de cansaço. — Não vamos conseguir nada sem analisar um corpo com a carcaça ainda funcionando, mas seria arriscado sair por aí procurando mais dessas coisas. — E limpou o suor da testa.
— Talvez Connor e Yin consigam trazer um bom corpo da exploração deles... — Murmurou Akemi do fundo da sala. Todos ficaram meio surpresos por ela conseguir falar depois daquela operação com o corpo, mesmo que tivesse só olhado. Alec se virou para ela.
— Eu não sei. A única coisa que sabemos sobre essas criaturas é que sua própria tecnologia é seu ponto fraco. Yin e Connor podem ficar em apuros se encontrarem algum deles. Se bem que Connor estava gerando mais energia do que o normal...
— Acho melhor pensar de novo, ruivinho... — Era a primeira vez que Aelin chamava Alec de algum apelido, apesar de seus cabelos serem alaranjados, e não vermelhos. De qualquer forma, ela estava olhando para a porta da nave quando falou, e todos acompanharam seus olhos. O hospedeiro da esperança e o kloeru estavam entrando no transporte igualmente suados, carregando o corpo do inimigo.
— Acho que esse corpo vai servir mais... — O humano jogou o robô no chão e se apoiou na parede metálica, ofegante.
— Connor?... — Disse Ashryn, visivelmente preocupada. Se aproximou dele e levou a destra ao seu rosto, sentindo sua pele. Arregalou de leve os olhos, voltando-se para a equipe. — Ele está queimando. Precisa de apoio médico, urgente.
Akemi já estaria chorando de preocupação se não fosse a maturidade que adquiriu nos últimos dias. Ela olhou para Yin, como se exigisse respostas. O homem de cabelos grisalhos suspirou de leve.
— Ele está assim há alguns minutos... mas esteve bem pelo resto da caminhada. Eu não pude fazer nada além de fortificar um pouco sua mente com a minha telepatia, mas obviamente o problema está no corpo. Pelo menos isso fez com que ele aguentasse até aqui.
— Akemi, Ashryn, levem Connor para o dormitório, parece ser o cômodo mais seguro da nave depois da queda. Alec, Aelin e Yin, vocês ficam para analisar o corpo. Eu volto em alguns instantes. — A voz de Dead era séria e autoritária, ele fora treinado para situações críticas como aquela, afinal. Mesmo que seus poderes sobre o plano espiritual não estivessem sendo usados, todos obedeceram pois sabiam o que devia ser feito. Até mesmo Aelin, a mais rebelde, não resmungou diante das ordens. Akemi e Ashryn foram até Connor, que estava quase caindo inconsciente. A hospedeira da paz o pegou pelos braços, e a da guerra, pelas pernas. Juntas, o levaram até o dormitório, o único que não havia sido destroçado pelo metal da nave. Alec e Yin carregaram juntos o corpo do omnykhe para a mesa improvisada, jogando ao chão o que estava lá antes.
— Não me diga que foi Connor quem perfurou esse cara na cabeça... — Indagou Alec, cutucando cuidadosamente a ponta da lança que mantinha o omnykhe imóvel.
— Foi... — Respondeu Yin com um suspiro pesado.
— Esse cara está sendo mais violento que eu... e acreditem, isso não é bom. — Comentou Aelin. — Mas temos trabalho a fazer. — Já havia se passado tempo o suficiente para recuperar suas energias, então ativou sua armadura marciana acinzentada natural e começou a desferir pequenos feixes de energia cósmica negra em direção ao corpo metálico. Os circuitos se acenderam, e algo novo aconteceu: o robô começou a se sacudir, tentando libertar-se da lança que o prendia. Todos se alarmaram e Alec rapidamente usou sua manipulação da gravidade para mantê-lo preso à mesa.
— Isso não aconteceu antes. Certo. Aelin, mantenha o corpo vivo. Yin, tente encontrar algum sinal telepático no sistema. Eu vou analisar o corpo. — Aelin apenas assentiu e manteve os feixes ativos. Yin fechou os olhos brevemente para se concentrar e levou as mãos à cabeça do omnykhe, encarando seriamente um ponto vazio do espaço. Mas estava transmitindo energia telepática para os circuitos nervosos daquela parte do corpo, esperando por uma resposta. Alec solidificou as manoplas de energia gravitacional em suas mãos e começou a analisar os compostos do corpo, levitando-os aos poucos.
