Os Golpistas
26 O Falso Atropelamento
Notas iniciais
POV Peg
A Imagem de Ian não me saia da cabeça, o sorriso dele, o jeito como movimentava os lábios ao falar, a simplicidade, não queria me iludir, mas algo nele me chamara atenção. Estava deitada em minha cama, o teto branco do quarto embaçava minha vista, virei de lado, agora olhava para a janela do quarto, estava meio aberta, podia olhar o céu dali.
Suspirei forte, como se quisesse tirar um fardo das costas. Minha vida toda dedicada para meu trabalho, para meus objetivos, a buscadora havia me ajudado, devia toda minha vida para ela, não podia decepcioná-la, o quanto antes entrasse no grupo melhor para mim, assim agiria rápido, a buscadora tinha planos para acabar com a equipe de Jared, e se precisava da minha ajuda, com certeza eu a ajudaria.
Apertei os olhos, uma tentativa estúpida de dormir, sem sucesso é claro. Peguei outro travesseiro apertando-o contra meu corpo, às vezes pensava em como era ser uma pessoa normal, levando uma rotina diferente, como todas as pessoas, com pais, irmãos, amigos, um marido e até filhos.
Lágrimas umedeceram meus olhos, as afastei com as mãos, não queria demonstrar minha fraqueza, mesmo que estivesse sozinha e tivesse liberdade para isso, só sentia falta de carinho e amor, um pouco de compreensão, afeto, qualquer sentimento bom. Qualquer sentimento que me fizesse sorrir uma vez na vida, um sorriso verdadeiro.
Fechei os olhos novamente, respirando devagar, o peito cheio de choro preso, talvez precisando ser liberado, ou então sufocado, adormeci pouco tempo depois, deixando morrer comigo as lagrimas e sofrimento.
Já havia me levantado e tomado café, a buscadora só voltaria daqui dois dias, precisava ser rápida, precisava de resultados bons até a sua volta. Peguei meu casaco e sair do departamento, fui para o mesmo local em que vi Ian pela última vez, talvez tivesse sorte em vê-lo novamente, na verdade eu contava com isso.
Esperei algumas horas, estava sentada em frente a um café, era pequeno e bem aconchegante, da janela eu tinha uma boa visão da rua, alguns carros passavam por ali. Ian estava em um deles coincidentemente, havia um cara com ele, pararam em uma loja de peças para carros e motos, Ian desceu encostando-se no capô no carro, enquanto o outro entrava na loja. Já tinha uma boa oportunidade, só precisava usá-la bem.
Fitava a rua da calçada, Ian ainda não tinha me visto, esperei até que algum veiculo se aproximasse, era um plano meio absurdo, mas poderia me render bons frutos, uma camionete se aproximava, resolvi atravessar a rua, dando tempo de ser acertada por ela, claro que eu tinha treinamento para isso, não me machuquei de verdade, tudo uma encenação que estava bolando em minha cabeça.
Cai no chão gritando, abraçando minha perna contra o meu corpo, logo chamei a atenção de Ian, ele se aproximou correndo ao meu encontro, se ajoelhou no chão colocando minha cabeça em seu colo, o homem da camionete desceu perguntando se estava tudo bem, Ian mal o escutou, pois estava mais preocupado comigo.
—Peg não pensei que fosse te vê de novo, ainda mais assim.
—Sorte a minha então—Fazia uma expressão falsa de dor.
—Temos que te levar para um hospital, pode ter quebrado a perna.
—Está maluco!—Gemi baixinho—Sou uma ladra, acha mesmo que vou para um hospital? Com risco de não sair mais de lá, bom até posso sair, para uma delegacia com certeza—Fechei a cara.
—Tinha me esquecido desse pequeno detalhe, mas não pode ficar aqui no meio da rua Peg. Vamos, vou te colocar no carro.
—Posso levar a moça para um hospital se quiserem, eu juro que não tive intenção de atropelá-la, mas ela praticamente se jogou em cima do meu carro—O homem voltava a falar.
—Não Obrigado, eu conheço ela, de qualquer forma obrigado—Ian já me carregava nos braços.
—Tudo bem, se precisar de alguma coisa me ligue—Passou um cartão para Ian, que logo jogou no bolso da calça.
—O que houve Ian, quem é essa garota?—O cara que havia entrado na loja estava do lado de fora, abriu a porta do carro para que Ian me colocasse dentro, me ajeitei nos bancos de trás, fingindo sentir dor, não podia deixar que soubessem que era uma encenação.
—Uma amiga Peter—Respondeu as presas—Ela foi atropelada, será que podemos levá-la para a sua oficina?
—Bom... Acho que tudo bem, se ela é sua amiga não vejo problemas, mas o adequado não seria levar para um hospital?
—Não posso explicar agora Peter, vamos, por favor—Ian sentou ao meu lado, enquanto seu amigo Peter já sentava no banco do motorista, o veiculo foi ligado, Ian passou a mão em meus cabelos, encostei minha cabeça no ombro dele, não demorou muito e partimos dali.
[...]
—Como está?—Me apoiei nos cotovelos vendo que minha perna tinha sido enfaixada, logo olhei para Ian dando um sorrisinho.
—Viva—Quem sorriu agora foi ele—Obrigada por me ajudar, mal me conhece, sei que é uma pessoa boa, obrigada mesmo.
—Eu te conheço, se chama Peg, é uma ladra e machucou a perna. Além do mais eu faria isso se fosse qualquer pessoa—Aquelas palavras tiraram o sorriso do meu rosto.
—Bom—Passei os olhos pelo pequeno quarto, algo bem simples, paredes em tons claros e sem janelas, um ventilador do teto, um criado mudo ao lado da minha cama de solteiro, chão amadeirado—É aqui que você vive?
—Provisoriamente sim—Respondeu, ele estava encostado na porta com os braços cruzados.
—Então vai mudar logo?
—Talvez, eu e minha turma ainda estamos vendo isso.
—E onde estão eles? Sua turma?—Ian me lançou um olhar suspeito.
—Não se preocupe! ninguém sabe que está aqui, Jared piraria se soubesse que trouxe um estranho para cá.
—Jared?
—Meu irmão.
—Pensei que fosse sua amiga—Abaixei os olhos.
—Não quis dizer isso—Tentou corrigir as próprias palavras
—Tudo bem Ian, eu entendo.
—De qualquer forma assim que se recuperar precisa ir—Havia uma pontada de urgência em sua voz.
—Está querendo se livrar de uma pessoa machucado? Estou com a perna machucada, que mal posso oferecer a você? Nenhum.
—Melhore logo Peg, como disse não pode ficar muito tempo aqui. Volto mais tarde e trago algo para comer.
—Este é seu quarto?
—Sim, mas pode ficar aqui enquanto se recupera.
—Obrigada novamente Ian.
—Tudo bem, Até mais Peg.
—Até—Ele saiu fechando a porta.
Fale com o autor