Notas iniciais
Boa leitura

Katherine conseguiu aguentar uma noite inteira com Jack reclamando da sua dor de cabeça, no momento ela queria tentar absorver que estava em uma missão altamente sigilosa cujo objetivo era impedir que a tal primeira mãe e Ahura tomassem a relíquia da terra. Mas é claro, Kathe estava sendo um pouco egoísta, e o pobre do Klaus? Ele aguentou a tal família dele por anos, e invés de ficar mais um humano no lugar mais seguro (A.E.T.) para elementais aprendizes, ele é escolhido para salvar 4 relíquias que juntas impediriam o fim do mundo. O pequeno gnomo quis se esconder em seu quarto fuçado de livros, mas a sílfide tinha jurado ter visto ele com Suzana no meio da noite, a olhando, esperando que a garota acordasse.

Kathe foi a primeira acordar. Afinal ela tinha passado a vida dela junto com os pais procurando seu primo perdido. Depois de acolher Fang, que ainda dormia, nos seus braços foi a cozinha e procurou por comida que lhe lembrasse a Inglaterra, sua terra natal. Óbvio, a comida alemã não era exatamente aquilo que ela amava, mas o cookies de chocolate bastavam. Os eventos da tarde passada assustaram na só a ela, mas também aos outros. Dezenas de hags, canibais elementais da terra, lhes atacaram pela liderança de um dagda, um golem dos maiores terrores da Europa bárbara. Sentou numa cadeira que rangia perto da mesa de madeira reservada na cozinha e espiou ao redor> era um lugar modesto, a casa tinha escadas, corredores, e portas que originavam lugares que nem mesmo os próprios moradores lembravam, já que os gnomos da Baviera viviam lá há mais de 5 gerações. O inverno era estação menos apreciada por eles, por isso (segundo Klaus) eles dormiam até mais tarde, um ato que lembrava a hibernação.

A pequena Fang já se sentia um pouco melhor desde a queda na floresta da Baviera, mas ainda não conseguia se transformar na sua forma real e grandiosa. A ave de fogo ainda se resumia a um pássaro que piava e devagarmente comia um punhado de areia. Quando Kathe iria pegar mais um biscoito ouviu um leve rangido no fundo da casa, mas que fez a fênix piar em direção ao lugar;

–Fang?- perguntou Katherine curiosamente. A ave pulou para fora dos seus braços em direção ao chão e seguiu caminho para atravessar a porta. O que aquela ave maluca estava fazendo? Katherine levantou da cadeira, derrubando alguns farelos do colo para ir atrás da fênix mas como sempre, se surpreendeu. O fundo da casa de Klaus era um campo de gramíneas, aberto, mas com dois balanços pendurados em uma macieira que parecia ter sido plantada ali propositalmente, outras árvores ficavam mais adiante só que características do lugar. Fang seguia algo, que era familiar a Kathe.

Um animal felpudo, vermelho, parecido com um cachorro mas que era mais delicado e sutil. Sua forma e pelo pareciam tremular como fogo algumas vezes. A loira sílfide podia jurar, que horas antes, havia sido salva pelo mesmo animal, a qual disparou fogo vorazmente em várias hags apenas para protegê-la;

–A raposa- sussurrou Katherine. A garota ainda tinha a rosa que o animal a deu, mas havia guardado em seu quarto, por algum motivo estranho. Fang tinha se aproximado da raposa, a qual olhou com estranheza. Os dois pareciam estar se comunicando aleatoriamente, mas não pareciam perceber a presença de Kathe, a medida que ela se aproximava andando na grama. Quando por fim tentou pegar a pequena fênix ,que se fosse um gato estaria "ronronando" em relação a raposa, a raposa a olhou com estranheza e pulou no balanço direito pendurado na árvore, cujo metal das correntes rangeu mas sustentou.

Katherine capturou Fang com as mãos calmamente, mas algo incrível aconteceu. A raposa se dissolveu em chamas confusas e desnorteados até que novamente tomou forma, mas diferente da anterior. No lugar do pelo, uma pele macia e lisa, no lugar de patas, dedos e mãos ligados a braços cada vez mais humanos. Por fim, Kathe ficou muito mais impressionado. No lugar da raposa misteriosa, estava um garota que parecia ter 13 anos, como Jack e Klaus, mas tinha maturidade de 16 como Kathe. Ela tinha pele lisa e macia como a de uma princesa, um vestido branco simples estampado nas bordas, cabelos vermelhos, não como os da garota da tríade negra que eram longos e secos que também tinha sardas, mas sim curtos e extremamente soltos. Suas expressões eram um pouco vazias mas espessas, seus olhos verdes eram como a grama e sua beleza como a de uma princesa nórdica.

