Notas iniciais
Sem palavras ! Voltar a escrever essa história é nostálgico e até difícil,porque essa é a minha parte favorita . Eu estou um pouco inspirado nas Crônicas de Gelo e Fogo,mas calma,não haverá tantas mortes ...
Espero que gostem do Capítulo e sempre que puderem comentar ,é sempre bom saber o que vocês acham !

Memórias são como diversas portas na sua mente . Algumas são antigas e difíceis de abrir . Outras,apesar de recentes,perdem-se na escuridão do esquecimento . Mas há aquelas que sempre estão acessíveis . Seja banhado em um raio de felicidade ou em um poço de desespero,elas sempre se entreabrem,buscando serem recordadas .

Essa noite seria lembrada por muitos .

Em seu tom frio, a noite nebulosa Londrina estava quieta e comportada . As ruas estavam vazias,os bares já a muito fechados . As poucas casas,ainda acesas,apagavam uma a uma . Ninguém sabia o que as sombras daquela noite escondiam em sua serenidade .

Essa noite,o Primeiro Ministro ficara até tarde no Palácio Parlamentar para terminar de preencher as papeladas para a reunião do Congresso . Ele era um homem velho e acanhado . Estava apressado para ir pra casa devido ao aniversário de sua filha . Porém,a sua noite começou com uma ligação .

O prédio estava vazio e em completo silêncio,o que favorecia a propagação do toque . Resmungando,ele pegou o seu casaco e o atendeu .

- Boa Noite, em que posso ajudar ? — Perguntou,controlando o timbre de sua voz . O telefone chiava em seu ouvido,dificultando o seu entendimento — Alô ! — Mais uma vez,nada .

Ele desligou o telefone,indo em direção a porta . " Malditos sejam,dando ao luxo de estragar a minha noite " Pensou ele .

Quando ia sair da sala, o telefone voltou a tocar . Chiando,não demorou a atendê-lo .

- Alôo ! — Tentou ele mais uma vez,porém sem resposta . O Primeiro Ministro desligou o telefone e virou-se para sair .

Novamente,ele volta a tocar .

Já irritado,ele puxa-o do gancho com violência .

- Aos inferno homem ! Não estou no clima para ...

E em um instante parou . Seu rosto empalideceu e sua mão começou a tremer . Dessa vez, ele escutara quem estava do outro lado da linha — Papai ! — Dizia a voz,fina e fraca,em meio aos chiados da ligação .

As luzes do prédio se apagaram . A linha fora cortada . O primeiro Ministro ficou imóvel na escuridão .

— Eles Estão aqui — Pensou ele,arfante — tenho que ... Eu tenho que pedir ajuda .

A sua primeira ideia foi o seu celular,mas o sinal também havia caído . Orientando-se pela luz dele,o Primeiro ministro teve a sua segunda grande ideia : Sair do Prédio .

- Os seguranças virão ao meu resgate . Logo, eles irão me achar

Seu coração apertava em seu peito sempre que virava em um corredor . As sombras se confundiam a luz do seu Iphone . As vezes,pensava ouvir passos as suas costas .

Ao descer as escadas,acabou tropeçando em algo,fazendo um estardalhaço em todo o andar .

Durante a queda,acabou perdendo o seu celular . Sua testa sangrava um pouco e o seu olho começava a inchar . Sua visão estava confusa,os sons pareciam misturar-se . A sua frente, um foco de luz ofuscava a sua visão .

Perto da lareira da saleta,aos poucos,ele pôde distinguir a forma de um vulto . Um homem,não muito alto,nem muito velho . Pelo contrário,ele era até novo . Aparentava no máximo vinte e um . Sua pele era bronzeada,o que contrastava com seus cachos dourados,bagunçados e desajeitados .

- Por favor,Primeiro Ministro,levante-se — A sua voz era controlada e cortês . Ele abriu um pequeno sorriso para o idoso a sua frente — Quem sou eu para ter a honra de ver o senhor curvando-se à mim . Nós não estamos acostumados com tais cortesias .

