Os Filhos Proibidos
33 Capítulo 33 - Josh
Notas iniciais
– Josh! Pare com isso! — berrou o garoto, enquanto as luzes piscavam ao seu redor.
A rua antes muito bem iluminada pelas lamparinas, estava em plena escuridão. A única coisa capaz de levar alguma luz àquela viela, foi a lua cheia acima deles, que brilhava sem cessar.
Josh mantinha os olhos fixos na figura atrás do irmão mais velho, que começava a erguer as mãos coriáceas e ossudas.
Josh sentia o poder ao seu redor e o ódio que sentia por aquela figura querer atacar a ele e ao seu irmão. Embora tivesse apenas cinco anos de idade, sabia muito bem o que era bom e ruim, e com toda certeza, aquela criatura esquisita e apavorante não estava na sua lista de coisas boas.
Antes que pudesse se conter, Josh cerrou os punhos e fechou os olhos, reunindo toda a coragem que ainda possuia.
– Josh! Pare com isso! — repetiu seu irmão, mas foi inútil.
No instante em que a criatura ia colocar as unhas ao redor do pescoço do Stwart mais velho, Josh gritou e a rua explodiu em luz.
O garoto abriu os olhos com certa dificuldade. Analisou os ferimentos em seus braços e soltou um grunhido de dor.
Estava esparramado em meio a Floresta Negra, com Ana e Sophia mais adiante, aparentemente inconscientes.
Reuniu forças em seus músculos e sentiu seu corpo inteiro protestar quando finalmente levantou-se. De pé, pode perceber o estrago causado pelo "Sigam a Nice!" (por Ana Salvatore, com o apoio de Sophia Jasmine e as ameaças sob Josh Stwart).
O plano de seguir Nice tinha corrido bem... Mal. A morena fingiu por meses a fio, que não percebera a ação dos antigos amigos. Fingiu perfeitamente bem, que não percebia a perseguição que Ana, Josh e Sophia realizavam todos os dias, buscando descobrir os planos de Nicolle e de seus amiguinhos.
Entretanto, todo o esforço que Josh e as garotas fizeram foi em vão. Logo no começo de Junho, quando os gêmeos Fred e Jorge deixaram Hogwarts, desafiando Umbridge e deixando aos alunos o símbolo da rebeldia contra a ditadura da "Cara de Sapa", Nice usou sua inteligência e perspicácia contra os ex-amigos; criou uma falsa pista.
Dizendo "secretamente" aos seus colegas de equipe, que havia descoberto onde estava uma profecia chamada OFP — a tal que, de acordo com ela, Quiron e Dumbledore tinham total conhecimento -, e que iria roubá-la antes que Ana e Josh o fizessem.
Obviamente, quando Ana ouviu isso, tratou de correr até Josh e Sophia para contar-lhes a conversa urgente de Nice.
– Vamos segui-la então — propôs Sophia, confiante.
Josh já não havia gostado da ideia e teve certa razão por isso. No final das contas, tudo não passava de um truque; quando Ana, Josh e Sophia saiam de Hogwarts, no encalço de Nice e seus colegas, alcançaram a Floresta Negra, onde a Lenhart os aguardava com um sorriso no rosto.
– Isso é por não cuidarem da vida de vocês — sussurrou, erguendo a varinha e fazendo com que cordas os amarrassem firmemente. — Agora, vão aprender o mal que a curiosidade pode causar.
E sem qualquer pena, sob os olhares tranquilos de James, Brian, Karen e Silas, Nice fez uma explosão que sacudiu todo o terreno.
Fiiim!!! (só que não)
Logo que Nice e seus colegas sumiram repentinamente, e as chamas tomavam conta dos três amigos, Ana usou seus poderes para apagar o fogo, enquanto Josh arrumava um jeito de soltar as cordas.
Mas eis que Nice usou mais um de seus truques diabólicos!
Logo que a água e os raios entraram em contato com as chamas, uma nova explosão aconteceu, lançando os três para trás e destruindo completamente grande parte da floresta.
O fogo que Nice utilizara era extremamente forte, ou seja, qualquer contato de água ou raios com o mesmo, seria realmente perigoso.
Pena que Josh não sabia disso, muito menos Ana ou Sophia.
Nice era esperta e vingativa. Odiava que os outros se intrometessem nos seus "assuntos" e detestava com todas as forças o ser maluco que quisesse lhe atrapalhar.
