Os Filhos Proibidos
16 Capítulo 16 - Ana
Notas iniciais
Mil perdões pela demora a postar! Estive muito ocupada nessas férias e apenas hoje, consegui terminar o capítulo da fic. Muito obrigada aos leitores que comentaram ;) Prometo responder os reviews, em breve.
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A BATALHA DO LABIRINTO (PARTE 16)
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BOA LEITURA!!!
O que Ana menos queria, era remover estrume (em outras palavras, cocô de cavalo). Em seu currículo de semideusa, a garota preferia esconder aquele fato e levar para o túmulo. Fora a coisa mais nojenta que já presenciara em toda a sua vida.
Claro, o conselho de Nice ajudara (e muito) para que o serviço fosse concluído rapidamente e sem nenhum estrago.
Ambos conversaram com a naiáde, que explicou o que deveriam fazer (ou pelo menos, deu a dica). Ana e Percy produziram água e não controlaram ela.
Foi uma sensação estranha, mas que fez Ana se sentir mais próxima ainda de descobrir quem era seu parente divino. Aquilo estava estampado na sua frente (era realmente óbvio), mas a garota não queria compartilhar suas teorias que ainda não estavam totalmente comprovadas. Talvez, Ana poderia ser filha de um deus menor que controlasse a água. Aquilo também poderia ser possível.
Entretanto, a teoria de que um dos Três Grandes possa ser o parente divino de Ana, a perturbou e muito. Desde que chegara no Acampamento Meio-Sangue, sabia que um filho dos Três Grandes era considerado proibido. Os três deuses haviam feito um juramento de nunca ter filhos (e Poseidon não poderia ter filhas!).
Mas eles acabaram quebrando o juramento e a prova disso são Percy, Nico e Thalia (uma garota que Ana mal conhecera. Filha de Zeus e que abandonou tudo para se tornar uma Caçadora de Ártemis).
Não que Ana tivesse medo de ser filha de Poseidon — seria bem legal ter Percy como irmão — mas o que atormentava Ana, era a Grande Profecia.
Ana, Josh e Nice, logo no primeiro dia que estavam no acampamento, ouviram a conversa entre Quiron e os outros semideuses. Uma conversa que dizia claramente: os três novos semideuses poderiam mudar o rumo da profecia, drasticamente.
Desde então, Ana tentava desesperadamente buscar respostas. Descobrir seu parente divino era seu maior desejo, mas no fundo, havia certo receio do que poderia encontrar.
Pelo menos ela tinha o apoio de Josh e Nice. Desde que os conhecera, sua vida passara a fazer mais sentido. Amigos de verdade, alguém com quem contar. Era daquilo que Ana precisava.
A garota no momento, enfrentava um sério conflito. Nico Di Angelo (o garoto misterioso e interessante, filho de Hades) estava fazendo uma espécie de "Banquete para Fantasmas" em um fosso de seis metros do tanque séptico, no Rancho Triplo G.
O tanque era amarelo luminoso, com uma cara sorridente e letras vermelhas pintadas no lado. DESCARGA FELIZ S/A. Meio que não combinava com o estado de espírito de invocar os mortos.
A lua estava cheia. Nuvens prateadas se espalhavam pelo céu.
– Minos já deveria estar aqui – disse Nico, fazendo uma carranca. – Está totalmente escuro.
– Talvez ele tenha se perdido – falou Percy esperançoso.
Nico colocou cerveja e o churrasco dentro da cova, então começou a entoar um cântico em grego antigo. Imediatamente os insetos no bosque pararam de chilrear. Nice ficou um tanto inquieta. Josh — por incrível que pareceça — estava tranquilo com a situação. Ana apenas observava, enquanto Nico continuava cantando.
– Faça ele parar – Tyson sussurrou para Percy, próximo a Ana.
Uma nevoa sulfurosa surgiu sobre a terra. Sombras começaram a ficar mais densas e ganhar forma humana. Uma sombra azul vagueou para extremidade da cova e ajoelhou-se para beber.
