Os Escolhidos - Destinos Interligados

2 Capítulo 1 - Afogando-se nas trevas


Notas iniciais
E os mistérios começam.

10 de Setembro de 2010

Marise já sabia o que fazer a algum tempo.

A meses seus sonhos se repetiam.

A meses as vozes sussurravam e sussurravam incessantemente, imagens nebulosas repassavam-se como rápidos flashes de uma câmera, sem descanso, quase levando-a à loucura. Mas agora... agora tudo havia se tornado mais claro. E ainda assim... era quase impossível de acreditar.

Três pessoas.

Apenas três pessoas poderiam destruir todos seus planos. Apenas três pessoas poderiam acabar com seus sonhos.

E uma dessas três pessoas... ela ria a cada vez que pensava como o Destino poderia ser irônico as vezes.

A primeira fase de seu plano já havia sido executada com sucesso. Agora só faltavam dois.

O espelho compacto que estava encarando a uma hora reluziu por um instante e dentro de pouco tempo, o rosto de sua informante apareceu, despertando-a de seus pensamentos. Um sorriso furtivo e cruel escapou de seus lábios. Ao menos se a garota soubesse...

– Me dê uma boa notícia. – disse ansiosa.

O rosto da garota demonstrava preocupação ao dizer:

– Eu achei os registros da garota. Mas não eram bem o que nós esperávamos.

Não era o que ela queria ouvir.

– O que você achou? – tentou manter o tom de voz plano. Controlado. A paciência que teve que reunir durante as últimas horas já havia se esvaído a algum tempo.

– Estou tendo um pouco de dificuldade em tudo que tem a ver com informações sobre ela. – disse a garota. – Ela não parece residir em nenhuma das quatro propriedades principais. Tudo que achei pertence a Academia, e... parece haver algo de errado com ela. Seus registros não dizem especificamente nada... nem ao menos o que exatamente ela é...

– Esse não é o feitio da Academia. – Marise meditou.

– Não. Mas se eles decidiram manter em confidencial, não pode ser bom. – A garota falava de modo cauteloso. Quase preocupado.

Se não fosse uma atitude tão infantil, Marise poderia ter revirado os olhos. Ela entendeu a mensagem explicita no tom de voz da garota.

– Está sugerindo que eu deveria temê-la? – não que isso esteja longe da verdade. As vozes, seus mestres, nunca estiveram errados antes. Então sim. Ela deveria ter medo. Mas a parte orgulhosa que tinha dentro de si, a que não se importava minimamente em deixar reprimida, insistia que ela era melhor que isso. – Ter medo de uma garotinha? O que ela poderia ser afinal? Uma feiticeira? Uma semideusa? Se for uma feiticeira posso muito bem trazê-la para nosso lado. Nós duas sabemos como posso ser persuasiva. Mas se for uma semideusa, – suspirou falsamente. – creio que não há nada mais a fazer a não ser exterminá-la.

– Tem certeza de que precisa tomar decisões tão drásticas? – questionou a garota. Não existia uma gota de piedade ali. Era apenas mera curiosidade.

Marise riu.

– É claro que sim. Semideuses tem sangue impuro. Se ela for um deles, merece morrer.

Pouco tempo depois, Marise folheava seu grimório a procura de um feitiço de invocação, enquanto planejava o ataque. Ela já esteve naquele lugar. Muitas das pessoas ali lhe odiavam... não seria um grande sacrifício destruir cada um deles. As aulas começariam em pouco tempo. O que deixava ainda menos tempo para organizar tudo.

Hora de escolher as armas e trazer reforços.

Próxima parada, Academia Olympus.



***

Aaron viu a garota caminhar para perto dos corpos de um homem e uma mulher.

Pare, ele queria dizer. Eles já estão mortos.

Seu rosto demonstrava um misto de confusão e perplexidade, mas a medida em que ela tomou conhecimento da destruição ao seu redor, o desespero pareceu se tornar o sentimento mais latente expressado em sua face.

