Os Escolhidos - Destinos Interligados
23 Capítulo 22 - Segredos Revelados
Notas iniciais
– Mãe – Isabella disse ao celular impacientemente. –, eu estou bem e não, não pretendo voltar para casa.
– Mas, filha…
– Sem 'mas'. Estou feliz aqui. Com a minha irmã, caso você não lembre disso.
– É óbvio que eu lembro, não brinque comigo Isabella! – Esperanza a repreendeu.
– Não estou brincando. – respondeu no mesmo tom. – Estou decepcionada com você e com o papai. Eu sempre notei que vocês tratavam a Rennata de uma maneira diferente, mas a situação agora beira o ridículo. Vocês não ligam para ela e não perguntam sobre, além do fato de que eu sou a única que vocês querem de volta em casa. Que tipo de pais vocês são?
Esperanza suspirou.
– O tipo que querem sempre o melhor para seus filhos e o melhor para a sua irmã é ficar entre aqueles que são como ela.
– Ninguém aqui é como a Rennata, mamãe. Ela é a única humana com poderes. A única.
– Você entendeu o que eu quis dizer, filha. Rennata nunca se encaixaria completamente em nosso mundo e não deve ficar sempre reprimindo seus poderes, ou algo ruim pode acontecer. Os desastres que aconteceram ao longo dos anos são mais que provas dessa afirmação.
– A Nat está bem agora, Esperanza. Ela está no controle e eu confio nela.
– Ela está feliz?
– Bem… – hesitou. Por mas que tudo estivesse saindo do controle e o nervosismo estivesse consumindo a todos era bastante óbvio que Rennata tinha um brilho a mais nos olhos e que seu sorriso era verdadeiro em boa parte das vezes, mas Isabella não sabia como a irmã realmente se sentia por dentro. Certamente ainda devia estar bastante magoada com os pais, isso não era o tipo de coisa que se deixava de lado com tanta facilidade, ainda assim, Isabella se viu respondendo afirmativamente. – Sim.
Rennata nunca iria querer parecer fraca aos olhos de ninguém.
– Então isso é o suficiente. – Esperanza suspirou. – Preciso ir agora. Amo você.
– Também te amo, mãe. – respondeu sentindo seu coração pesar.
Nunca conseguiria fazer Esperanza mudar de ideia, no entanto, nada a impedia de continuar tentando.
Desligou e ficou encarando seu reflexo opaco na tela do celular. Estava preocupada com sua irmã e não conseguia nem ao menos imaginar o que poderia estar acontecendo no Olimpo naquele momento, embora sua mente não parasse de tentar formular hipóteses.
Precisava se distrair com algo.
Caminhou de um lado para o outro no quarto e rapidamente uma ideia lhe ocorreu. Logo que suas aulas de tiro começaram, Ethan havia lhe feito uma proposta, a qual ela negara quase que instantaneamente. Não achava que estava pronta para algo como aquilo e Rennata apoiava sua opinião, mas naquele momento, sozinha em seu quarto, ela se viu ansiosa para se livrar de toda aquela tensão e focar sua mente em alguma outra coisa. Isabella era apenas uma humana, não podia fazer muito, mas caso algo realmente acontecesse, como Rennata, Selena e Aaron acreditavam que em breve aconteceria, ela gostaria de não estar totalmente indefesa. De ser útil em algo.
Não que Ethan soubesse sobre tudo que estava acontecendo ou que iria acontecer. Por mais que eles estivessem se aproximando, ele ainda era filho de Sophie White, a feiticeira membro do Conselho em que Selena menos confiava. Ninguém que fizesse parte do Conselho deveria saber de nada, portanto Isabella não contara nada para ele. Havia o risco de que Ethan contasse algo a sua mãe. Além do mais, nada daquilo dizia respeito a ele – ao menos não por enquanto. –, então ela não via como uma grande coisa esconder o que sabia.
Sentou-se na cama determinada e logo se viu digitando furiosamente uma mensagem de texto para ele:
Isabella: Poderia vir ao meu quarto, por favor?
Sua resposta foi rápida:
Ethan: Algum problema?
Isabella: Precisamos conversar.
Ethan: Certo.
Deitou-se para trás na cama e fechou os olhos. Seu tempo de espera não foi tão longo, poucos minutos depois ela o ouviu bater na porta.
– Pode entrar! – falou se sentando.
Ethan abriu a porta e lhe olhou curiosamente.
– Você está bem?
Ela sorriu.
– Claro. Te chamei aqui porque queria dizer que aceito sua proposta. Quero que você me ensine a lutar. Isto é, se você ainda estiver interessado.
Em resposta um grande sorriso se abriu no rosto dele.
