Os Escolhidos - Destinos Interligados
15 Capítulo 14 - Dois Lados
Notas iniciais
Neve. Neve por toda parte.
Correntes de gelo desciam de um céu congelado e uma chuva de gelar até os ossos caía, tornando a visibilidade ruim. Rennata encolheu os ombros e se abraçou, tentando não sucumbir ao frio. Um som estrondoso ribombou e ela virou-se estreitando os olhos, tentando ver o que estava acontecendo.
A sua frente agora havia um enorme muro de gelo azulado. Rachaduras surgiram e um grande bloco se desprendeu, desabando a poucos metros de onde ela estava. Virando-se na direção oposta, ela começou a correr, desviando-se das correntes azuis e olhando ao redor a procura de Selena, mas a feiticeira não parecia estar em lugar algum. Não havia sido tão difícil da vez em que ela entrara na mente de Thomas, – a não ser pela teimosia do garoto. – mas no caso de Selena, as coisas pareciam chegar a um nível extremamente novo.
Rennata parou, arfando, seu hálito formava vapor branco no ar, e ela estava começando a achar que seus pulmões estavam congelando.
Que ótimo, pensou fechando os olhos. Morrerei antes de conseguir achá-la. A mente dessa garota é como uma armadilha da morte.
– Selena, – sussurrou. – onde você está?
Alguém tocou seu ombro e ela abriu os olhos, assustada. A chuva havia cessado.
– O que você está fazendo aqui? – Selena perguntou com curiosidade.
Calor se espalhou pelo seu corpo, tornando mais fácil respirar.
– Eu… vim te ajudar.
A irmã de Thomas sorriu, os cantos de seus olhos se franzindo com o ato.
– Não preciso de ajuda. – ela disse. – Não mais. Olhe a sua volta. Minhas correntes foram quebradas, o castelo de gelo está derretendo.
Olhando ao seu redor, ela se deu conta de que estavam em uma sala de chão e paredes coloridas de um azul translúcido. Mais gelo. Grande surpresa. Duas correntes parcialmente derretidas jaziam aos pés de Selena e água gotejava do teto, formando várias poças no chão.
– Eu senti que você precisa de ajuda. – Rennata falou. – Não entendo.
– Eu tampouco. De acordo com sua marca, você é a Portadora da Luz, certo? – ela assentiu. – Afrodite me disse que a Portadora da Luz me traria conforto, mas somente o Guerreiro Divino purificará meu coração e alma. Sendo assim, você deveria fazer algo. Mas não aqui. Esse não é um reino de trevas, é apenas um castelo de gelo produzido através da magia, é uma barreira no meu coração que me impedia de sentir ou demonstrar emoções muito fortes. Aaron foi o único capaz de derrubar essa barreira em um longo tempo.
Rennata não tinha entendido nem ao menos metade do que a feiticeira havia dito, mas algo lhe chamou atenção.
– Guerreiro Divino?
– Presumo que seja Aaron, já que aparentemente estamos juntos em alguma obra maluca do destino, mas se minha suposição estiver correta, isso é muito ruim.
– O que há de ruim purificar seu coração e alma?
Selena inclinou a cabeça de lado, parecendo refletir sobre algo e então sorriu.
– O que Thomas sente por você?
– Como é?! – ela não pôde deixar de perceber o quanto seu tom soou defensivo.
Selena assentiu.
– Foi o que pensei. Creio que ele já tenha te contado sobre o que acontecerá no Sanhaim. – Rennata anuiu confirmando. – Acho que tudo começou com o feitiço que Marise pôs em mim. Tenho quase certeza de que foi um certo feitiço proibido de grimório de Medeia do qual eu era guardiã, se eu estiver certa, o único modo de me purificar seria com a morte.
Selena pausou, aparentemente esperando que Rennata chegasse a alguma conclusão e então ela entendeu.
– Oh, deuses. – sua voz saía frágil diante da sua surpresa. – Isso significa…
– Significa que talvez seja Aaron quem me mate no dia do meu aniversário.
– E você fala isso com essa calma?
– Eu disse talvez, não que tenho certeza. Além disso, não posso imaginá-lo fazendo algo ruim, pode ser que haja um motivo. – deu de ombros. – Você precisa ir agora, não há nada que possa fazer aqui, só está desperdiçando energia. E lembre-se: não fale nada disso para ninguém.
