Os Filhos Proibidos
18 Capítulo 18 - Nice
Notas iniciais
Bom, agradeço a quem comentou no capítulo anterior! Estou mais animada com essa fic do que nunca, porque a história está entrando no rumo que eu mais aguardava.
Nesse capítulo, com certeza vocês vão passar a odiar (ou amar) a Nice.
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A BATALHA DO LABIRINTO (PARTE 18)
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BOA LEITURA!!!
Ótimo. Conhecer seu querido "papai", o poderoso deus do fogo e das forjas, Hefesto. Definitivamente, aquela missão estava pior do que Nice imaginava.
Seus planos não eram ver seu pai...De novo.
Nice tinha esperanças de que eles teriam perdido a aranha, até que Tyson ouviu um fraco barulho de cliques. Eles fizeram algumas curvas, recuaram algumas vezes, e finalmente encontraram a aranha batendo a sua pequena cabeça em uma porta de metal.
A porta parecia um daqueles antigos alçapões de submarinos – oval, cheia de rebites de metal nas beiradas e uma argola como maçaneta. Onde devia estar o portal havia uma enorme placa de latão, esverdeada pelo tempo, com um eta grego inscrito no meio.
Nice encarava a porta, com uma expressão nada feliz em seu rosto. Talvez, uma expressão que chegava a ser assustadora, porque Ana a encarou, hesitante.
- Nice...Tudo bem? — perguntou.
Nice não respondeu.
– Prontos para conhecer Hefesto? – perguntou Grover, nervoso.
– Não – admitiu Percy.
– Sim! – disse Tyson feliz, e ele girou a argola.
Assim que a porta abriu, a aranha entrou rapidamente, com Tyson logo atrás. O resto deles seguiu logo atrás, não tão ansiosos.
A sala era enorme. Parecia uma oficina mecânica, com vários elevadores hidráulicos.
Alguns tinham carros, mas outros tinham as coisas mais estranhas: um hipaeléctrion de bronze sem sua cabeça de cavalo e com vários arames saindo de seu rabo de galo, um leão de metal que parecia ligado a um carregador de bateria, e uma carruagem grega feita inteiramente de chamas.
Projetos menores cobriam outras mesas bagunçadas. Ferramentas estavam penduradas ao longo da parede. Cada uma tinha seu esboço numa placa de madeira pendurada, mas nada parecia estar no lugar correto. O martelo estava no lugar da chave de fenda. O grampeador onde a serra deveria esta
Sob o elevador hidráulico mais próximo, que erguia um Toyota Corolla 98, um par de pernas se estendia – a metade de baixo de um homenzarrão em calças cinzas surradas e sapatos maiores que os de Tyson. Uma perna estava num suporte metálico. A aranha foi direto para debaixo do carro, e os sons de clique pararam.
Nice sentiu o coração acelerar e a raiva crescer em seu peito. Cerrou os punhos e tentou permanecer impassível, diante da voz do pai.
– Bem, bem – ressoou uma voz profunda vinda debaixo do Corolla. – O que temos aqui?
O mecânico empurrou o carrinho para fora e se sentou. Nice já tinha visto Hefesto uma vez antes. A visita não fora nada boa no passado.
Em sua própria oficina, ele aparentemente não ligava para sua aparência. Ele usava um macacão sujo de óleo e graxa. Hefesto estava bordado no bolso do peito. Sua perna rangia e estalava no suporte de metal enquanto ele levantava, e seu ombro esquerdo era mais baixo que o direito, então ele parecia estar inclinado mesmo quando estava ereto. Sua cabeça era deformada e torta. Era permanentemente carrancudo. Sua barba preta fumegava e chiava. De vez em quando irrompia uma chama em seu bigode e depois sumia. Suas mãos eram do tamanho de luvas de beisebol, mas ele manuseou a aranha com uma habilidade impressionante. Ele a desmontou em dois segundos e depois a remontou.
– Assim – ele balbuciou para si mesmo. – Bem melhor.
A aranha se sacudiu feliz em sua mão, lançou uma teia metálica no teto, e foi embora balançando.
Hefesto olhou ameaçadoramente para eles. Por um momento, ele fixou seus olhos em Nice, mas logo desviou.
– Eu não os fiz, fiz?
– Hum – disse Annabeth. — Senhor...
