Os Filhos Proibidos
28 Capítulo 28 - Nice
Notas iniciais
Os Malfoy eram um porre, principalmente Lúcio Malfoy.
Logo que Nice chegou em Londres com James, Brian, Karen e Silas, o sr.Malfoy iniciou a série de ironias sobre como era melhor ser servo de Voldemort do que uma mera traidora.
Nice quase perdeu o controle naquele instante, sorte (de Lúcio Malfoy) que Brian começou a elogiar Narcisa e fazer mais uma de suas "piadas nada engraçadas".
Felizmente, 1º de setembro chegou com rapidez. Nice passou a maior parte do tempo em seu quarto, remexendo em suas armas, roupas e materiais. Evitava sair para qualquer coisa — até mesmo para jantar! -, pois Draco não parava de ficar no seu pé, lançando suas cantadas ridículas.
– Você faz sucesso com o Malfoy — brincou Karen, enquanto Nice e a ruiva treinavam com as novas armas nos fundos da mansão.
Nice riu de modo sarcástico.
– Preferia não fazer. — E ao perceber o olhar de James sobre si, desviou mais do que rapidamente.
Na estação de King's Cross, Nice, James, Silas, Brian, Karen e Draco passaram pelo paredão que demarcava as plataformas 9 e 10, alcançando a tão sonhada Plataforma 9 ³/4.
Nice pôde sentir o cheiro acalmante de fumaça e ver os pais despedindo-se de seus filhos, ao mesmo tempo que seus animais de estimação passavam soltos por todos os cantos.
Era relaxante saber que estava livre de suspeitas, desconfianças e traições. Pelo menos por enquanto, Nice seria apenas uma adolescente bruxa, que é excelente em todas as matérias e joga quadribol como ninguém.
Seria apenas isso.
– Comporte-se, Nicolle — Lúcio tinha uma expressão serena, embora seu sorriso fosse irônico. — O Lord das Trevas não gostaria de saber que você ajudou o Potter.
– Eu não ligo para o que ele acha ou não — Nice segurou a mochila com força. — Não faço parte do seu grupinho de Comensais. Fique sabendo disso.
Lúcio estreitou os olhos.
– Veja bem como fala comigo, garota... Sabe bem do que sou capaz.
– Ah sim. Você é um merda capaz de porcaria nenhuma! — Nice sorriu de modo irônico. — Você e seu filho são dois nadas que só servem para ocupar espaço...
Lúcio puxou sua varinha, ao mesmo tempo que Nice.
– Vambora, Nice — chamou Karen, mascando um chiclete e parecendo perceber a situação. Entretanto, a ruiva agiu discretamente. -Ou quer perder o seu lugar para uma das garotas perdedoras?
Nice encarou Lúcio mais uma vez. Silas e Brian aproximaram-se. James os observava a distância, com as mãos nos bolsos e a postura tranquila.
– Vamos — Karen encarou o sr.Malfoy e Nice mais uma vez, até puxá-la pelo braço em direção ao trem.
Nice aceitou e acabou embarcando. James, Silas e Brian as seguiram de perto, enquanto as portas começavam a se fechar.
O grupo alcançou sua cabine ao fundo do vagão. Nice largou-se na poltrona, enquanto Karen fechava a porta e a encarava com reprovação.
– Olha Nice, se você quer arrumar confusão, certo! — ergueu as mãos para o alto. — Mas não nos meta nos seus problemas, depois! Você sabe muito bem como Lúcio é perigoso!
– Não tenho medo dele — Nice sorriu irônica, enquanto dava de ombros.
– Você é maluca! — Brian riu.
– Acho que Karen tem razão — comentou Silas, em tom calmo. — Sabe Nice, se você quer ter uma vida tranquila por aqui, tem que ficar na sua.
Nice resolveu ignorar os amigos e voltar sua atenção para a paisagem que passava diante de seus olhos escuros.
Algum tempo depois, Karen, Silas e Brian começaram a conversar entre si, enquanto James permanecia em silêncio, aparentemente em meio aos seus devaneios misteriosos.
O tempo passou rapidamente e logo, já era hora do almoço. O carrinho cheio de guloseimas e doces passou pela cabine do grupo, fazendo com que Brian gastasse praticamente todo seu dinheiro em porcarias.
Nice já lia um livro qualquer quando a tarde se aproximou. Faltavam horas para que o trem chegasse a Hogwarts, então não adiantava ficar apenas observando a paisagem. Seria entediante demais.
– Acho que o Malfoy está com meu livro de História da Magia — reclamou Karen, revirando seu malão. — Ah, que ódio!
– Relaxa — Nice levantou-se, deixando seu livro de lado. — Vou pegar com ele.
Karen arqueou uma sobrancelha.
– Você se oferecendo para fazer algo por mim?
– Sou uma pessoa muito boa, pena que você não perceba — ironizou Nice, revirando os olhos.
– Sim, ela é muito boa — Brian controlou o riso, enquanto saboreava mais um de seus doces.