– Tudo bem. – falou inconformada. – Mas me diga algo primeiro. Ele te ama como você o ama?
Aaron havia-lhe parecido ser tão devoto a Selena, que Rennata não conseguia nem cogitar a possibilidade de que ele a matasse.
Se Thomas sequer desconfiasse de algo assim…
– É um pouco confuso. Gostamos um do outro de um modo um tanto distorcido, mas, ainda assim, verdadeiro. Não nos importamos com o nosso próprio bem-estar, mas ao pensar no que acontecerá com o outro no futuro… bem, é aí que as coisas mudam de figura. Se fosse para poupá-lo da dor, eu não me importaria de morrer agora e tenho certeza de que ele faria o mesmo por mim.
E ainda assim, há a hipótese de que ele seja aquele que te matará.
Suspirou fechando os olhos e tentou se concentrar a sair da consciência de Selena. Sentiu seu corpo ficar mais leve e abriu os olhos, recuando assustada no mesmo momento.
Seu corpo emanava uma luz tênue mas tudo a sua volta era escuridão. Vazio. Selena estava deitada no chão, com a cabeça apoiada sobre os braços e os olhos fechados. Correntes prendiam seus pulsos e tornozelos e enrolavam-se ao redor de todo seu corpo.
Antes ela parecia ter sido liberta, agora parecia uma prisioneira.
– Selena? – Rennata chamou com cautela.
Ajoelhando-se perto da garota, tocou as correntes que antes negras, reluziram com uma luz arroxeada.
– Nas as toque. – Selena disse abrindo os olhos. Do mesmo modo que no mundo de gelo eles possuíam a cor gelada habitual, neste mundo eles estavam negros, refletindo as trevas. – São enfeitiçadas, nunca se romperiam sem meu consentimento.
– Consentimento? – Rennata perguntou confusa. – Você quer ficar presa?
– É preciso. O poder da Dama das Trevas tem que ficar em parte selado. Selena não o aguentaria totalmente, agora que outras forças tentam controlá-la. Mesmo sendo uma feiticeira negra, ninguém poderia aguentar a pressão das trevas o tempo inteiro, só a estou ajudando.
– Você fala como se não fosse Selena.
– Mas eu sou. E não sou.
Aparentemente as duas Selenas tinham a habilidade de falar coisas sem sentido.
– O que quer dizer?
– Selena é a minha reencarnação. Eu e ela somos uma só.
– Então quem você é? – questionou impaciente.
– Sou uma princesa bárbara. Uma das mais poderosas feiticeiras que já existiu. Pode me chamar de Medeia.
***
Não é da minha conta. Não é da minha conta. Não é da minha conta.
Isabella tentava se convencer de que não deveria se incomodar com o que quer que Rennata estivesse fazendo naquele momento, entretanto o pensamento não lhe saía da cabeça.
Como era possível que sua irmã tivesse acabado de se encontrar com aquele garoto e ele já parecesse saber tanto sobre ela?
Isabella era uma humana normal, não fazia parte daquele mundo, mas não ousava pensar que ter ido parar ali fosse um erro. Ela não queria se arrepender. O que tinha dito a sua irmã não era mentira, ela realmente pensava na Academia como o primeiro passo para uma carreira de sucesso, mas esse não foi o fator principal para aceitar a proposta de Chloe e se tornar uma estudante. Ela tinha outros motivos. Um deles era que assim estaria sempre perto de Rennata. O outro… ela não havia suportado a traição de Bredan, seu namorado.
Sim, ela sabia que isso a tornava fraca, mas não conseguia evitar. Doeu demais e ainda doía. Sua vida perfeita havia desmoronado dentro de poucos segundos.
– Ei, Ariel! – alguém gritou e Isabella olhou para trás.
Ariel parecia especialmente ansiosa ao seu lado.
Dois garotos vinham em direção as duas. Pela reação de Ariel, Isabella pôde notar quem era o moreno. Ivens Albuquerke. Rennata já havia lhe contado sobre ele. Quanto ao outro ela não tinha a mínima pista.
Alto, loiro, de olhos azuis. Bonito. Hummm.
– Quem é a novata? – ele perguntou e ela percebeu que havia sido ele quem chamara a amiga da irmã.