– Impeçam-no! – disse Nico, momentaneamente parando de entoar o cântico. – Somente Bianca pode beber!
Percy sacou Contracorrente. Os fantasmas recuaram com um coletivo assobio a vista da lâmina de bronze celestial. Mas era tarde para parar o primeiro espírito. Ele já havia se solidificado na forma de um homem barbudo com um manto branco. Um círculo de ouro coroava sua cabeça, e mesmo em morte seus olhos estavam vivos de malícia.
– Minos! – Nico disse. – O que você está fazendo?
– Minhas desculpas, mestre – o fantasma disse, embora não soasse muito arrependido. – O sacrifício parecia tão bom, eu não pude resistir. – Ele examinou suas próprias mãos e sorriu. – É bom olhar para mim mesmo novamente. Quase na minha forma sólida...
– Você esta rompendo o ritual! – Nico protestou. – Saia...
Os espíritos dos mortos começaram a brilhar perigosamente, e Nico teve que começar a cantar novamente para mantê-los acuados.
– Sim, faça direito, mestre – Minos disse com diversão. Ana cerrou os punhos. – Continue cantando. Eu só vim protegê-lo desses mentirosos que enganariam você.
Ele se virou para Percy. Ana notou o olhar desprezo lançado pelo fantasma.
– Percy Jackson... sim, sim. Os filhos de Poseidon não melhoraram com os passar dos séculos, melhoraram?
Percy cerrou os punhos, da mesma forma que Ana. Nice se afastou dois passos. Josh continuava firme.
– Nós estamos procurando Bianca Di Angelo – falou Percy. – Cai fora.
O fantasma riu.
– Sei que você matou meu minotauro uma vez com suas mãos nuas. Mas coisas piores o esperam no labirinto. Você realmente acha que Dédalo o ajudará?
Os outros espíritos começaram a se agitar. Annabeth puxou sua faca e passou a ajudar Percy a deter os fantasmas. Ana pegou seu anel e transformou na longa espada prateada. Ficou com a arma em punho, ajudando Percy e Annabeth na tarefa de afastar os fantasmas da cova.
– Dédalo não se importa com vocês, meio-sangues – Minos advertiu. – Vocês não podem confiar nele. Ele é velho além da conta, e astuto. Ele está amargo de culpa pelo assassinato e é amaldiçoado pelos deuses.
– Culpa pelo assassinato? – perguntou Percy. – Quem ele matou?
– Não mude de assunto! – o fantasma rosnou. – Você está impedindo Nico. Você tenta convencê-lo a desistir de sua meta. Eu faria dele um lorde!
– Basta, Minos – Nico ordenou.
O fantasma zombou.
– Mestre, eles são seus inimigos. Você não deve escutá-los! Deixe-me protegê-lo. Irei deixá-los loucos, como fiz com os outros.
– Outros? – Annabeth ofegou. – Você fez aquilo com Chris Rodriguez? Então era você?
– O Labirinto é minha propriedade – o fantasma disse – não de Dédalo! Os que invadem merecem a loucura.
- Você enlouquece pessoas — Nice finalmente disse alguma coisa. O tom de sua voz, demonstrava deboche e desprezo. — Grande coisa! Está apenas atrasando o que é inevitável.
Ana e Josh se entreolharam e encararam a amiga. Do que diabos Nice estava falando?
– Vá embora, Minos! – Nico exigiu, ignorando o comentário de Nice. – Eu quero ver minha irmã!
O fantasma engoliu sua raiva.
– Como quiser, mestre. Mas eu o alerto. Você não pode confiar nesses heróis.
Com isso, ele desapareceu em névoa. Os outros espíritos avançaram, mas Percy e Annabeth os conteram.
– Bianca, apareça! – Nico entoou. Ele começou a cantar rápido, e os espíritos se mexeram inquietos.
– A qualquer momento agora – murmurou Grover.
Então uma luz prateada chamejou entre as árvores – um espírito que parecia mais luminoso e forte que os outros. Ele se aproximou, e algo me disse que o deixasse passar. Ele se ajoelhou e bebeu um gole da cova. Quando se ergueu, era a forma fantasmagórica de Bianca Di Angelo.
