Eu era uma trouxa.

Não importa quantas vezes eu acordasse dizendo para mim mesma, “Ele nunca vai olhar para você desse jeito! Você é só uma funcionária! ”, isso nunca vai mudar o fato de que estou sempre aqui, parada feito uma tonta olhando para a tela da TV, observando Kim Namjoon emanar poder de sedução, mesmo quando ele diz não ter nada disso.

Trouxa.

— Eun Na! – Me assustei com o grito de Boo Ni tão próximo.

— Porque está gritando?! – Me chateei. Ela parecia ofendida.

— Eu estou te chamando a vários minutos! – Bateu com um rolo de papel em meu ombro. Não tinha como revidar, tamanha a vergonha. – Todos sabem que você é apaixonada pelo BTS, mas não precisa demonstrar tanto assim.

Assenti, concordando prontamente.

Boo Ni era dois anos mais velha do que eu, mas apesar da diferença de idade, nós nos tornamos extremamente amigas. Porém, nem mesmo ela sabia dos meus quatro pneus caídos pelo líder do Bangtan.

Mesmo sabendo que Min Yoongi tenha encontrado o amor na sua staff, eu sabia que existia um limite para a aceitação da BigHit. Obviamente, Bang PD esperava o melhor paras seus “meninos”, bem como a família deles. Principalmente a mãe de Kim Namjoon.

Eu já a conheci certa vez, quando Namjoon precisou de um staff para acompanha-lo até sua casa, sem chamar muita atenção dos fãs. Lembro de ter sido nesse dia quando percebi que estaria satisfeita apenas em estar perto dele.

— Se eu não te conhecesse, diria que está apaixonada por um deles. – Soltou ela.

— Unnie! – Repreendi, olhando para os lados para garantir que ninguém tenha escutado.

— Não pode se apaixonar por um deles, Eun Na! – Dizia ela, firme. Engoli em seco. – Lembra o que aconteceu com July? Ela foi demitida da empresa, para ficar com Min Yoongi! – Fiz ares de lamentação. – Felizmente, ela teve sorte de conseguir ser contratada por uma empresa renomada no ramo de marketing. – Suspirou.

Eu não tinha intenção alguma de perder este emprego. Foi a minha maior vitória, desde que me formei em produção musical, e pretendia continuar colaborando com os arranjos das músicas do TXT. Comecei como Staff nessa empresa, e quando me formei, BangPD me deu uma oportunidade de ficar responsável pela produção musical do novo grupo, com supervisão, é claro.

Eu não podia desperdiçar tudo isso, por causa de um amor que eu sabia que jamais seria correspondido.

— Não se preocupe, Unnie. – Dei um meio sorriso. – Isso não vai acontecer. – Afirmei, mesmo incerta sobre isso. – A propósito, porque estava me chamando? – Pensei em mudar de assunto.

— Ah, é verdade! – Se empolgou. – Os meninos pediram para te avisar que estão querendo acrescentar detalhes na nova música. – Avisou.

— Mas já? – Me surpreendi. O TXT parecia realmente dedicado ao trabalho, e eu estava bastante satisfeita com isso. Quanto mais ocupada estivesse, menos pensarei em Kim Namjoon. – Onde estão?

— Na sala de ensaio 02. – Disse, buscando o seu celular no bolso que tocava.

Com a agenda em mão – que eu nunca, jamais me separaria dela, uma vez que era quase um diário—, peguei o primeiro elevador, saído da sala de descanso dos Staffs. A sala de ensaio 02, ficava no segundo andar, então não precisei andar o bastante para encontrar os meninos.

Sorridente, abri a porta com a maior facilidade, até perceber que o grupo não estava só, mas com Kim Namjoon sentado ao lado deles.

A princípio, senti um pouco de ciúmes por nenhum deles terem reparado a minha chegada. Estavam tão absortos em prestar atenção no que o líder do Bangtan dizia, que mesmo que eu gritasse, eles não me ouviriam. No segundo momento, eu estava aliviada por isso. Talvez eu não fosse resistir aquele olhar sobre mim.

Lentamente, resolvi sentar em uma poltrona próxima, puxar as pernas para cima e cruzá-la numa posição de índio. Me permitir observar Namjoon igual aos outros, mesmo sem ele saber que eu estava ali.

Trouxa.

Era o que eu dizia para mim mesmo, a cada segundo que passava, até que por fim, todos haviam me notado.

— Noona! – Kai pôs a mão direita do peito, levemente assustado. – Que susto!

