Notas iniciais
Pessoal, desculpem pela demora, tentarei ser o mais rápido possível! Boa Leitura

Jack jamais fizera parte de competições esportivas ou situações que incluíssem morte súbita, mas as atuais circunstâncias implicavam numa morte destrutiva e o respectivo fim do mundo. Depois de ter sido sugado pelo portal aberto por renegados e presenciado um ritual repleto de sangue e ritos nada comuns, a voz de Cailleach ainda estava perturbando sua alma e envenenando sua mente de forma intensa e pragmática. As palavras "Abadom" e "Destruição" ainda ecoavam na escuridão do abismo que caía. Seus gritos externos eram incomparáveis e dor demasiada e generalizada que atormentava-lhe com sangramentos e xingamentos. Quando por fim abriu os olhos, viu que estava em um chão rachado e explicitamente seco, viu restos mortais de animais e plantas lançados no chão e neve que despencava dos céus sem parar. Então aquilo era o abismo? Não sabia dizer, sua cabeça e o resto de seu corpo latejava, portanto, não conseguiu sair ao menos do lugar em que estava deitado e aterrorizado. Ergueu a mão por alguns minutos e tentou despertar alguma chama que iluminasse o lugar, porém fagulhas foram as únicas coisas que pôde presenciar. De repente, mãos ásperas e calejadas de ferimentos lhes suspenderam e o salamandra não ousou dar qualquer suspiro ou reclamação. Como tinha deixado chegar àquele ponto? os soldados de Sídh estavam mortos ou dilacerados, a cidadela e o resto da mundo estaria enfrentando o primeiro Samhain após séculos, Katherine havia sido capturada... E tudo isso era sua culpa. Devia liderar os filhos da luz, buscar as relíquias, destronar Ahura e a primeira mãe, mas agora tudo estava perdido, ele tinha falhado com o mundo e o reino dos elementais. O homem que lhe carregava era quieto, rígido e terrivelmente sombrio, usava uma túnica preta sem qualquer vestígio de estampa ou outras peças de quaisquer cores e um capuz escuro que não permitia que fosse lhe identificado o rosto. À medida que passavam por corredores estranhos e tortuosos o frio e a neve aumentavam, entretanto, eram os gritos e uivos que incomodavam Jack. Ouvia gritos de indivíduos sendo devorados aos poucos, sangue jorrando por todos os lados, e diálogos de loucos que tinham passado séculos presos juntos com Cailleach sendo torturados durante o seu sono. Esse seria o destino do salamandra? Ser torturado? escravizado? Ele de fato não sabia, mas seu destino se aproximava como uma catástrofe. Chegando em um grande portão de ferro ornamentado com caveiras e detalhes incrivelmente belos com inscrições amaldiçoadas, o homem deu um soco forte nas costas de Jack que o fez cair e praguejar, mas ele nem se importava. Com um sotaque distante e medonho, disse palavras em alguma língua morta com resquícios da língua dos pássaros e as letras apareceram como runas e brilharam no portão como fogo provocando a abertura da passagem. Jack foi puxado pelo homem com capuz e entraram no salão. Dentro do salão, um silêncio mortal estava impregnado como veneno nas veias da presa de uma serpente, a neve caía torrencialmente do grande abismo que jazia no lugar do teto e colunas firmes estavam espalhadas quebradas ou aos pedaços. Armas e mais restos mortais estavam distribuídos, além de árvores cujas raízes se ramificavam nos quatro diferentes pontos cardeais do salão. Enquanto isso, 12 túmulos brancos devido a neve exalavam um cheiro indistinguível de sangue e desespero já mortos pelo tempo e pelas virtudes do esquecido. O homem ergueu Jack e jogou-lhe diante de um trono feito de rocha e gelo com uma figura antiga e imutável. Jack sentiu-se "restaurado" naquele lugar de forma que conseguiu se ajoelhar (sobas ordens do servo sombrio) e então erguer seu rosto agora machucado e ensanguentado. Olhou em volta e viu que outros homens e mulheres usavam as mesmas vestes só que com cordões que neles pendiam símbolos que definiam a lua trifásica da aula de astronomia que o salamandra tivera tempos a trás. Estranhamente, algo maior e ainda mais poderoso atraía os olhares: o trono. O trono era uma cadeira cristalizada, repleta de gelo límpido e rochas mortificadas, ao seu redor estavam ossos e um corvo branco estava no topo a observar com apenas um olho, o outro parecia ter sido arrancado e sangrava incessantemente manchando suas penas ilustres. Sentada no trono, a patrona das bestas, senhora da corte do inverno e a invocada do Samhain estava assentada. Cailleach aparentava ser uma anciã com um vestido velho e seco como os ventos áridos da Irlanda, porém em seu vestido imagens tremulavam sem parar dos exércitos de renegados saindo das falésias de Moher para outras partes do mundo, neve e caos por toda a parte. Seus cabelos eram longos e tão brancos que brilhavam, mas sua pele era azulada e cheia de arranhões com cicatrizes bastante nítidas, um longo capuz cobria seu rosto impedindo qualquer um de vê-la. Uma aura negra a suspendia como fogo e tamborilava ao mesmo tempo que se mexia. Na sua mão direita uma espécie de bengala/cajado apoiava-a. O homem que segurava a Jack tinha lhe largado e se juntados aos seus iguais perante Cailleach, deixando o filho da luz sozinho. Jack tentou abrir a boca para falar, mas um símbolo semelhante ao que os encapuzados sombrios usavam brilhou no seu peito como fogo e sentiu uma dor berrante no seu corpo, seus olhos lacrimejaram e caiu em pranto. As estruturas pendentes do salão começaram a mexer e uma cantoria maquiavélica preencheu o vazio avivando e alimentando Cailleach, as raízes que seguravam firmemente o salão como vigas cresceram e se espalharam ainda mais. As raízes surgiram de todas as partes como veneno e cercaram a Jack penetrando no seu corpo provocando feridas ainda maiores e sangramento contínuos, a agonia foi tamanha que o salamandra sentiu sua consciência esvair assim como as memórias que transcorriam sua mente;

