Os Filhos Dos Três Grandes
2 "Meu amigo é um menino-pônei!"
Anne
Num primeiro momento, pensei que estava em um de meus sonhos malucos. Mas aquilo definitivamente não era um sonho. No meio do estacionamento dois animais cinzentos, como cavalos pousavam puxando uma carruagem dourada com duas rodas. Só que os cavalos na verdade, não eram exatamente cavalos. Eles tinham asas.
Ok. Primeiro minha inspetora se transforma em uma sei lá o que volente, e tenta me matar. Depois meu amigo se transforma em uma menino pônei, ou sei lá o que ele é. E agora cavalos voadores puxando uma carruagem de duas rodas pousam no estacionamento do shopping.
Na carruagem estava uma menina de cabelos loiros ondulados e a pele bronzeada, parecia ter mais ou menos a minha idade, talvez um ano mais velha. Ela desceu.
–Cadê a menina? –Ela disse ansiosa
Entoni olhou para mim e para a garota.
–É ela? –A menina loira falou
–Sim... –Disse Entoni sorrindo
Olhei para trás para verificar se havia alguém atrás de mim. Eles só podiam estar falando de outra pessoa. Mas não havia ninguém lá. Só eu, a menina loira e meu amigo pônei. Ou burro. Ou bode... Ou seja lá o que for.
–Estão...Estão falando de mim? –Eu perguntei –O que está acontecendo? Quem são vocês e... Eu estou sonhando não é?
–Qual é seu nome? –Perguntou a menina loira
–É... Anne.
–Oi Anne. Meu nome é Annabeth. Sei que isso deve estar sendo meio estranho...
–Meio? –Eu disse
–Ok... Muito estranho. Vamos explicar tudo, só precisa subir na carruagem. Explicarei mais no caminho. –Ela disse
–Eu não vou subir aí! Não posso! Eu nem se quer sei se isto é uma pegadinha!
Eles olharam para mim como quem diz “Estamos falando sério, suba na carruagem.”. Mas Annabeth apenas disse:
–Bom...Você pode ficar aqui e voltar para o orfanato, exposta a milhares de monstros e pessoas que querem te humilhar ou... Pode vir conosco para um lugar seguro. A escolha é sua.
Mesmo sem conhecer Annabeth direito, eu senti que deveria ir. Algo muito esquisito estava acontecendo. E Entoni era meu amigo, se ele ia eu teria de ir junto. Tudo bem que ele havia se transformado eu um... animal. Mas ainda sim era meu amigo! E além disso, eu não queria voltar para o orfanato. Tinha uma mochila com todos os meus pertences (sim, eram poucos mas eram meus), um amigo e uma carruagem com cavalos voadores. É claro que eu preferi ir na carruagem.
Subi desconfiada e me sentei. Aquilo era... Era loucura! Não podia estar realmente acontecendo! Ou eu estava sonhando, ou delirando ou era tudo uma grande pegadinha. Mas de qualquer forma achei melhor ir. Qualquer lugar seria melhor do que o orfanato. Annabeth e Entoni, se sentaram. Annabeth na frente e Entoni ao meu lado. Ela disse uma palavra estranha, parecia ser grego. Significava “Podem voar além do universo”.
Como eu sabia o que aquilo significava? Não faço a menor ideia. Os cavalos começaram a correr e a abrir as asas. Em poucos segundos, fui vendo o Shopping desaparecendo, ficando cada vez menor.
–Muito bem. Será que agora podem me explicar o que é que está acontecendo????? –Eu disse nervosa- O que me atacou naquele banheiro... O que era aquilo, e como virou aquilo? E Entoni...Cadê suas pernas? E porque esse cavalos estão voando?????
Entoni olhou para mim. Ele parecia culpado... Mas ele me devia explicações!
–Foi uma Benevolente. Ela não se transformou naquilo. É ela é aquilo. –Disse Entoni
–Ham? –Eu não estava entendo nada
–Uma Benevolente, Anne. Elas são monstros, igual aos de filmes de terror. –Disse Entoni –Mas não se preocupe... Não vou deixar ela te atacar novamente.