***
As emoções de Selena vinham divergindo entre entorpecimento e raiva desde que chegara ali. A partir do momento em que Poseidon disse: “… Selena é o elo”, ela passou a se sentir girando em uma espiral de pensamentos embaralhados e possibilidades. Claro, vinham tentando aparentar calma o máximo possível, mas fervia de raiva por dentro e não conseguiu se segurar por muito tempo. Não depois de Hera ter chamado Aaron de bastardo…
As palavras de Hécate – uma das duas únicas deusas a quem Selena devia o merecido respeito. – foram capazes de acalmá-la temporariamente. Ao menos até que ela disse que eles haviam sido escolhidos pelo destino para possuir o poder de matadores de deuses. Nunca havia ouvido nada parecido com aquilo e não sabia o que pensar sobre, mas de uma coisa tinha certeza: tudo que estava sendo dito ali ia em direção totalmente contrária ao que ela havia imaginado. Era informação demais para aguentar.
Todos pareciam ter prendido a respiração, mas subitamente Rennata riu, cortando o silêncio.
– Eu sou a única aqui que percebeu o quanto tudo isso é loucura? – ela perguntou com as sobrancelhas erguidas e um sorriso divertido. – Se estivéssemos em qualquer outro lugar, eu poderia ter perguntado onde é que estão as câmeras, porque isso só pode ser uma pegadinha.
– Nós não brincamos. – Zeus se pronunciou pela primeira vez e de sua voz exalava desgosto.
– Ah, jura? Porque se eu entendi bem, Hécate acabou de dizer “Matadores de deuses”, ou seja, somos uma ameaça para vocês, e que eu saiba ainda estamos vivos. – rebateu a loira, como se estivesse explicando algo para uma criança de cinco anos.
– Está presumindo que nós os eliminaríamos caso fossem uma ameaça? – Hefesto perguntou.
– Sem sombra de dúvidas. – respondeu com um doce sorriso. – Além disso, não sei se vocês, oh, grandes deuses, perceberam, mas, o Sage é um deus e vocês gênios, acabaram de chamá-lo de matador de deus. Por acaso não percebem o quanto isso é contraditório?
– Não é o caso de que seja contraditório. – disse Chloe. – Significa apenas que ele é mais poderoso do que qualquer outro deus.
– Então porquê? – perguntou Aaron. – Porque me baniram do Olimpo?
– Você não foi banido… – começou Afrodite.
– É Claro que fui! – afirmou Aaron em tom de acusação, interrompendo-a. – Esta é a morada dos deuses, mas nunca fui bem-vindo neste lugar. Fui obrigado a viver entre os humanos e nem mesmo, vocês, meus pais, pareceram se afetar minimamente com isso!
Selena pôs uma mão no braço dele tentando transmitir-lhe calma. Se alterar naquele momento não lhes serviria de nada, apesar de que ela mesma já estava alterada o suficiente.
– Eu fui o responsável por isso. – falou o imperador do mundo dos mortos. – Foi minha a proposta de mandá-lo para viver entre os humanos e devo dizer que foi um pouco difícil convencer o restante do Conselho, mas era preciso e no fim todos entenderam.
– Preciso?! – indagou Rennata com raiva. – Afastá-lo daqueles que são iguais a ele foi preciso?! Fazê-lo viver entre os humanos fingindo o tempo todo que era um deles foi preciso?! Isso é ridículo. Vocês me dão nojo.
Até mesmo Selena precisava admitir que a decisão de Hades tinha lhe despertado um certo sentimento de raiva, mas estava bastante ciente de que o deus dos mortos nunca tomava uma decisão sem que tivesse um grande propósito por trás.
– Nat – chamou Chloe. –, você não quer saber qual foi a terceira visão?
– Dane-se a terceira visão! O que eu quero é…
– Mostre-nos. – pediu Selena cortando o que Rennata diria.
Lançou-lhe um olhar pedindo-lhe calma e mesmo que Rennata estivesse claramente em seu limite, assentiu para ela.
Chloe deu alguns passos para trás e tornou a virar o espelho na direção deles. Selena tentou não demonstrar ansiedade enquanto olhava, mas mesmo após alguns segundos a névoa não ocupou a superfície espelhada e tudo que ela pode ver foi o seu reflexo, ao lado de Aaron e Rennata.
– Algum problema? – perguntou a Chloe, que balançou a cabeça dizendo que não. – Não entendo.