Sempre fora assim e pelo jeito, continuaria sendo. Talvez isso fosse um sinal de que Nice não fora exatamente falsa com Ana e Josh; algumas das características típicas dela, quando a mesma se passara por boa, continuavam firmes e fortes na Nice malvadinha.
Quem diria, não é mesmo?
Sophia levantou-se, com certa dificuldade, soltando leves gemidos de dor. Suas roupas, antes impecáveis, estavam chamuscadas em vários pontos. Alguns hematomas e queimaduras percorriam grande parte do seu corpo.
– Você está bem? — perguntou Josh, preocupado.
Sophia assentiu. Ambos encararam Ana, que começava a se levantar, igualmente ferida e abalada.
– Nice... É esperta — concluiu Ana, fazendo uma careta de dor e se apoiando no ombro de Sophia. — Quem imaginaria que... Ela tinha uma segunda carta na manga.
– Imaginei que ela só fosse nos manter presos aqui — Sophia olhou ao redor, balançando a cabeça lentamente. — Como fui... Burra.
– Ingênua — corrigiu Josh, chutando um galho de árvore para longe. — Como todos nós.
– Isso significa que nosso plano foi por água abaixo — Ana riu tristemente, balançando a cabeça. — Com certeza aquela história de "Profecia OFP" era tudo mentira.
– Não sei não — Josh encarou as garotas, que franziram o cenho. — Ana, você lembra do dia em que chegamos ao Acampamento Meio-Sangue?
Ana estreitou os olhos, pensativa. Josh se lembrava exatamente da conversa que ele, Nice e Ana ouviram logo que despertaram no acampamento, sem saber nada sobre deuses, bruxos ou qualquer coisa fora do comum.
– Então, quais são as suas suspeitas, Quiron? — perguntou outra voz.
– Thalia, se for o que estou pensando, esses campistas mudarão tudo o que estamos pensando que aconteça. — disse Quiron, em tom pensativo.
– Como assim?
– Ainda não posso dizer o que penso, Percy. Não tenho certeza se é isso que irá acontecer. — disse Quiron. — Mas se as Parcas escolherem o destino que acho que elas escolheram, esses campistas serão muito importantes.
– Mas se as Parcas escolherem o destino que acho que elas escolheram, esses campistas serão muito importantes. — Disseram Ana e Josh, recordando-se da fala de Quiron. Sophia os encarou com o cenho franzido, indicando sua confusão. Entretanto, Ana e Josh haviam entendido perfeitamente.
– Existe uma profecia — Ana sorriu, vitoriosa. — Com certeza existe. Se as Parcas escolheram nosso destino...
– Então, estamos no caminho certo — Josh socou o ar, animado. Pela primeira vez em dias, sentia que algo estava dando certo. — Nice sabe mesmo sobre uma profecia, mas nos atacou para que não a seguissemos. Aposto que ela e os amigos dela não estão no castelo. Eles aproveitaram a confusão que Fred e Jorge causaram para dar no pé...
– E ir até onde a profecia OFP está — Ana suspirou, aparentemente desanimada. — Mas onde essa profecia está?
Ana e Josh se entreolharam. Certo, mais um plano começando a dar errado...
– Soph — Josh encarou a garota, que fixou seus olhos castanhos nos dele. — Onde as profecias ficam no mundo bruxo?
Um segundo depois, aquela pergunta soou completamente sem nexo para Josh; como Sophia poderia saber de algo assim?
Mas, para surpresa do garoto, Sophia deu de ombros e sorriu, como se fosse óbvio.
– No Ministério da Magia, oras — disse, encarando os amigos, que pareciam tão confusos quanto antes. — O Ministério da Magia, sabe, o lugar onde o Ministro e os "poderosos" ficam para resolverem os problemas do mundo bruxo. Sério que vocês não sabiam?
– Se soubéssemos, não teríamos te perguntado — respondeu Ana, revirando os olhos. Esboçou um pequeno sorriso. — E onde a profecia poderia estar?
– No Departamento de Mistérios, suponho — Sophia mordeu o lábio inferior. — Uma vez fui até o Ministério da Magia com meu pai e, bem, ele me disse que a sessão de Mistérios era a mais bem protegida do prédio inteiro, pois possuia segredos e coisas que ninguém, a não ser os bruxos de dentro do ministério, poderiam saber.
– Faz sentido — Josh encarou Ana. — Lembra de quando Harry teve aquele pesadelo esquisito e ficou maluquinho? — A garota assentiu. Josh prosseguiu com seu raciocinio. — Ele falou algo sobre Departamento de Mistérios. Lembro bem disso...
