Os Escolhidos - Destinos Interligados

27 Capítulo 26 - Possessão


Notas iniciais
Gente, meio que baixou algo em mim esse fim de semana e eu escrevi esse capítulo enorme inteiro, mas só consegui postar hoje. Como ando meio sem tempo, não pude revisar o capítulo inteiro ainda e muitas coisas que aconteceram também foram meio que uma surpresa para mim, então se tiver algo fora de lógica me avisem, certo? Ok. Beijos de Luz.

Ivens não era muito fã de portais e desconfiava até mesmo dos que ele fazia, mas naquele momento foi necessário. Quando o clarão de luz branca desapareceu ele se viu dentro da enfermaria.

– O que aconteceu? – indagou Christopher se aproximando.

Ivens indicou com a cabeça a garota aos seus pés, a contragosto.

– Rebecca é uma traidora. – disse se encaminhado a um dos leitos. – Ela manipulou as emoções da Ariel e usou o glamour para nos enganar. Aparentemente está do lado de Marise.

Deitou Ariel sobre a cama, com cuidado e uma garota foi logo lhe prestar auxílio. Era uma feiticeira branca de nome Savanna, boa em magia de cura.

– Cuide dela. – ele disse, embora fosse óbvio e deixou que a garota fizesse seu trabalho.

– Foi você quem fez isso? – virou-se na direção de Christopher que tinha posto Rebecca sobre um dos leitos e já cuidava de seu ferimento.

– Sim, fui obrigado. – respondeu. – Ela tinha nos prendido dentro de um glamour, feri-la foi o único modo de nos tirar de lá. Usei a tática do atirar primeiro e perguntar depois, ela estava me irritando.

– Foi um ferimento profundo e ela perdeu uma quantidade considerável de sangue. – disse o filho de Apolo. – Vai ser um pouco difícil cuidar disso e pode ser que tenhamos complicações.

– Eu quero que ela tenha o que merece. – disse Ivens se encaminhando a porta. – Quero que seja julgada pelo Conselho. Mas se por acaso ela morrer, não vou me sentir culpado.

Fechou a porta atrás de si e se recostou nela por um instante. Ainda havia perigo lá fora. Estava na hora de voltar ao jogo.

***

– Eu vou. – Isabella disse, com firmeza.

– Não, você não vai. – negou Chloe.

– Vou!

– Shannen? – chamou a ruiva. – Você pode vir aqui resolver isso?

A filha de Afrodite afastou o pequeno microfone do rosto e deu de ombros.

– Desculpe, Chloe, mas eu não uso o encantos nos meus amigos.

Ethan entendeu o que ela quis dizer. Encantos era o poder na voz dela que obrigava a pessoa atingida a fazer o que ela quisesse. Seria simples encantar uma humana como Isabella, mas os princípios de Shannen a impediam de fazer isso.

Chloe suspirou.

– Claro, desculpe. – observou o Holograma a sua frente com uma expressão preocupada. Aquele feitiço não havia sido derrubado, ao contrário da barreira de proteção. Havia concentração de energia das trevas distribuídas para todos os lados, se aproximando do centro, onde ficava a Academia.

Era preocupante. Vários grupos haviam sido enviados, mas estava sendo bem mais difícil do que deveria. Claro, provavelmente eram daimons e isso era razão suficiente para não subestimá-los, ele esperava que ninguém cometesse essa burrice.

– A academia está sendo invadida. – repetiu Shannen pelo que parecia a vigésima vez desde que ele chegara na sala de guerra. A voz dela era transmitida pelo microfone para alto-falantes distribuídos por toda a Academia, alertando a todos. – O processo de evacuação já foi iniciado. Dirijam-se todos para a área onde os portais estão sendo acionados, no salão principal. – fez uma pequena pausa. – E para aqueles que querem se juntar a nós, venham o mais rápido possível a sala de guerra, estamos distribuindo equipamento e enviando tropas a campo.

Como resultado, o entra e sai de pessoas naquela sala era em enorme quantidade. A cada momento chegavam mais pessoas querendo ajudar, ou aquelas que procuravam apenas saber o que estava acontecendo com mais detalhes.

Ethan apertou o celular em seu punho. Ele já havia ligado para a mãe e ela – junto com alguns outros membros do conselho e os professores. –, estava no salão principal, cuidando da criação dos portais e garantindo que os alunos partissem de maneira segura.

– Deixe a garota ir, eu cuido dela. – Poseidon disse calmamente. Ele estava recostado em uma parede, com os braços cruzados e mantinha-se aparentemente controlado demais. Ethan tinha até mesmo esquecido que ele estava ali. – E eu tenho certeza que o pirralho ali fará o mesmo.