O Primeiro Ministro levantou-se,tentando se afastar quando sentiu algo de diferente .As suas costas,em frente a escadaria que caíra,havia um homem alto ao ponto de quase chegar ao teto . Ele era forte e tinha um rosto nada agradável .

- Por favor,aproxime-se — Chamou o homem que encontrava-se sentado — Aceita um pouco de vinho ?

O Primeiro Ministro se ajeitou,aproximando-se do homem,temeroso . A sua visão ainda estava turva e seu coração começava a doer .

- Perdoe-me por Udyr,ele não faz o tipo que gosta de formalidades — O homem de nome Udyr fez um som semelhante a um rosnado,mas logo se acalmou — Servido ?

O Ministro pegou o vinho,por cortesia . Ele tinha que enrolá-los até os seguranças chegarem .

- Sinto dizer,mas os seus seguranças não virão — Afirmou o homem,servindo-se — Udyr já se encarregou do,digamos ... trabalho sujo .

- Você lê mentes agora ? — Perguntou o Ministro,gritando,esbravejando a sua raiva .

O homem bebericou a sua taça,apreciando o sabor .

- A mente é um quebra-cabeça indecifrável . Não,não sou apto a resolvê-lo . Muito menos compreendê-lo em sua totalidade .

"Mate-o ... Estraçalhe-o...Faça-o Sofrer"

O Ministro provou o seu vinho para acalmar-se,mas logo cuspiu-o,enojado .

- Isso é sangue ! — Seus olhos miraram os dois homens na sala -Já cumpri o que me foi pedido ! O que mais querem de mim ? O que fizeram com a minha filha ?

O homem fez um gesto com a mão.Em seguida,Udyr levantou-se,retirando-se da sala .

-Pra onde ele foi ? — Perguntou o Primeiro Ministro — O que está acontecendo aqui ?

- Acalme-se,Primeiro Ministro . Viemos apenas tratar de negócios — Disse o homem,oferecendo-o um pano para limpar o sangramento — Nada parece o que é . A vida é apenas uma ilusão . Saboreá-la é o que nos faz querer continuar .

Udyr voltou,trazendo consigo um caixote .

- O que é isso ? — Perguntou o Ministro,quando o embrulho foi colocado a sua frente .

- Apenas um presente que tivemos o luxo de dar . Por tudo o que fez a nós .

O Ministro abriu a caixa . O embrulho vermelho foi jogando em um canto . A caixa era grande e pesada . Em seu interior,havia duas cabeças repousadas,ainda frescas,por cima de almofadas ,como se fossem troféus . Dois rostos conhecidos por ele .

- Como você pode fazer isso com elas ?! — Gritou ele,chorando a imagem de sua mulher e filha — Elas eram a minha família !

- Desculpe,mas não posso compreendê-lo — Disse o homem em um tom sarcástico,tentando provocar o Ministro — Eu nunca me dei bem com a minha família .

Em seu ato de desespero,o Ministro foi para o seu pior plano na noite . Escondida por debaixo de suas vestes,ele sacou uma pistola,apontando para o homem , as mãos trêmulas .

- Eu posso morrer hoje,mas o levarei para o inferno comigo !

O homem,então,levantou-se,repousando a sua taça sobre a mesinha .

- Pegue esta chance .

Sem hesitar,o Ministro disparou três vezes . A força do disparo o derrubou no chão . Quando virou-se para o homem,ele ainda estava de pé . Teria ele errado os tiros ?

- Você ... como ... Por Quê ? — O Ministro tentou levantar-se,mas não conseguia forçar o seu braço . Seu coração batia com muita força . Sua respiração ficava cada vez mais fraca .

O homem caminhou até ele . Aquilo o divertia . A dor,o sofrimento,a agonia .