– Bom – ele se queixou. – O acabamento está péssimo.
Ele estudou Annabeth, Percy, Josh e Ana. Nice sentiu a raiva descendo por seus dedos e percorrendo seu corpo, como chamas.
– Meio-sangues – grunhiu. – Poderiam ser autômatos, claro, mas provavelmente não.
– Nós já nos vimos, senhor – disse Percy ao deus.
– Ah, já? – o deus perguntou distraidamente. Nice teve a sensação de que não fazia a mínima diferença. Hefesto só estava tentando descobrir como funcionava a mandíbula de Percy, se havia articulações, uma alavanca ou algo do gênero. Continuava o mesmo. – Bom, se eu não o esmaguei da primeira vez, provavelmente não terei que fazer isso agora.
Ele olhou para Grover e franziu as sobrancelhas.
– Sátiro. – Então ele viu Tyson e seus olhos, cintilaram. – Bem, um Ciclope. Bom, bom. O que você está fazendo viajando com esse grupo?
– Hum... – disse Tyson, olhando admirado para o deus.
– Sim, bem dito – Hefesto concordou. – Então, é bom haver uma boa razão para vocês me perturbarem. A suspensão deste Corolla não é fácil, sabe.
– Senhor – Annabeth disse hesitante – Nós estamos procurando por Dédalo. Nós pensamos...
– Dédalo? – rugiu o deus. – Vocês querem aquele velho miserável? Vocês ousam procurá-lo!
A barba dele pegou fogo e seus olhos incandesceram. Nice continuou no mesmo lugar, impassível. Entretanto, Josh recuou um passo.
– Hã, sim, senhor, por favor – disse Ana, nervosa.
– Humpf. Estão perdendo tempo. – Ele franziu a testa para algo em sua mesa de trabalho e mancou até lá. Ele pegou algumas molas e peças metálicas e as remendou. Em alguns segundos ele estava segurando um falcão de bronze e prata. Ele abriu suas asas metálicas, piscou seus olhos obsidianos e voou pela sala.
Tyson riu e aplaudiu. O pássaro pousou no ombro de Tyson e beliscou sua orelha afetuosamente.
Hefesto observou com atenção. A carranca do deus não mudou, mas Nice jurou ter visto um brilho nos olhos do deus.
– Eu sinto que você tem algo a me dizer, Ciclope.
O sorriso de Tyson desapareceu.
– S-sim, senhor. Nós encontramos um centímanos.
Hefesto assentiu, sem demonstrar surpresa.
– Briareu?
– Sim. Ele... ele estava apavorado. Ele não nos ajudou.
– E isso te incomodou.
– Sim! – a voz de Tyson vacilou. – Briareu devia ser forte! Ele é mais velho e maior que os Ciclopes. Mas ele fugiu.
Hefesto grunhiu.
– Houve um tempo em que eu admirava os Centímanos. Nos tempos da primeira guerra. Mas pessoas, monstros e até mesmo deuses mudam, meu jovem Ciclope. Você não pode confiar neles. Veja minha adorável mãe, Hera. Você a conheceu, não foi? Ela vai sorrir pra você e falar quão importante a família é, não é? Isso não a impediu de me atirar para fora do Monte Olimpo quando viu minha cara feia.
– Mas eu pensei que Zeus tivesse feito isso com você – disse Josh.
Hefesto limpou a garganta e cuspiu numa escarradeira de bronze. Ele estalou os dedos e o falcão-robô voou de volta para a mesa.
– Minha mãe gosta de contar essa versão da história – resmungou. – Isso a torna mais adorável, não torna? Jogando a culpa toda no meu pai. A verdade é que minha mãe gosta de famílias, mas um certo tipo de família. Famílias perfeitas. Ela deu uma olhada em mim e... bem, eu não sou nenhuma maravilha, sou?
Ele puxou uma pena das costas do falcão, e o autômato se desmontou completamente. Por um momento, seus olhos se fixaram em Nice, que permanecia no mesmo lugar, sem querer dizer nada. Preferia não ser notada, mas estava sendo impossível.
– Acredite em mim, jovem Ciclope – disse Hefesto – Você não pode confiar nos outros. Você só pode confiar no trabalho de suas próprias mãos. As pessoas costumam parecer diferentes do que realmente são.