Ivens permanecia calado. Tanto quanto Ariel parecia ansiosa, ele parecia nervoso.
– Essa é Isabella Fuentes. – ela disse. – Isabella, esses são Ethan e Ivens.
– Olá. – ela disse lançando-lhes um sorriso simpático, recebendo um outro de Ivens e um olhar que ela não conseguiu descifrar de Ethan. Deixando a parte diplomática de lado, virou-se para Ariel e expôs o pensamento que lhe atormentava. – Você não acha que eu deveria voltar? Estou preocupada com a Nat.
– Não precisa, aquela maluca sabe se cuidar sozinha, além disso ela está em boas mãos, não se preocupe, ela chegará a tempo.
Balançou a cabeça em assentimento ela se manteve calada durante o resto do percurso, apenas ouvindo fragmentos do que os outros três conversavam e percebendo diversas vezes olhares sobre si.
Rennata não chegou a tempo.
O auditório já estava quase lotado com mais de duzentos alunos e nada de sua irmã, ou qualquer outro com quem Isabella a havia deixado.
– Você parece nervosa. – alguém comentou, sentando-se na poltrona ao seu lado esquerdo. Ethan.
– Não estou nervosa.
– Então porque está batendo o pé desse jeito? – perguntou com um sorrisinho.
Maldita mania.
Antes que ela pudesse responder, Laura – líder interina do conselho dos feiticeiros, pelo que Isabella sabia –, começou a falar ao microfone.
– Sejam bem-vindos. – ela disse de maneira fina e polida. – Gostaria de desejar boa sorte tanto aos que retornaram, quanto aos novatos...
Ethan bufou.
– Tudo ano a mesma coisa, a única mudança é que dessa vez quem está falando é Laura.
– … esse será mais um ano cheio de desafios, mas não se preocupem, se estão aqui, é porque são capazes…
– Vamos sair daqui? – ele perguntou de repente.
– Você está louco?
– Qual é, daqui a pouco os professores vão começar a se presentar e Laura falará sobre o quadro de funcionários, o cronograma de aulas e outras coisas chatas. Você quer sair, eu quero sair, não vejo problema. Pela sua aura, posso ver que é humana, então não precisa se preocupar com o que estão dizendo aqui,
Ela baixou a cabeça e suspirou.
– Tudo bem, vamos lá.
Ethan pegou sua mão e começou a guiá-la entre as fileiras, olhando para trás ela pegou o olhar de Ariel, que estava mais a frente tentando manter uma conversa coerente com Ivens, sem parecer boba. Ela parecia preocupada.
– Você quer ir atrás daquela garota, não é? Nat? – indagou ele.
– É Rennata na verdade, ela é minha irmã.
– Você sabe o caminho?
Ela riu quando lembrou do péssimo senso de direção da irmã.
– Sei sim.
Andaram pelos corredores até a ala das meninas e Isabella não percebeu que Ethan ainda segurava sua mão até o momento em que parou em frente a porta de seu quarto.
Olhou-o constrangida e abriu a porta.
A princípio não entendeu bem a cena.
Thomas estava sentado em sua cama, dedilhando as cordas de uma guitarra com o olhar concentrado e repleto de preocupação, na outra cama estavam Selena e Rennata deitadas lado a lado com as mãos atadas, sentado ao lado de Selena estava Aaron, de costas para ela, segurando a outra mão de Selena.
– O que aconteceu com a minha irmã? – ela perguntou indo até Thomas e confrontando-o nervosamente.
– Foi escolha dela. – disse Thomas. – Não se preocupe. É apenas uma espécie de jogo mental. Ela já fez isso comigo.
– Você não parece muito seguro.
Ele parou de tocar e olhou para Isabella.
– Apenas porque não sei o que ela vai encontrar lá.
– Lá, onde?
– Na mente da minha irmã.
– A Selena está bem? – Ethan perguntou da porta.
– Sim, ela está. – Thomas respondeu.
– E se você quiser continuar vivo, não conte a ninguém o que está vendo aqui. – Aaron completou, olhando diretamente para Ethan. – Principalmente a sua mãe.
Eu poderia jurar que os olhos dele eram azuis com dourado, Isabella pensou. Porque agora estão parecendo dois discos solares?
– O que aconteceu com seus olhos? – ela perguntou.