Ethan olhou ultrajado para o deus dos mares. Ele não era um pirralho, já tinha dezoito anos!

– Ainda assim… – Chloe parecia indecisa. – A Rennata não vai gostar disso, você sabe.

– Rennata está muito ocupada agora, ela não tem do que reclamar. – retrucou ele. – Agora, que tal brincarmos um pouquinho de possessão?

– O que? – perguntou Isabella.

– Nós, deuses, não podemos nos introduzir tão diretamente em lutas que não são realmente nossas, querida. – explicou o deus. – Mas eu quero ajudar. E você vai me ajudar nisso. – Isabella assentiu, mas Ethan não estava entendendo muito bem aquilo. Chloe parecia ter compreendido, pois seus olhos tinham se arregalado de imediato.

– Isso é sério? – indagou a ruiva.

– Eu não brinco. – disse Poseidon e então estendeu a mão, convidando Isabella a se aproximar. – Venha aqui, querida.

Isabella pôs a mão sobre a dele sem hesitar e Poseidon disse:

– Espero que seja uma transição calminha para nós dois.

Em seguida piscou e desapareceu num flash de luz azul. Isabella respirou profundamente e se esticou toda, como uma felina. Os olhos dela, Ethan percebeu, tinham mudado de cor, assumindo um tom de verde-mar.

– Bem, isso é um pouco estranho. – ela disse. – Sem querer ofender você.

Ethan ergueu as sobrancelhas, confuso e ela sorriu para ele tocando na cabeça com o dedo indicador.

– Estou falando com Poseidon, não se preocupe, não fiquei maluca.

– Quer dizer que ele…

– Ai, bobinho, ele falou sobre possessão. Será que você nunca viu um filme de terror?

Ethan manteve-se em silêncio. Ele nunca tinha visto algo como aquilo. Era tão estranho quanto o fato de um deus querer ajudar.

– Oh, ele está com um pouco de pressa, então será que poderíamos ir?

Então ele sorriu. Mesmo que fosse Poseidon que estivesse dando as ordens, aquela ousadia era toda de Isabella e ele aprendeu a apreciar isso com o passar dos dias.

– Claro. Mas antes temos que escolher as armas perfeitas para você, garota.

***

– Eles pegaram minha irmã. – dizia Lindsay com uma certa nota de raiva na voz. – Pegaram a Rebecca.

Marise fez seu máximo para não revirar os olhos. Ela não se importava com aquilo. Rebecca era apenas uma semideusa, uma peça em seu jogo de poder e se não tivesse sido útil por um tempo, a própria Marise a teria matado.

Lindsay ainda era útil, por isso ainda estava viva. A outra irmã dela também, Audrey, que deveria estar em algum lugar naquela floresta, ajudando os daimons.

– Vá atrás deles. – Selena disse simplesmente. – Se ela é tão importante para você, vingue-se e traga-a de volta.

– Está brincando? Levaram-na para a Academia, alguns membros do Conselho estão lá, eu não duraria muito.

– Então fique aqui e mantenha os daimons sob controle – Marise disse. – Eu vou para a Academia. Tenho assuntos pendentes com o Conselho.

– Foi um pedido dele que você fosse até lá? – indagou Selena.

– Sim, mas eu iria de qualquer forma. Enquanto isso você…

– Eu já disse, Marise, vou me divertir. Faz um bom tempo que não tenho uma luta digna, estou ficando enferrujada.

Marise riu.

– É claro, vá.

Selena pegou as duas adagas na bainha de coxa e deu um breve aceno antes de desaparecer floresta a dentro.

– Agora é a minha vez. – Marise disse a si mesma e preparou-se para abrir o portal.

***

Raiva estava se tornando um sentimento mais comum a Rennata do que ela gostaria e achava recomendável.

E medo. Por Isabella, que com sua teimosia nunca a ouviria caso mandasse que ela partisse dali. Por Aaron que fora levado e supostamente ninguém sabia onde se encontrava. Por Thomas, que ela amava, mas com quem não podia dividir o que sabia. Por Ariel. Ivens. Chloe. Shannen. Michael. Christopher. Por todos a quem ela se apegara e mesmo por aqueles que ela não conhecia muito bem. Até mesmo por Selena, que sem querer ajudara a causar tudo aquilo.