–Desista, não há como resistir a mim. Eis que virei sobre ti como veneno para acordar o que há de pior em você, filho da luz e detentor da armada. Seus piores pesadelos começam aqui, o crepúsculo de uma eterna noite sem fim. Abadom emergiu sobre você, e essa será a última vez que o verá– a voz penetrava em sua mente como se estivesse vasculhando alguma coisa em todas as partes do seu corpo, sua voz poderia não sair no meio externo, mas ela ainda existia em seus pensamentos;

–EU...nunca...desistirei! Você pode ter dormido por todo este tempo, mas os filhos da luz irão vencê-la e o mundo voltará a sua ordem natural. Eu mesmo irei lhe despedaçar!- Cailleach bramou como se aquilo fosse divertido e inusitado, um pobre menino indefeso lhe dizendo que seria capaz de impedir a primeira mãe;

–Pobre criança, acha mesmo que seria capaz de me impedir? Eu sou antiga, mero Elemental, muito antiga. Antes de seus asquerosos antepassados saírem da lama, meu reino já era forte e destemido como qualquer outro. Veja ao seu redor, acha que o mundo conseguirá se mantiver? Guerras, doenças, catástrofes... É apenas o começo do grande e terrível inverno. Seus olhos estão vendados assim como os daqueles ridículos guardiões e de seus irmãos e irmãs, filhos e filhas da luz e da aurora. Acredita mesmo que irás sobreviver? Tudo o que tem foi tirado, e aquilo que mais amava também.- Jack ouviu distantemente o chamado de socorro de Katherine e seus gritos de desespero por misericórdia e compaixão, mas sua voz se extinguia como a névoa, ela não estava ali, tudo não passava de uma armadilha;

–Kathe!- gritou, suas lágrimas desciam como sangue e cada uma delas parecia uma facada em seu coração;

