– O Acampamento Meio-Sangue foi fundado algumas semanas depois, visitado pelos próprios deuses. Semideuses foram trazidos ao lar conforme os sátiros se ofereciam para busca-los. Tudo correu bem. — Contei, finalizando a história.

– E os outros? — Perguntou o garoto. — Adam foi quase queimado vivo, e Dianna desafiou um minotauro. O que houve com eles?

– Todos nós sofremos graves ferimentos, mas foi questão de dias para que pudessemos ficar totalmente recuperados. É claro, alguns problemas emocionais permaneceram, mas não há nada que possamos fazer a não ser supera-los.

– E a sua mãe, você conseguiu falar com ela?

– Não diretamente. — Falei, sentindo uma brisa leve percorrer meu rosto. — Mas eu sei que todos os dias, em todo o momento, ela estará em algum lugar olhando por mim.

Um silêncio se formou entre nós. Era estranho contar para alguém tudo aquilo, da mesma forma como era estranho e triste pensar naquilo ao mesmo tempo em que eu sentia um certo orgulho crescer dentro de mim. Nós havíamos lutado contra monstros, desafiado a Medusa e o Olimpo inteiro! Que outros semideuses já haviam feito isso? Essa era a parte boa. A ruim era lembrar daqueles que deram a vida pra que pudéssemos completar a missão. Gump, Lua e Annie eram os verdadeiros heróis. E agora tudo isso passava pela minha mente como se fosse um filme, um filme que só havia assistido quem participou dele e para quem eu o havia mostrado até agora: meu melhor amigo Chris e esse garotinho, cujo o nome eu nem havia me dado ao trabalho de perguntar.

Com medo de ter assustado o garoto, voltei meus olhos para o chão e tornei a brincar com a areia. Mais alguns instantes se passaram até que o garoto se mexeu onde estava sentado e disse:

– Obrigado.

– Obrigado? — Perguntei, confusa. Era a última coisa que eu esperava ouvir.
Levantei os olhos e fiquei observando o garoto até ele voltar a falar.

– Sim, obrigado. Se não fosse por vocês, eu estaria em casa agora e nunca saberia quem ou o que sou. Estaria perdido enquanto monstros atacavam a mim e a minha família. Vocês me deram uma oportunidade de viver, estão me treinando para isso.

E então eu fiquei sem saber o que responder. Me sentia tão bem naquele momento. Eu estava dando a oportunidade de viver para aquelas crianças, e nunca havia pensado dessa forma.

Levantei-me e sem pensar duas vezes me coloquei na frente do garoto e estiquei os braços, ele pareceu confuso a princípio mas depois compreendeu e se jogou em direção a eles, abraçando-me ainda mais forte do que eu o abraçava.

– De nada. — Disse pra ele.

Nos afastamos e ele ficou me encarando.

– Quantos anos você tinha na época? — Perguntou.

– Quatorze.

– E agora?

– Agora eu tenho dezesseis.

– Entendi.

Olhei em direção ao outro lado da praia e vi que Ethan acenava pra mim. Voltei minha atenção para o garoto e disse:

– Qual é o seu nome?

– Dylan.

– Dylan, eu preciso ir agora, mas vou te procurar quando precisar conversar, ou você pode me procurar se quiser, estou sempre no chalé 14. Aquele todo colorido.

Ele assentiu e sorriu. Encarei aquilo como um "tudo bem, pode ir" e foi o que fiz.

Quanto tempo eu havia passado ali na praia? Já estava mais fresco e o sol já ia se por. A sensação de areia entre os dedos dos pés era boa e por alguns instantes parei para brincar com ela. Estava até um pouco gelada. Soltei os cabelos e só então lembrei que Ethan ainda me esperava. Ele estava me observando brincar e ria de mim. Eu amava o fato de que vê-lo sorrir fazia com que eu sorrisse também.

Contar tudo aquilo para Dylan causou em mim um leve pressentimento de que aquilo tudo tinha sido apenas o começo. O início do que estava para vir. Uma preparação para desafios maiores que Os Filhos do Olimpo viriam a enfrentar.

Afastei os pensamentos ruins da cabeça.

Corri na direção de Ethan e ele me pegou em seus braços.

+ + +

Agradecimentos

Estamos tão felizes! Essa fic só foi possível graças a todas as pessoas que direta ou indiretamente contribuíram com a fic. Sempre quisemos ter uma fic reconhecida. Alguns personagens da fic receberam uma personalidade inspirada em amigos nossos, sendo assim nos sentimos na obrigação de agradecer a eles: Karol (Dianna), Luana (Annie), Cindi (Lua), Daniel (Alastor), Gabriel (Connor), Keythi (Lara) e Lucas (Charlie). A Lucy foi inspirada em mim mesma e o Adam no Heitor. Agora o maior agradecimento de todos vai para vocês que nos acompanharam, comentaram e sugeriram a história. Vocês nos incentivaram a continuar quando estávamos desanimados. Obrigada, de todo o coração! Esperamos que tenham amado a fic até a ultima palavra. Coisas boas virão. Quem sabe uma continuação? ;)

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!