No dormitório, Connor foi posto sobre a cama, ainda suando e ofegando. Seu corpo estava tentando se manter acordado. Dead acompanhou Ashryn e Akemi até o cômodo.
— Muito bem. Ashryn, ele está ficando sem energia cósmica, e isso está interferindo no funcionamento do corpo. Preciso que vocês transfiram parte da sua energia a ele, pelo menos até que seja capaz de gerar a sua própria.
— Como sabe que ele está ficando sem energia, e que não é outra coisa? — Perguntou Akemi, abraçando seu próprio corpo.
— Apenas olhe para o bracelete dele. — Dead apontou para o bracelete de couro marrom de Connor, que continha uma representação física de seu cristal. — Está apagado, menos brilhante do que o normal. Algo sugou a sua energia. Ele ficou tão ligado ao cristal que pode morrer. Mais energia cósmica é a única coisa que pode salvá-lo. Vocês só precisam fazer contato físico e deixar a energia fluir. Entenderam? — Ambas assentiram, seu nervosismo era visível. — Ótimo. Preciso analisar o corpo que ele trouxe. Sem pressão, ok? — Disse a última frase como tentativa de aliviar a tensão, apesar de ter uma leve desconfiança de que só havia piorado a situação. De qualquer forma, caminhou rapidamente em direção à sala de comando, fechando a porta do dormitório.
Ashryn suspirou pesadamente, uma forma de relaxar a si mesma. Se aproximou do corpo e colocou as mãos sobre os botões da camiseta de Connor, abrindo-os e expondo seu peitoral. Aquela visão não tinha a mínima importância para Ashryn, mas, Akemi, tímida como era, ficou completamente corada, tapando sua face com a mão.
— O-O que você está fazendo? — Gaguejou ela, sua timidez era visível.
Ashryn riu, revirando os olhos. — Precisamos estabelecer contato físico direto para transferir mais energia. Expor o lugar do ferimento é o básico em um tratamento médico, aprendi isso na guerra. O cristal dele costuma ficar no peito enquanto está com a armadura ativada. Além disso, ele não vai te morder. Pelo menos não nesse estado. — Murmurou a última frase com um riso baixo. Mas é claro que Akemi ouviu e corou mais ainda.
— E-Eu ouvi isso!
— Não seja boba. — Asryn tomou a destra de Akemi e a levou até o peito de Connor, fazendo com que ela sentisse sua alta febre.
Após alguns instantes de silêncio, Akemi se acalmou e disse: — Ele está quase explodindo de calor... — Sua timidez havia ido embora, e dado lugar a sua doce preocupação.
— Ele precisa de nós. — Disse a hospedeira da guerra, com calma, colocando sua destra ao lado da mão de Akemi, sobre a pele de Connor. — No três, vamos começar a transferir energia. Pronta? — A mulher de cabelos brancos assentiu. — Um... dois... três! — Ashryn contou, e fechou os seus olhos com força, transferindo sua energia, bem como Akemi. Seus cristais emitiam um brilho mais forte conforme o do garoto ia ganhando cor.
Embora a tensão estivesse diminuindo aos poucos no dormitório, estava só começando na sala de comando. Quando Dead chegou, estava tudo diferente. Os olhos de Yin emitiam um brilho arroxeado, e sua boca estava aberta. Olhou para Alec como se perguntasse o que estava acontecendo.
— Ele começou a ficar assim do nada! Não podemos cortar a conexão, pode danificar a mente dele. — Explicou o cruygark, que estava mantendo um reator ainda funcionando no ar. Aelin dava o melhor de si para manter o robô funcionando e não machucar Yin.
