Venho de uma família nada convencional, meus pais trabalham muito para me dar uma vida confortável e quase luxuosa. Meu irmão tem dezenove anos e se chama Trevor, ele disse que quer seguir a carreira de um dos nossos pais, mas não sabe qual lado ainda. Eu nem sei o que eu quero ainda, tenho mais alguns anos para decidir minha carreira.

- Emma, o café está pronto. — Grita meu irmão.

Eu já tinha feito a higiene matinal, mas tinha voltado pra cama, não queria ir à escola hoje, tinha reunião dos pais, minha mãe sempre que pode vai (o que é uma vez ao ano, nas férias dela), mas tio Peter normalmente vai sempre que precisa de um responsável na escola, meu pai nunca pode ir.

- Essa semana mamãe não virá pra casa. — Diz Trevor assim que piso na cozinha.

- Humm.

Isso não era novidade.

- Papai volta hoje à noite.

- Humm.

Minha mãe, Serena Boucher, é agente secreto do Governo desde eu me lembro, e meu pai é um Chefe da Máfia. Sua pergunta é: Como uma pessoa do governo pode ter se casado com um procurado mundialmente e ainda ter dois filhos? Eu não sei explicar isso, mas eu sei que eles se conheceram na Itália, mamãe estava jantando sozinha em algum restaurante, e meu pai passou. A missão dela era prendê-lo, mas as coisas mudaram da água pro vinho. O resto da historia eu não sei, porque meus pais nunca tiveram tempo para terminar de nos contar.

- Trevor eu não quero ir pra escola- choramingo.

- Se a mamãe descobrir...

- Hoje tem reunião de pais, Trev. E ela nem vai.

- Tudo bem. Eu tenho umas coisas pra fazer também.

Sorrio e subo as escadas de volta para o meu quarto. Leio quase metade de um livro antes do almoço, desço para ver o que meu irmão estava fazendo, mas ele não estava nem na sala e nem na cozinha. Fui ao porão e lá estava ele jogando, papai tinha feito aquele cômodo de quarto de jogos, tinha desde mesa de sinuca a jogos eletrônicos. Sento-me ao seu lado no sofá.

- Então essas eram as coisas que tinha pra fazer?

Sem tirar os olhos verdes da tela meu lindo e loiro irmão sorri.

Lá em cima o meu celular estava tocando.

- Vai atender o seu celular, Em. Subo os degraus preguiçosamente.

- Alô.

- Oi minha borboletinha- Diz meu pai.

- Oi papai, que horas você chega?

- Eu não vou pra casa. Você não foi pra escola? Não responda. Não da tempo de puxar sua orelha agora. Deixa eu falar com Trevor, rápido.- Meu pai estava calmo, mas tinha uma certa urgência em sua voz.

Voltei correndo para o porão e entreguei o celular para meu irmão.

- Papai, parece que é urgente.

Ele pausa o jogo e pega o telefone.

- Oi pai...- O controle cai da sua mão e seu rosto se torna duro feito pedra.- Okay, pai. Farei tudo certo. Também te amo... falo sim.

- O que foi?

-Ele mandou um beijo e disse que te ama.

- E?

- Código vermelho.