Ela se sentia sobrecarregada, como se estivesse segurando o mundo nas costas e não sem motivo. Eles eram os escolhidos – Aaron, Selena e Rennata. –, mas apenas ela, uma simples humana, não tão simples assim na verdade, estava sendo responsável por tudo. Selena confiara nela cegamente, mas ela não chegava a acreditar que merecia tal confiança, embora fosse forçada a acreditar, caso contrário, tudo daria errado. E mesmo ela, não admitiria um erro daquela proporção.

Deixava o futuro nas mãos do Destino, mas para que o plano de Selena desse certo, ela era a peça principal a fazer um movimento decisivo.

E odiava isso. Odiava com todas as forças. Porque não sabia o que Thomas faria em relação aquilo. Porque mesmo Selena admitira que era algo arriscado. E pelo ato em si. Selena era sua presa e tudo que precisava fazer era “abatê-la”.

– Será que você poderia me explicar tudo isso? – Rennata se encolheu um pouco ao ouvir Thomas falar tão subitamente e com o tom de voz tão carregado de…

Raiva. Mais uma vez.

Ele está sofrendo por isso, sua insensível!, censurou-se. Ele tem o direito de estar assim.

Mas ela preferia ter que fazer aquilo sozinha. E ainda assim, agradecia pela presença dele.

– Selena me pediu um favor. – ela disse baixinho. – Estou apenas realizando um desejo.

– E quem é você, a fada madrinha? – indagou ele com sarcasmo elevado. – Eu quero uma resposta concreta, não algo tão vago. Pelos deuses! Estamos andando sem rumo por essa floresta, como você pode saber que esse é o caminho certo?

Seria mais fácil se ele tivesse ignorado ela desde o começo, assim ela não teria se apaixonado por ele e não teria se magoado pelo que ele disse.

Parou virando-se e ambos ficaram cara a cara. Rennata levou uma mão ao rosto dele, atraindo-o para perto e se elevou nas pontas dos pés para beijá-lo suavemente.

– Thommy, confie em mim. É tudo que eu peço. Estou lhe dando o que posso no momento, porque Selena quis assim. Por favor, respeite o desejo de sua irmã. Antes eu estava apenas procurando a energia dela, que reapareceu faz pouco tempo e agora que a encontrei, estou apenas seguindo o rastro. Sage, Selena e eu temos uma ligação e estou apostando todas as minhas fichas nela. – e então voltou a repetir. – Confie em mim.

Thomas segurou seu pulso, agora mais calmo, mesmo que não tanto quanto deveria.

– Eu confio. – ele disse seriamente. – Mas quando tudo isso acabar, eu quero minha namorada de volta. Você não é a Rennata que eu conheci.

Ele a largou e virando-se ela piscou os olhos algumas vezes, tentando manter a compostura.

– Eu sei. – sua voz era quase um sussurro. – E sinto muito, mas não posso garantir de que aquela Rennata voltara sem sequelas. Ela foi machucada demais pelo peso dos segredos que teve de suportar. E pelas palavras que não queria ouvir. Mas não se engane, você também mudou. Acabamos de entrar numa guerra e é isso que ela faz com as pessoas.

Endireitou os ombros respirando fundo e pôs-se a andar pé ante pé dentro da floresta, seguindo o caminho que ela acreditava que fosse levá-la até Selena.

Eu sei que você está aí. Sinto você. E vou encontrá-la.

***

Corra!

No instante em que Isabella ouviu a voz de Poseidon dizer isso em sua cabeça ela pensou algo como “Só pode ser brincadeira!” ao que ele respondeu “Não é não.”

Bem, aquilo não era realmente o que ela esperava ouvir naquele momento, muito menos com tanta sinceridade.

Eles tinham encontrado os daimons com facilidade, logo após se armarem devidamente e passarem por um portal. Um portal que por acaso os puseram no meio de um grupinho de monstros. Sim, monstros. Pelo que Isabella ouvira falar, daimons possuíam um forte glamour que os fazia parecerem humanos aos olhos dos mortais. Mas o que ela viu foram dentes serrilhados, peles brancas demais que deixavam a mostra veias negras em qualquer lugar onde a vista enxergasse, olhos completamente negros como o de demônios de alguns filmes que ela já assistira e garras. Garras bem feias. Aquilo não parecia humano de jeito nenhum. Não era nada bonito.

Isso é um efeito colateral de se hospedar um deus, Poseidon tinha explicado. Você acaba vendo mais do que gostaria.

Mas ela não tinha achado tão ruim logo após o susto inicial. Ela estava ali para matá-los e era bem mais fácil de fazê-lo quando eles não pareciam humanos. E claro, ela só poderia matá-los se parasse de correr como uma louca.

