Os Foragidos
4 Capítulo 4 De volta ao zero
Notas iniciais
Chegamos. – murmurei.
– Certo, então vamos descer.
A gente desceu e saiu pelo outro lado para que ninguém nos visse.
Fomos passeando por aí, eu lembrei que tinha o mapa de Atibaia.
– Como vamos chegar à mansão desse seu amigo? – pergunta Selena.
– Eu tenho o mapa aqui, na verdade, o mapa é o mapa da casa dele.
– Nossa, estamos bem perto. – disse ela observando o mapa na minha mão.
– È, vamos lá.
Fomos andando e pegando as ruas necessárias para poder chegar à mansão.
– Aí que calor Sora.
– È, você tem razão.
Avistei uma sorveteria do outro lado da rua.
– Olha uma sorveteria, vamos lá, eu tenho dinheiro.
Cheguei lá e vi os preços dos sorvetes.
– Quinze dólares?! Vem ouro dentro?
A dona da loja veio até nós.
– Já vi que vocês não são daqui, essa é uma cidade de ricos, tudo aqui é caro.
– Tudo bem Sora, a gente toma água mesmo.
– Não Selena, eu vou comprar esse sorvete pra você.
Estendi a mão e dei vinte dólares para a moça.
– Aqui esta o seu sorvete, volte sempre, e o seu troco.
– Obrigado.
Então saímos da loja e avistamos uma praça, logo fomos lá e ficamos sentados em um banco sobre a sombra de uma árvore.
– Muito Obrigada pelo sorvete Sora.
– Não há de que.
– Sabe ninguém nunca me tratou tão bem assim, não quero mais ficar longe de você, nem se conseguir liberdade.
– Claro, mas se você se casar com alguém vai ter que ficar longe de mim.
– Se for assim me caso com você.
– Co... Comigo.
– Uhum. – E soltou uma risadinha.
Era difícil de acreditar que a gente se conheceu quase se matando, eu só sabia que iria de qualquer jeito conseguir nossa liberdade, não iria deixar o sacrifício de Larry ter sido à toa, e também queria muito ajudar Selena, queria cuidar dela, e ir pra escola com ela, ela ficou muito tempo naquela prisão não merecia mais sofrer.
– Sora, você esta aí ainda?
– Ah, desculpa, tava só pensando, terminou seu sorvete de quinze reais?
– Aham.
– Certo, vamos.
Ficamos andando por um bom tempo até achar a mansão dele.
– parece que é aqui.
– Sério? Chegamos Sora?
– Sim, vamos lá.
Fui andando até o portão da casa dele e toquei no interfone.
– Posso ajudar?
– Sim, nós viemos de longe e precisamos falar com o Kevin.
– Ah, o senhor Kevin, espere um momento.
– Nem acredito que saí de lá e vou ficar livre para sempre – disse Selena com um sorriso no rosto.
– Eu tive muita sorte também, entrei lá e consegui sair rapidinho.
– È...
– Sim, vocês podem entrar.
Então o portão se abriu e entramos naquela mansão.
Era muito bonita, com uma piscina e paredes brancas.
– Oi Sora, quanto tempo.
– Oi Kevin, precisamos falar com você.
– Quem é essa garota? Sua namorada?
– Não! Ela é só uma amiga.
– Ah, certo, entre.
Fomos seguindo ele até chegarmos ao seu quarto, que era gigante.
– Nossa, me surpreende você aqui, você nunca veio, por conta de como é longe.
– È, mas agora eu realmente precisei vim aqui.
– Por quê?
– Um garoto colocou um diamante em minha mochila e me incriminou, eu acabei indo parar na cadeia, então fugi de lá com a Selena e preciso de dinheiro para conseguir liberdade.
– Nossa! Que história, então vocês são fugitivos?
– Sim.
– Ah, então são vocês que estão valendo uma bela recompensa se forem entregues.
– È?
– Sim, bem que eu achei que parecia um pouco com você.
– Você não nos entregaria né? – perguntou Selena.
– Claro que não, são meus amigos, certo vamos descer que eu vou dar o dinheiro.
Então nós descemos as escadas e fomos até um porão bem estranho.
– Droga não ta aqui! Vou pegar já volto.
Ele saiu do porão e trancou a porta.
– Ei Kevin, que brincadeira é essa?
– Desculpa Sora, mas se eu devolver vocês á polícia, vou ganhar uma boa grana.
– O que?! É brincadeira né? Você já tem dinheiro!
– Mas dinheiro nunca é o bastante.
Insultei-o de um monte de palavrões, esperei para ver se era uma brincadeira, mas demorou muito.
– Então é isso, viemos aqui só para sermos presos de novo e ficar mais tempo ainda – murmurou Selena com lágrimas nos olhos.
– Não isso não vai ficar assim.
Dei uma volta pelo porão e achei uma janela bem no alto, alto demais.
– Nós podemos sair por ali.
– Mas é alto demais Sora, como vamos chegar até lá?
– Não sei.
Dei mais uma procurada e achei uma escada.
– Kevin, tão burro.
– Uma escada! Vamos logo!
Coloquei a escada até a janela.
– Pode ir primeiro Selena.
Ela foi subindo e eu fui logo depois, fui olhar pra cima e sem querer vi a calcinha dela, esqueci que ela estava de saia.
– Concentre-se em olhar só para cima Sora, se você olhar para baixo vai sentir medo e cair. — disse ela inocentemente.
–...
Quando ela chegou até a janela ficou parada.
– Que foi?