Silas riu, da mesma forma que Karen em seguida. Até mesmo James esboçou um de seus sorrisos de canto. Apenas Nice ignorou a "piadinha sem graça" e atravessou a porta da cabine, batendo-a com força as suas costas.
Pôde ouvir ainda um "Ela ficou bravinha", dito por Brian, arrancando mais risadas dentro da cabine. Nice suspirou e começou sua travessia pelo corredor do vagão.
Não estava nem um pouco preocupada com o livro de Karen, apenas queria uma desculpa para sair da cabine e andar pelo trem.
Odiava ficar parada.
Alcançou a cabine da Sonserina e sem pedir licença ou algo do tipo, abriu a porta e foi até Draco, que estava com um sorriso aparentemente contando algo ridículo para seus coleguinhas puxa-saco.
– Nicolle! — Draco levantou-se, puxando-a pelo braço até perto de onde estavam. — Junte-se a nós!
– Não, obrigada — Nice afastou-se, recebendo olhares interessados da maioria presente. — Você pegou o livro da Karen?
– Ahn... — Draco abriu seu malão e começou a procurar. Nice cruzou os braços, batendo o pé no chão com impaciência. — É esse?
Nice o puxou da mão do Malfoy.
– Valeu — agradeceu, com aspereza. Saiu da cabine sem falar com qualquer um dos sonserinos.
Os detestava, simplesmente. Draco costumava ser legal, mas de uns tempos para cá, havia se tornado mesquinho e esnobe demais.
Demais até para Nice.
Pensando em fazer uma visita aos gêmeos Weasley, mal percebeu quando alguém aproximou-se dela pelas costas e a puxou com violência para trás, virando-a com brutalidade.
Arregalou os olhos.
Ele estava mais alto desde a última vez que o vira. Seus cabelos castanhos pareciam diferentes, enquanto seus olhos tinham o mesmo tom azulado. Ao seu lado, a morena tinha os mesmos olhos escuros de sempre e cabelos compridos e encaracolados.
– O que pensa que está fazendo aqui? — Josh Stwart a sacudiu, como se quisesse ouvir seus membros chacoalharem.
– Josh! — alertou Ana Salvatore, com os braços cruzados. — Aqui não!
Josh pareceu concordar e sem que Nice esperasse, começou a arrastá-la pelo braço para longe dali.
– O que está fazendo? — Nice tentava se livrar do garoto, mas este mantinha pressão em seu braço, sem soltá-la. — Me larga, Stwart!
– Não antes de conversarmos! — Ana estava carrancuda e decidida, o que fez Nice bufar.
– Olha, não estou fazendo nada de errado, estou? — Nice fez mais uma tentativa, entretanto, Josh não fez menção alguma de parar. — Será que dá para me soltar?
Josh a empurrou para dentro de uma cabine vazia e fechou a porta. Ana bloqueou a passagem de Nice, logo que esta tentou sair.
– O que querem, afinal? — Nice cruzou os braços, encostando-se contra a janela da cabine.
– Respostas — Josh avançou um passo. — O que você está fazendo aqui? Não deveria estar com seus amiguinhos servindo Cronos?
– E você não deveria estar visitando seu irmão morto? — debochou Nice, sabendo exatamente como atingir o ex-amigo.
Um raio soou ao longe e com um estrondo, caiu do lado de fora do vagão, a apenas alguns metros de distância de Nice. O trem se distanciou do ocorrido, com grande velocidade.
Nice encarou Josh, que parecia decidido a explodi-la caso a garota não respondesse as perguntas. Ana também não estava para brincadeiras.
Nice suspirou. Não tinha outro jeito, então.
– Eu estudo em Hogwarts desde os meus onze anos — respondeu Nice, calmamente. — Eu, James, Karen, Silas e Brian.
– E o que planeja fazer desta vez? — perguntou Ana, em tom frio. — Matar mais pessoas? Destruir Hogwarts? Se aliar a Voldemort?
Nice resolveu não perguntar como a garota sabia sobre Voldemort. Quanto mais rápido respondesse o interrogatório dos ex-amigos perdedores, mais rápido sairia dali e ficaria em paz.
Por ela, já teria se livrado de Ana e Josh há muito tempo, entretanto, não poderia explodir o vagão sem matar alunos inocentes. Porque se pudesse, ah, aqueles dois não estariam ali para irritá-la.
– Nenhuma dessas coisas — Nice ergueu os braços para o alto, frustrada. — Estou na minha, ok? Posso ser uma traidora no mundo dos deuses, mas aqui eu sou apenas Nicolle Lenhart e fim! Agora posso ir embora?
Fez menção de sair, mas Josh a empurrou de volta.
– Ainda não — disse ele, decidido. — Quando vai desistir daquilo?
Nice franziu o cenho.
– Do quê, de destruir os deuses? — Josh assentiu. Nice riu, de modo maldoso. — Nunca. Pelo menos, não até conseguir o que eu quero.
E passou pelos dois decidida, fazendo questão de esbarrar nos ombros de ambos. Pior do que o tédio e os Malfoy, eram ex-amigos insuportáveis.
(...)
Voltando para sua cabine, encontrou dois colegas grifinórios.