– Então, se Nice foi para lá — Ana encarou os amigos, em busca de apoio. — Temos de ir também.
– Mas como? — Sophia suspirou. — Não temos vassouras ou coisas assim.
Josh sorriu largamente, arrumando uma solução tão incrível quanto as que Ana e Sophia provavelmente pensavam.
– Eu tenho uma ideia — anunciou, fazendo com que olhares desconfiados das garotas pousassem nele. — Mas vocês vão ter que confiar em mim.
– Já vi que não vai dar certo — Ana riu, cruzando os braços. — Eu não confio em você, Josh.
– Muito menos eu — Sophia balançou a cabeça. — Pelo menos, não no quesito de "Soluções para Problemas".
Josh revirou os olhos, frustrado. Assobiou, ignorando completamente as indiretas de suas amigas.
Foi então que três cavalos alados, formados por nuvens negras e relampâgos, surgiram no céu, voando na direção deles.
Sophia soltou uma exclamação e se afastou, da mesma forma que Ana. Ambas estavam boquiabertas e Josh adorou aquilo; provou que aquela solução não era exatamente ruim.
Os cavalos pousaram a frente deles, relinxando e permitindo que Josh acariciasse a cabeça de cada um deles. Podia sentir a eletricidade que eles emanavam e sorriu com aquilo.
– Josh... O que são... Eles? — perguntou Sophia, insegura.
– Cavalos Alados De Zeus — respondeu Josh, tranquilo. — Ou, se você preferir, meus cavalos.
– Prefiro Cavalos Alados de Zeus — debochou Sophia, fazendo com que Josh revirasse os olhos. — Quando os encontrou?
– Já os conheço desde o verão passado — respondeu ele, dando de ombros. — São dóceis e maneiros. Como podem ver, são formados por nuvens, raios e relâmpagos, e quando voam, criam uma trilha de vento muito maneira. São mais velozes que foguetes ou ferraris...
– Tá, tá — Ana revirou os olhos. — Sua palestra sobre os cavalos pode ficar para outra hora, Josh. No momento, temos que ir até o Ministério da Magia.
– Ok — Josh suspirou, tristonho. Odiava quando cortavam seu barato. — Subam neles de uma vez. Não se preocupem com o fato de cair; eles são bem mais seguros do que qualquer outro meio de transporte.
– E se cairmos? — perguntou Sophia, ajeitando-se em seu animal.
– Bom — Josh montou seu cavalo, que relinxou, alegre. — Torça para que ele te pegue no ar.
– E se isso não acontecer? — insistiu Sophia, aflita.
– Então você vai para o Mundo Inferior mais rápido do que planejava — Josh sorriu de modo sombrio, arrancando uma gargalhada de Ana e um fuzilamento dos olhos castanhos de Sophia. — Certo pessoal, vamos lá!
Sem qualquer aviso, os cavalos sacudiram as asas e ergueram-se nas patas traseiras, ganhando impulso e cortando os céus em poucos segundos.
Josh riu ao ouvir os gritos de Sophia e Ana. Aparentemente, nenhuma das duas estava acostumada com um "Cavalo Alado de Zeus".
(...)
O Ministério da Magia era extremamente luxuoso e... Grande.
No Saguão de Entrada, havia uma riquissíma fonte onde bruxos e duendes eram retratados como bons amigos. O piso era quadriculado e ao redor, as paredes eram brancas, cobertas por quadros com gente dentro — que se mexiam, olhem só! — e lamparinas com velas que irradiavam luz suficiente para iluminar grande parte do local.
Em completo silêncio, Ana, Sophia e Josh percorreram as extenções do Ministério da Magia, passando por diversos corredores cobertos por quadros e molduras impecáveis, sem falar no mesmo piso e nas portas de mármore escuras, grandes o suficientes para darem certo arrepio caso fique diante delas, pronto para ser julgado em um daqueles tribunais assustadores.
– Eu não gosto daqui — murmurou Ana, olhando ao seu redor. Sua voz ecoou pelo corredor deserto, diversas vezes. — Parece...
– Assustador? — sugeriu Josh, com a varinha erguida. Sorriu de forma debochada, transparecendo sua segurança. Coisas aterrorizantes eram... Eletrizantes para ele.
– Ruim — Ana balançou a cabeça. — Sinto cheiro de armadilha.
