Os Feitiços do Amor
3 Suspeito
Notas iniciais
O clima estava ficando mais tenso. O silencio reinava naquela majestosa sala. Seus olhos verdes se fixavam em mim, como se quisesse vasculhar minha alma, desvendar todo meu ser. Ficamos parados por alguns minutos. Segundos talvez? Não sei dizer, mas aquele momento torturante parecia nunca acabar. Minhas mãos estavam começando a gelar, além do suor que escoria. Ah, como eu queria criar asas e voar pra bem longe daquele cara.
– Olha Kurt, sou Pietro, pai de Violleta. E eu sei que você viu coisas que não deveria ter visto.
O silencio continuava. Não sabia o que fazer. Eu estava petrificado. Meus músculos não me obedeciam. Não sei o que poderia vir a acontecer, mas algo de bom com certeza não seria.
– Já que você vai ficar calado, vou logo ao ponto. Sabe, eu e Violleta viemos da Itália porque eu tinha... Uns negócios a resolver, afinal, trabalho para o governo. Pretendemos passar um longo tempo aqui, mas como estou fazendo um serviço secreto, e já que agora você sabe algo que pode... Me prejudicar, preciso dar um jeito nisso.- Ele fez uma pausa, e depois ele falou calmamente, olhando para a escada.- Violleta.
Olho para a escada gigante, e lá, parada, está Violleta. Seu cabelos estão soltos e ondulados, seus olhos verdes fixos em mim, em seus lábios, um batom vermelho que realçava sua pele branca. Ela usava um belo vestido preto, e luvas da mesma cor. Ela parecia uma princesa, a mais bela que meus olhos ja viram e minha imaginação já criou. Ela começou a descer a escada, com passos calmos, nunca tirando o olhar de mim. Quando ela se aproximou, pude sentir seu perfume doce, que me inebriou.
– Sim pai?
– Filha, ele estuda na sua sala?
– Sim.- Ela parou de me observar e olhou para o chão, mas pude ver suas bochechas corarem e um leve sorriso escapar de seu rosto.
Ficamos assim por um tempo. Pietro olhava para mim, eu olhava para Violleta e Violleta olhava para o chão, até que Pietro cortou o silencio.
– Não tenho escolha. Terei que dar um fim nisso. Ele sabe muito.- E então ele se levantou e ergueu sua mão direita em minha direção. Pude ver Violleta com uma expressão de seriedade e um pouco de tristeza, como se preocupasse comigo.
Nesse momento, meu coração acelerou, minhas mãos começaram a tremer. Dar um o jeito? Como assim "dar um jeito"? O que eu sei que é tão importante assim? Eu só vi uma coisa... Uma coisa que teleportava? Isso não poderia ser outra coisa, senão magia. Mas como? Meu avô tinha me dito que a magia desapareceu do mundo a séculos, mas que talvez, TALVEZ, tivessem sobrado pessoas na Europa que podiam... É isso! Ele veio da Itália! Mas que droga! Eles são bruxos? Magos? Feiticeiros? Eles vão dar um jeito... UM JEITO EM MIM! Vão me matar, mas eu não posso morrer agora! Cheguei tão perto de achar o Elixir... Bruscamente, senti minhas orelhas queimando, e meu estômago embrulhando. De repente, me levantei do sofá vermelho, o que assustou um pouco Pietro, por estar agora com feições de raiva e espanto.
– Você não pode dar um jeito em mim. Não agora que cheguei tão perto do Elixir!- Quando pronunciei essas palavras, Pietro perdeu suas feições e uma palidez aponderou su rosto, como se tivesse entendido. Violleta também ficou séria.
– Kurt, você é o garoto que Oliver adotou?
Momento de tensão. Como ele sabia? Ele ia me matar, com algum feitiço, talvez, e agora conhece Oliver? E agora?
– So-sou, p-porque?
– Então você é o alquimista!- Ele então deixou de estar sério e ficou feliz, eu acho.- Que ótimo! Aproposito, sinto muito por seu avô.
Eu e Violleta ficamos sem entender nada, apenas ficamos olhando para Pietro, esperando explicações. Ele então se sentou e ficou com as cabeças nas nuvens, seus olhos brilhavam, como uma criança com fome queando vê um doce bem gostoso.
– Então tudo não passou de um mal entendido! Oh Kurt, me desculpe por ter sido tão grosso, mas a situação não era das melhores. Você vai acabar entendendo tudo, mas por favor, vá para casa agora. Violleta, acompanhe-o até a porta.
Eu continuava sem entender nada, mas Violleta pareceu não se importar, andando até mim. Seu perfume ficou mais forte, o que me fez relaxar e acalmar meus ânimos.
– Vamos, Kurt?
– S-sim, claro.
Passamos pelo jardim majestoso sem pronunciar uma única palavra. Quando chegamos no portão, paramos, e Violleta olhou para mim.
– Kurt, desculpa por meu pai, eu sei que ele parece ser meio doido, mas ele no fundo é um cara legal. Não se preocupe com nada, apenas relaxe, você acabará entendendo, okay?
– Okay, então.
– Tchau, até amanha.
– Até.
Passei então pelo portão. A limosine esperava por mim. A penas entrei e fui pra casa.
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