— Noona! – Soobin sorria empolgado.

Eu os achava adoráveis, não posso negar. E eu me sentia uma sortuda por trabalhar com esse grupo.

— Sunbae. – Me curvei levemente para Namjoon, tentando não transparecer meu nervosismo com seus olhos me encarando com tanta curiosidade.

— Noona, o Sunbae disse que nos ajudaria com os arranjos também! – Soobin soltou, não disfarçando a empolgação.

Eu me sentia encurralada, de repente. A expectativa pairando no ar, e eu não sabendo lidar com isso. Temia abrir a boca e gaguejar, porque eu sabia que isso aconteceria. Então eu fiz o que qualquer ser humano normal, faria em uma situação como esta.

Eu deixei minha agenda com as anotações na poltrona e simplesmente saí da sala sem dizer uma única palavra.

Okay, não era uma atitude normal, mas eu não conseguia pensar em outra reação.

Fechando a porta atrás de mim, soltei o ar que a pouco prendia sem perceber. Eu sentia como se tivesse corrido uma maratona sem fim.

— Suportar Kim Namjoon na tela de uma TV, tudo bem. – Resmunguei. – Mas trabalhar com ele? Aí já é um pouco demais!

— Eu sou tão ruim assim?

Da mesma forma que estava, fiquei. Eu sabia que se olhasse para trás, passaria a maior vergonha da minha vida, o que não muda em nada isso estando de costas. De um jeito ou de outro, a vergonha era a mesma.

Lentamente, dei meia volta e baixei a cabeça. Minhas bochechas queimavam intensamente.

— Não foi isso que eu quis dizer, Sunbae. – Mordi os lábios, lamentando o silêncio. Eu realmente não queria encará-lo.

— hm... – Ouvi sua expressão. – E o que quis dizer? – Questionou, mas por incrível que pareça, ele não parecia chateado.

Como eu explicaria isso, sem dizer que eu, na verdade, não suportaria trabalhar com ele, porque era loucamente apaixonada pelo dito cujo?

— Q-que... – Arranhei a garganta, esperando conseguir um pouco mais de tempo para pensar. – O Sunbae é tão bom no que faz, que talvez eu me sentisse inútil.

— O meu sucesso pode te atrapalhar? – Ele questionou mais uma vez. Dei uma olhadela para ele, desconfiada de que ele estaria realmente chateado.

— N-não é isso. – Levei a mão ao rosto, inconformada com a situação. – Me entendeu mal.

Mas que droga!

Era a primeira vez que eu me encontrava com Namjoon depois de meses após a minha promoção, e eu estava agindo feito uma idiota, literalmente. O que pensaria de mim?

— Então deixa eu adivinhar... – Cruzou os braços, ainda me encarando. – Você gosta de mim, e está com vergonha de trabalhar ao meu lado. – Soltou, e seu tom parecia divertido.

Quase sem chão pela sua astúcia, por um segundo senti que explodiria de vergonha e isso só confirmaria a sua suspeita, contudo, eu precisava reverter a situação. Eu tinha duas opções, deixar que descubra a verdade, ou fazer com que acredite que eu realmente não gostaria de trabalhar com ele.

— E se fosse verdade? – Soltei, provocando-o. – Estaria agindo feito um babaca zombeteiro agora, sabia? – Respirei fundo diante da sua expressão surpresa. – E mesmo que não fosse, os meus motivos não te interessam.

Dizendo isso, apressei os passos para bem longe daquela sala, nem mesmo esperando para pegar o elevador. Desci as escadas pisando duro, ainda encenando a minha irritação. A medida que eu ia me afastando pela escadaria, minha cabeça pressionava, agitada.

Porque diabos fiz isso? Andava de um lado para o outro.

E precisava! Afirmei para mim mesma, decidida. A situação feria meu coração, mas eu não podia correr o risco de ser rejeitada, ou ser correspondida e perder TUDO o que tinha conquistado. Eu não saberia qual seria pior.

Foi então que percebi que havia deixando meu bem mais precioso na sala de ensaio.

A agenda.

Eu não me preocuparia caso Namjoon a encontrasse, porque eu sabia que ele jamais olharia sem permissão. Eu fui sua staff e conhecia a sua índole. No entanto, eu não podia dizer o mesmo dos meninos do TXT.

Beomgyu era extremamente curioso, e Kai era muito, mas muito língua solta. Ambos não conseguiria esconder o meu segredo, e não o faziam por maldade, mas por pura diversão e tentativa falha de ajudar.