–Você jamais a verá novamente. Seus amigos morrerão em vão e a dor deles tecerá ainda mais sua eterna e única agonia. Sacrifícios, somente sacrifícios terão que fazer. Apenas ambição e ódio existirão no final, detentor da armada. A bela amarela será ceifada na última batalha, com um suspiro perderá sua alma para ser morada. O único amigo perderá a essência e tornar-se-á sua perdida esperança. A esquecida que procura desistirá,tão somente desistirá e seguirá em frente, pois assim são os desejos mortais e carnais. Todo sangue é meu. Toda alma me pertence. Acha mesmo que vai viver? Ver sua descendência e sua semente pragmática? Deixai, filho do ar e do fogo, deixai os desejos e me permita tomar aquilo que nunca foi seu- A voz de Cailleach adentrava em sua mente dobrando todos os seus sentimentos, pensamentos, memória, sensações e desejos, ela queria expulsá-lo, tirar sua esperança e destruí-la, queria fazer algo contigo: tomar seu corpo, roubar sua alma. Jack sentiu suas forças diminuírem e tudo aquilo em que acreditava desaparecer. Por que lutava? Por que queria tanto vencer as trevas? Por que havia sido escolhido? Desde o início fora rejeitado pelas pessoas que lhe rodeavam e dizia querer ajudá-lo, seus pais tinham deixado-o em um orfanato, foi torturado e maltratado por anos, e quando conhece Katherine, a única pessoa que aparenta lhe amar, depois de anos lhe procurando, deixa-a escapar por entre os dedos. O que o diferenciava de qualquer um? Da tríade negra, de Cailleach, dos guardiões... de Ahura...? As raízes penetraram ainda mais fundo no seu corpo, e dessa vez o seu grito ecoou por todo o abismo que abrangia o vazio deixado em si próprio. Sangue jorrava torrencialmente do seu corpo e percorria as raízes como veneno e regava os troncos secos das árvores que agora uivavam. Ventos vinham como se as árvores fossem grandes fendas, e muitos dos encapuzados sombrios se posicionavam diante de cada grande tronco e começavam a falar em línguas estranhas e mandar comandos de batalhas para quem quer que esteja ouvindo do outro lado. Jack sentiu seus olhos revirarem e toda a dor ser consumada, caiu no chão desmaiado com os glóbulos oculares tortuosos ao presenciar aquela quem o atormentava. A primeira mãe estava sem o capuz, com os cabelos brancos emaranhados e bagunçados, seus olhos eram amarelos, e seu rosto extremamente enrugado e envelhecido. Um de seus dedos estava na testa de Jack e ela enfiou sua unha enegrecida provocando ainda mais dor e fraqueza.

–Sua dor permanecerá até que os meus propósitos tenham sido alcançados. Almejo mais do que tudo destruir sua desprezível e inútil existência, porém teu sangue há de ser vital para mim e para Ahura, temos GRANDES planos. Nossos planos teriam sido impossíveis sem a raposinha enviada como presente simples e inocente mas que originou a decadência dos filhos da lua. A beleza e a juventude enganam o mais tolo coração, mas as doces palavras da raposa acalmam e persuadem a presa para a morte, sua querida rosa têm espinhos cujo veneno é a traição, menino das chamas– Jack sentia uma substância escura e semelhante a trevas entranhar em seu corpo e provocar maior sofrimento do que qualquer outra coisa. Naquele momento, conseguia ouvir seus amigos, pais, conselheiros, elementais... todos pediam por ajuda! Ele não poderia deixá-los, não podia desistir, o fim não podia ser daquela forma! A chama de Prometeu não tinha selecionado em vão, Jack não tinha que cair, não novamente. O símbolo que ainda queimava no peito do salamandra foi esvaindo até desaparecer, e então gritou como nunca em toda sua vida. Não esperava que alguém fosse lhe ouvir, seu único desejo era gritar, mas tinha ido muito além do que o filho da luz imaginava. Ao gritar, Jack lançou uma rajada de fogo de seu próprio sopro, que, para o espanto de Cailleach a incendiou e provocou tremendo terror. As chamas eram furiosas e queimavam carne e ossos. Os olhares e movimentos de Jack expandiam de raiva a ódio, o fogo que lançava pelo seu sopro logo incinerou as raízes que lhe cercavam e libertou seus braços e pernas. Numa cambalhota, o salamandra conseguiu ficar de pé e começou a lançar rajadas de fogo quentes e destemidas por meio de socos e pontapés, queimando e devastando parte das raízes que rapidamente se regeneravam e atacavam sordidamente balançando todo o palácio. Enquanto se livrava do fogo, Cailleach disparava comandos para que os encapuzados atacassem a Jack, mas muitos tinham sumido após atravessarem as árvores em direção a outros lugares, possivelmente. Um dos encapuzados saltou e num girou deu um soco e uma rajada de fogo azul surgiu e quase queimou o salamandra. Outros dois vieram atrás dele, mas em conjunto usavam as chamas azuis para manusear lanças e dardos e lançá-los contra o salamandra. Jack saltava para os lados, porém foi atingido por alguns dardos, formando cortes profundos e amedrontadores. Outros encapuzados se juntavam e lançavam rajadas de fogo azul ou formavam correntes e avivavam armas com chamas vivas. Uma encapuzada correu com uma lança em chamas e gritava sem parar tentando atacá-lo, mas o salamandra conseguia desviar e fechou os punhos em chamas socando a mulher e deixando-a desmaiada. Manuseou a lança e usou-a para potenciar seu salto sobre as chamas e chutou um dos encapuzados e arremessou a lança machucando outros três. Invocando fogo de ambas as mãos lançou chamas sobre o chão morto do palácio provocando um incêndio que começou a incinerar mais raízes e restos mortais. A neve caía sem parar, e o vento gélido do abismo tentava combater o fogo, mas ambos estavam no mesmo nível. O corvo branco que estava sobre o trono voou e grasnou batendo as asas iniciando um voo assassino e tenebroso até a Cailleach caída e enfraquecida no chão. Sua pele azulada descascava livremente e carne viva pulsava tentando sobreviver àquela temperatura, mas ela se curava rapidamente e levantou em um grito unicamente mortal com os olhos amarelos como podridão vazios de qualquer outro sentimento a não ser desprezo e resquício de agonia perpétua;