"Ele deve morrer ... A sua carne deve apodrecer ... Deixe-me alimentar-me de sua alma "

- Você é uma pessoa esperta,senhor Primeiro Ministro,mas hoje age como um tolo . Ter o senhor como aliado tornou as coisas mais fáceis para os nossos interesses . Mas uma coisa que eu odeio é traição .

O Ministro continuava a arrastar-se . Seus olhos revirando o lugar em meio a escuridão,buscando uma chance de escapar .

- Traição ? Eu sempre lhe fui fiel ! Sempre fiz o que me foi mandado .

O homem aproximou-se da fogueira,agachando-se,olhando para as chamas .

”Ele Mente ! ...Arranque a verdade ... Arranque seu coração ... Faça-o cair na Perdição "

- Mentira !!! — O Grito fez as chamas tremeluzirem . As sombras pareceram recuar por um instante .

Então,o Ministro viu o que seria a sua única saída . Reunindo forças,ele tentou arrastar-se até a janela.Udyr levantou-se,puxando a lâmina que tinha preso a cintura e fincou-a nos pés do Ministro.

Udyr ria de sua dor . Dos seus gritos . Pressionava,cada vez mais,até que ele não tivesse mais voz para gritar .

- Ministro,ou devo dizer,mentiroso ? Por que não admite a verdade e escapa de tal sofrimento ? Juro acabar com isso rápido .

- Não há verdade a ser dita ! — Gritou o Ministro,olhando fundo nos olhos de seus assassinos .

O homem pareceu decepcionado com a sua resposta . As chamas começaram a tremeluzir . As luzes piscavam,as sombras agitando-se .

- A escuridão esconde segredos que apenas os de mente forte podem revelar . A verdade permanece reclusa em sua mente — O homem apontou para um canto da sala . Em meio a escuridão que prevalecia silenciosa,o Primeiro Ministro viu um homem que ele não tinha reparado antes . . O seu estado era decrépito . O seu corpo estava acorrentado e coberto de ferimentos.Os seus olhos esverdeados estavam sem vida,como se sua alma tivesse sido retirada de seu corpo .

O Ministro sabia quem ele era e sentia por isso. Sabia também que a situação não ia melhorar .

- Professor Chris,quero apresentá-lo Lord Rayman,o nosso Primeiro Ministro. Aparentemente,vocês não se conhecem .

"Você é a escuridão ... Você Inundará o Mundo com o Caos ... Meu Progenitor ... Meu herdeiro "

- Por favor ... Vocês levaram tudo ...

- Não tudo — A voz do homem estava diferente . Seus olhos avermelharam-se . As sombras se erguiam,reunindo-se em seu corpo . Ele sorria,indo em direção ao Ministro .- Ainda não levei o presente de sua filha ...

- Você já a tirou de mim !

- Mesmo ?

O Ministro olhou para o lado . Onde antes estava a cabeça de sua mulher e filha,agora estavam as de seus seguranças .

"Decapite-o ... Esquarteje-o ... Mostre quem você é ... Mostre quem nós somos ..."

As luzes começaram a piscar mais forte,estourando,uma a uma . A chama na fogueira começava a tremeluzir,até se extinguir . A última coisa que quebrou o silêncio daquela noite foi o grito de dor do Primeiro Ministro ,seguido por uma risada cruel que pôde ser escutada por toda a Londres .

A notícia estampava a primeira página dos jornais no dia seguinte . Além disso,aquela noite fora marcada por um símbolo que assombraria a noite de muitos . A figura de um Dragão Negro sobrevoou pela Palácio do Congresso .

Muitos desacreditaram,outros ficaram receosos,apesar de não acharem provável.Porém,a verdade foi omitida de todos. O Conselho decidiu que isso os faria saber demais .

Notas finais
É isso !
Acho que tá bom pra um prólogo . Queria algo simples pra começar . Enfim,Semana que vem,tem mais ! Não deixem de comentar pra que eu possa sempre dar um Up pra trazer um trabalho cada vez melhor .