— Mantenham os esforços! — Ordenou Dead, se aproximando do corpo do kloeru e arregaçando as mangas do terno, acionando os dispositivos em seus pulsos. Apenas rangeu os dentes com a dor das agulhas penetrando a sua carne. — Mente e espírito estão conectados. Aelin, quando os olhos dele pararem de brilhar, deixe o corpo do robô inativar imediatamente. — A marciana assentiu com a cabeça. Pela primeira vez a preocupação por um membro da equipe estava visível em seus olhos. — Eu vou entrar. — Dead fechou os olhos e colocou as mãos já cobertas de energia espiritual sobre o corpo de Yin. Automaticamente, sua consciência foi transferida para a alma daquele que tocava. A alma de um ser costuma ser o lugar mais calmo de sua existência, estável e sereno. Mas aquela estava conturbada. Raios de energia eram disparados aleatoriamente pelo ambiente, e era difícil para Dead se manter ali. Devia ser rápido. Usou seus olhos ágeis de águia para vasculhar o local, e pôde ver, acima de si, uma representação espiritual de Yin, sendo aprisionada por uma série de correntes, cuja quantidade aumentava cada vez mais. Elas estavam vindo de fora, como se o que quer que o kloeru tivesse encontrado no robô, estivesse tentando tomar conta como contra ataque. O loiro rapidamente flutuou pela alma até o alvo e então fez seu círculo mágico com as mãos:
— Spiritum Purificatio! — Exclamou, e uma densa onda energética abrangeu o local, purificando a alma de Yin e estabilizando o seu ser. Uma vez em calmaria, o brilho parou de ser emitido de seus olhos, e Aelin parou de transmitir os feixes de energia ao corpo. O choque foi tão forte que a onda de energia de Dead acabou indo para o plano externo, jogando todos para longe. — Yin... — Murmurou o loiro, se recuperando da queda. — O que você viu?
O kloeru permaneceu encarando o nada por algum tempo, suspirando profundamente em seguida, como se tivesse acabado de acordar. — Eu vi... algo horrível! Rosak tem uma conexão mental com todos os robôs que ainda usam a carcaça... mas a mente dele é escura, horrenda... é fria, como se não fosse uma mente viva... — Ele colocava tudo para fora, como uma criança que acabara de presenciar seu maior medo.
Dead colocou a mão sobre o ombro de Yin, transmitindo calmaria espiritual na tentativa de ajudar. — Você conseguiu descobrir onde Artêmis e Lylith estão?
— Numa nave... Rosak veio aqui para extrair energia dos habitantes... eu me lembrava de quem eram, mas o choque mental foi grande, não me lembro mais. Alguma coisa deu errado, e ele ficou sem energia. Ficou preso aqui. Ele viu em Artêmis a energia cósmica que precisa pra fazer a nave funcionar. Mas eu não faço ideia do porquê ter pego Lylith.
— Se eu estiver certo... — Resmungou Alec, se sentando no chão e tomando cuidado para não machucar as costas pela queda. — Ela é a hospedeira do cessum.
— Rosak não tem o cessum, ele não tem nada relacionado a ele... ele quer usar a energia da Artêmis pra sair do planeta, viajar para outro... um mundo frio, ainda mais vazio que este... cheio de... metal...
— Então Rosak capturou a suposta hospedeira do cessum, e está planejando ir para um planeta coberto de metal?
— Você quer dizer que... — Dead arqueou a sobrancelha esquerda.
— O Cessum é o objeto poderoso dos marcianos. É o que originou todo o seu conhecimento. Nas mãos certas, pode fazer bem a todo o universo. Mas nas mãos erradas... é capaz de transformar uma civilização inteira em só... metal. Como você viu, Yin. — O cruygark levou seu olhar ao garoto.
— Eu consegui descobrir a localização da nave... mas precisamos ser rápidos. Ele pode estar vindo em nossa direção.
— Vamos montar nosso plano assim que Connor se recuperar.
Connor estava bem melhor, seu corpo já não estava tão quente e o suor havia parado de escorrer pela sua pele. O cristal em seu bracelete já havia voltado com seu brilho original. Akemi e Ashryn descansavam ao seu lado na cama, levemente ofegantes pela transferência de energia intensa. Felizmente todos estavam bem. De repente, ele acordou, abrindo seus olhos e se sentou na cama, respirando fundo e olhando ao redor. Não demorou muito para que percebesse o que acontecera, e então curvou a cabeça diante das garotas, murmurando:
— Obrigado...