Não posso usar todos os meus poderes estando em posse de um corpo tão frágil quanto o seu, quero tornar isso o mais fácil possível para você suportar. Procure um lago, córrego, qualquer coisa.

– Tá legal. – disse em voz alta e começou a correr. O diálogo tinha ocorrido dentro de poucos segundos em sua cabeça e ela mal tivera tempo de ver Ethan começar a lutar quando resolveu seguir a ordem do deus.

Ouvia os daimons – ao menos alguns deles. – logo atrás dela, mas sentia uma estranha calma. Talvez fosse a pistola que ela apertava tão firmemente que lhe passava essa sensação, mas ela desconfiava que era apenas a confiança de que tudo daria certo.

O que você pensa que está fazendo?!

Tudo bem, essa voz não era de Poseidon, era de Ethan e ela tentou não surtar. Ele nunca tinha feito aquilo.

O garoto é meio feiticeiro e tem dom para telepatia, explicou Poseidon. Não é grande coisa. Será que você pode respondê-lo em vez de deixá-lo no vácuo?

Isabella bufou, pela primeira vez entendendo o que Rennata dizia as vezes sobre o deus dos mares ser irritante.

Estendeu a mão diante de si, abrindo caminho entre a vegetação e percebeu que os daimons se aproximavam cada vez mais. Com sede de morte.

Como vou conseguir cuidar de você desse jeito, Bella?!, insistiu Ethan. Não era sempre que ele a chamava assim e ela gostava daquilo.

Sei lá, só estou cumprindo ordens!, explicou sabendo que devido aos poderes de Poseidon Ethan receberia de volta aqueles pensamentos.

A velocidade dos daimons era sobre-humana, mas ela não poderia dizer que estava correndo normalmente naquele momento. Ela nunca tinha corrido tão rápido em toda a vida, nem mesmo quando disputava com Rennata quem seria a primeira a tomar banho pela manhã.

Abaixe!

Isabella se jogou no chão e se virou de costas a tempo de ver uma bola de fogo cruzar o ar acima da sua cabeça. Ela teria sido acertada em cheio se não fosse o aviso do deus na sua cabeça.

Francamente, um daimon elementar do fogo! Você é apenas azarada ou o quê?

Erguendo-se na posição sentada, Isabella mirou e apertou o gatilho. O primeiro tiro acertou o daimon mais próximo no lugar onde ficaria o estômago e o segundo foi bem no peito. Ele desabou logo depois, mas quase instantaneamente outro tomou seu lugar.

Sentiu uma pressão estranha nos braços a puxando para o chão e ao olhar para eles viu uma espécie de planta se enrolando ao redor de seus braços.

Essa é uma variação de poder de um elementar da terra.

– Obrigada pela informação inútil! Você não iria me ajudar?

No mesmo instante as plantas começaram a congelar e com uma força que ela sabia que não tinha, Isabella conseguiu se levantar novamente, as plantas virando pequenos fragmentos de gelo. O daimon avançou e ela rapidamente jogou uma mão a frente do corpo, que logo passou a formigar e ficar com uma sensação gelada. Isabella arregalou os olhos quando viu a rajada de gelo acertar o daimon em cheio, jogando-o para trás. Pegou a pistola que tinha caído no chão ao seu lado e atirou. Sua mira foi perfeita e ela nunca agradeceu tanto pelas aulas de tiro em que Selena a incluíra. De repente seu corpo começou a protestar, sentindo-se cansado como se ela tivesse corrido uma maratona inteira e Isabella caiu de joelhos.

E é por isso que eu queria que tivéssemos água por perto. Manipular a umidade do ar e transformar para o estado líquido é demais para você.

Mordendo os lábios, pegou uma adaga na cintura, que Ethan insistira que ela levasse, levantou com esforço e tentou correr novamente, mas o último daimon a alcançou e ela foi empurrada para o chão. Todo seu corpo doía, arranhado em vários lugares, mas era a primeira vez na vida em que ela se sentia tão capaz. Claro, todo aquele poder não era seu, mas, ainda assim, era incrível. O monstro a virou rudemente e prendeu seus braços no chão encarando-a com seus olhos negros. Isabella podia ver as duas formas dele. Sobre e sob o glamour. Se ela não estivesse hospedando um deus, estaria vendo um garoto ruivo e bonito de olhos verdes. Teria sido uma visão bem mais agradável, mas talvez tirasse sua coragem.

O daimon apertava seus braços com muita força, mas nada mais acontecia. Porquê?