– Eu não sei ao certo. – disse ele. – Mas vou descobrir.
***
– Medeia? Nunca ouvi falar. Pode até ser que tenha alguma lenda grega muito importante falando sobre você – Rennata disse a Medeia-primeira-encarnação-de-Selena. –, mas como não dou a miníma para isso, vou simplificar te chamando de Selena 2.
Selena/Medeia estreitou os olhos.
– Nuca ouviu falar? Francamente, você não é nem um pouco inteligente, não é mesmo? Não entendo como te admitiram na academia.
A outra Selena é muito mais legal, ela pensou.
– Olha só a minha cara de quem está ligando para qualquer coisa que você disser – Rennata sorriu falsamente. –, eu não vim aqui para ter uma conversa com nenhuma garota bipolar, então sugiro que coopere comigo.
Selena revirou os olhos.
– Que seja, você já sabe o que fazer.
Sim, mas dessa vez seria diferente ao que ela havia feito a Thomas, pois nesse caso as Trevas já faziam parte de Selena desde seu nascimento. Rennata estendeu as mãos e pegou uma das de Selena entre as suas. Como no dia em que curou Thomas, tentou limpar a sua mente de tudo que era ruim e pensar apenas em coisas boas. A luz ao redor de sua mãos se intensificou e começou a subir lentamente pelo braço da feiticeira, mas nesse momento ela sentiu uma força invisível jogá-la para trás, fazendo-a cair desajeitadamente no chão.
– Não tenho palavras para descrever o quanto isso foi decepcionante. – Selena disse.
Não tenho palavras para descrever o quanto estou feliz porque a irmã de Thomas não nasceu com sua personalidade, refletiu.
– Cala a boca, Selena 2. Não pedi sua opinião. – Sentou-se esfregando com a mão um local dolorido em sua cabeça. – Não era para isso ter acontecido, deixe-me tentar novamente.
– Meu poder está te rejeitando. Se continuar assim poderá acabar se machucando.
– Eu prometi ao Thomas que ia conseguir. Temos que achar um jeito!
A feiticeira suspirou diante de sua teimosia.
– Tem um jeito que não resultará em danos mentais, então posso dizer que é o modo mais seguro, só não posso garantir que conseguirá fazer algo assim, mesmo que seja tão simples, em seu nível atual de treinamento.
– Algo me diz que você está zombando de mim.
– Sim, estou. – foi direta.
– Cara, como suas duas personalidades podem ser tão opostas? – resmungou.
– Hum?
– Você não é nem um pouco boazinha como a outra e parece pensar que tudo aqui pode dar errado.
– Ninguém é totalmente bonzinho, ou totalmente ruim. Você viu um pouco de meus dois lados. Cometi muitos erros em minha vida anterior e consegui essa para que pudesse me redimir fazendo as coisas certas. Quanto as minhas crenças, não é que eu não confie em seu poder, mas nesse exato momento, estou lutando contra uma força ainda mais forte que a minha, então me desculpe por ser precavida e manter um pé atrás, mas não vivo em um mundo de ilusões onde tudo pode dar certo.
– Tá certo, você conseguiu me fazer ficar um pouco curiosa sobre a sua história – ela admitiu. –, mas deixando a conversa fiada de lado, o que eu devo fazer?
– Projeção. – Rennata inclinou a cabeça para o lado sem compreender. – Me imite.
Selena sentou sombre as pernas, pousou as mãos sobre as coxas e fechou os olhos. Durante esse tempo, o único som no ambiente era o dos elos de suas correntes, chocando-se uns contra os outros.
– Nós vamos meditar?
– Quanto mais tempo perder aqui, mais cansada ficará, então não perca tempo fazendo perguntas desnecessárias. – disse a feiticeira, sem abrir os olhos.
– Tudo bem.
Imitou a posição da outra e fechou os olhos.
– Livre-se de todos os pensamentos negativos e…
– Você é capaz de fazer isso? Digo, se sua magia reside nas trevas…
– Eu não preciso. – Selena interrompeu-a. – Não me compare a uma principiante. Além disso, não é porque o nome é magia negra, que você deve pensar que é algo ruim e que venha só de energia negativa. Ruins são as pessoas que a usam para fazer o mal. Como Medeia, eu já usei a magia assim, não estou disposta a cometer o mesmo erro novamente. – ela respirou fundo. – Lição número um: Livre-se de todos os pensamentos negativos. Lição número dois: Tente pensar em algo ou alguém que te deixe muito feliz.
