Notas iniciais
Desculpem a demora

Capitulo 9

Chegamos ao lago, Travis iria contar a historia de Corls, que segundo ele, era o nome da floresta. Os moradores dela não eram animais, eram seres. Seres misticos que falavam em línguas estranhas, mas que entendiamos por causa do nosso parentesco. Ele disse que ninguém conseguia entender o que eles diziam sem que tivesse um parentesco magico. Eu estava deslumbrada e ao mesmo tempo cansada de tanta magia. Será que um dia eu me acostumo? Será que eu supero essa mudança de vida que simplesmente foi surpreendentemente tragico? Mudar meu pensamento de uma hora para outra? Fazer que meu cerebro processasse aquilo? Tentar entender o fato real das coisas? Isso me deixava confusa. Não sei se estou preparada para isso. Não sei porque aceitei. Não estou preparada psicologicamente. Eu tentava ser forte na frente dos outros. Sei que precisávamos fazer aquilo. Sei que precisamos fazer isso. Eu sei que talvez não aguente, mas serei forte até o fim, alias, eu necessitava ser isso. Eu necessito ser forte.

Sentamos a beira do lago e ele falou de tudo. Dos seres baixos que ele chamava de ''projetos de gente'' e que eram maus. Pelo que eu entendi, era tipo gnomos. Tínhamos que tomar cuidado com eles. Ele também falou das armadilhas dos “seres” travessos, e que eram para proteger a floresta dos humanos e das ameaças dos seres de outro planeta ou universo.

—Espera Travis, porque eles atacariam essa floresta? -é, eu perguntei.

—Bem, — ele começou a explicar- essa floresta é magica como já sabe, mas aqui tem objetos místicos que são realmente poderosos, e quando eu digo poderosos, é poderosos mesmo. — respirou – Sem falar que aqui tem um portal para todos os lugares e para lugar nenhum. Sei que deve estar confusa, são apenas algumas horas e já está cansada de falar de tanta magia, mas acontece que o seu mundo é assim. Você pode pensar que o seu mundo é o normal. O mundo mortal. Mas na verdade é esse. Você tem que acostumar. E é para o seu bem. — com isso, ele se levantou, pediu licença, fez uma referencia e saiu. Todos estavam calados. Ninguém provavelmente não sabia o que dizer. E aquele silêncio era perturbador.

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—É gente, eu acho que já deu, vamos nos levantar.- falei já levantando. Depois de minutos em um silêncio perturbador tudo o que eu mais queria era que esse povo abrisse a boca e falassem que nem maritacas. Sei pode que parece exagerado ou desesperador, mas é que todo aquele silêncio estava me matando por dentro.

—Acho que Jen tem razão, esse silêncio tá muito perturbador, e nem preciso falar que temos que começar a missão logo, não quero morrer e nem quero que os Elementos morram, e nem mundo nenhum, agora vamos todo mundo despregar a bunda do chão e levantar- Toni disse.

Comecei a gargalhar alto com o que o Toni falou, todos a minha volta começou a me olhar e provavelmente pensaram: “quando foi que deixaram essa doida sair?”. Sim, eu estava quase chorando já, e eu comecei a tentar me controlar mas acho que não deu certo, pois todos começaram a rir também, até Ana que estava com uma cara de “to em outro mundo”, o que não deixava de ser verdade.

Todos levantaram assim que pararam de rir e começamos a caminhar.

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Duas horas depois estávamos perdidos e ainda sim continuamos a caminhar. Corls era realmente muito bonita, só que chegou em uma parte em que tudo virou cinza e preto, uma neblina muito tensa e arvores mortas. As vezes você ouvia de longe um grito de dor, angustia, cansaço. Isso estava me deixando com medo. Víamos formas ao longe se movendo, não conseguimos distinguir o que era.

—Vamos entrar aí?- perguntei com medo olhando para os meus primos.

—Creio eu que sim – Pedro disse e me olhou como se dissesse “me desculpe, eu não quero, mas devemos fazer isso. Me desculpe mais uma vez”.

—Tudo bem, preparados? — Ana perguntou com um sorriso.

—É serio isso? — perguntei

—Se é serio que vamos entrar, sim, é serio, se for outra coisa, eu não sei- Pedro disse

—Eu acho que entendi o que Jen quis dizer. É serio mesmo? — eu via pavor nos olhos do Toni, quando ele olhou novamente para o lugar assustador.

—É serio o que gente? — Pedro já estava irritado.

—É serio que a Ana está sorrindo? — eu e Toni falamos juntos.

—Boa pergunta- Pedro disse

Ana apenas revirou os olhos e disse:

—Sim, é serio, eu estou confiante, vamos logo – falou nos puxando para dentro daquele campo cinzento.

Mal colocamos um pé dentro dali e caímos em um abismo.