Os Dois Anjinhos
17 Capítulo 14 – Tem certeza disso?
Notas iniciais
Mais uma vez, agradeço por todos os comentários maravilhosos. =D'
Eu leio todos, mas na hora de responder, da um preguiça >.<'
Enfim, boa leitura.
“Afinal de contas, os computadores estão quebrados, pessoas morrem e relacionamentos acabam. O melhor que podemos fazer é respirar e reiniciar.” Série Sex and the City
“Sorvete. Sem dúvida, a melhor coisa para distrair alguém.” Pensou e saboreou novamente aquela delicia cremosa de chocolate. Quando vinha para casa, acabou passando no mercadinho e comprando um pote. Enquanto Ino levava outra colher de sorvete na boca, Hinata aproximou-se e sentou ao lado da amiga com uma pequena tigela na mão. Estavam na sala, vendo o noticiário da noite, e estavam extremamente confortáveis na presença delas. Afinal, desde que ela havia ‘perdoado’ a morena, as duas voltaram a ser tão amigas quanto antigamente.
— O que me conta de bom, Hina-chan? — perguntou e olhou de relance para a amiga que deu de ombro e levou a colher a boca.
— No trabalho, não teve nada de novidade; mostrei aquele projeto que fiquei fazendo durante o mês inteiro e Nobuhiko avisou que marcaria uma reunião para ver se Naruto aprova. — suspirou a amiga e ela levantou uma sobrancelha — Sabe que estou o evitando desde quando contei para ele de... — a morena olhou sobre o ombro e voltou a olhar para a loira — Você sabe.
— Sei muito bem, mas eu acho que você deveria ir falar com ele, Hinata. Deixar seu orgulho de lado e conversar não só com o Naruto quando com os seus filhos, afinal, eles também tem que saber.
A Hyuuga suspirou e abaixou a cabeça. Por mais que não queria admitir, ela estava certa; se o loiro quisesse assumir as crianças, teria que conversar com eles algo que evitou desde... Sempre? Mexendo no sorvete, assentiu devagar e hesitante. “Mas não seria mais certo ele vir me procurar pra saber dos filhos?” Perguntou-se e deu outra colherada na sobremesa, levando-a para a boca.
— Você está me falando isso há dois meses, Ino-chan — apontou.
— Eu sei; eu ainda tenho esperança que minha ideia entre na sua cabeça-dura, mas não vai fugir do assunto.
— Bem... — começou um pouco hesitante — Tenho que concordar que, até certo ponto, eu terei que fazer; não posso ficar fugindo o tempo todo nem dele e nem deles — apontou para o andar de cima, onde seus filhos já dormiam — Mas eu tenho medo de... De...
— Se apaixonar pelo Uzumaki? — a Yamanaka sorriu maliciosamente para a mulher que sentiu seu rosto esquentar — Pode falar, Hina. Sou namorada dele, mas você sabe como vai nossa relação.
— Hai — suspirou e olhou para a TV, sem ver nada de verdade — é o meu maior medo. Sei que, se ele assumir as crianças, vai querer vê-los com frequência e isso envolver ver a mim também. Infelizmente, não podemos escolher por quem nos apaixonamos...
Ino queria dizer que não era bem assim e apoiar a amiga, entretanto, quem sairia perdendo era ela. A única coisa que fez foi colocar a mão no ombro dela e sorrir como quem diz que tudo daria certo. Nesse momento, Sakura entrou pela porta e, como uma flecha certeira, jogou-se sobre as amigas, fazendo o sorvete, já mole, das duas se esparramarem pelo chão.
— HARUN...
— AAAA...
As duas foram impedidas de berrar qualquer coisa quando a morena tampou a boca de ambas.
— Onegai, não gritem. — pediu e só afastou a mão quando o tom avermelhado do rosto da loira sumiu e os olhos da rosada voltarem a ter foco. — Meus filhos agradecem.
— Gomen, Hinata-chan, mas eu não pude me impedir. — sorriu a Haruno e era impressão dela ou os olhos da amiga pareciam brilhar mais do que estrelas?