– Mãe. – ela chamou, quando estava perto o suficiente. – Pai.

Nenhum deles respondeu. Ela tomou o rosto de sua mãe entre as mãos.

– Mãe... por favor... – mas sua voz se esvaiu quando ela viu o que tinha acabado por ignorar em meio ao seu atordoamento.

Sangue. Sangue por toda parte.

Lágrimas começaram a se acumular em seus olhos e por fim transbordaram por sua face. A dor transmitida ali era quase insuportável.

Então ela gritou. Um grito de pura dor e sofrimento.

Ele queria lhe dizer que tudo ficaria bem, mas se deu conta de que não era verdade. Os pais dela estavam mortos, nada poderia ficar bem.

Aproximou-se dela, estendendo-lhe a mão, querendo confortá-la – seu instinto lhe dizia para fazer isso. Vê-la sofrendo deixava seu peito apertado. Por razões que ele não sabia, machucava-o também. –, mas quando estava quase a tocando ela levantou de súbito e se virou em direção a uma escadaria de mármore.

– Thomas. – ela sussurrou, e então saiu correndo escada acima.

Espere!, ele quis gritar, mais não estava mais lá, e sim em seu quarto, suando frio e arfando por ar.

Novamente o mesmo sonho. Ele vinha sonhando com essa garota a meses e era a terceira vez em cinco que esse mesmo sonho se repetia na semana. O que poderia significar?

No dia anterior ele havia tido uma extensa – e nem um pouco satisfatória – conversa com seu irmão Apolo. A única coisa que ele conseguiu foi um par de enigmas, e uma enorme dor de cabeça.

Pegou seu laptop na mesa de cabeceira e viu que tinha um novo e-mail em sua caixa de entrada. Era de sua irmã Shannen. Dizia apenas:

Sage,

Queria que você estivesse aqui.



Shannen

Abaixo, em anexo, havia uma foto dela com Alice, sua avó, Henry, seu pai, e Melissa, sua madrasta. Ao fundo estavam a casa de campo de Alice e um lago cercado por lírios.

Ela ainda estava on-line, sendo assim ele decidiu responder imediatamente, a procura de um conselho.



Shannen,

Espero que esteja se divertindo no Brasil. Já foi as praias do Rio? Garanto que você vai adorar.

Indo direto ao ponto, – nós dois sabemos que não estou enviando esse e-mail para falar dos pontos turísticos desse belo país – meu “problema” se intensificou. E com “problema”, eu não quero dizer apostar uma corrida com Cérberos no Mundo Inferior – convenhamos que não sou tolo a ponto de repetir este feito.

Continuo vendo aquela garota em meus sonhos. O que podem significar todas essas visões?

Não sei quem ela é. Não sei nem mesmo se ela é real. Mas, sou obrigado a admitir, cada vez que a vejo derramar uma lágrima, é como se um punhal me rasgasse por dentro. Como se a única coisa que importasse no mundo fosse pegá-la em meus braços e prometer que nada de ruim voltaria a acontecer –, embora saiba que seja mentira. Algo sempre acontece. O Destino está aí para brincar conosco, e somos apenas marionetes, não é? – mas, cada vez que tento chegar perto, vejo-a se afastar. Sinto-a deslizar pelos meus dedos.

O que está acontecendo comigo? Estou enlouquecendo?

Os deuses não querem me revelar absolutamente nada, nem mesmo Apolo, – sem sombra de dúvidas ele sabe de algo – deixando-me chegar a conclusão de que:

1. Estão tentando me castigar por algo que fiz. (Provável).

2. Algo importante está para acontecer. (Pelo comportamento recente dos deuses, principalmente da minha “querida” e surtada madrasta Hera – que nós sabemos, já teria cortado minha cabeça fora a tempos, se não houvesse algo realmente importante por trás do meu nascimento. – eu diria que essa opção é altamente viável.)

