Notas iniciais
Boa leitura

Rose, Jack, Kathe, Suzana e Klaus haviam atravessado o primeiro freixo com bastante facilidade. De fato, a árvore conectava realmente a Baviera até Irlanda, mas a paisagem do local era totalmente diferente do que esperavam. Jack sempre viu fotos, e fatos históricos acerca da Irlanda quando tinha aulas de história no orfanato que outrora morava, muitos ingleses diriam que a Irlanda era na verdade o "quintal" do Reino Unido, ou lugar de selvagens e camponeses que acreditavam em duendes e fadas. Seja lá onde eles estavam, a Irlanda era totalmente diferente da tal opinião. Quando o salamandra saiu pelo outro lado, se deparou com um freixo mas que na verdade era uma das árvores de uma espécie de "quintal" em que atrás se estenda uma rochedo grande e comprido;

–Mas que lugar é esse?- perguntou Jack a si mesmo;

–Logo irá saber- falou Rose que estava ao lado dele. Aquela garota era muito misterioso além de bonita, não que Jack ligasse, óbvio, afinal ele estava em uma missão não em uma aventurazinha qualquer para conhecer uma garota e os dois viverem felizes para sempre. Devido ao histórico dele, jamais acreditou em finais 100% felizes;

–Uau- disse Katherine saindo do freixo e impressionada;

–Pelo visto, o sr. Wagner estava certo- disse Suzana que usava o cajado como auxílio, fazendo ela lembrar uma velhinha ou uma viajante;

–Devíamos sair daqui- disse Klaus- Olhem- ele apontava para uma espécie de "casa que se estendia logo a frente deles que que tinha várias plantas cercadas, controlando-as, Klaus fez eles se afastarem e então entraram na casa com a construção esquisita. Jack viu que a casa era mais ornamentada do que imaginavam, sua mobília era do mais incrível "luxo" nobre, estantes abarrotadas com livros, artefatos áureos, pinturas e retratos antigos;

–Eu sei o que lugar é este- falava Rose -Os pais de Klaus já vieram aqui e eu também. Depois da guerra que houve entre os gnomos, Meia-suja foi presenteado com esta casa para que sempre pudesse ter acesso ao conselho ou ao festival anual- uma pontada de ciúmes Jack viu brotar dentro de Klaus. Ele sempre ajudava eles e comentava acerca de fatos que ajudavam nas tarefas, mas aparentemente Rose, uma garota fora da família, sabia mais coisas a respeito da família que eles;

–Eu só sei de uma coisa- falou Kathe tentando cortar o silêncio -Eu vou me jogar neste sofá- ela deu um sorriso sem graça e ao jogar a mochila antes de seu corpo ouviu um ganido;

–O que foi isso?- perguntou Jack. Todos perceberam que Fang alternava entre a kitsune e a sílfide, fora que ela não estava no sofá;

–Tira isso de mim!- falou uma voz irritada debaixo da mochila. Todos se entreolharam e então com um gesto, Katherine invocou uma leve ventania que fez a mochila virar para o lado. Um gato branco com manchas pretas e marrons, olho direito azul, e olho esquerdo vermelho, fora o longo rabo.

–Hum... o que é...- falava Suzana;

–Ah claro- murmurava o gato -Eu sou condenado a ficar 157 anos servindo a gigantes charlatões, apenas porque devorei meu dono, e daí? Já vi coisas muito piores...- Jack e Suzana se entreolharam;

–Quem é...-

–E olha só que demais! Ainda me esquecem de dá ração!- murmurava o garoto. Ele se limpava da poeira enquanto saía do sofá e se dirigia para o chão, até que imaginariamente ficou bípede;

–Oh Meu Deus, meus olhos estão vendo o que...- falava Kathe que parecia que ia ter um acidente cardiovascular;

–É isso mesmo, pequena girassol — falava o gato -Eu posso andar com duas pernas, alguma coisa contra?- Fang grasniu e voou até o gato tentando atacá-lo, ois dois brigaram por um tempo com "asadas", socos e chamas que quase queimaram a sala. Os quatro estavam sem reação, eles já tinham visto o Yeti, mas um gato falante e que anda de duas pernas? Aquilo era extremamente sobrenatural;

–Vocês dois quietos!- ordenou Rose. Rapidamente, Fang grasniu arrependida como se quisesse ainda arrancar o fígado gato, que inclusive sentou como se fosse ouvir um discurso já velho. Jack não compreendia como a garota/raposa tinha a habilidade de ordenar e ter comunhão com animais;

–E lá vamos nós, o que é Rose? Parece que você trouxe amigos...-

–Chega de papo- advertiu a garota. Ela arfou e disse seriamente -Não fiquem assustados, eu continuou odiando esse gato. O nome dele é Bob, Bob esses são Jack, Katherine, Suzana e Klaus- O gato exprimiu um sorriso meio torto e pulou para perto do gnomo, após farejá-lo disse;

–Mais um Wellington ... interessante.E olha só que notável, sem seu gorro, ou seja é um desonrado- O gnomo cerrou os punhos com raiva — Seu antepassado meu condenou a assombrar esse lugar para sempre por ter devorado seu melhor amigo, como se sentiria se estivesse no meu lugar, garoto?- Klaus não sabia como responder a um gato falante e bastante irritante;

–Como você entende o que nós dizemos?- perguntou o gnomo. O gato riu e disse;

–Você sabe que eu sei que vocês sabem a língua dos pássaros, não? Pois fique sabendo, gnomo, se tiver pesadelos eu estarei lá apenas para ver o terror no seu olhar. Eu sou mais poderoso do que imagina!-

–Ok, por hoje chega de ameaças Bob- Rose pegou o gato e o jogou para longe, do outro lado da casa secreta;

–Uma pergunta, como esse gato pode falar e... bem, ser tão irritante?- perguntou Jack;

–Ele não é um simples gato- explicava Klaus -Ele é um bakeneko. Bakenekos são gatos amaldiçoados e considerados pragas pelos elementais, eles costumam devorar seus donos quando eles deixam de alimentar eles- antes que pudesse comentar algo sobre Bob, Os cinco ouviram um som generalizado como de uma trompa ecoar;

–Que som foi este?- perguntou Suzana;

–Boa pergunta- disse o salamandra. Eles se dirigiram para a frente da casa, que na verdade tinha uma varanda com pilares de pedra, tetos curvos muito bem arquitetados, fora o design que parecia misturar arquitetura asiática com greco-romana. Uma espécie de grade madeira se colocava e então eles viram a paisagem colossal que se expandia. À frente da casa (que tinha formato vertical) um rio extenso e volumoso irradiava de uma cachoeira, pontes se formavam, fora outras casas parecidas com a casa secreta mas que eram baixas, compridas, ou altas demais para serem consideradas réplicas. Além de árvores que se alojavam as casas, atrás da cachoeira, um rochedo enorme que no topo tinha uma espécie de castelo ou prédio principal totalmente glorioso se localizava.

Jack olhou em volta e viu que algumas pontes cruzavam as margens do rio mas que nas outras casas, outros moradores também se posicionaram para fora, no intuito de ouvir o "mensageiro" que era guardado. Um homem alto,magro, de pele verde cinzenta, cabelos prateados, orelhas pontudas, vestes pretas sacerdotais, olhos roxos misteriosos e com um brinco de ouro na orelha direita tocava a trompa, ele era um mensageiro, portanto estava pronto para falar.

Notas finais
Obrigado!