— Pois é, eu e meu querido sorvete, também, percebemos — lamentou a Yamanaka enquanto respirava fundo e pegava a tigela vazia — Sua sorte é que eu estava com a tigela de plástico.
— Hai, hai; gomen também. — revirou os olhos e pegou a segunda tigela a qual deveria ser de Hinata — Mas eu estava muito feliz, sabe, por ter ganhado esse presente do meu namorado.
— Nani? — exclamaram as duas quando as palavras entraram em seus ouvidos.
— Vocês ouviram muito bem, eu estou namorando o Sasuke! —levantou-se e ficou quicando de felicidade.
Ela estava realmente muito contente e ainda perguntava-se se estava dormindo. “Se eu estiver, onegai, não me acordem.” Pedia para ninguém e sorria encantada. Quando as amigas voltaram do choque, pediram por detalhes e riu, começando a contar tudo – desde o momento que estavam no shopping até a volta para casa. Automaticamente, tocou no pingente e sorriu ao abri-lo novamente, mostrando para as duas.
— Onw, que lindo. — sorriu Hinata e acariciou-lhe o cabelo — Creio que seus sonhos estão se realizando, não é, Sakura-chan?
— Ai, Hinata-chan, eu espero que sim — fechou os olhos e deu um sorriso encantador — Me formei em medicina, tenho um emprego ótimo, tenho as melhores amigas do mundo e o namorado mais perfeito do universo.
(...)
Estava há quanto tempo assim? Não se lembrava, ou melhor, nem contara. Encarar o teto pelo o que pareceu horas seria algo bem estranho se não estivesse com os pensamentos muito mais distantes – o que era bem mais estranho na opinião de certo loiro. Ajeitou-se melhor na cama e colocou as mãos atrás da cabeça, voltando a se perder em algum lugar. Parecia irônico, já que nunca foi um garoto de pensar e sim de agir; o problema era que, mesmo tentando, não conseguia sair de sua mente.
Na sua cabeça, dividiu tudo em ‘casos’; o caso um era a questão de ser pai – pois é, Uzumaki Naruto era pai de gêmeos e não precisava exigir um exame de sangue, porque, naquela foto que ganhou, estava bem na cara que eram filhos dele. O que, involuntariamente, envolvia-se com o caso dois: Hyuuga Hinata. Afinal, ela era a mãe de seus filhos e a mulher que não saia de sua cabeça por um longo tempo. E, para o seu total desespero, isso o deixava cada vez mais certo do que deveria fazer com o caso três que era sua namorada, Yamanaka Ino. Com esses dois meses, descobriu que os sentimentos que tinham por ela era apenas amizade e o deixava completamente perdido em quando o assunto era amor, logo que não havia amado ninguém...
“Ou será que não?”
Passou uma mão pelo rosto e foi subindo até os cabelos bagunçados em um ato nervoso e agarrou-se aos fios loiros como se quisesse arrancar o próprio cabelo. Que merda! Aquilo tudo era agonizante e parecia não ter fim. Sem saber o que fazer, fechou os olhos e conteve um suspiro. Por causa da apreensão, demorava demais para dormir ou, tinha noites, que nem dormia e estava começando a se sentir um maluco. Foi quando concluiu que precisava conversar com alguém... E foi nesse momento que a porta de seu quarto foi aberta e seu pai surgiu na entrada.
Namikaze Minato era idêntico ao filho com os olhos azuis e o cabelo loiro vivo; a diferença era os cabelos maiores. Olhou para ele e voltou a encarar o teto. Seu quarto era bem simples – apenas tinha uma cama Box, um closet médio, uma mesa de computador, uma porta para o banheiro e uma varanda. Esperou algum tempo e, fechando os olhos, murmurou:
— Minha kaa-san te mandou aqui pra que, tou-san?
— Ela pediu para te acordar para almoçar, mas vejo que, se estivesse com fome, já teria descido há muito tempo. — “Já está na hora do almoço?” Espantou-se o Uzumaki, pois não estava sentido fome. Ele não sabia, porém estava acordado desde ás nove e quarenta e cinco e não tinha tomado café da manhã.