O canto de Nico vacilou. Percy abaixou sua espada. Os outros espíritos começaram a se aglomerar, mas Bianca ergueu seus braços e eles recuaram para as árvores.
– Olá, Percy – ela disse.
A garota usava uma boina verde de lado em seu grosso cabelo preto, olhos escuros e pele azeitonada como a do irmão dela. Ela vestia uma jaqueta prateada, a vestimenta das caçadoras de Ártemis. Um arco pendia por cima de seu ombro. Ela sorriu fracamente, e sua forma chamejou.
– Bianca – falou Percy, lentamente. Ana começava a perceber que aquela garota fora realmente importante.
– Eu sinto muito – disse Percy.
– Você não tem pelo que se desculpar, Percy. Eu fiz minha escolha. Eu não me arrependo.
– Bianca! – Nico tropeçou a frente, como se tivesse acabado de sair de um torpor. Ela se virou para seu irmão. Sua expressão estava triste, como se ela tivesse temido esse momento.
– Olá, Nico. Você ficou tão alto.
– Por que você não me respondeu mais cedo? – ele lastimou. – Eu venho tentando há meses!
– Eu tinha esperanças que você desistisse.
– Desistisse? – Ele soou magoado. – Como você pode dizer isso? Estou tentando salvar você!
– Você não pode, Nico. Não faça isso. Percy está certo.
– Não! Ele deixou você morrer! Ele não é seu amigo.
Bianca levantou uma mão como se fosse tocar o rosto do irmão, mas ela era feita de névoa. Sua mão evaporou quando se aproximou de pele viva.
– Você deve me ouvir – ela disse. – Guardar rancor é perigoso para as crianças de Hades. É nosso defeito mortal. Você deve perdoá-lo. Você tem que prometer isso.
– Eu não posso. Nunca.
– Percy tem estado preocupado com você, Nico. Ele pode ajudar. Eu o deixei ver o que você estava fazendo, esperando que ele achasse você.
– Então era você – falou Percy, surpreso. – Você enviou as mensagens de Íris.
– Por que você está ajudando a ele e não a mim? – Nico gritou. – Não é justo!
– Você está perto da verdade agora – Bianca disse a ele. – Não é com Percy que você deve estar zangado, Nico. É comigo.
– Não.
– Você está zangado porque eu deixei você para me tornar uma caçadora de Ártemis. Você está zangado porque eu morri e o deixei sozinho. Eu sinto por isso, Nico. Eu realmente sinto. Mas você deve superar a raiva. E parar de culpar o Percy por minhas escolhas. Isso será a sua ruína.
– Ela está certa – Annabeth interrompeu. – Cronos está se erguendo, Nico. Ele vai manipular quem ele puder para se unir a causa dele.
Nice se mexeu inquieta, mais uma vez. Ana notou Josh encarar a garota, por um longo instante.
– Eu não ligo para Cronos – Nico disse. – Eu apenas quero minha irmã de volta.
– Você não pode ter isso, Nico. – Bianca disse a ele gentilmente.
– Eu sou filho de Hades! Eu posso.
– Não tente – ela disse. – Se você me ama, não...
A voz dela vacilou. Os espíritos começaram a se aglomerar de novo ao redor deles, e pareciam agitados. Suas sombras se deslocaram. Suas vozes sussurravam, PERIGO! Ana não estava gostando nada daquilo.
– O Tártaro se agita – Bianca disse. – O seu poder chama a atenção de Cronos. Os mortos precisam retornar ao Mundo Inferior. Não é seguro permanecermos.
– Espere – Nico disse. – Por favor...
– Adeus, Nico. – Bianca disse. – Eu te amo. Lembre-se do que eu disse.
Sua forma tremulou e os fantasmas desapareceram, deixando-os sozinhos com uma cova, um tanque séptico Descarga Feliz, e uma lua cheia impassível.
(...)
Nenhum deles estava ansioso para viajar naquela noite, então decidiram esperar até a manhã seguinte.
