Assim que abri os olhos vi o céu, mas não era um céu comum, esse céu tinha nuvens roxas.

-Roxas?- sussurrei baixinho relutante para voltar a dormir. Ainda não tinha acordado completamente

-Lilás

O tal Wiggi aparecera tão rapidamente que me levantei num salto, ficando apenas sentado.

-Olhe para baixo — disse Wiggi calmamente, toda essa calma me irritava

-AAAh -gritei assim que olhei.

Eu estava flutuando, a pelo menos três metros do chão. Lá embaixo tinham tochas, tendas, redes e coisas do tipo o que me assustou ainda mais

-E...eu estou flutuando...

-Não senhor, Wiggi vai mostrar

Ele passou a mão por debaixo dos meus pés e aos poucos um pequeno tapete azul marinho fora aparecendo.

-Um tapete... Voador? -debochei — como o do Aladim? U-A-U

Eu não estava acreditando em nada daquilo, para mim era um truque, as nuvens, o tapete e ate mesmo o tal Wiggi.

-Tudo bem, pode falar alguém esta pregando uma peça em mim, como naqueles programas de Tv- falei andando encima do tapete a procura das câmeras escondidas

-Wiggi esta triste por pensar que é brincadeira, não acreditastes em mim

-Qual é o que mais vai aparecer, uma fada? — falei dando de ombros

-As fadas deste mundo só podem ser vistas por quem esta no nível superior, mas em alguns casos o mestre permite que os inferiores tenham suas fadas, mas só em casos extremos.

Olhei para a criatura sem acreditar. Parecia estar mais feio do que a primeira vez em que o vi, agora pelo menos tinha cabelo, um cabelo ruivo liso e duro.

- Quero falar com esse mestre – exigi

-Ele queria mesmo vê-lo – falou – descendo

- O que?- perguntei sem entender por que falara descendo

-Falei com o tapete

-Aah, esqueci que você é louco –falei

Fchei os olhos e nesse momento o tapete começou a se mover, ele parecia estar descendo como Wiggi mandara

–ok, esta na hora de acordar –falei para mim mesmo apertando os olhos com força – acorda acorda acorda!

-Chegamos! – Wiggi comemorou – pode abrir os olhos senhor

Fui abrindo os olhos devagar, com medo do que estava por vir e assim que terminei, não gritei nem corri, já tinha visto tanta coisa por hoje que me mantive calmo e em alerta. Na minha frente estava um Ciclope, como o da Mitologia Grega, apenas um olho no meio do rosto e tinha pelo menos dois metros de altura. Só esperava que não fosse tão bravo e violento como na historia

- Sou Arthur – disse abrindo um sorriso amarelo enorme

-S..sou Jimmy -falei

-Não fique com medo, sou um ciclope da terceira espécie

Minha memória falhou no momento em que disse isso, mas não tanto a ponto de me esquecer que os ciclopes de terceira espécie de acordo com a mitologia não eram violentos, muito pelo contrário.

-Ufa – meus ombros caíram e eu relaxei

-Dê-nos licença Arthur

O grandão saiu do meu campo de visão como uma bala.

-Siga-me –disse Wiggi

Dei uma boa olhada na Aldeia e percebi que era bem mais bonita do que eu pensei, tinham tochas por todos os lados apesar de estar de dia o que era bem estranho. Barracas de varias cores ficavam espalhadas pelo local, pessoas por um instantes pareceram normais até ficarem de costas. Elas tinham rabos de de vaca, cavalo cada um de um animal diferente. Ouvi um homem gritar

“Olhos de Cabra de peixe de cavalo pelo menor preço só aqui!”

-Olhos? – perguntei a Wiggi

-São bastante procurados para fazer poções

-Poções – repeti para mim mesmo – ok

Olhei para a barraca do tal homem, não tinham apenas olhos, havia orelhas dedos narizes, tudo que você pode imaginar. Sim, até mesmo aquilo...

Segurei o vomito

-Entre – disse Wiggi abrindo uma pequena porta de um pequeno cômodo construído com pedras aleatórias, era tão mal estruturado que cairia a qualquer momento

Lá dentro não era diferente, a mesa era feita com as mesmas pedras, as cadeiras também, ate mesmo o teto era feito com as tais pedras.

No fim da sala estava um homem, com a barba tão branca quanto o papel em sua mão, vestia um casaco azul cintilante que parecia ser grande demais para seu corpo.

Do outro lado da sala, mas não menos importante uma garota tocava violão, era o violão mais bonito que eu já vira na vida, era branco com detalhes dourados. A menina conseguia ser ainda mais bela que o instrumento. Tinha olhos cinza, não era estranho para mim, afinal, já vira tanta coisa em menos de dez minutos que aquilo não me intimidaria, seus cabelos negros e lisos caiam sobre os ombros. Parecia tentar encontrar o acorde certo para a canção.

-Wiggi trouxe Jimmy, mestre- falou Wiggi para o velho com o papel na mão

O velho se levantou e veio em minha direção, Wiggi fez alguma coisa parecida com uma reverencia, me aconselhando a fazer o mesmo.

-Olá meu jovem sou Zatan o feiticeiro encarregado pelos novos guerreiros, vou explicar-lhe por que esta aqui. Sente-se – disse apontando para uma cadeira ao lado da sua.

Me sentei

-Você é filho de Merlin

-Merlin...o feiticeiro?

-Não, o padeiro — respondeu com escárnio -claro que é o feiticeiro garoto tolo

-Quanta delicadeza -comentei — então, isso me torna um feiticeiro?

-Não, isso te torna um filho de feiticeiro nascido para combater feras e coisas do mal

-Aah – falei rindo – estamos em 2010 é impossível eu ser filho de Merlin

-Na verdade não, Merlin viajou no tempo e conheceu sua mãe rapaz eles começaram a se gostar e ai você já pode imaginar o que aconteceu

Fiquei de boca aberta

-E como vocês sabem que sou filho dele?

-Você tem uma marca de nascença não tem?

-Sim – falei assustado

-Mostre

-O que?

-Mostre!

-Ok ok

Tirei a camisa e verei as costas, a tal marca ficava exatamente no meio da minha espinha, mais precisamente em cima do meu cóccix.

O mais estranho é que não era uma marca comum, tinha forma de estrela o que eu sempre achei muito estranho.

-Pode colocar a camisa filho. É você mesmo

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.