O loiro mais velho sentou-se na cadeira do computador e cruzou as pernas. Alguma coisa vinha acontecendo com seu filho há algum tempo e estava tão preocupado como Kushina – ou nem tanto quanto ela que já ficava aflita só de ver Naruto quieto. Logo ele, o garoto que sempre estava implicando com a mãe ou que fazia piadas para quebrar o silêncio, agora, estava sempre pensativo e concentrado, ou seja, silencioso.
— Tou-san, estou pensando em terminar com a Ino...
Quando ouviu isso, levantou uma sobrancelha e encarou o rosto dele, surpreendendo-se em ver que não era brincadeira e que estava falando sério. Descruzou as pernas e inclinou-se para frente, apoiando os braços nas pernas e fitando o chão.
— Tem certeza disso? — seu pai perguntou e o Uzumaki sentou-se na cama com as pernas esticadas.
— De uns meses para cá, não consigo vê-la como namorada... É estranho de explicar, mas...
— Está gostando de outra pessoa? — ele perguntou e Naruto arregalou os olhos, surpreso.
— Não! Claro que não, tou-san... Eu acho. — franziu o cenho e balançou a cabeça — Eu apenas acho que somos grandes amigos e que nunca a amei de verdade.
— Isso não me surpreende, Naruto. — Minato confessou e o encarou — E acho uma boa ideia você terminar com a Ino. Ela é uma menina boa e não merece sofrer por amor.
Seu pai estava certo, a Yamanaka era legal e merecia ser feliz, não sofrer por sua causa, contudo, ele sabia que ela não sentia a mesma coisa como antigamente, por não fazer questão de ir visitá-lo no trabalho ou de ligar a cada hora; por alguma razão, sabia que ela havia deixado de amá-lo e estava feliz por aquilo, porque não se sentiria tão culpado. Deu um pequeno sorriso ao se recordar que o Namikaze falou a mesma coisa que certo moreno vivia lhe dizendo.
— Você, por acaso, conversou com Sasuke um dia desses? — perguntou com um sorriso sarcástico e o outro levantou a sobrancelha, confuso.
— Por que está fazendo essa pergunta?
— Bem, vocês dois tem a mesma opinião e isso assusta — riu e começou a se mover para fora da cama.
— Então acho que somos bem sensatos.
Riram e o Uzumaki foi para seu banheiro tomar um banho enquanto o Namikaze saia do quarto para dar uma privacidade ao filho, falando:
— Ah, já ia me esquecendo! Tem uma pessoa lá embaixo que quer te ver.
— Quem é?
— A pessoa falou para mim não te falar nada...
— Ah, qual é, tou-san! — bufou e encarou o pai — Conta logo, vai!
— Não, não vou falar nada. — viu um sorriso crescer no rosto loiro e estreitou os olhos.
— Então por que falou?
— Talvez isso o incentive a descer mais rápido...
Ele saiu do quarto e Naruto fez um bico revoltado. Entrou no banheiro e foi tomar um banho após ter feito suas necessidades. Quem seria sua visita? Ino? “Não, ela não gosta muito de vir aqui em casa por causa da minha kaa-san”, pensou e suspirou. Kushina não gostava de qualquer namorada do loiro por ele ser seu... Bebê. Revirou os olhos e voltou à pessoa misteriosa. Sasuke? “Não, ele está muito ocupado com a Sakura...” Sorriu malicioso. Sabia que o amigo iria pedir a rosada em namoro, se é que já não pediu.
Saiu do banheiro com uma toalha na cintura e ouviu alguém bater na porta. Estranhou, todavia, foi abrir e surpreendeu-se ao ver quem era. Um homem alto de cabelo branco, longo e espetado amarrado em um rabo de cavalo para trás e olhos pequenos; além das marcas vermelhas que descia do rosto até o final da bochecha, seu rosto era cheio de rugas de idade. Sorriu e o abraçou.
— Ero-Sennin!