–Maldito! Mortal inútil! Verme hediondo e miserável! Farei sofrer e querer morrer declaradamente por causa disto, sua desgraça será maior do que a de qualquer outro filho da luz!– Cailleach ergueu-se e ao virar-se para Jack pegou seu cajado e bateu-o no chão criando uma camada célebre de gelo e o ar petrificou-se de tal forma que ficou gélido e sem vida. Ergueu-se do chão em uma grande rocha e levantou quatro grandes pedras que foram jogadas contra o salamandra, Jack corria sem parar das rochas, quando teve que saltar, porém foi lançado longe por uma destas. A primeira mãe balançava o cajado e dele disparava raios prateados inflamados que faziam com que as raízes ganhassem vida como tentáculos venenosos. Jack tentou se levantar, e viu que muitos dos encapuzados recuavam com medo da rainha do inverno e do que seria capaz se alguém ou alguma coisa lhe atrapalhasse naquele exato e específico momento. O salamandra despertou fogo novamente de suas mãos e começar a incendiar as raízes, mas eles amordaçavam os braços e atacavam de todas as partes. Saltando no ar, invocou chamas dos pés para conseguir voar longe daquilo, mas os espinhos que eram impregnados atordoavam sua mente. Jack ergueu-se num tornado em chamas para equiparar-se a rainha do inverno e conseguiu reter as raízes, mas algo estranho aconteceu. O salamandra se virou e ouviu aves começarem a piar, e percebeu que dezenas, talvez centenas de corvos brancos surgiam do vestido de Cailleach para devorá-lo. Jack dissolveu o tornado de fogo e batendo as duas mãos lançou uma rajada de fogo que queimou parte deles, enquanto que outro tinha sobrevivo e o agarrado. As aves piavam e atacavam várias partes do corpo de Jack, fazendo-o sangrar e gritar, até que uma delas enfiou seu bico na barriga do filho da luz como se ele fosse um espantalho, até que Jack gritou em chamas e incinerou parte dos corvos que tentavam atacá-lo. As feridas em toda parte causavam náuseas, e o sangue perdido em todos os ataques tinha lhe enfraquecido. Cailleach gargalhava insistentemente mostrando alegria para com os recentes acontecimentos, mas Jack continuava a ficar de pé mostrando que não desistiria tão facilmente, mas ela simplesmente jogou o cajado e ele se transformou numa serpente gigante de madeira com pele asquerosa e olhos extremamente azuis. A serpente rosnou e muitos dos restos mortais se ergueram junto ao gelo e formaram Waheelas e centauros comandados para atacar o filho da luz. Jack estava imóvel, fraco demais para resistir, não sabia o que fazer. Quando fechou os olhos, ouviu um grasnido impetuoso e uma explosão aflorar em Abadom. Rajadas de fogo e chamas incandescentes expandiam-se e causavam explosões que queimavam e destruíam os animais que se levantavam das cinzas devido ao poder da primeira mãe. O ser que brandia nos ares incinerava tudo ao seu redor, mas parecia levemente familiar. Jack conseguiu segurar em uma das paredes e levantou-se enquanto que o ser em chamas lhe protegia e queimava raízes, além das árvores. Voando sobre o salão, ele conseguiu espantar os encapuzados e deter Cailleach por um período de tempo. Mesmo com a derrota dos animais que voltavam a se reduzir a ossos, folhas, armas e neve, a serpente rosnou e saltou ante o ser em chamas. Mesmo com a visão turva e afetada pela perda de sangue e os graves ferimentos resultantes de resistência à tortura, Jack viu a figura se defender da serpente queimando-a ou atacando com algo que parecia ser sua boca e garras, parecia ser uma real batalha pela sobrevivência de um dos predadores, mas o ser de fogo tinha conseguido apunhalar a serpente e despedaçá-la com sua fúria como se fosse uma minhoca, e não uma serpente. A primeira mãe bramou com fúria, e então o ser de fogo se virou e iluminou os olhos de Jack. O ser de fogo nada mais era do que uma fênix jovem e límpida, que brandia toda a sua glória por meio das asas e pousou no solo. O salamandra chorou quando viu Fang piar ao seu encontro com um olhar triste e feliz ao mesmo instante. Jack corria, saltava e bramava de felicidade para tentar tocar e sentir o calor da fênix. Apesar de não lembrar de onde ter a escondido, ou do que tivera acontecido com ela, a fênix havia atendido ao chamado de angústia do seu amigo e tentado lhe salvar das garras cruéis de Cailleach. Jack abraçou Fang e então sentiu seus poderes serem revigorados, além dos ferimentos aos poucos começarem a ser curado, o sangue diluía e toda espécie de dor sumia;

