Os Filhos do Olimpo
8 I found myself in Wonderland.
LUCY
O lugar onde estávamos era... estranho e completamente assustador. As paredes estavam descascando e estavam cheias de nada mais, nada menos do que espadas e armas que ninguém mais usava!
Eu estava encolhida no canto de um pequeno sofá enquanto os outros conversavam animadamente.
– Estava com saudade desse lugar. – Disse Adam passando a mão em algumas das armas penduradas da parede.
– Está bem melhor do que antes. Está até um pouco... confortável. É uma pena eu não poder adequar o lugar para que possa ficar na forma de centauro o tempo todo.
Centauro? Ele não podia estar se referindo ao que eu achava que estava.
– É pequeno demais, – continuou — e o barulho dos cascos chamariam muita atenção.
Sim, ele estava falando dos homens-cavalos em que eu estava pensando. Aquelas pessoas eram loucas. Aquela religião estava acabando com a sanidade mental deles, o que eles achavam que eram? Deuses gregos? Parte de mim ficou tentada a perguntar do que estavam falando e outra parte dizia para que eu abandonasse aquele lugar imediatamente. A segunda opção me parecia o certo a fazer, até que percebi que estava a quilômetros de casa. Acabei decidindo-me pela primeira opção:
– Mas centauros não existem. – Eu disse. Todos se calaram e me encararam, me arrependi na mesma hora de ter dito aquilo.
Quíron quebrou o silêncio:
– Ah! Sim, eles existem. – Disse calmamente com um sorriso nos lábios.
– É claro que não existem! Fazem parte da mitologia e nada daquilo é real.
– Lucy... – Alastor se aproximou de onde eu estava sentada – Tem algo que nós não te contamos.
Ele se sentou ao meu lado e eu permaneci quieta. Todos olhavam para nós.
– Essas histórias que você diz não existirem, bem, elas existem.
– Que histórias, exatamente? – Perguntei timidamente.
– Deuses gregos, monstros. Zeus, Poseidon e Hades existem. Centauros, minotauros e ninfas existem. E nós – ele fez uma pausa e olhou para Quíron – bem, nós somos filhos desses deuses com humanos, mortais.
– Você só pode estar brincando, eu não posso ser uma deusa.
– Ele não está brincando. – disse Gump, vindo até nós – E você não é uma deusa, você é uma semideusa. Filha de um deus com um mortal.
– Você sabe o que isso significa, Lucy? – Perguntou-me Quíron.
Eu não respondi. Ainda achava que eles estavam mentindo para mim. Ajeitei-me no sofá e comecei a brincar com a etiqueta de uma das almofadas enquanto tentava assimilar todas aquelas informações.
– Significa que agora você terá de aprender a lutar, se defender. – Disse Quíron, respondendo ao meu silêncio.
– Como é que eu vou aprender a lutar? Eu não sei usar espadas ou adagas e também não tenho uma!
– Ah, isso não é problema. – Disse Dianna – Quando segurar uma espada na mão saberá como usa-la. Isso é natural.
– Mas... eu não tenho coragem de matar. – Me sentia assustada. Como eu, Lucy Hendricks, iria matar alguém?
– Você aprenderá a matar e verá que não tem outra escolha. – Meus olhos se arregalaram. Estava ficando cada vez mais assustada. Adam riu com a minha reação e continuou – Você não precisará matar pessoas, só monstros.
Então tudo começou a fazer sentido: minha mãe não havia morrido ou desaparecido porque era imortal e poderosa, era uma deusa e não podia ficar comigo, meu pai estava mentindo o tempo todo. Meu cabelo mudava de cor porque eu era filha da deusa das cores. Monstros estranhos apareciam porque queriam me matar. Eu nunca mais teria uma vida normal e isso me chocou.
Inevitavelmente comecei a chorar. Fiquei segurando o rosto com as mãos enquanto sentia todos olharem para mim. Qual teria sido a reação deles no momento em que descobriram tudo? Certamente não haviam chorado, mas eu era fraca, chorava por tudo.
– Lucy? O que houve? – Perguntou Alastor.
– O que houve? – Respondi. Estava dividida entre tristeza e raiva, minha vida inteira havia ido por água abaixo! Meus sonhos. Simplesmente tudo! – O que houve é que eu nunca vou poder ter uma vida normal! Eu nunca vou poder casar ou ter filhos porque talvez nem esteja viva pra completar mais do que 20 anos. Não vou entrar na faculdade ou ter uma carreira sólida porque eu sou uma semideusa! Eu não escolhi ser isso.
Todos me olhavam assustados, talvez porque não esperassem me ver gritando ou falando mais alto do que um sussurro. Mas eu estava nervosa e confusa.
– Você é uma heroína agora. Todos nós somos. – Disse.
– Uma heroína? – Ri de Alastor enquanto chorava e o respondia – Olhe pra mim! Eu sou uma garota disléxica que tem um olho de cada cor!
– Isso só confirma o que eu disse. Se você tirar o rosto das mãos – ele se aproximou delicadamente e levantou meu rosto – verá que enquanto você chorava confusa, todos os objetos dessa sala mudavam de cor, observe.
Comecei a prestar atenção nos objetos ao meu redor e era verdade. O sofá onde eu estava era marrom e agora estava verde. As paredes estavam escuras, as almofadas laranjas e até a roupa de alguns semideuses haviam mudado de cor. Lua olhava indignada pra mim.
– O que é que você fez? – Perguntou, olhando pro próprio vestido. – Deixe-o como era antes, agora! Está horrível.
Seu vestido rosa agora estava vermelho. Eu não sabia reverter a situação.
– D-desculpe, mas eu não sei como fiz isso. – Gaguejei.
– Concentre-se. – Sussurrou Alastor em meu ouvido.
– O que?
– Apenas concentre-se no que quer fazer. Dá certo comigo.
– Você também faz as coisas mudarem de cor? – Perguntei.
Ele riu e se afastou.
– Não, mas eu posso fazer coisas com a água. Meu pai é Poseidon. – Alastor fechou os olhos e direcionou a palma da mão para um pequeno aquário perto de nós. Depois de alguns instantes, um fraco redemoinho começou a se formar, até que foi ficando mais forte. A água então saiu do aquário e caiu no chão. Lua e Annie pularam para não se molhar e rindo, Alastor fez com que a água voltasse para dentro do aquário.
– Isso é incrível.
– Tente você. Não precisa levantar a mão se quiser, apenas imagine a roupa de Lua mudando de cor, visualize.
Fechei os olhos, me esforcei para ignorar tudo o que acontecia, concentrando-me apenas em uma imagem: o vestido de Lua passando do vermelho para o rosa lentamente. Quando a o vestido em minha imaginação já estava completamente rosa, abri os olhos.
Um sorriso apareceu rapidamente em meus lábios. Eu havia conseguido. O vestido estava rosa novamente e Lua sorria.
– É isso aí. – Disse Alastor – Com o tempo você não vai precisar nem fechar os olhos.
– Deixem isso pra lá. – Quíron havia se aproximado de nós. – Lucy, pode escolher uma arma com que se sinta confortável. Vocês precisam partir imediatamente.
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