Katherine olhava para a garota com Fang nos braços, ainda confusa com o que tinha visto, e com dúvidas e questões ainda não resolvidas. Quem era aquela garota? por que ela era também uma raposa? e principalmente, por que ela estava ali? Kathe continuou olhando ela por alguns minutos terminando perguntar, mas a garota abaixou o rosto com expressões severas e perguntou agora dirigindo seus olhos verdes para ela;

–Ainda continua aí?- Sua voz era como a de uma brisa no campo, mas seu tom como de lâmina cortante;

–Hum... acho que sim- falava a sílfide escolhendo as palavras. Temerosa, se aproximou e sentou no outro balanço que rangeu, ao lado da garota/raposa;

–Sei o que está pensando, e sim: Eu sou a raposa que te salvou, a garota na floresta e quem a sua fênix prefere mais do que você- A garota estendeu a mão em direção a Fang, a qual "magicamente" pulou no dedo dela e depois começou a ser acariciada pela outra mão;

–Claro, como se fosse você que foi salva e está com ela há mais de uma semana- disse a sílfide meio irritada. Ela e a fênix tinham uma ligação, maior até mesmo do que com Jack, que parecia não gostar muito de animais;

–Só isso?- a garota riu -Desculpe-me ,mas entendo mais disso do que você- Katherine queria se sentir irritada mas a garota era tão dócil, exclusivamente com seu sotaque alemão como o de Klaus. Depois que acolheu Fang na mão esquerda, cobriu-a com sua mão direita que parecia entrar em chamas. Entretanto, quando abriu, lá estava Fang novinha em folha como antes. Ela pulou e voou em chamas como se tivesse renascido, ela subiu nas alturas, crescendo até atingir sua forma real e feliz. Kathe pensou em se levantar preocupado, mas a garota lhe impediu e disse;

–Veja, as fênix não gostam de ser presas. Assim como eu, elas querem ser livres. Fazemos qualquer coisa pela liberdade- A sílfide lembrou-se do dragão guardião de Shambala, que alertou acerca de todos aqueles que iriam para tal lugar no Himalaia, ele iam em busca de orientação, paz, harmonia, liberdade;

–Afinal, quem é você?- perguntou Katherine a garota. A menina de cabelos vermelhos olhou para ela e disse;

–Meu nome é Rose, eu sou uma kitsune-

–Kitty o que?- a loira de olhos azuis conhecia várias criaturas elementais: goblins, dagdas, grifos, hags... mas nenhuma que fosse alusão a gatinhas;

–Sou uma kitsune,não uma Hello Kitty- afirmou a garota como se tivesse explicado aquilo dezenas de vezes. As duas ficaram olhando Fang por muito tempo, até que ela voltou ao chão e voltou a comer rochas e pedras;

–Então... obrigado por ter curado Fang, mas... eu ainda tenho muitas perguntas. O que é uma "kitsune"? Como você pode ser uma raposa, e em outro momento ser humana? Afinal o que é você?!- A garota aproximou os dedos no lábios de Kathe, fazendo ela se chocar por um momento. Como aquela garota podia ser tão misteriosa? tão... deslumbrante... Não! Ela não podia pensar daquela forma, não com aquela garota irritante;

–São muitas perguntas. Mas... acho que posso dizer as respostas- a garota expirou e explicou;

–Como já disse sou uma kitsune. As kitsunes são elementais do fogo antigos, parecidos com os famosos e tão adorados salamandras mas consideradas subalternas como os goblins. Minha raça nasceu e ficou conhecida pelo globo graças ao folclore japonês, mas...-

–Mas...?- perguntava Kathe. Ela gostava de histórias;

–O também tão legal e adorável alquimista idiota, de elementais como vocês, quis transformar kitsunes, goblins e harpias em seus fiéis e leais empregados pelo resto da eternidade. Claro, fizeram guerra, as kitsunes perderam e se espalharam pelo mundo. Agora, vocês são escolhidos pela profecia para salvar o mundo de uma nova guerra- a garota parecia ser tão sábia que não aparentava mais ser tão juventude. Katherine não sabia como responder. Os conselheiros da ilha Tartária jamais relataram a resistência dos elementais chamados de inferiores para servir a eles;

–Como você sabe sobre...-

–A guerra de Ahura? Eu ouvi vocês e seus amigos. As kitsunes têm mais poderes do que pensa- Rose e Katherine conversavam avidamente sobre a entrada da raça dela na Europa, a ilha Tartária, a ponto de Kathe se admirar cada vez mais com ela. As duas se conheciam mas mantiveram certa distância em relação aos assuntos mais sigilosos. Rose não falava sobre seus pais, apenas que tinha sido criada pelos pais de Klaus e constantemente visitava eles, mas gostava de ser livre, portanto morava nas florestas e era avistada por campistas ou turistas. Também revelou gostar de rosas e as duas ficaram cada vez mais próximas, quando uma sem querer tocou a mão da outra, se entreolharam confusas e então se afastaram em silêncio. Katherine planejava ser desculpar mas passos invadiam o lugar;

–Kathe!! E...- Era Klaus, ele estava vestido como se tivesse acabado de acordar, e ficou meio chocado ao ver Rose que logo fechou a cara;

–Rosa- disse de forma dura -Desculpem mas... Suzana acordou. Ela teve uma visão-

Notas finais
Obrigado!!