– É exatamente isso que eu queria lhes mostrar, princesa. – disse a filha de Apolo. – Nada mais é necessário. Eram seus rostos que apareciam na terceira visão. A esperança. A princípio os deuses não sabiam nada sobre vocês, a não ser que eram membros das três raças: Um deus, uma feiticeira e uma humana. Tampouco sabiam com exatidão o momento em que tudo teria início. Ficaram sabendo que estava próximo apenas com o nascimento de Aaron, afinal, seu poder latente era de um nível inimaginável até mesmo para um deus e ele nasceu com a marca. – seu tom mostrava cuidado, como se temesse transtorná-los. – Então você nasceu e logo depois Rennata. Cada um recebeu um deus, um dos Três Grandes, como patrono e protetor. Mesmo no mundo humano, eles estavam sempre olhando por vocês. Ao menos enquanto ainda eram crianças. Vocês eram a esperança de um mundo melhor, mas seus caminhos cheio de espinhos foram os que lhes tornaram quem são hoje. Eles não podiam eliminar de seus caminhos tudo aquilo que fosse lhes causar dor. Aqueles que não conhecem as verdadeiras dificuldades, convivem com o egoísmo, acreditam que estão acima de tudo e todos, e podem ter o coração negro. Eles estavam cientes de que havia o risco de que seus corações fossem tomados por mágoa e trevas, mas tinham que arriscar.
– Então foi por isso que me mandaram para viver no mundo humano. – Aaron disse mais calmo, se dirigindo ao seu pai. – Para que eu não me tornasse alguém egocêntrico que importasse apenas consigo mesmo e que quisesse cada vez mais poder. Resumindo: Para que eu não me espelhasse em alguns de vocês.
Rennata riu.
– Ponto para o Sage. – murmurou alto o suficiente para que todos ouvissem.
– Bem – disse Aaron para Hades. –, posso entender seus motivos, mas muitas coisas ainda precisam de uma explicação, como o fato de que nossas memórias foram roubadas várias vezes.
– Então você sabe. – disse Hermes, o deus dos ladrões.
– Você nos roubou e esperava conseguir esconder isso o tempo todo? – questionou Selena. – Nós as queremos de volta, mas antes, expliquem-nos: Porque as tiraram de nós?
– Porque Hera acreditou que fosse melhor mantê-los separados até que o encontro entre os três fosse inevitável. – falou Dioniso.
– Eu sabia que odiava essa aí. – a loira voltou a murmurar ao seu lado e apesar de tudo Selena sorriu.
– A força de vocês era grande demais para que as unissem mais cedo que o esperado. – ele prosseguiu. – O poder leva a ambição e assim voltamos ao ponto de que os escolhidos não devem ser egoístas e sim, prontos para fazer sacrifícios quando necessário.
– Quanta confiança vocês tem em nós. – sorriu Rennata sarcasticamente com uma mão sobre o peito. – Estou comovida.
– Foi apenas uma precaução sensata. – interveio Poseidon. – Além disso, confiamos em vocês. Tanto que lhe demos mais poder do que você realmente possuía.
– O quê?!
***
Rennata não pode conter sua própria exclamação. Como assim eles haviam lhe dado mais poder do que ela possuía? Ela sempre soube que era abençoada pelos deuses, mas seu patrono levava a crer que tinha muito mais por trás disso do que ela gostaria.
– O que você quis dizer com isso? – Aaron perguntou, porque até mesmo Rennata havia ficado sem palavras.
– Você, Aaron, é um deus e tem o poder de matador de deuses. Possui uma natureza de poder ilimitado, mas Rennata… – Poseidon pausou, parecendo refletir. – era a mais fraca dentre vocês três quando nasceu. Sabíamos que ela enfrentaria mais do que poderia lidar no futuro e por isso cada um de nós lhes deu dons.
– Então é por isso que ela pode usar a magia. – disse Selena. – Hécate também lhe deu poder, não foi? Eu já desconfiava, mas não estava totalmente certa disso.
– É verdade, querida. – respondeu a deusa.
– Espera aí. – falou Rennata, começando a entender tudo. – Quer dizer que eu tenho esses poderes malucos por causa de todos vocês?
– Você é a Luz de forma mais pura. – disse Atena. – Nunca pudemos negar seu poder, no entanto, ele é mais protetor do que ofensivo. Querendo ou não, Rennata, você irá lutar e a luz não poderá ser a sua única arma.
Mas ela não estava escutando.
– Quer dizer que toda essa falta de controle, as inundações dos ginásios, o incêndio no laboratório, foi tudo porque decidiram mexer com o que já não era normal? Meus pais nunca me aceitaram por causa desses poderes! – ela estava quase gritando.
– Você é uma dos escolhidos. – disse Zeus. – Uma hora ou outra teria que deixar sua vida normal para trás.
– Uma vida normal que eu nunca tive por causa de vocês! – se exaltou. – Eu sabia que tinham me dado poderes, mas não com o intuito de me transformarem em uma máquina de matar!
– Foi necessário. Você era uma peça importante no destino de todos. A única que pode controlar a Princesa das Trevas. – falou Hécate e Rennata subitamente entendeu.
– Selena é o elo que nos uni. – disse. – Nada poderia acontecer sem que ela tivesse nascido, não é?
Hécate negou.
– E nada poderia acabar sem ela. – disse Hades.
