Hermes saiu numa velocidade imensa da Sala dos Tronos.

E rapidamente, se aproximou da borda do Olimpo, onde, um passo em falso, te levaria à uma queda dolorosa ao mundo mortal, mas Hermes é um deus. E caso você esteja no Olimpo não pule, nem tente fazer em casa!

Hefesto e Apolo estavam distantes, e Hermes não estava com vontade de correr mais. Então ele pegou uma dracma (moeda grega antiga) e jogou no lago das náiades, que estava formado um arco-íris.

–Oh deusa íris, aqui está minha oferenda.

Então a imagem de Apolo tremeluziu a sua frente, Hermes tinha feito a mensagem de íris. É como uma WebCam antiga, que funcionava apenas com dracmas e arco-íris. Um meio de comunicação bastante usado por semideuses.

–Apolo? — a mensagem de íris mostrava Apolo dentro de sua carruagem de fogo, seus cabelos louros como ouro, olhos azuis como céu, e um corpo bem definido, como dizem por aí, ele é o deus mais atraente.

–Sim?

–Precisamos conversar, eu, você e Hefesto.

–Você sabe como eu odeio reuniões? Se soubesse não me faria esse pedido.

–Não é um pedido. É uma ordem.

Apolo revirou os olhos.

–Qual o motivo?

–Quer saber? Compareça à reunião.

–Eu recitaría uma poesia sobre sua ignorância, mas por incrível que pareça, eu não estou com vontade.

Hermes bufou de raiva.

–Sendo assim — disse ele se acalmando — eu procuro outro deus. Dionísio talvez. É. Ele com certeza é mais poderoso.

Apolo deu uma risada irônica.

–Está me zombando?

–Faz por merecer não é? Um deus que se recusa a participar de uma reunião por preguiça... Apolo, me poupe de suas criancices.

Seu rosto se enfureceu e a mensagem de íris se desfez.

Quando Hermes ia enviar uma mensagem à Hefesto, ele viu uma trilha de fogo atravessar o céu, como meteoro em sua direção. Hermes sorriu de lado.

–Apolo.

Hermes já sentia o calor aumentar, um calor absurdo, Apolo não devia estar muito feliz.

Hermes saiu rapidamente da frente, e a carruagem amassou a parede de ouro, os cavalos fumegavam.

–Aqui estou eu — falou com a cara fechada, e tirando o cabelo de cima dos olhos.

–Muito bem.

Hermes repetiu a mesma coisa com Hefesto, já este, aceitou facilmente vir ao Olimpo.

As nuvens serpenteavam em meio à imensidão, não se podia ver nada do mundo mortal estando no Olimpo. Apenas o grande espaço azul, e ao longe a escadaria do Olimpo que levava à porta de entrada/saída. Um portal entre o mundo mortal e imortal, o qual serviu para ligar deuses e semideuses.

Estava frio, não tanto pela presença de Apolo, mas frio.

E o vento frio, deixava Hermes ainda mais nervoso, com aquela sensação estranha correndo por sua coluna.

–O dia, oh quão belo és tu — Apolo falou olhando para as nuvens — que ilumina olhares, esquenta corações, que engrandece a alma, e abri-nos um sorriso. Noite, tão bela quanto o dia tu és; que transmite teu frio, nos mostra as estrelas, que edifica as relações e abri-nos um sorriso.

–Bela poesia.

–Obrigado, minha poesia são perfeitas, eu sou o deus perfeito.

Hermes queria matá-lo por ser tão metido, mas antes disso acontecer, Hefesto se materializou ao lado deles.

Apolo teve um susto.

É meio difícil não ter um susto.

Hefesto, ao contrário de Apolo, é o deus mais feio, tão feio, tão feio, que quando nasceu, Hera o jogou de cima do Olimpo, não melhorando em nada sua situação, mas o cara, como poderia dizer... Tem um coração de ferro, e se tratando de Hefesto, isto é um elogio.

–Vamos — disse Hermes.

Hefesto estava sujo de óleo e diversas coisas, com as mãos calejadas e cortes nos braços. Fabricar armas e utensílios de bronze celestial não é tão fácil, inclusive, foi Hefesto que fez o raio de Zeus, e este em troca, deu à ele, a mão de Afrodite em casamento.

–Você poderia adotar o ato de tomar banho de vez em quando — disse Apolo.

Hefesto lançou um olhar para Apolo, tão afiado quanto uma espada de bronze celestial.

Ao chegar ao Salão Principal, os três sentaram em seus tronos.

–Afinal — disse Hefesto — sobre o que viemos discutir?

–Sobre a criação de alguns brinquedinhos... Se assim posso dizer.

–Chegue direto ao ponto — disse Hefesto novamente.

–Juntos nós iremos criar, para um certo momento, que contarei à vocês em breve, cinco armas e objetos poderosos: Os Artefatos de Hermes!