Inexplicavelmente o rosto de um garoto surgiu em sua mente. Ele era moreno, seus cabelos eram pretos, cortados em estilo militar e ele estava vestido completamente de branco. Ele sorria. Seus olhos eram de um azul tão intenso quanto safiras e ao notar isso ela percebeu que o garoto era Thomas. Ela nunca o havia visto sorrindo tão verdadeiramente e nem vestindo roupas que não fossem escuras. Seu olhar possuía um brilho de inocência e alegria a muito tempo perdido e ele parecia vários anos mais jovem.
– Ou você já fez isso antes, ou pensou em algo realmente bom. – Selena falou impressionada e ela abriu os olhos.
A luz que antes envolvia apenas seu corpo, estava bem mais intensa agora, iluminando o ambiente ao redor e envolvendo-se também em Selena.
– O terceiro passo seria a visualização. Você deveria imaginar um ponto de luz se expandindo aos poucos, mas parece que não será necessário. Diga-me, você não é exatamente uma novata, é?
– Eu não sei. – respondeu simplesmente, pois depois de ter encontrado Selena e Aaron, Rennata achava que havia muitas coisas das quais ela deveria saber.
Alguns minutos se passaram e nesse meio tempo as duas se mantiveram em silêncio. Rennata se sentia esgotada, tanto mental quanto fisicamente.
– Me sinto bem melhor. – Selena disse e fora a primeira vez, desde que chegara naquele reino de trevas que Rennata pensou ouvir um tom gentil em sua voz. – Creio que já seja o suficiente. Obrigado, esse é apenas mais um item na lista de dívidas que tenho com você.
Ela abriu os olhos e se deparou com um par de olhos azul-gelo.
– Você voltou ao normal.
– E você é mais forte do que eu imaginava, – ela elogiou. – mas deve cortar esse fluxo de poder agora mesmo.
– E como faço isso?
– Visualização. Lembra do ponto de luz que eu falei? Pense nele diminuindo.
Ela fez como o instruído, concentrando-se, e ficou feliz, quando pouco depois, a luz entra elas diminuiu e ela estava parecendo um pouco menos com uma lâmpada fluorescente. Tudo ao seu redor ficou escuro, mas um pequeno rastro de luz persistia em ficar em sua pele e agora também na de Selena.
– Bem, fiz o máximo que pude, agora eu acho que devo voltar. – Rennata falou. – Você vai ficar bem?
Selena anuiu.
– Se o que você fez não foi o suficiente, ainda tenho minhas correntes. – ela ergueu os braços. – Mas antes de você ir, tenho um pedido a lhe fazer.
Rennata revirou os olhos.
– Deixa eu adivinhar. Não posso falar nada sobre tudo que aconteceu aqui a ninguém.
– Exatamente. Como você…
Ela fez um gesto de descaso.
– A outra Selena disse algo sobre isso.
Selena deu de ombros.
– Não custa reforçar. – ela sorriu tristemente. – Até logo, Portadora da Luz. Sinto que nos encontraremos aqui novamente muito em breve.
Rennata assentiu, pois de certa forma tinha a mesma sensação. Fechou os olhos novamente e se concentrou. Pareceu passar-se um longo tempo para que ela pudesse abri-los novamente, mas quando o fez, deu de cara com outro par de olhos azuis. Thomas.
– Quanto tempo se passou dessa vez? – ela perguntou já que da última vez que resolveu entrar na mente de alguém, havia dormido por mais de três horas seguidas.
– Você dormiu durante toda manhã, perdeu a cerimônia e todas as aulas. – ele respondeu. Estava deitado na cama ao lado olhando par ela.
– Quer dizer que só temos notícias boas, então.
Ele franziu a testa.
– Sinto muito por ter que dizer o contrário.
– O quê? Sua irmã está bem? – será que ela havia feito algo de errado a Selena?
– Sim, obrigado. Mas algo estranho aconteceu. Você precisa ter uma conversa séria com Aaron e Selena. E depois… – ele sorriu. – vamos começar seu treinamento elementar. Sala de treinamento 1: Água.
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