– eu tenho que pular daqui?
– Droga, esqueci desse detalhe.
– Tem uma piscina aqui, acho que vou pular nela.
Então ela pulou e eu ouvi só o tibum da água, subi até a janela também e pulei na piscina, rapidamente saímos da piscina e pulamos o muro do portão, deu tempo de ouvir o grito do Kevin.
Agora estávamos encharcados e continuávamos sendo perseguidos pela polícia.
– Desculpa Selena, meu plano não deu certo, o idiota do Kevin me traiu.
– Tudo bem, quando estávamos lá, eu roubei uma pequena estátua da casa dele por precaução.
– O que?
– È, nós podemos vender e conseguir a liberdade, isso deve valer muito dinheiro.
– Selena, então de certa forma deu certo.
– Sim, mas temos que achar um comprador antes que a polícia nos ache.
– Aonde vamos achar?
– Olha no mapa.
Peguei o mapa e vi que tinha a casa de um colecionador de riquezas por perto.
– vamos até lá.
Fomos andando e chegamos rapidinho, bati na porta da casa e um homem abriu a porta.
– È você o colecionador de riquezas?
– Sim, por quê?
– Nós queremos fechar negócio com você.
– Um... Certo, entrem.
Então adentramos a casa, era cheia de coisas que pareciam muito valiosas.
– O que vocês têm para oferecer?
– Essa pequena escultura aqui – respondeu Selena entregando a escultura.
– È isso? – então ele começou a dar uma alta gargalhada.
– O que foi – perguntei.
– Isso só vale uns vinte dólares.
– Como assim?
– È, isso não tem nada de valioso, acho que vou comprar porque é bonitinho. – Disse dando os vinte dólares.
– Mas precisamos de bastante dinheiro.
– Vocês crianças tão ingênuas... Se não perceberam VOCÊS são uma riqueza.
– Como Assim?
– Acha que não sei que escaparam da prisão de adolescentes? E que estão valendo uma fortuna?
Tentei abrir a porta e fugir, mas estava trancado, então ele apontou uma arma para nós.
– Nem pensem em fugir crianças, nem em dar uma de herói.
Fiquei paralisado, tinha uma arma apontada para nossas cabeças.
– Mas você precisa da gente vivo. – falei desafiador.
– Ah é? E seu atirasse na sua perna? Você morreria?
A situação estava horrível.
– Vou levá-los para a cadeia.
– Não! – gritou Selena.
Então ela segurou o braço do homem, o que estava com a arma, e deu um golpe de Judô nele que o derrubou no chão e ela já com a arma na mão.
– Agora me ouça bem! Você vai nos dar dinheiro sem tentar fazer nada!
– E vai fazer o que? Atirar em mim com essa arma sem munição?
– Oque?
Ele a derrubou no chão e começou a enforca – lá.
A raiva tomou conta de mim.
– Solta ela!
Parti pra cima dele e começamos a nos bater, então Selena pegou um Extintor e bateu na cabeça dele, ele desmaiou.
– Que droga! – disse ofegante.
Ainda não satisfeita Selena bateu mais na cabeça dele e deixou o Extintor cair em sua cabeça, Seu Nariz, Sua boca, seu rosto inteiro estava sangrando e ele parecia estar morto.
– Você o matou! – Gritei.
– Claro, e se ele acorda e tenta nos pegar de novo?
Fiquei sem o que dizer.
Peguei as chaves da casa dele e abri a porta.
Lá estava-mos nós de novo, com apenas vinte dólares na mão.
– Sora, com esse dinheiro nós podemos voltar pra sua casa.
– E viver lá para sempre?
– Parece ser o único jeito, estando com você já está bom.
– E o seu papo de liberdade?
Ela olhou para baixo e pareceu estar triste.
– Antes, quando eu estava na cadeia, eu só pensava em fugir e ser livre para sempre e depois de fugir também, mas nesses dias de perigo que eu passei com você eu descobri uma coisa.
– O que? – Perguntei.
Começou a sair lágrimas dos olhos dela.
– Eu não quero ser livre, só quero ficar do seu lado para sempre, seja numa casa trancada e escondida, seja em uma cadeia, é bem melhor ficar presa á pessoa que você ama á ser livre e eu te amo Sora.
Fiquei totalmente sem jeito e sem o que dizer então abaixei minha cabeça sério.
– Eu também gosto muito de você Selena.
Então foi a primeira vez que eu a beijei por conta própria, ela tem um cheiro muito bom como doce. Decidimos-nos parar com essas coisas e continuar nosso caminho, já estava ficando de noite, a gente tinha que achar logo essa estação, e o pior é que eu ainda estava na dúvida se ainda tinha guarda nos esperando dentro dos trens. Depois de muito tempo chegamos á estação, comprei duas passagens e nos sentamos para esperar o trem, fiquei pensando nas pessoas que nós matamos, ou melhor, que a Selena matou, ainda iria ter pesadelos com aquilo, tentei não pensar mais naquilo.
– Olha Sora, ta chegando!
Então o Trem parou, paguei ao moço que cobra as passagens e entramos no Trem, Selena já estava dormindo no meu ombro, fiquei pensando nas coisas que ela me disse, então comecei a pensar em como seria nossa vida, trancados em uma casa, saindo às vezes para comprar comida e sempre se escondendo, esse parecia ser o nosso destino, eu não queria que fosse assim, queria ir a escola com ela, levá-la a um parque de diversões, tinha que ter outro jeito, parei de pensar e dormi.
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