Mas do que nunca, eu gostaria de ter algum controle – creio que usar a palavra domínio seria um pouco irônico, perante a minha situação. – sobre minha eterna vida miserável.

Vemo-nos em breve.

Seu irmão de sangue e alma,

Aaron Sage.

Sua resposta chegou apenas alguns minutos mais tarde.

Sage,

Sim, já visitei a praia de Ipanema e no processo “persuadi” um cara a nadar nu. NÃO ME JULGE! Ele passou a tarde toda me dizendo gracinhas, então eu resolvi usar o truque clássico – tirando a parte em que eu usei os poderes que eu herdei da mamãe para convencê-lo – e levei as roupas deles para bem longe. Clichê, mas, ainda assim, clássico. Foi bem divertido no meu ponto de vista, mas vovó, Melissa e meu papai não acharam nem um pouco engraçado quando o cara quase foi preso por atentado ao pudor. Não que eu não tenha livrado a barra dele com os policiais, – privilégios de uma filha de Afrodite. – mas tenho certeza de que eles se arrependeram extremamente por terem me trazido ao Brasil.

Enfim, acho que você está certo... Hera realmente gostaria de cortar sua cabeça, ou quem sabe te transformar em algum tipo de animal, ou te usar como cobaia para testar um novo modo de tortura divina, ou talvez... Chega, eu estou divagando aqui.

Certamente deve ter algo a mais nessa história. Pelo amor dos deuses! Sendo quem você é, já deveria ter descoberto sozinho quem é essa garota a séculos!

Mas... como eu sou uma irmã boazinha, vou te dar um conselho. Entre na Academia.

Se essa garota for uma de nós você provavelmente irá encontrá-la.

Da sua irmã que te adora,

Shannen.

Aaron sorriu ao ler pela segunda vez o seu conselho. Ao menos agora ele tinha um ponto de partida.

***

Selena acordou sentindo a superfície fria pressionada em sua bochecha.

Estava deitada no chão do escritório que era de seu pai. Não possuía lembrança alguma de como tinha ido parar lá, mas de uma coisa estava certa: havia desmaiado novamente.

Isso vinha acontecendo ocasionalmente desde a morte de seus pais. A lembrança do pior dia de sua vida lhe trazia lágrimas aos olhos. Uma das pessoas em quem ela mais confiava havia lhe traído da maneira mais covarde...

… e por algum motivo lhe deixado viva. Seu irmão só estava vivo porque ela tinha chegado a tempo.

Vingança. Era por isso que seu sangue clamava. E sem surpresa alguma, a ideia nunca pareceu tão doce.

Levantou-se do chão frio apoiando-se nas paredes. Suas pernas ainda estavam um pouco fracas, mas logo ela alcançou a porta e fez seu caminho para fora. Caminhou pelos corredores com a visão ainda embaçada e logo chegou ao seu quarto.

Isso tinha que parar.

Sentou-se na cama e sua visão começou a clarear. Deixou as mãos vagarem pela colcha branca, tomando consciência do espaço ao seu redor e quase que imediatamente, a esquerda tocou em algo gelado.

Seu espelho de clarividência.

Puxando-o para seu colo, olhou para seu reflexo. A névoa negra que viu dentro de seus olhos a assustou mais que qualquer outra coisa.

– Não. – apenas um sussurro. Passou as pontas dos dedos de leve ao longo do espelho. – O que está acontecendo comigo?

Em um instante seu reflexo sumiu, sendo substituído pela imagem de um garoto. Ele poderia ser um ou dois anos mais velho que ela. Não mais do que isso. Sua cabeça estava abaixada e seus braços estavam presos a correntes que se ligavam a uma parede de pedras.

Foi então que ela percebeu que aquele lugar era um porão.

– Ela está vindo, você pode acreditar nisso? – perguntou uma voz se aproximando, mas ainda nas sombras.

