Os Golpistas
28 Ameaças
Notas iniciais
POV Peg

—Você parece melhor—Terminava de tomar um pouco de sopa, que sinceramente estava deliciosa.
—Quem fez essa sopa? Está divina—Tentei mudar de assunto.
—Nossa melhor cozinheira, a Brooke, mas não mude de assunto Peg, sabe que não posso mais mantê-la pressa aqui, já se passaram dois dias—Ian sentou do meu lado, olhava minha perna, que ‘aparentemente’ já estava melhor.
—Preciso mesmo ir? Não queria mais ficar sozinha, gostei da ideia de ter uma equipe, assim não preciso mais agi sozinha—Coloquei a tigela de sopa de lado.
—Peg eu não posso mais esconder, logo vão desconfiar, sobraria para mim.
—Hum! Entendi, pensei que fosse mais Humano Ian, sou apenas uma pobre garota.
—Você sabe se cuidar.
—Quanta indiferença Ian—Dei de ombros—Amanhã eu vou embora.
—Promete?
—Claro.
—Tudo bem, eu preciso sair agora.
—Ian?—Ele já abria a porta, parou e fechou ela novamente—Venha cá?
—O que foi? Está tudo bem?—Sentou-se do meu lado, seu rosto era tão lindo, branco e limpo, os olhos claros e profundos, alguns fios loiros de cabelo decaídos sobre a testa, seu olhar era curioso, como se tentasse descobrir o que eu pensava.
—Já amou alguém?—As palavras saíram sem que eu percebesse, Ian mudou a expressão, ficou mais sereno, até sorriu, acho que devia ter gostado da pergunta, e isso me deixou inquieta.
—Sim Peg, na verdade eu amo uma pessoa.
—Ah é?—Meu coração se apertou—Ama?—Um bolo de nó se fez em minha própria garganta.
—Não sei bem explicar, só sei que a amo, e mesmo que eu quisesse explicar, não poderia.
—E ela? Também o ama?—Soltei mais uma pergunta.
—Não—Sua expressão caiu—Ela sente um grande carinho, mas não posso dizer que seja amor, não da mesma forma que sinto por ela.
—Um amor não correspondido, que dramático e clichê—Ian me olhou sério por um tempo, me arrependi das palavras anteriores, mas fiquei feliz por saber que ele não era correspondido em seu amor—Desculpa, não quis falar isso.
—Não importa, deixa pra lá—Se levantou dando as costas.
—Talvez ela não mereça tal esforço.
—Você se engana—Virou me olhando—Ela merece muito mais do que meu esforço.
Senti o peito inchar, não sei qual a razão, era estúpido demais eu me importar, talvez eu só estivesse passando tempo demais com ele, já estava me contaminando. Ian saiu em silencio, também não falei mais nada, deixei que ele partisse, não havia mais perguntas.
Dois dias já tinham se passado, eu não podia esquecer o real motivo da minha presença ali, mesmo que Ian não me quisesse por perto, teria que arrumar um jeito de entrar para a equipe. Só estava com medo, medo que estivesse sentindo algo que não poderia sentir, não por ele, não naquela situação, eu acho que estava me apegando aquele rapaz, que estava gostando dele, de Ian Howe.
Isso me deixava confusa, a buscadora não podia nem sonhar desses meus sentimentos, nem eu mesmo poderia sonhar, Ian era de uma equipe de ladrões, golpistas da pior raça, eu não podia ficar com ele, mesmo que desejasse muito isso, não podia esquecer quem ele era, o que ele representava, sua turma estava com uma refém, Melanie Stryder, estavam mantendo-a presa, tudo pelo maldito dinheiro.
Levantei-me da cama, já não aguentava mais ficar deitada, fingindo que estava com a perna ruim, queria andar, caminhar um pouco, meus ossos estavam começando a ficar dormentes. Abri um pouco da porta, minha intenção era da uma caminhada pelo corredor e voltar, mas logo me surgiu uma ideia, aquela era uma boa hora. Havia chegado a hora de todos me conhecerem, sabia que Ian ficaria decepcionado comigo, porém precisava fazer isso, se pretendia segui com meu plano, era preciso continuar, e eu iria continuar.
[...]
POV Melanie Stryder
—Vai ligar para meu pai Jared?—Estávamos em frente a oficina de Peter.
—Mais tarde, não posso mais adiar, Connor está certo.
—E você? Ainda está certo?
—Não tenho escolhas Mel, coloquei todos em perigo, isso precisa valer a pena, devo isso aos meus companheiros, devo isso a você também.
Caminhei até ele, passando meus braços ao redor de sua cintura, encostando minha cabeça em seu peito, seu tronco era definido, seus ombros eram musculosos, me sentia incrivelmente bem nos braços do meu Jared.
—Quero que saiba que estou do seu lado, o que você decidir eu aceito, só não quero perder você.
—Não irá meu amor—Beijou meus cabelos—Preciso de você aqui, me dando forças. Além do mais agora você é da equipe—Sorrimos.
—Acho que o Connor gosta de mim—Falei convencida.
—Claro que ele gosta, ele tem aquele jeito fechado, durão, mas é uma pessoa do bem, e outra, é impossível não gostar de você.
—Mentiroso!—Afastei-me dando um pequeno soco em seu ombro—Admita você me detestava quando me conheceu.
—Era diferente, depois que conheci você direito, tudo mudou, você me mudou Mel.
—Fico feliz quando fala assim, que eu mudei você—Voltei a abraçá-lo.
—Que ceninha comovente—Alguém se aproximou batendo palmas. Olhei para trás, nada mais era que Hay—Ah! Não parem, por favor, finjam que não estou aqui, bom acho que nem precisa, já estão agindo assim mesmo.
—Hay...—Jared começou a falar, mas foi interrompido pela mesma.
—Não fale Jared, não quero escutar sua voz, essa cena me enoja, não sei como você um homem, pode ter gostado dessa garota sem sal, que não tem nada para oferecer a você, ela deve ter mexido muito com sua cabeça.
Jared e eu permanecemos calados, senti que ele apertou seus braços ao meu redor, isso de certa forma me deixou mais confiável.
—Só digo uma coisa casal de pombinhos—Hay carregava um desprezo em seus olhos—Não vai durar muito tempo, eu garanto que não vai, e você jared—Ela apontou o dedo em direção a ele—Vai se arrepender por ter me trocado, eu juro que vai se arrepender.
Hay virou-se batendo o salto de sua bota no chão, pisava com força, logo ela despareceu de nossa visão.
—Não se preocupe Mel, a Hay é o típico cão que late, mas não morde.
—Ela parecia decidida.
—Machuquei algo muito importante dentro dela, o Ego. Por isso ela está assim, mas não permitirei que ela faça nada contra nós, muito menos contra você meu amor.
—Confio em você Jared—Logo após dizer isso, Jared me virou de frente para ele, subiu um pouco meu corpo e me beijou, ainda ficava embriagada quando ele fazia isso, quando me beijava daquele jeito, me tirando o ar, fazendo todo o sangue do meu corpo cozinhar.
—Vamos—Ele chamou—Precisamos ligar para seu pai.
Continua...
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