– Hey, Nice! — Hermione Granger surgiu acompanhada por Rony Weasley. — Tudo bem?
Nice sorriu.
– Tudo sim — encarou os amigos. — E vocês?
– Ah, tudo bem também — Rony deu de ombros. — Somos monitores agora.
– Uau! — Nice fingiu surpresa. — Grande novidade! A garota mais inteligente da turma como monitora!
Hermione riu. Rony parecia estranhamente verde.
– Pelo jeito você não gostou da tarefa, Rony — Nice arqueou uma sobrancelha.
O ruivo deu de ombros. Hermione balançou a cabeça.
– Ele se acostuma — murmurou, fazendo Nice sorrir.
– Bom, aproveitem a calmaria, monitores. Esperem só até eu me unir aos gêmeos Weasley — lançou uma piscadela para os amigos, que a encararam perplexos.
– Nice! Você prometeu que não iria aprontar! — gritou Hermione, mas Nice apenas acenou para eles.
Chegou na cabine e jogou o livro para Karen, que o apanhou no ar.
– Por quê demorou? — perguntou a ruiva, desconfiada.
– De nada — enfatizou Nice, sentando-se em seu lugar e pegando seu livro novamente.
– Por quê demorou? — insistiu Karen.
– Adivinhem quem está em Hogwarts agora? — perguntou Nice.
Como os amigos não responderam, a morena falou.
– Ana e Josh.
– O QUÊ? — Karen levantou-se, perplexa.
– Vixe! — Brian continuou seu jogo de Snap-Explosivo com Silas.
– Nicolle Lenhart! — Karen apontou um dedo na cara da morena. — Nem pense em seu unir a eles de novo!
– Por que eu faria isso? — perguntou Nice, com o cenho franzido.
– Porque eles são seus antigos "amigos"! — Karen fez aspas com os dedos. — Se nos trair, juro que te mato!
– Eu não faria isso! — Nice se levantou, ficando a frente de Karen. — Mas na parte de me matar, pode até tentar.
Ambas se encararam por longos instantes, até James levantar-se também, fazendo as garotas o fitarem.
– Vamos continuar na nossa — disse ele, colocando as mãos nos bolsos. Tinha uma expressão tranquila no rosto, bem diferente de Karen e Nice. — E deixar eles para lá. Acredito que Nice não trairia a gente, portanto Karen, fica na sua.
– Uhhh! — murmurou Brian, sem encarar a ruiva.
Karen lançou uma almofada no garoto, que caiu para trás. Nice sentou-se em seu lugar, encarando James.
Por que aquele garoto conseguia atrai-la, mesmo depois de tanto tempo?
(...)
Em Hogwarts, as coisas não estavam nada bem.
Dolores Umbridge — uma mulher com cara de sapa -, havia assumido o cargo como professora de Defesa Contra as Artes das Trevas; e o pior de tudo, era uma funcionária do Ministério da Magia que "queria mudar certos padrões dos alunos".
– Gostaria que parassem de me olhar torto — comentou Harry, logo que alguns alunos secundários desviaram o olhar ao perceber que o moreno os encarava.
Nice sabia o porque do amigo estar passando por aquela fase; desde que lutou contra Lord Voldemort no Torneio Tribruxo, o mundo bruxo se voltou contra ele, por não acreditarem que o Lord das Trevas, que assombrava à todos anos atrás, estava de volta.
E Harry estava sendo considerado um louco, por dizer a todos exatamente o contrário.
– Um dia isso vai acabar — garantiu Nice, sorrindo para o garoto de forma solidária.
A seleção dos alunos do primeiro ano teve início e logo que terminou, foi a vez de Minerva Mc.Gonagall anunciar dois novos alunos que haviam acabado de entrar na escola para cursar o quinto ano.
O Chapéu Seletor iria ser colocado na cabeça de cada um, para decidir em que casa ambos ficariam. Nice baixou os olhos, torcendo para que Ana e Josh não fossem para a Grifinória.
– Ana Salvatore!
O Chapéu Seletor demorou longos instantes para se manifestar e quando o fez, deixou Nice aliviada.
– Corvinal!
Sophia Jasmine sorriu, enquanto Ana dirigia-se até ela. Ambas pareciam felizes.
– Josh Stwart!
Antes de chegar até o Chapéu Seletor, o garoto encarou Nice. A morena desviou o olhar rapidamente.
Mais uma vez, o chapéu ficou em silêncio, parecendo avaliar se deveria ou não se manifestar. Nice odiava aquilo.
E sem esperar, a voz ecoou por todo o salão, anunciando o que não era para ser dito.
– Grifinória!
Sophia pareceu decepcionada, enquanto Karen, à mesa da Sonserina, mordia os lábios aflita. James lançou um olhar sério para a morena, enquanto Brian e Silas pareciam não se importar.
Josh seguiu até a mesa da Grifinória, sob intensos aplausos. Por um momento, seu olhar cruzou com o de Nice, proporcionando a ela um calafrio.
Aquele ano não seria nada bom.
Fale com o autor