Essa voz... Selena elevou uma mão até seus lábios, parando um grito que borbulhava em sua garganta.

– Ela não pôde suportar saber que você está sofrendo. – Marise caminhou para a luz e as mãos de Selena começaram a tremer. Ela apertou-as ao redor do espelho. – Tããão patético. – continuou, revirando os olhos. – Ela costumava ser mais forte do que isso.

– Cale-se. – a voz do garoto era um sussurro rouco, carregado de ódio. – Você não tem o direito...

– De que? – Questionou a feiticeira o interrompendo. Seu tom era casual demais. – De falar dela assim? Querido, acho que você esqueceu quem está no comando aqui.

Marise caminhou até um canto da sala parcialmente obscurecida, e parou em uma seção da parede que estava coberta de armas. Pegou uma adaga entalhada, voltou para perto do garoto e agarrou seus cabelos louros, trazendo seu rosto para cima.

A visão dos olhos do garoto ameaçaram deixar Selena sem fôlego. Azuis com pequenas gotas de ouro. Tão incomuns quanto os olhos de um deus.

Então a feiticeira correu a lâmina pelo rosto dele, deixando um talho profundo de sua têmpora até o queixo. Sangue dourado – sangue divino – escorreu brevemente por sua face, encerrando o fluxo quando o corte se fechou quase instantaneamente.

Marise franziu os lábios.

– Isso não é divertido. – disse dando-lhe as costas. – A partir do momento em que ela me ajudar a fazer o feitiço, estarei acima até do seu pai. Sendo assim, – depositou a faca novamente na mesa e deu de ombros. – eu obviamente serei mil vezes mais forte que você e...

– Ela não vai fazer isso. – o garoto cortou-a, seus olhos brilhando com uma raiva crua. – Não vai te ajudar, não importa o quê. Ela é melhor do que isso.

– Ela é fraca. Movida por emoções. Você não a conhece.

– EU A AMO! – ele gritou, e essas três palavras foram ditas com tanta emoção que Selena sentiu lágrimas chegarem aos seus olhos, mesmo sem conhecê-lo. Um sentimento que ela acreditava não conhecer tomava conta de seu peito, aquecendo-o aos poucos. – Ela vai achar um jeito. O que você está querendo é loucura!

– Eu preciso fazer isso. É minha única saída. – ela falou, sem demonstrar emoção alguma. – E ela também te ama, quer te proteger. Não é ridículo querer proteger um deus? Um imortal? Bom, isso apenas aumenta ainda mais as chances de conseguir que ela fique ao meu lado. Ela já fez coisas estúpidas por amor no passado. Poderá fazer novamente.

– Ela não vai te ajudar. – repete o garoto. – Ela vai achar um jeito.

E então a visão se dissolveu, trazendo seu reflexo de volta. Seus olhos já haviam voltado ao tom gelado habitual e apesar do ódio latente que sentia, já podia pensar mais claramente.

Sua mente estava sendo bombardeada por perguntas. Quem era aquele garoto?

Eu preciso. Essas foram as exatas palavras que Marise usou pouco antes de matar seus pais. O que ela almeja com tanta força ao ponto de causar tortura e assassinato?

Quem é Ela de quem eles tanto falam?

E o mais importante: Porque os deuses lhe mostraram essa visão?

Alguém bateu levemente na porta, fazendo com que ela pulasse na cama. A porta foi entreaberta e uma cabeleira ruiva espreitou pela fresta.

– Oi, Sel. – olhos verdes encontraram os seus.

– Chloe, entre. – ela disse.

Chloe era uma filha de Apolo, apenas pouco mais de um ano mais velha que ela. Era alta, possuía longos cabelos cacheados cor de cobre e olhos verdes brilhantes. Estava vestindo um vestido solto e florido, um pouco acima dos joelhos, o que condizia perfeitamente com sua personalidade doce e alegre.