–É bom te ver, velho amigo- falou Jack, o olhar da fênix trouxe esperança e confiança novamente no garoto até que Fang gritou como se tivesse sido atingida e então bateu em Jack com a asa para que fosse lançado para longe dali. A fênix gritava sem parar em chamas e então o salamandra viu o porquê: o cajado estava apunhalado na costas da ave. Jack gritou e foi socorrê-la, mas era tarde: Fang se dissolvia em chamas, extinguindo sua existência com a chama que uma dia vivera em cinzas inóspitas. A fênix caía e se dissolvia no chão, Jack caiu de joelhos e tentava tocar as cinzas, mas Fang já não estava lá. A fênix tinha morrido no lugar dele. A gargalhada de Cailleach era descontrolada enquanto tentava se levantar das rochas e dos destroços da batalha com o cajado que tinha voado em sua direção e ficado firme em sua mão. Jack olhou com fúria para a primeira mãe e bradou em direção a ela com os punhos em chamas, no entanto, quando saltou, sentiu seu corpo congelar e o fogo que invocava em todo o corpo ser apagado e um tornado de flocos de neve e geada circular ao seu redor e retirar todo o seu fôlego e petrificar seus movimentos. A primeira mãe controlava o tornado com uma das mãos azuladas e ameaçava fechá-la comas unhas afiadas e enegrecidas. Após tentar falar alguma coisa, a aura que a cercava pareceu falhar e sua imagem começou a tremeluzir sem parar, seu poder falhava a cada instante;

–Não!– ela gritava-Como ousa me desafiar? Eu...eu...sou... a primeira mãe! Eu tenho exércitos! Trouxe o filho da luz! Sou a rainha do inverno!Um rei precisa de uma rainha! Não vou deixar que me...me...– a voz antiga e áspera da primeira mãe derretia assim como seus olhos e boca que vazavam como gelo submetido a altas temperaturas, logo sua pele descasca sem parar e cai como cascalho de uma montanha. Uma voz assume todo o seu corpo;

–Eu não preciso de você, jamais precisei. Estavas morta quando te reanimei e a usei como uma simples peã no meu jogo. Não sou um rei que se sujeita a renegados imundas e uma anciã maldita, sou mestre das trevas e seu corpo já não me serve, renegada- A anciã gritou e seu corpo voltou ao pó assim como o de Fang. Seu cajado tinha explodido, e a neve tinha parado de cair. Todo o salão caía e despencava na escuridão, agora que Cailleach estava destruída. Jack se levantava e percebeu que logo morreria, não queria deixar as cinzas da fênix ali, não queria que seu melhor amigo ficasse enterrado para sempre na corte do inverno, mas não possuía escolha. Tudo naquele lugar estava morto e desabaria, ele tinha que achar um meio para fugir. Deparando os lados e os restos da batalha, as lágrima ainda mergulhavam seu rosto, mas sua única opção estava diante dos seus olhos. Todas as árvores estavam queimadas ou suas passagens eram fechadas, apenas uma permanecia e nela os encapuzados corriam para tentar salvar suas vidas, Jack não sabia do que seria dos prisioneiros, mas o palácio todo estava desmoronando, sua única chance era fugir e deixar para trás. Esquecer. As rochas e as colunas caíam, o abismo devorava a corte do inverno, e Jack lançava fogo para que não impedissem-no, mas conseguiu saltar a tempo e chegar perto do tronco da única árvore livre. Seria como na Baviera? Levaria-o para algum lugar? O salamandra não sabia, o filho da luz olhou para trás e desejou que aquele não fosse seu real fim, ele tinha que achar Katherine, impedir Ahura, avisar seus amigos... Jack tinha que sair dali. No último momento, o salamandra se jogou lançando fogo como impulso e quis não morrer.

Notas finais
Obrigado