Ana, Josh e Nice conseguiram um lugar reservado para conversarem. Fazia tempo que não tinham nenhum assunto pendente. Na maior parte do tempo, haviam ficado investigando o Labirinto ou, ocupados com Monstros ou em ainda, em não encontrá-los.
- Você está muito estranha, Nice — observou Ana, encarando a garota — O que aconteceu?
Nice mantinha os olhos baixos, batucando os dedos no piso de madeira da sala. Josh encostou a cabeça na parede e fechou os olhos.
- Você está escondendo alguma coisa, Nice — falou Josh, ainda de olhos fechados. — E é algo sério.
Ana encarou o amigo, surpresa. Josh parecia ser "desligado", mas no fundo, era esperto. Nice continuava batucando os dedos no piso de madeira, parecendo não se importar nem um pouco com a situação.
- Vai continuar em silêncio? — perguntou Ana.
- O que vocês querem que eu diga? — Nice ergueu o olhar e encarou Ana.
- Queremos que pare de esconder o que quer que seja — respondeu Ana, lentamente.
Nice revirou os olhos e sorriu de lado.
- Vocês andam muito paranóicos — comentou a garota, dando de ombros. — Não há nada para eu dizer.
- Como você sabia da naiáde? — indagou Ana.
- Intuição — Nice sorria, mantendo os olhos baixos.
- Intuição? — perguntou Josh, incrédulo. — Sério mesmo?
- Eu sei das coisas. Por isso comecei essa missão — Nice encarou os amigos, com um sorriso frio no rosto. — Acham que meteria vocês nisso se eu não soubesse o que fazer?
- Você conhece Eurítion — falou Josh, como um promotor de justiça culpando o réu. — Vai dizer que é intuição?
Nice parou de batucar os dedos no piso, mas continuou com os olhos baixos. Ana pensou que aquele fosse um bom sinal.
- Você não perdeu a calma quando fomos presos — continuou Josh, aparentemente satisfeito por estar deixando Nice sem respostas. — Parecia até tranquila...
- Está achando que eu estou ajudando Cronos, não é? — interrompeu Nice, ainda de olhos baixos.
- Eu não disse isso — falou Josh.
- Mas pensou!
- Bom, você estava bem "entrosada" com aqueles monstros!
Uma labareda se acendeu no piso de madeira, aos pés de Josh. O garoto se levantou imediatamente. Ana tratou de fazer água jorrar de sua mão direita e apagar aquela faísca, antes que o cheiro de queimado se espalhasse.
- Tome cuidado com o que pensa — Nice se levantou e Ana fez o mesmo. Pela primeira vez, notou que os amigos eram mais altos que ela, o que a deixou extremamente irritada. Se os dois cismassem de ter uma "discussão", Ana não teria chances de separar aqueles dois.
- Você anda muito estranha — falou Josh, sério. — Eu gostaria de saber o porque.
Nice fechou os olhos e murmurou alguma coisa. Pelo jeito, estava contando até dez.
- Confiem em mim.
Josh suspirou.
- Nice, nós estamos confiando em você. Você é...Minha amiga e é natural eu ficar preocupado. Não estou achando que você está com Cronos. Estamos no mesmo barco, no final das contas. Derrotando monstros e tudo o mais. Só que...É estranho você saber de tudo.
Nice continuou em silêncio. Ana resolveu quebrar o gelo.
- Eu acho que estamos nervosos demais — falou, por fim. — Vamos descansar.
Nice saiu de sala e seguiu até um dos quartos, que ficava no final do corredor. Minutos depois, a porta bateu com força.
Ana e Josh se entreolharam. A garota esperava que o amigo dissesse algo, mas este apenas murmurou um "Até amanhã" e saiu da sala, logo em seguida, batendo a porta de um dos quartos também.
E Ana se viu sozinha na sala de estar, pensando no que realmente estava acontecendo com aqueles dois.
Notas finais
Mandem suas opiniões dizendo o que acharam do capítulo! Vou tentar postar em breve ;)
Beijos da autora,
Livia Dias.
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