Eu não iria conseguir retornar aquela sala, e a essa altura do campeonato, todos já devem estar sabendo que sou apaixonada pelo Namjoon. Eu só rezava para que essa notícia não chagasse aos ouvindo de BangPD.

Roendo as unhas, eu realmente não sabia o que fazer, então decidi que me consolaria no Studio de música pelo resto do dia e esperar a minha sentença.

***

Pov. Namjoon

— ...Não mexam nessa agenda. – Afirmei, no momento em que retornei a sala. Os mais novos assentiram, mesmo sem nem terem percebido que havia uma agenda ali.

Eu estava chocado com a Eun Na. Ela jamais agiu tão enraivecida assim. Sempre um doce e uma garota extremamente atenciosa. Quando era a minha staff, eu me sentia bastante à vontade em sua presença, o que me fez perceber que ela era a única garota que me tratava particularmente melhor que os garotos. Embora eu nunca entendesse o motivo, uma vez que na grande maioria das vezes, o nosso Maknae, ou até mesmo Jimin, tinham esses privilégios de atenção.

Na verdade, neste momento, e estava pensando se toda aquela atenção que recebia dela, não era coisa da minha cabeça. E eu quase confirmei isso, até notar suas bochechas vermelhas e seus olhos desviados dos meus. Eu passei tempo demais com a Eun Na para perceber que ela escondia algo, ou queria fugir de alguma coisa.

— Hyung, o que aconteceu com a Noona? – Beomgyu perguntou, curioso.

Me limitei a explicar que Eun Na tinha um compromisso importante e precisou sair às pressas. Quando a agente, eu me responsabilizaria a entrega-la pessoalmente.

No fim do dia, eu já estava repousado em minha cama, encarando a agenda lilás sem qualquer desenho ou detalhe na capa. Lutando contra a curiosidade, deixei que a agenda ficasse em cima do meu criado mudo.

Me acomodando um pouco mais na cama, percebi que não conseguiria dormir, a menos que abrisse aquela bendita agenda.

Eu nunca fui curioso a este ponto, e jamais fui contra a minha ideia de que cada pessoa, precisa de sua privacidade intacta. No entanto, aqui estava eu, olhado incansavelmente para aquela agenda, arrumando um jeito de burlar aquele sistema sem parecer que eu tivesse, de fato, lido alguma coisa escrita ali.

Era apenas uma agenda, uma agenda de trabalho. O que teria de tão importante ali? Não era como se eu fosse abrir um diário. Isso contaria como violação de privacidade? Acho que não.

Sentei na cama, pegando a agenda e apoiando em minha coxa.

Decidi fazer a duas perguntas mais importantes, antes de “matar” essa curiosidade.

1 – Porque eu preciso ver?

2 – O que isso mudaria a minha vida?

Essas eram perguntas úteis para afastar a ideia de que eu poderia estar querendo saber de algo que eu não precisava saber. Mas vamos para as repostas.

1 – Eu não preciso, mas algo me diz que vou gostar de conhecer um pouco mais sobre Eun Na, e isso eu realmente preciso saber.

2 – Absolutamente nada, mas mesmo assim, eu queria arriscar.

Nota-se que eu fazia questão de responder de modo que fosse o mais vantajoso possível para mim, e eu aconselho, completamente, ao contrário. É como dizer... Faço o que eu digo, não faça o que eu faço.

Virei a capa, parando na primeira folha. Havia apenas informações básicas, do que eu já sabia. Nome, data de aniversário, endereço e... um número. O número era útil.

Sem hesitar, apenas salvei em meu próprio celular. Não sabia o motivo, mas queria tê-lo.

Outra página. Não havia nada demais, além de programações do trabalho, assim como, outra e mais outra e mais outra.

Bufei. Eu não esperava me decepcionar com uma agenda, mesmo sabendo que isso não era um diário. Isso era o máximo que eu conseguiria encontrar. Pensei um pouco folheado as páginas, até lembrar que quando eu era mais novo, costumava escrever letras de músicas no rascunho da agenda, ou seja, nas ultimas folhas.

Apressado, abri a última página, notando que havia rabiscos de corações em quase toda a página, até eu perceber que o vácuo entre alguns corações e outros, formavam o nome “Namjoon”.