Aos poucos íamos deixando a cidade, só se via agora campos esverdeados, bosques escuros e nuvens que pareciam querer nos engolir.
–E porque você virou metade humano, e metade pônei? –Eu perguntei
–Béééééé!
Esse era o “som” que ele fazia quando ficava irritado.
–Bode! Eu sou um bode da cintura para baixo! Não um pônei!
–Então você é... Um animal? –Eu perguntei
–Sou um sátiro. No momento sou seu sátiro.
–Espere... Sátiro? Tipo... Os que ouvíamos falar na aula do senhor Charles?
–Sim... –Ele disse envergonhado (provavelmente por ter me enganado esse tempo todo, que era um humano)
Annabeth estava silenciosa esse tempo todo. Os olhos dela eram cinzentos, e pareciam ficar ainda mais bonitos quando batia o sol.
–E porque... O que vocês querem comigo? Pra onde estão me levando?!
–Anne... A pergunta correta é “O que eu sou?”. –Disse Annabeth, falando pela primeira vez desde que entramos na carruagem.
–O que você é? –Eu perguntei a ela.
–O que você é. –Ela disse me encarando.
Mesmo que ela soltasse a direção, os cavalos continuavam voando. Eles sabiam perfeitamente onde devíamos ir. Pelo menos eu acho que é isso... Pois no momento, não tinha mais certeza de nada que estava acontecendo.
–O que eu sou? Eu sou uma menina. De 15 anos, chamada Anne. Que morou quase a vida inteira, presa em um orfanato! Que achava que seu amigo era 100% sincero com ela!
–Certo... Mas já parou para se perguntar sobre suas origens? –Annabeth disse, parecendo ler meus pensamentos. Como ela sabia que eu estava pensando aquilo?!
–Como... Como você sabe? –Eu perguntei a ela
–Anne... Tem muitas coisas que você ainda não sabe. Em primeiro lugar: Deuses. Lembre sempre disso, quando se perguntar de onde veio. –Falou Annabeth
–Deuses? Tipo...Mitologia Grega?
–Sim. Você por exemplo é uma descendente. Dos Deuses é claro. Filha para ser mais precisa. Uma semideusa...Assim como eu.
–Uma o que?
–Uma semideusa.
–E o que seria uma semideusa? –Eu perguntei realmente confusa
–Filha de um dos deuses. Ou deusas. –Disse Annabeth – Seria minha irmã? –Ela disse me analisando
–Como assim, sua irmã????
–Hum... –Ela me analisou um pouco mais – Ela é muito bonita...Afrodite?
–Não...Até é linda, mas não tem o jeito Afrodite de ser. –Falou Entoni- E além disso...Ela é filha de um deus, Annabeth. Não de uma deusa.
–Ei, esperem aí! Como assim filha de Afrodite? Ou de um deus?
–O.k. Vou tentar te explicar... Vamos supor que os deuses do Olimpo, ainda tenham filhos com mortais... –Disse Annabeth –E imagine se você fosse fruto de um relacionamento entre um deus e uma mortal... Está entendo ou quer que eu desenhe?
–Isso eu já entendi. O que eu quero dizer é... Vocês esperam mesmo que eu acredite nisso?
–É melhor você acreditar. –Disse Entoni.
–Quanto mais rápido aceitar sua origem, melhor será... –Falou Annabeth.
Provavelmente eu estava sonhando... Aquilo não era possível... Não mesmo...
–Podem pelo menos dizer para onde vão me levar?
–Acampamento Meio-Sangue. –Falou Annabeth –Um lugar seguro para mim, você, Entoni e todos na nossa espécie.
–Acho melhor buscarmos os outros. –Falou Entoni, para Annabeth.
–Certo... Vamos busca-los. –Disse Annabeth. -Só espero que eles aceitem mais rápido que ela...
–Eles quem??? -Eu perguntei
–Você vai ver... -Disse Entoni
Fale com o autor