Nice estreitou os olhos, sentindo a indireta. Hefesto pareceu não se importar.
Ele focou em Percy e estreitou os olhos, como se estivesse lendo meus pensamentos.
– Ah, este aqui não gosta de mim – meditou. – Sem problema, estou acostumado com isso. O que você pediria a mim, pequeno semideus?
– Nós falamos para você – disse Percy. – Temos que achar Dédalo. Há este cara, Luke, que está trabalhando para Cronos. Ele está procurando um jeito de navegar pelo labirinto para poder invadir nosso acampamento. Se nós não acharmos Dédalo antes...
– E eu já disse a você, garoto. Procurar por Dédalo é uma perda de tempo. Ele não vai ajudá-los.
– Por que não? — perguntou Ana.
Hefesto deu de ombros.
– Alguns de nós somos jogados do alto de montanhas. Alguns de nós... o jeito como aprendemos a não confiar nas pessoas é mais doloroso. Peça-me ouro. Ou uma espada chamejante. Ou um corcel mágico. Isso eu posso lhe dar facilmente. Mas um caminho até Dédalo? Este é um favor muito caro.
– Sabe onde ele está, então – Annabeth pressionou.
– Não é sensato procurar por ele, garota.
– Minha mãe diz que a procura é a essência da sabedoria — continuou Annabeth.
Hefesto apertou os olhos.
– Quem é sua mãe, afinal?
– Atena.
– Imaginei. – suspirou Hefesto. – Boa deusa, a Atena. Uma pena que ela tenha se comprometido a nunca se casar. Está bem, meio-sangue. Eu posso dizer o que vocês querem saber. Mas há um preço. Preciso que me façam um favor.
– Diga – disse Ana, ansiosa.
Hefesto realmente gargalhou – um som estrondoso como um fogo sendo alimentado. Nice sentiu que as coisas não seriam tão fáceis.
– Vocês, heróis – disse Hefesto – Sempre fazendo promessas apressadas. Que reconfortante.
Ele apertou um botão em sua bancada, e venezianas metálicas se abriram ao longo da parede. Ou era uma janela enorme ou uma TV tela grande, Nice não pude discernir.
A garota estava olhando para uma montanha cinza rodeada de florestas. Deveria ter sido um vulcão, pois saia fumaça do seu cume.
– Uma das minhas forjas – falou Hefesto. – Eu tenho muitas, mas costumava ser a minha favorita.
– É o Monte Sta. Helena – disse Grover. – Ótimas florestas em volta.
– Você já esteve lá? – perguntou Nice, falando pela primeira vez.
– Procurando por...Pã — disse Grover.
– Espere – falou Annabeth, olhando para Hefesto. – Você disse que costumava ser a sua favorita. O que aconteceu?
Hefesto coçou sua barba latente.
– Bom, é onde Tifão está preso, você sabe. Costumava ser sob o Monte Etna, mas quando nos mudamos para a América, sua força se fixou sob o Monte Sta. Helena. Excelente fonte de fogo, mas é meio perigoso. Sempre há uma chance de ele escapar. Muitas erupções esses dias, sempre ativo. Ele está inquieto com a rebelião dos Titãs.
– O que você quer que a gente faça? – perguntou Percy. – Lute contra ele?
Hefesto bufou.
– Seria suicídio. Os próprios deuses fugiam de Tifão quando ele estava livre. Não, reze para que nunca tenha que vê-lo, muito menos lutar com ele. Mas ultimamente eu tenho sentido intrusos na montanha. Alguém ou alguma coisa está usando minha forja. Quando eu vou lá, está vazia, mas posso dizer que está sendo usada. Eles percebem que estou chegando e somem. Mandei meus autômatos investigarem, mas eles não retornaram. Algo... antigo está lá. Maligno. Quero saber quem ousa invadir meu território, e se eles pretendem soltar Tifão.
– Você quer que a gente descubra quem é – falou Josh, com uma sobrancelha arqueada.
– Positivo – disse Hefesto. – Vão lá. Eles provavelmente não perceberão vocês chegando. Vocês não são deuses.
– Fico feliz por você ter notado – murmurou Percy.
– Vão e descubram o que puderem – Hefesto disse. – Relatem tudo a mim, e eu direi a vocês o que precisam saber sobre Dédalo.
– Certo – Annabeth disse. – Como chegamos lá?