De repente lembrou da aula de autodefesa que Ethan lhe deu e do último movimento que ele queria que ela executasse. Sem hesitar dessa vez, movimentou a cabeça chocando sua testa com toda força que tinha no rosto do daimon e sentiu o nariz dele se esmigalhar. O aperto dele afrouxou um pouco e ela conseguiu se soltar, empurrando-se freneticamente para trás. Ergueu as mãos na direção dele, mas nada foi necessário, porque num rápido movimento uma lâmina cortou o pescoço do mesmo, e atravessou seu peito, sucessivamente.

– Não saia mais de perto de mim. – Ethan disse, girando a espada em uma mão.

Isabella encarou a cabeça do daimon separada do corpo no chão e assentiu sem dizer nada. Ethan se ajoelhou ao lado dela e tocou seu rosto e imediatamente uma sensação estranha, mas boa, se espalhou por seu corpo e a dor começou a retroceder.

– Sou bastante decente em fazer magia de cura. – explicou ele vendo sua testa franzida. – E você foi ótima aqui.

Tirando a parte em que eu passei a maior parte do tempo no chão, ela pensou.

– Obrigada – engoliu em seco. –, mas recebi uma ajudinha.

– Ele não poderia ter interferido se não fosse por você. – Ethan se referia a Poseidon.

Seu namorado está certo, garota. Você é corajosa.

– Ele não é meu namorado. – falou em voz alta, repreendendo-se logo em seguida.

– O que? – questionou Ethan.

– Não, nada. – tentou mudar de assunto. – Ei, Poseidon, por acaso os daimons não sugam a alma das pessoas caso olhem nos olhos delas?

Sim, mas isso não afeta os deuses, porque não temos uma alma presente e como eu e você somos um, temporariamente, cabe a mim proteger a sua.

– Oh, obrigada. Eu acho.

– Isabella, será que você poderia me atualizar sobre o que aconteceu?

Ela pegou a mão que ele oferecia e deixou que a erguesse. Pelo próximo minuto contou uma versão resumida sobre os acontecimentos após sua corrida frenética.

– Ah, e Poseidon está dizendo agora que vamos ficar cada vez mais sincronizados a medida que o tempo for se passando, então não precisa se preocupar muito.

Ele franziu a testa.

– Se tratando de você, Bella, não tem como eu não me preocupar.

Isabella inclinou a cabeça assimilando o que ele tinha dito.

– Ok. – pegou-o pela mão e se virou. – Agora vamos indo, temos mais alguns monstros de quem cuidar.

– Acho que o poder já está começando a subir à sua cabeça. – ele disse quase rindo.

Os cantos de seus lábios se inclinaram para cima.

– Que seja.

Passaram alguns poucos minutos caminhando e não tardou para que ela ouvisse a voz em sua cabeça novamente:

Continue em frente, você encontrará o lago. Seria bom se seguisse pela margem dele por um tempo.

Tá certo.

A cada poucos passos a quantidade de árvores parecia diminuir e a floresta logo se abriu dando lugar ao lago a frente deles.

Havia uma garota atirando pedrinhas dentro, fazendo-as quicar na água. Ela se virou, sorrindo e disse:

– Assim que percebi que se aproximavam decidi esperar por vocês aqui. – ela arqueou uma sobrancelha. – No entanto, demoraram mais do que eu imaginava.

Eu não a percebi, disse Poseidon. Ela tinha escondido a própria presença, não se deixe enganar.

– Selena? – Ethan deu um passo a frente, mas Isabella bloqueou seu caminho.

– Olhe nos olhos dela. – ordenou fitando os olhos negros. – Essa não é sua antiga namorada, Ethan. Ela se tornou alguém diferente agora.

– O que você…

– Tem algumas coisas que você precisa saber, ainda. Coisas que eu não podia contar. Se ela não matar a gente, juro que te digo tudo.

– Matar? – ele parecia atônito.

Selena suspirou.

– Estou entediada. – ela disse. – Decidam logo, qual dos dois quer lutar comigo primeiro? – Ethan segurou o braço de Isabella. – Ou se quiserem, podem vir os dois, eu não me importo.

Isabella puxou seu braço do aperto de Ethan e estendeu a mão no ar.

Vamos ver o que você pode fazer, Poseidon.

Gotículas de água passaram a flutuar em torno de sua mão, vindas do lago e rapidamente se juntaram em uma forma sólida. Isabella encarou a réplica de gelo da adaga que segurava em sua outra mão. Ela não parecia fria ao toque.

Deu um passo a frente e voltou a encarar Selena, que sorriu empunhando suas próprias adagas.

– Uh, acho que isso vai ser interessante. Tem algo de diferente em você. Não é apenas humana agora, é?

Isabella sorriu.

– Vamos ver. – disse e avançou.