– Vamos logo — Sophia se dirigiu até o elevador à frente deles. A garota apertou um dos botões com força, continuando a passar os olhos pelos dois lados do corredor. Parecia extremamente ansiosa. Apertou novamente os botões do elevador, como se estivesse prestes a morrer.
– Ei, Soph, relaxa — Josh sorriu, tentando tranquilizá-la. Apertou o botão do elevador com calma, roçando levemente no braço da morena. A encarou. — Está tudo bem. Não tem nenhum monstro ou coisa assustadora por aqui. Vamos ao Departamento de Mistérios pegar uma profecia com nome estranho. Só isso.
– Roubar, você quer dizer — corrigiu Ana, passando pelos dois e entrando no espaçoso elevador que se iluminou diante do trio.
Sophia e Josh seguiram a amiga e em seguida, o garoto apertou o botão. As portas de ferro se fecharam e uma voz feminina soou pelo local, melodiosa e clara, informando os andares e o que cada um deles possuia, à medida que o elevador descia velozmente. Este, realizava paradas desnecessárias, em andares desertos e silenciosos ao extremo.
Josh mal prestava atenção às informações dadas pela voz feminina; não gostava muito de elevadores e aquele estava deixando-o levemente enjoado.
Felizmente, longos instantes depois, Sophia o puxou pelo braço, despertando-o de seus devaneios nada agradáveis.
– É aqui — Ana já estava caminhando por um dos corredores, atenta a qualquer movimentação esquisita. — Vamos!
Josh iniciou uma série de passos, que ecoaram pelo piso impecávelmente limpo do corredor escuro.
O garoto sentia que algo não estava certo por ali.
Sophia girou a maçaneta de uma das portas, lentamente. Encarou os amigos, quando finalmente alcançaram o interior daquela sala.
– O que é isso? — Josh se viu questionando, extremamente confuso e atordoado com aquilo.
A sala era circular e tinha outras dez portas idênticas, onde os intervalos entre elas eram preenchidos por velas com chamas azuis, que refletiam no piso escuro, dando a Josh, a estranha impressão de que estava pisando em um lago negro.
– Aparentemente, temos que escolher a porta certa — Sophia respirou fundo, fechando a porta principal da sala, que os levara até ali.
Por um segundo, nada aconteceu. Entretanto, no instante seguinte a sala inteira rimbombou e entrou em movimento, girando velozmente.
Josh por pouco não caiu. Conseguiu manter-se de pé, milagrosamente, apenas fechando os olhos para não colocar as refeições daquele dia para fora de seu estômago.
A sala finalmente parou, longos minutos depois. Josh cambaleou um pouco ao dar o primeiro passo, então preferiu esperar por um tempo.
Sophia respirou e fundo e começou a analisar as portas, procurando sabe-se lá o quê.
Ana parecia ter recobrado os sentidos, pois logo fez a pergunta que Josh estava pronto para fazer.
– O que você está procurando, Soph? — questionou ela, franzindo o cenho.
No momento, Sophia havia se agachado para analisar por debaixo de uma das portas, e Josh preferiu voltar sua atenção para o outro lado, a ter de manter seus olhos nas pernas da garota.
Provavelmente Sophia o mataria caso percebesse o olhar do garoto.
– Algum sinal de que Nice passou por aqui — Sophia passou as pontas dos dedos no piso, esfregando-os contra o polegar em seguida.
– E achou alguma coisa? — Josh finalmente encarou a morena, quando esta se levantou, aparentemente indecisa.
– Não sei bem — Sophia deu de ombros. — Às vezes ela deixou algum rastro, mas a menos que eu a conhecesse bem, poderia saber. Talvez se um de vocês analisar...
Antes de terminar a frase, Ana já tomava a frente e buscava por sinais de que Nice passara por ali. Josh não entendia como a amiga encontraria pistas, sendo que a mesma não conseguia achar nem mesmo o caminho para casa.
Mas para surpresa do garoto, Ana sorriu vitoriosa, como se tivesse encontrado petróleo ou pepitas de ouro.
– Ali — Ela apontou para uma das portas, a direita de Josh.
– Como você sabe? — Josh mal conseguia ocultar sua surpresa e perplexidade.
– Simplesmente sei — Ana sorriu, orgulhosa de seu próprio feito.
– Bom, então se é assim... — Josh fez-se de pensativo. — Vamos ser cuidadosos a partir daqui. Nada de muito barulho, ou coisas que chamem a atenção. Se Nice desconfiar que estamos aqui...
– BOMBARDA MAXIMA! — gritou Sophia, apontando a varinha para a porta que Ana indicara.