Levei milhares de segundos encarando aquele “desenho”. Não sacando, a princípio, o que aquilo significava. Até o mais tolo dos homens saberiam que aquilo era um sinal de paixão. Mas eu não conseguia nem mesmo acreditar no que eu estava vendo.

Uma súbita sensação de euforia e surpresa. Aquilo fez meu coração bater descompassado, e se não fosse pela cama, eu teria caído naquele chão frio do quarto.

Eun Na gostava de mim? Mas como eu me sentia em relação a ela? Nunca pensei sobre. Apenas gostava de tê-la por perto e até mesmo pensei que ela era o meu tipo ideal, mas nunca, nem em meus mais loucos sonhos, imaginei que ela pudesse retribuir esse sentimento, porque eu sabia que de um jeito ou de outros, a maioria das garotas eram bem mais propicias a se apaixonar pelo tímido Jungkook, ou ousado Jimin, ou até mesmo o espontâneo Taehyung.

Então eu posso dizer que estava surpreso, mas de um jeito bastante positivo. E foi com esse pensamento que decidi fazer a coisa mais espontânea da minha vida.

***

Dia seguinte...

Pov. Eun Na

Não surta, Eun Na!

Está tudo bem. Ninguém parece ter recebido um boato estranho, e até mesmo os meninos do TXT estavam imersos em brincadeiras só deles, falando comigo apenas o necessário no Studio.

Pensei em perguntar sobre a minha agenda, mas temia receber uma resposta errada. O que eu faria?

De repente, a porta do Studio abriu, revelando quem eu menos queria – ou o que mais desejava ver pro resto da vida -, naquele momento.

Sentia que minhas bochechas esquentavam instantaneamente, e com uma leve curvada, me limitei a cumprimenta-lo, mas sem fita-lo.

Os meninos ainda empolgados no outro lado do Studio, não notaram a presença do mais velho na cabine de produção.

— Eun Na... – Ele quase sussurrou o meu nome e de relance, perceber um lilás extremamente chamativo em suas mãos.

A expectativa e ansiedade tomou conta do meu ser. Sentia meu sangue se esvair no meu corpo e por um segundo, imaginei que desmaiaria, até lembrar que Namjoon não era o tipo curioso. Ele, provavelmente, não teria lido a minha agenda.

— Guardei a sua agenda. – Apontou ela para mim, e como uma cobra dando o bote, puxei ela para meu encontro o mais rápido que pude.

Namjoon me encarava com certo divertimento, o que me fez lembrar também, que ontem eu o chamei de babaca zombeteiro. Por vingança ele teria lido o que estava escrito aqui? Ele teria descoberto alguma coisa e estava se preparando para me dar o maior fora?

— Me desculpa por ontem, eu não deveria ter dito aquilo! – Me apressei em me desculpar, porque com isso, talvez, eu pudesse evitar o maior embaraço da minha vida. Ele assentiu, com bastante tranquilidade.

— Eu acho que te conheço o suficiente para saber que não quis, realmente, me ofender. – Sorriu. – E eu acho que você tem uma reunião daqui a meia hora com BangPD. – Disse, apontando a agenda e se despedindo em seguida.

Ele não fez isso!

Olhei para a agenda assustada. Namjoon abriu... ele abriu e leu o que estava escrito, mas não disse absolutamente nada. Teria alguma chance dele não ter reparado na última folha?

Talvez tivesse. E se ele reparou, ele foi inteligente e gentil o bastante para não ofender os meus sentimentos. Eu deveria imaginar que o líder do Bangtan agiria dessa forma.

Senta na cadeira, encarava a agenda com certo medo e decepção. Obviamente eu não queria que ele tivesse visto, mas ao mesmo tempo, eu pensei que já que não houve escolha, eu teria ao menos uma pequena esperança de que ele aceitaria meus sentimentos.

Frustrada, abri a agenda exatamente na data de hoje, esperando confirmar a reunião de mais tarde. E me surpreendi por ter um bilhete que eu não me lembrava de ter colocado ali.

Medrosa, puxei-o para mais perto, lendo sobre o que se tratava, já que o fato de estar cheio de coração ao redor das palavras, atrapalhava a visibilidade da frase.

“Eu também gosto de você, Eun Na” E logo a baixo, havia uma data que cairia, exatamente, amanhã. E nervosa, abri a página da data escrita, notando que havia mais um recado.

“Encontro as 20h, no cinema da cidade”

Oh My God! – Levei as mãos a boca, chocada.

Namjoon estava retribuindo os sentimentos? Era isso mesmo?