Selena e seu irmão Thomas, conheciam a ela e Christopher, seu irmão gêmeo, desde que podia se lembrar. Os quatro eram muito próximos e eles sempre a trataram como uma irmã.

Chloe caminhou até ela e sentou-se ao seu lado.

– Você quer ir embora. – não foi até que a semideusa falou que ela se deu conta da verdade.

Dos poucos semideuses que possuíam alguma espécie de poder nesta Era, Chloe e Christoper eram dois dos mais poderosos que Selena já havia conhecido. A afirmação não havia sido dita apenas ao acaso. Sua irmã pressentiu isso.

– Sim. – um suspiro. Ela se levantou, ergueu seus cabelos em um coque bagunçado e foi em direção ao closet. Pegou uma mala e começou a jogar as roupas dentro de modo descuidado. – Eu preciso de respostas.

Chloe foi até o closet, pegou a mala, levou-a para um sofá que havia ali dentro, retirou todas as roupas de dentro dela, pegou um vestido preto, dobra-o e voltou a colocá-lo dentro da mala.

– Para onde você vai? – indagou a ruiva.

Uma pausa.

– Eu não sei. – pegou uma mala menor e começou a preenchê-la com seus objetos pessoais. O colar de sua mãe com uma pedra de jade ovalada, seu diário, maquiagem e seu grimório. – Hekate, eu acho. Talvez eu encontre o que procuro lá.

Pegou a pistola nove milímetros que havia estado escondida em uma gaveta, tirou-a do coldre e verificou a trava de segurança. Travada. Voltou a colocá-la no coldre e colocou-a dentro da maleta, junto com as outras coisas.

Chloe ergueu um suéter preto com a ponta do dedo indicador e olhou de Selena para a mala.

– Acho que estou vendo um padrão aqui. – diz erguendo uma sobrancelha.

O olhar de Selena dispara para sua mala e para a pilha de roupas ainda em cima do sofá.

Todas. As. Roupas. Pretas.

– Acho que não estou de bom humor. – é seu único comentário.

O silêncio se alastrou entre elas por poucos minutos a medida que continuavam seus afazeres.

– Vá para a Casa Oceano. – Chloe diz de repente. Sua voz é tão suave que por um momento ela pensa ter ouvido errado.

– Porquê? Hekate tem o maior acervo de grimórios antigos. – argumenta, mais Chloe está balançando a cabeça negativamente. – Eu estou procurando um feitiço, nada mais óbvio que começar por lá.

– Não se trata do que você procura e sim do que precisa. – a semideusa diz enigmaticamente.

– Já mencionei o quanto você parece com seu pai? – Selena diz sarcasticamente. – Enigmas, enigmas. Nunca uma resposta lógica.

– Que seja. – Chloe diz fechando a mala. – Você vai saber quando chegar a hora certa.

Selena bufou com a resposta.

– Espero que esteja certa. – é a única coisa que diz antes que uma dor aguda atravesse sua cabeça.

Ela aperta com as palmas os dois lados da cabeça e cai de joelhos, afogando-se em agonia. Pouco tempo depois, mais pessoas entram no closet. Ouviu vagamente alguém chamar seu nome, mas ela não conseguiu distinguir quem poderia ser. As bordas de sua visão começaram a escurecer e uma lágrima transbordou por seu rosto.

Respirem!, tentou ordenar aos seus pulmões.

Deitou-se no chão e enrolou-se em volta de si mesma, sentindo a escuridão se fechando ao seu redor.

Ainda estava gritando quando sentiu alguém a erguer no ar.

– Princesa, se acalme. Vai ficar tudo bem! – sussurrou um garoto, perto de seu ouvido, aumentando seu aperto ao redor dela. Christopher.

Um estrondo ressoou a poucos metros dali, abafando seus gritos.

Ela pensou ter ouvido alguém xingar, pouco antes de perder a consciência.

Notas finais
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