Os Espiões

1 Os Espiões: "Cilada"


O sol estava formidável naquela manhã de domingo. O seu brilho intenso entrava pelas grandes portas de vidro e janelas cristalizadas da casa e iluminava todo o ambiente interno. Os móveis eram luxuosos, a escadaria para o segundo andar possuía degraus espelhados e um corrimão de prata. A noite anterior parecia ter sido da pesada, pois até no tapete da sala e na cozinha havia gente dormindo.

Ele sentiu quando um forte calor solar queimava o seu rosto. Christian abriu os olhos azulados vagarosamente, enquanto ainda tentava acordar melhor. Seu corpo ainda estava muito pesado, sua cabeça doía um pouco. Tentou se lembrar o que fizeram na noite anterior, mas sentiu um forte palpitar no coração quando olhou em volta.

O rapaz tinha a pele clara, cabelos pretos bem curtos e um físico definido. Ainda estava em choque, com os olhos mais que abertos, vendo a imensa quantidade de pontinhos vermelhos sobre o tapete onde estava deitado. Girou o pescoço com cautela e notou os mesmos dispositivos presos ao sofá, televisão, telefone, ao teto e em todos os demais locais da sala onde estava. Eles faziam leves sons.

— Não pode ser...

Christian apoiou suas mãos no carpete com cuidado para não encostar em nenhum daqueles objetos. Olhou bem onde colocou os pés e, poucos segundos depois, se levantou. Sem se movimentar, girou o corpo e observou que em todos os locais onde olhava, lá estavam os mesmos dispositivos vermelhos.

Ao ver a pequena cozinha, que era interligada à sala, percebeu que um amigo estava caído no chão. Por sorte, o piso amadeirado onde seu corpo estava parecia livre dos sinalizadores, mas o mesmo não podia ser dito dos armários, fogão, geladeira e micro-ondas.

— Matt! — Gritou tentando despertar o amigo. — Matt, acorda!

O outro prosseguiu inconsciente, apenas se mexendo levemente. Ele era pardo. Seu físico era como o de Christian, porém sua estatura era menor em alguns centímetros. Seus cabelos ruivos eram pequenos e ainda estavam espetados por gel. Um brinco na orelha esquerda e várias tatuagens pelo braço demonstravam que ele era um pouco mais rebelde que o amigo.

— Matthew Evelyn Wilson! — Christian tentou um último recurso. Sabia perfeitamente que o ruivo odiava ser assim chamado.

— O quê?! — O outro abriu os olhos esverdeados de repente. — Eu já pedi pra não me chamar... — Deu um tempo quando percebera o seu estado e tentou se levantar. — assim!

— Não se mexa! — Advertiu o moreno. — Fique atento à essas coisas que piscam. E não encoste nelas, não são pisca-piscas!

Matt levou um pequeno susto e continuou parado, olhando com mais cautela ao redor e vendo vários e vendo os armamentos para todos os lados fora da cozinha. Ele passou as mãos nos olhos e engoliu seco ao ver que aquilo não era um sonho.

— O que está acontecendo aqui? — Perguntou preocupado. — Essas coisas são o que eu estou pensando que são?

— E o que você pensa que são?

— O que eu acho que são!

— E o que você acha que são?

— O que minha mente fala que é!

— E o que a sua mente fala que é?

— O que eu acho que são!

— Chega! — Christian interrompeu impaciente. — Sim, são bombas! Encheram a casa de bombas! Qualquer descuido nosso e viramos torradas!

OS ESPIÕES

“Cilada”

Notas finais
DREAMCAST: Christian - Misha Collins Matt - Johnny Messner