Ashryn levou a destra a sua face e a ergueu, olhando diretamente em seus olhos enquanto tentava explicar de maneira doce:
— Eu sei que você está triste por causa da sua mãe. Acho que todos nós aqui passamos por uma experiência familiar. Mas ela não gostaria de ver você depositando sua raiva dessa forma. Poderia ter morrido, sabia? Estamos todos ao seu lado. — E terminou dando um tapinha em sua pele. Ele apenas assentiu com a cabeça, corando de leve. Foi quando se lembrou que tinha de contar a Alec o que descobrira. Se levantou da cama e caminhou até a porta da sala de comando. Todos o olharam.
— Os habitantes deste planeta. Eram, literalmente, estrelas.
— O quê? — Perguntou Ashryn ao chegar no cômodo, acompanhada de Akemi.
— O brilho delas mantinha esse lugar vivo. Eu fui capaz de trazê-lo de volta através da minha energia cósmica. Rosak veio até esse planeta para extrair a energia delas. Mas... elas começaram a se suicidar. — Deu uma pausa para que todos entendessem, de olhos arregalados. — Sabiam que, sem o seu brilho, Rosak ficaria preso aqui. Mas antes que tudo terminasse, elas salvaram uma pequena estrela através de um teletransportador, eu e Yin o encontramos na biblioteca. — Agora o kloeru se lembrava de tudo.
— Como descobriram tudo isso? — Indagou Aelin com a sobrancelha arqueada.
— Tem uma cidade perto daqui... é chamada Capital Estelar. Ganhou vida com a minha energia, e por isso eu fiquei tão cansado. Encontramos um livro com a história das estrelas, e a caverna secreta na biblioteca, com o teletransportador. De qualquer forma... essa estrela que fugiu era uma garotinha. Escutem, eu não estou dizendo que tenho certeza disso... mas nós conhecemos as nossas raças. Quase todas. — Olhou para Akemi, ainda não tinha certeza do que ela era. — Mas Rosak podia usar qualquer um dos guerreiros, e escolheu justamente Artêmis. E ela foi a única a desmaiar quando colidimos.
— Artêmis é... uma estrela? — Akemi perguntou com os olhos brilhando de emoção, se lembrava de observar as estrelas no céu noturno quando pequena.
— É o que eu acho. Porém, o livro dizia que essa estrelinha não tinha os traços de uma estrela. Ela não tinha brilho. Não vejo o motivo de Rosak querer pegá-la. — Connor olhou para Dead e Alec, respectivamente. — Nós precisamos ir busca-las antes que seja tarde.
— Não podemos fazer nada com essa sua raiva à solta. Você quase morreu. — Argumentou Dead.
— Eu sei que eu exagerei... e peço desculpas a todos. Também agradeço por terem cuidado de mim... eu estava cego de raiva por ter perdido a minha mãe, e acabei não percebendo que vocês também são a minha família. — Aquela frase deixou todos com um pequeno sorriso nos lábios. Até mesmo Aelin, apesar de ter revirado os olhos um pouco antes. — Antes eu gerava energia por esperança de vingar a minha mãe. Agora eu gero energia por esperança de salvar Artêmis e Lylith. — Ergueu o bracelete, mostrando que seu cristal brilhava. Dead sorriu em aprovação e se levantou no meio de todos.
— O inimigo que estamos prestes a enfrentar é grande. Ainda maior do que Obscurus. Não conhecemos sua fortaleza. Precisaremos analisar o local e atacar estrategicamente. Yin nos mostrará a direção. Vocês podem usar a energia cósmica para dar vida ao planeta e descobrir passagens secretas, talvez. Mas precisamos estar unidos. — Estendeu a mão para frente. Pela primeira vez em muitos anos, estava sentindo o trabalho em equipe. Apesar de demorar um pouco, todos colocaram suas mãos sobre a dele.
— Vamos recuperar nossa família. — Disse Connor com um sorriso esperançoso no rosto.
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