BUM!
Pedaços de madeira atingiram Josh em cheio, fazendo com que o garoto caísse no piso com grande impacto.
– Soph! — repreendeu Ana, tossindo poeira enquanto levantava-se.
Josh ergueu-se também, fitando com a sobrancelha arqueada a filha de Afrodite, que deu de ombros, sorrindo brevemente.
– Ah, a Nice e o pessoal dela já sabem que estamos aqui. Que diferença faz? Quando chegamos arrebentando tudo, tem mais graça. — E dando uma piscadela para ambos, tomou a frente e adentrou a nova sala.
Josh encarou Ana.
– Sabe, acho que ela tem razão...
– Você só diz isso porque está caidinho por ela — a garota revirou os olhos, mas sorriu largamente, como se aprovasse os sentimentos do amigo em relação a Sophia.
O trio passou pela sala seguinte, que continha cérebros — Maneiro! — e por outras duas (as Salas da Morte e do Tempo), até alcançarem o Hall das Profecias.
Josh foi o primeiro a adentrar o local e logo sacou sua varinha, prevendo altas tretas. A Sala das Profecias, era da altura de uma catedral, com estantes elevadas por todo o perímetro, contendo inúmeros globos de vidro empoeirados, cuidadosamente depositados nas prateleiras.
– Vamos — sussurrou Ana, ansiosa.
O trio iniciou uma nova série de passos pela sala, correndo os olhos por todos os cantos escuros, buscando algum sinal de Nice e seus colegas soturnos.
Josh cerrou o punho que mantinha a varinha; observava seu redor com grande atenção, prevendo um feitiço ou uma explosão a cada nova distância que percorria.
– Tudo está tão quieto... — Ana mantinha a varinha erguida, igualmente atenta.
– Vamos procurar logo a tal profecia OFP... — decidiu Josh, ansioso.
Estava curioso para saber sobre o que a profecia OFP previa para Ana, Nice e ele. Sentia sua respiração falhar algumas vezes, por conta da ansiedade. Passava por entre as prateleiras, buscando qualquer sinal de um globo com as inscrições OFP ou com o seu nome inscrito.
Nada.
Procurou em outros corredores, mas em poucos instantes concluiu que uma busca tão rápida não seria de grande utilidade. Tinha de ser uma busca minusiosa e cuidadosa, portanto, eles teriam de se separar e procurar por cada prateleira ou globo, cuidadosamente.
– Não — Ana balançou a cabeça, negativamente, logo que Josh propôs a ideia. — Vamos continuar juntos. Se nos separarmos e nos perdermos...
– Isso não vai acontecer. Quero dizer... — mas Josh não pode completar seu pensamento, pois um grunhido chamou a atenção dos três.
Os olhares foram direcionados para as sombras, onde um um par de olhos amarelos brilhava de forma nada amistosa. Seus dentes estavam trincados, indicando o ódio da criatura que sentia pelos três.
– Oh-oh! — Josh deu um passo para trás, sendo seguido por Ana e Sophia.
A criatura deu um passo a frente, saindo das sombras. Era um lobo.
– O que... — começou Ana, mas outro grunhido a interrompeu. Mais lobos se aproximavam deles.
– Como eles vieram parar aqui? — questionou Sophia, de certo modo nervosa, mas já erguendo sua varinha.
– Não sei — Josh olhava para cada um dos lobos, que surgiam das sombras aos montes e os cercavam, salivando por um banquete. Eram completamente negros e possuiam marcas esquisitas no dorso, como tatuagens. — Mas pelo jeito, eles estão bem famintos.
– Vamos sair daqui — Ana respirou fundo. — Pelo menos não são largatixas... Pelo menos não são largatixas...
E repetindo isso, sacudiu a varinha e apontando para um dos lobos gritou:
– ESTUPEFAÇA!
O animal voou para trás, caindo incosciente. Josh não fazia ideia de como aquelas criaturas tinham ido parar ali, mas sentia cheiro de armação no ar.
Nice teria algo a ver com aquilo? Teria armado para atrasar o grupo?
Josh não pensou muito, pois a cada instante mais lobos surgiam. Caso bobeasse, acabaria se tornando o jantar deles.
E isso seria péssimo, com certeza.
Trincou os dentes, furioso. Com certeza tudo aquilo era plano da Nice e odiou a garota por tal coisa. Se ela pensava que conseguiria a profecia e a ouviria sozinha, ah, Nice estava muito, muito enganada.
Fale com o autor