– Nat – a voz de Selena tremia. Tudo aquilo deveria estar sendo demais para ela. –, o que você está me escondendo?
A loira comprimiu os lábios. Quando falara com Selena em sua mente, ambas as versões da alma da feiticeira lhe disseram para ela não falar nada daquilo com ela quando voltasse a consciência e ela mantivera a promessa até ali. O que faria agora?
– Está na hora de você saber a verdade. – falou Hades. – Eu disse que esse momento chegaria. Conheço sua alma a muito tempo sabia?
– Você já me disse algo assim antes. – disse Selena cuidadosamente.
– E isso é porque ela é muito antiga. Você é a reencarnação de alguém importante na história. – disse o deus dos mortos e Rennata soube que mesmo que ela não falasse nada, ele diria. – Uma princesa bárbara que viveu há muitos milênios antes desse.
Rennata suspirou e fechou suas mãos em punhos.
– Porque nada com vocês deuses pode ser fácil? – Perguntou e então olhou para Aaron. – Sem ofensas, Sage. Olha, eu sei que tudo isso é muito importante e fiquei chocada quando descobri, tenho que admitir que não sabia o que fazer, mas querem saber? Chega de enrolação. – virou-se para Selena e segurou seus ombros, olhando para aqueles olhos azuis invernais, que demonstravam sua inflição. – Sel, você é a reencarnação de uma das mais poderosas feiticeiras que já existiu. A princesa Medéia. É por isso que te chamam de princesa e Dama das Trevas. É por isso que você tem tanto poder.
Selena levou uma das mãos ao peito. Seus olhos estavam arregalados e pareciam ter perdido o foco. Ela cambaleou um pouco e Aaron lhe abraçou por trás, firmando-a.
– Você sabia. – disse a Rennata, embora não lhe olhasse diretamente. – Como? E porque não me disse antes?
– Eu sabia porque você me disse. Sua alma. Medéia. – confessou e por fim a feiticeira lhe encarou, parecia confusa no entanto. Era compreensível. – E não te contei antes porque você mesma me pediu. Duas vezes. E não foi apenas um pedido, foi quase uma ordem.
– Quando isso aconteceu? – indagou Aaron, Selena parecia perdida.
– Quando nos conhecemos e eu entrei na mente dela. – Rennata deu de ombros. – Foi muito estranho. Minha primeira experiência foi em um mundo de gelo. Era praticamente uma metáfora para um dos feitiços da Selena. Um que ela criou para proteger o próprio coração de fortes emoções. Você o destruiu, Sage. Seu amor destruiu as barreiras e correntes que ela tinha criado para si mesma. Sendo assim, quando a encontrei, ela parecia feliz. Estava liberta e não havia nada que eu pudesse fazer lá. Quando tentei sair da consciência dela, acabei apenas passando para um outro nível. Aquele era um mundo de trevas, tudo estava escuro, mas eu pude ver Selena. Ela estava deitada no chão e correntes que reluziam em púrpura envolviam seu corpo. Ela me disse que havia feito aquilo consigo mesma. Que era necessário para manter parte do poder da Dama das Trevas em parte selado. Ou seja, naquele plano de consciência ela era prisioneira de si mesma. Foi quando ela me disse quem era. Devo dizer que Selena como Medéia não é nem um pouco gentil. – ressaltou.
– O que mais aconteceu? – questionou Selena.
– Você… hã, Medéia… me ensinou a projeção e pude tocar e purificar sua alma. Ambas as suas naturezas acreditavam que eu não deveria contar nada do que tinha acontecido a ninguém, mas aparentemente chegou a hora.
– Então é por isso que eu era a guardiã do grimório de Medéia e me chamavam de princesa. – afirmou Selena. – Os membros do Conselho dos Feiticeiros já sabiam?
– Sobre você ser a reencarnação de Medéia, sim. – disse Hécate. – Eles esperaram por um longo tempo para o seu renascimento e perceberam seu poder logo que nasceu. Mas não sobre o destino dos escolhidos. Vocês precisam entender que o momento de agir está próximo e a cartada final será sua, querida. Marise pretende invocar os deuses antigos e refazer a Era das Trevas. Vocês são os únicos que tem o poder de encerrar isso para sempre.
– Quer dizer que somos realmente a única esperança da terra e de todo o Olimpo? – perguntou Rennata, não gostando nenhum pouco de tudo aquilo.
– Exatamente. – disse Chloe. – Mas embora, o seu envolvimento e o de Aaron também sejam necessários, é Selena quem porá um fim a tudo.
Se aquilo foi uma tentativa de amenizar o impacto da situação, tinha sido uma tentativa falha.
– Bem – ela ergueu uma sobrancelha e tentou falar aquilo com o máximo de seriedade e sinceridade que podia. –, aparentemente estamos ferrados.
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