Os Filhos De Hades
10 BLACK, Exuberante
Notas iniciais
– Afrodite... Por que nos salvou?
– Amor... Uma história de amor — deu uma piscadela à Rose, que se virou -, mas que não convém ao caso.
–Tudo bem, pode nos ajudar na missão inteira?
–Hunf, pensei nisso antes de responder ao chamado, mas sim, só se...
– Se o quê?
– Rose, isso é com você! — E riu escandalosamente — Não é à toa que estamos num shopping!
****
Acho que preferiria ter ficado ali, com meus ex–soldados. Porque fui ter a pior ideia da minha vida, invocar Afrodite? Tudo bem, não era questão apenas da minha vida, era da vida de Nico também, mas o pedido que ela me fez... Devo ter ficado louca.
Depois de descansarmos um pouco e de ter comido um hambúrguer, a deusa grega se levantou com elegância (do tipo “eu sou uma socialite”) e fez um sinal discreto com suas mãos cheias de joias para nós nos levantarmos também. Ainda estávamos comendo, quem ela pensava que era para fazer isso, só porque era do Olimpo? Não comento mais.
Limpei minha boca e a acompanhei; saímos da praça de alimentação e entramos nos corredores de lojas, Afrodite olhava para as vitrines de maneira tão fútil que eu queria vomitar. Conclusão, salva heróis em apuros, mas fica igual a uma criancinha no shopping. Ninguém é perfeito. Então, para cortar aqueles suspiros, perguntei:
– E os nossos amigos? Estamos perdendo tempo.
– Fique calma, querida. Eu sou uma deusa, posso diminuir, até parar, o tempo para seus amigos não estranharem a demora de vocês.
– Pelo menos nos ajudará... – suspirei.
De repente, ela parou numa loja. Pediu “gentilmente” para entrarmos, meu irmão preferiu não entrar. Ele é sensato. Enfim entramos, era daquele tipo de loja com roupas descoladas, quase achei que eram vestimentas hipster. Tinha peças legais, mas a única peça em que eu e Afrodite concordamos levar foi uma blusa preta de coura, curta.
A segunda loja era mais simples, tinha roupas mais interessantes, vários shorts foram adquiridos.
Lojas de sapatos, meu amor foi coturnos de couro. A deusa me fez levar um salto alto, vou morrer tentando andar nesse troço.
“Beleza”, se você está bem consigo mesma, pra quê passar dois quilos de reboco? Tente explicar isso a Afrodite. Pelo menos os esmaltes são usáveis.
Joias... Confesso que pedras preciosas me interessam, ela pegou no meu ponto fraco. Fui feliz com dois anéis e um par de brincos.
Sim, me exaltei nessas compras forçadas, mas não é todo dia que uma deusa se oferece em usar seu cartão de créditos sem limites. Apenas aproveitei a oportunidade (uma observação: Afrodite me fez comprar produtos que seguiam seu padrão de moda, mas beleza e moda são relativas, então, não se preocupem com ela).
Fomos ao encontro de Nico, que ficou andando pelo shopping. Contei a meu irmão minhas aventuras no mundo da moda. Ele riu. E sem perceber, a deusa do amor nos tele transportou para uma sala enorme, se não tivesse visto a porta aberta para um quarto, realmente acharia que era um salão de cabelereiro.
– Bem-vindos ao meu salão particular! – Afrodite segurou minha mão e me levou até o lavatório.
E começou seus “trabalhos capilares”. Senti pena do Di Angelo, meu irmão não deveria ter se voluntariado a ir comigo. Meu pensamento se foi quando minha deusa puxou meu cabelo para secá-lo. Ela falou que algumas mechas acinzentadas combinariam com as minhas faíscas azuis. Não tive tempo para reclamar, quando vi, Afrodite já tinha começado o processo de descoloração. Não quis olhar quando me sentei na cadeira para começar o corte.
– Rose, está pronto seu cabelo! Magnífico! – Meu cabelo foi preso num rabo de cavalo simples, com as mechas cinza dando gritos.
– Hm... Obrigado, achei que seria pior.
– Tudo bem, mas agora este rostinho lindo merece ser maquiado!
Quase gritei, odeio maquiagem, porém como sempre, reclamar não seria a solução. Senti pinceis na minha pele, depois pompons e por fim senti um líquido perto dos meus cílios. Tinha acabado. Olhei estava parecendo uma coreana com aqueles traços.
Estava chegando a hora de reencontrar meus companheiros de missão e pagar minha dívida com Afrodite. Troquei-me, como a deusa me orientou. Voltei ao salão com a blusa de couro, um short de couro com cortes estranhos, um coturno e os anéis. Nico estava estupefato, devia estar esquisita. Olhei minha imagem num espelho gigante. Era eu, mas não era eu. Continuava a mesma, porém com um ar diferente, talvez como quisesse a deusa, mais romântica.
****
Primeiro, uma fumaça rosada com um perfume de flores nos envolvia. Estavam todos parados, ou melhor, congelados. Viramo-nos para Afrodite e ela, doce como só, nos mandou um beijinho. Nesse momento os corpos que estavam deitados desapareceram, nós aparecemos e Percy, Annabeth, Connor e Travis descongelaram.
Todos estavam encantados com minha nova aparência.
– Rose! Você está linda... Por que mudou? – Annabeth perguntou-me.
– É uma longa história, se vocês quiserem parar para ouvir...
– Claro, toda informação é bem vinda!
Contei tudo, desde os soldados até o salão de beleza de Afrodite. Lógico, omiti a parte que a deusa estava fazendo tudo isso em nome do amor.
Durante o tempo em que ficaram parados, não gastaram energia, ao contrário de eu e meu irmão, estávamos exaustos. Logo depois que terminamos de contar o ocorrido, praticamente desmaiamos. Acho que nossos companheiros não ligaram, pois tinham outras coisas para fazer (como você, eu também não acredito, mas o meu nível de ATP estava muito baixo e eu necessitava de algumas horas de sono).
Quando acordei, não tinha ninguém mais levantado. Olhei para minhas roupas, estavam limpas, Afrodite colocou um feitiço para minha roupa ficar impecável até ela achar que eu precisasse trocar. Fechei meus olhos por um instante, lembrei que para o sucesso da missão eu teria que cumprir minha parte no acordo. Senti braços envolvendo meu corpo. De primeiro momento, achei que fosse Nico, mas percebi que Nico só faria isso em casos extremos.
– Rose, você está exuberante. – A voz de Connor Stoll sussurrou para mim.
– Hã... ok, — fui tirando os braços de cima de mim – obrigado, mas agora temos outras prioridades, como essa missão.
A voz da deusa me advertiu, dizendo que fazia parte do nosso trato, concordei, mas não o beijaria agora. Coloquei os braços dele de volta, suspiramos e ficamos em silêncio.
Fale com o autor