Hefesto bateu palmas. A aranha desceu balançando pelas vigas. Annabeth recuou quando a aranha pousou no pé dela.
– Minha criação vai mostrar a vocês o caminho – falou o deus. – Não é muito longe pelo Labirinto. E tentem ficar vivos, ok? Humanos são muito mais frágeis que autômatos.
Eles assentiram. Mas, logo que começaram a caminhar até a porta, Hefesto os interrompeu.
- Nicolle Lenhart, preciso falar com você — disse Hefesto, sério.
Ana e Josh se entreolharam e encararam Nice, que sorriu.
- Está tudo bem — murmurou, confiante.
- Vamos — disse Annabeth, apressada. — Nice, você vai saber nos encontrar, certo?
- Com certeza! — Nice sorriu, fingindo-se feliz.
- Então, até — Ana acenou.
Eles saíram da caverna, deixando Nice e Hefesto sozinhos.
- Você sabe sobre o que eu quero falar, não sabe? — o deus se encostou no Corolla, pensativo, sem encarar Nice.
- E minha resposta continua sendo não — falou Nice, friamente.
Hefesto a encarou.
- Sua mãe...Ela mentiu para você — o deus suspirou, com tristeza. — Muitas vezes eu tentei ir atrás de você, saber sobre você. Eu tinha certeza de que sua mãe a colocaria contra mim.
Nice revirou os olhos, impaciente.
- Como se você não fosse culpado de nada — ironizou.
- Nice, o que você pretende fazer é errado — disse Hefesto.
- O que eu pretendo fazer deixou de ser errado à muito tempo — falou Nice. — Os deuses merecem isso. Você merece isso. O Olimpo precisa ser destruído.
- Nice — Hefesto balançou a cabeça, negativamente. — Você está se entregando ao ódio.
A garota gargalhou.
- E você se importa? Embora tenha sido abandonado, não se preocupa nem um pouco com seus próprios filhos.
- Deuses não devem mostrar preferência, Nicolle.
- E é por isso que eles precisam ser destruídos — Nice deu-lhe as costas. — Cronos quer construir um mundo melhor. E ao lado dele, juntando nossas forças, posso destruir aqueles que estão no meu caminho e começar com a revolução.
Suas mãos tremiam. Seus olhos estavam arregalados e havia um sorriso sádico em seus lábios.
-E depois disso? O que vai fazer? — Hefesto cruzou os braços. — Com essa revolução, os mortais serão destruídos.
Nice virou a cabeça, encarando seu pai. A raiva deixou de existir e foi substituída pelo orgulho de si mesma.
- Quem disse que eu me importo com eles? Quero que apodreçam.
A surpresa perpassou o rosto do deus, seguida pela decepção. Aquela não era Nicolle Lenhart. Aquela não era a garota bondosa que ele havia acontecido.
Nice se sentiu feliz por ter causado tal impacto. Em breve, estaria concluindo os seus e os planos de Cronos. Os titãs seriam reerguidos.
- Quando os titãs tomarem o controle do mundo — Nice tinha uma expressão vazia, imaginando a destruição e os efeitos da guerra. — Eu serei imortal.
- É isso o que estão prometendo à você? — perguntou Hefesto, sério. — Imortalidade? É isso o que lhe interessa?
Nice sorriu, com escárnio.
- Não é o que lhe interessa, "papai"? A imortalidade? O poder eterno?
- Não — Hefesto balançou a cabeça. — O que Annelize fez com você, Nice?
A garota o encarou. Chamas brilhavam em seu olhar.
- Ela me mostrou a verdade — Nice fez chamas surgirem em suas mãos. — Me mostrou o quanto os deuses são egoístas. E é por isso que eu sigo Cronos. E é por isso que estou ao lado de Luke.
- E Ana e Josh? Eles não são seus amigos? Vai trai-los? — perguntou Hefesto, mesmo sabendo a resposta.
Nice ficou em silêncio por um tempo, antes de sorrir novamente, de forma falsamente doce.
- Eles não estarão vivos para ver a revolução.
Notas finais
Se quiserem saber os dias de postagem nessa fic, deem uma olhada no perfil. Organizei os dias de postagem para quatro das minhas cinco fics, então, se quiserem conferir...
Obrigada a quem leu! Até o próximo *-*
Beijocas :D
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