Os Escolhidos: O Encontro
1 Capítulo 1.1: O imprevisto
Notas iniciais
Era inverno, fazia muito silêncio naquela noite, eu estava sozinha como de costume, indo em direção a aldeia, meu pai havia ido caçar pela tarde, logo após descansar do almoço. Eu sempre tive vontade de caçar, aparentava ser divertido porque papai sempre chegava com dois ou quatro lobos nas costas com o maior sorriso no rosto. Aquilo me fascinava, fazia com que eu sentisse vontade de caçar. Sempre que ele chegava eu lhe entregava um chá quente de ervas, o seu favorito era de alecrim, e logo após pedia novamente que me contasse sua história de caça. Papai sempre falava de estratégias em primeiro lugar para depois atacar, ele achava muito importante e eu sempre concordei. Ele contava tudo com um sorriso tão quente, que eu nem lembrava mais do maldito frio, ele era incrível, era meu herói, era meu pai. Isso fez com que eu também quisesse caçar, mas meu pai nunca permitia que eu fosse caçar... pois foi assim que perdemos a mamãe, e ele não queria me perder também, porém eu nunca era de ficar quieta na espera do meu pai, sabia quando ele saia, e também sabia mais ou menos quando ele voltava. A gente morava distante da aldeia, mas sempre que podia fingia uma simples visita ao tio Krovor para treinar. Ele era um amigo de infância do papai que caçava tão bem quanto o mesmo, eles eram considerados os guerreiros mais fortes da aldeia ao lado de minha falecida mãe, Eliza.
Como pode esperar o meu pai que eu seja uma simples dona de casa se me minha mãe já sacrificou a vida por essa aldeia ?! Mas querem saber uma coisa ? Eu não sou muito boa em seguir regras.
ANA
Eu estava a caminho da aldeia, para me encontrar com meu tio Krovor, estava pensando no que ele iria me ensinar hoje, estava muito animada, porém escutei um barulho incomum, diferente do vento, dos galhos se balançando e da neve caindo das árvores, era um som de um galho quebrando, e não parecia muito distante, derrubei minha cesta de alimentos de propósito para poder me agachar e pegar uma das adagas de batalha equipada em uma das minhas pernas, os passos iam se aproximando, eu estava nervosa, meu coração disparava, eu nunca havia tido uma batalha de verdade antes, e estava mal equipada. Esperei o momento certo para atacar, quando de repente, percebi que não era um inimigo, mas sim o idiota do Rafael, pronto pra ter a garganta cortada. Ele era o filho do tio Krovor.
—Você está louco ?! Eu poderia ter te matado. —Falei com o coração ainda disparado e com uma leve vontade de cortar sua garganta.
—Vai com calma princesa guerreira. —Falou ele em deboche, fazendo uma reverência e dando um leve sorriso.
—Perdão ó mero servo. —Falei entrando no jogo. Então começamos a rir, logo após aliviarmos os risos ele falou.
—Meu pai, pediu que fossemos caçar antes de chegarmos. —Falou ele de uma forma desafiadora com meu arco e flecha em mãos. Olhou pra mim, sorriu, e me entregou.
—Isso é um desafio ? —Olhei com um sorriso sarcástico e peguei meu arco e flechas.
—Só se você quiser perder.
—Veremos!
Marcamos uma estratégia antes de tudo, aproveitamos os peixes crus que haviam na minha cesta para fazer uma armadilha, Rafael seria a isca que atrairia os lobos para ela, eu estaria em cima de um pinheiro pronta pra atacar qualquer lobo que aparecesse, e defenderia as costas dele caso o mesmo precisasse. Rafael era um garoto moreno, de olhos levemente dourados, com cabelos castanhos escuros e cacheados, com uma força consideravelmente forte, ele lutava com machados, haviam dois em suas costas, ele usava uma camisa branca, que logo estava bege de tão velha, um colete de couro de urso marrom e peluda sem mangas, uma calça escura, um par de botas marrons e um par de luvas negras que só escondiam metade dos dedos, na qual ele amava, pois podia lutar com os machados mais facilmente.
Depois de resolvermos toda a nossa estratégia, colocamos o plano em ação. Subi rapidamente no pinheiro e me preparava para o ataque, enquanto o Rafael procurava por alguns lobos para serem vítimas do nosso plano. Após muito tempo esperando, ouço passos rapidamente em direção ao monte de peixes crus, preparei meu arco e apontei para o local do barulho a espera do Rafael com alguns lobos, para minha surpresa eram duas crianças aparentemente perdidas e famintas. Então gritei.
—Ei, corram ! Saiam daí ! —infelizmente elas não me obedeciam. Desci rapidamente do pinheiro para poder resgata-los, mas quando cheguei ao chão era tarde de mais, Rafael tinha chegado com mais lobos que podia imaginar. Ele olhou desesperadamente para as crianças meladas de peixe.
—O que vocês estão fazendo aqui ?! —Disse Rafael sem fôlego. —Eu não tinha preparado um plano para isso, estava ficando nervosa, não sabia o que fazer.
—Elas apareceram no meio do nada, tentei avisá-los para correrem, mas eles estão tão famintos que comeram a primeira coisa que viram, sem ao menos se importar com o perigo.
—Mas... E agora ?! —Disse Rafael correndo em minha direção, seguido pelos lobos.
—Está na hora de improvisar.
Colocamos os garotos no meio e cada um cuidou de uma ponta, confirmando se as crianças estariam seguras. Haviam mais ou menos uns 7 lobos, o que seria fácil derrotar se estivesse lá de cima, porém aqui embaixo não daria para usar meu arco e flecha ele tomaria muito tempo. Joguei-as no chão e peguei as duas adagas que haviam equipadas em cada perna. No momento desse movimento os lobos começaram a atacar.
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