Eu estava eufórica demais para agir, até lembrar que esta felicidade não duraria mais nem um segundo.

“Não pode se apaixonar por ele, Eun Na”— A voz vinda do consciente era de Boo Ni.

“ O emprego ou o amor?”— Frustrada, fechei a agenda com certa agressividade. Era assim que as pessoas agiam quando não conseguiam o que queriam.

Infelizmente, eu tinha que mandar a real para mim mesma, e rejeitar esses sentimentos. Eu poderia não ter a mesma sorte que a July.

Pelo resto do dia, eu parecia ter vindo de um longo velório. Eu nem mesmo quis conversar com Boo Ni, e me dediquei, exclusivamente ao Studio.

No dia seguinte, o meu semblante estava ainda pior, e não tive se quer, a oportunidade de contar para o Namjoon que eu não poderia ir. Lembro que cheguei a vê-lo duas vezes, mas acabei por evitar a sua presença, como uma covarde.

Quando finalmente as 20h chegou, eu estava lá, sentada em meu sofá, olhando para o teto, sem qualquer reação ou disposição, embora ansiosa e frustrada. Isso levou mais meia hora do meu tempo. Senti meu celular vibrar ao meu lado, mas eu não reconhecia o número. Sem hesitar, atendi.

— Eun Na?

Eu reconheceria aquela em qualquer lugar no mundo. Assustada, me levantei do sofá. O que eu ou fazer?!

— S-sim...? – Questionei, querendo ganhar tempo.

Eun Na, você está bem?— Namjoon perguntou, em um misto de ansiedade e preocupação.

— E-estou. – Foi a minha resposta. Fez-se um silêncio constrangedor.

Você leu o meu bilhete?— Perguntou de repente. – Eu sei que isso foi bem repentino, mas eu falei a verdade.

Mais um silêncio, seguinte de um profundo suspiro meus. Eu precisava ser sincera com ele, porque eu não queria causar mal-entendido por isso.

— Eu li o seu bilhete. – Comecei. – Mas eu não posso aceitar. – Afirmei. – Se eu aceitar sair com você, eu sei que vou gostar, mas estaria colocando meu emprego em risco, e se evita-lo... eu vou me sentir péssima, mas ou salvar a única estabilidade que tenho nessa vida.

Não estou entendendo...— Ele questionou, parecendo confuso. – Ficarmos juntos vai fazer você perder o emprego? Isso não faz sentido, Eun Na.

— Quando Yoongi começou a namorar com a July, ele teve que ser demitida para ficarem juntos, mas felizmente ela conseguiu um bom emprego... – Tentei explicar. – Eu não sei se teria tanta sorte assim, e tenho medo de arriscar errado e...

Eun Na!— Namjoon me interrompeu. Em seguida, ouvi o que seria uma risada. – Me desculpa, mas eu...— E mais uma risada. Aquilo estava me irritando. – Eu estou muito aliviada que esse seja o seu motivo. – Explicou, e fiquei bastante confusa com a confissão.

— Isso é o suficiente? – Perguntei, esperando que, no final, ficasse tudo bem.

Claro que não!— Disparou. – Eun Na...— Suspirou levemente. – A July não foi demitida.— Explicou. – Ela pediu demissão porque havia encontrado uma profissão que ela amava. Não sei de onde tirou essa ideia de que ela havia sido demitida por causa do Yoongi.

— Isso é verdade?! – Questionei, surpresa.

Droga, Boo Ni! Você me fez acreditar que não havia chance alguma com o Namjoon!

Você acha que eu mentiria sobre isso?

— Não... – Mordi os lábios. – Espera um segundinho. – Pedi, tapando o microfone do celular. – OH MY GOD! – Não me contive em gritar, tamanha a minha emoção. Eu deveria me ajoelhar em agradecimento aos céus.

Eun Na...?— Ouvi Namjoon chamar no outro lado da linha. – Não acredito que ia me dispensar por causa de boatos.— Parecia ofendido.

— Acredite, eu evitei até o ultimo segundo fazer isso. – Confessei, e ele riu.

Eu estou indo aí agora.— Foi a única coisa que disse, antes de desligar o telefone.

Céus! Kim Namjoon estava vindo até a minha casa?

E pensar que por pouco eu o rejeitaria, ou ficaria desempregada.

Trouxa.

No fim das contas, eu não perdi nada além de um maravilhoso encontro.

Notas finais
Continuação da saga: Os Ganhos nas Perdas
Espero que gostem ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!