— Epa, epa, epa! — riu o padrinho e afastou-se do loiro — Isso ficou um pouco estranho; você está apenas de toalha abraçando um homem e, mesmo sabendo que eu sou homem bem interessante, me decepcionaria bastante se descobrisse que você gosta de outra fruta...
Naruto revirou os olhos e foi para dentro, gritando para entrar enquanto entrava no closet. Jiraya riu outra vez e sentou-se na cama bagunçada do rapaz. Era bom está em casa novamente. Fazia quatro meses que havia ido para Londres para a publicação de um livro seu e está em Tóquio era estar em casa – estava de saco cheio daquele inglês certinho. Em dois minutos, seu afilhado voltou de uma blusa com estampa do exército e uma calça jeans, além de um chinelo.
— E ai, Ero-Sennin? — sorriu o Uzumaki — Voltou quando?
— Ontem. Eu falei que viria antes de seu aniversário, não falei? — retribuiu o sorriso — Eu queria te fazer uma surpresa no aniversário, mas seus pais me pediram para vir aqui e conversar com você, pois está muito estranho.
Viu, pelo canto de olho, o rapaz suspirar e olhar para algum ponto no chão. Demorou tanto para voltar a falar que ele pensou que o loiro não falaria nada e concluiu que tinha, realmente, algo o incomodado bastante. Conhecia-o tão bem que, para ele, estava escrito na testa do rapaz algo como aflição. Quando iria abrir a boca, seu afilhado foi mais rápido e falou:
— Ero-Sennin, o que eu irei te falar... Eu quero que você guarde isso de meus pais...
— É tão sério assim? — perguntou e levantou a sobrancelha, tentando decifrar a expressão do homem.
— Não sei, mas acho que eles vão ficar muito chocados... Então, promete?
— Hai, prometo. — murmurou sem hesitar e recebeu um olhar agradecido dele.
— Arigatou — agradeceu o rapaz e pôs-se a suspirar.
(...)
— Yo Sasuke-kun — esticou-se para tocar seus lábios nos deles.
— Yo Sakura — ele respondeu e deu um fraco sorriso.
Naquele sábado, eles haviam marcado um almoço na casa dela e todos estavam cientes – o pequeno detalhe foi que ela avisou apenas no dia anterior. A rosada fez questão de fazer tudo; desde a limpeza da casa até o almoço e, obviamente, as amigas ajudaram, mesmo ela relutando. Sora e Kouji também ajudaram, principalmente, na hora de fazer a comida. Era bom ter todos lhe dando apoio com seu namoro.
— Vem, vou te apresentar as pessoas.
— Mas eu já conhecia a Ino e já vi a Hinata e os filhos dela — ele reclamou, franzindo o cenho.
— Mas não como meu namorado.
Com esse fato, o Uchiha cedeu e ela o guiou para trás da casa, para o seu querido jardim. Quando chegaram lá, viu a expressão de surpresa do rapaz e riu baixinho. Estufou o peito e sentia-se orgulhosa pelo jardim dos fundos. Lá, estava Hinata e Ino sentadas em um futon florido médio sobre um multi pallet enquanto os gêmeos corriam entre as plantas.
— Meninas, conheçam Uchiha Sasuke, meu namorado! — gritou a rosada, chamando atenção destas e vendo-as levantar com um sorriso.
— Ora, ora! — sorriu Ino, cumprimentando o moreno — Vejo que, finalmente, pediu a nossa querida Sakura em namoro! Acredite: eu já estava de saco cheio dela falando seu nome a cada dez segundos. — ela revirou os olhos e o homem olhou-a.
— Porca-chan! — sentiu seu rosto esquentar e sentiu o namorado abraçá-la.
— Se eu tiver mentindo, me processe! — a loira deu língua e, por mais que quisesse, ela não faria, pois a amiga estava certa.
— Ohayou, Sasuke-san — a Hyuuga fez uma reverência, dando um meigo sorriso.
— Ohayou, mas não precisa me chamar assim, Hinata. Pode me chamar de apenas Sasuke.
— OJI-SAN! — berraram os dois anjinhos e abraçaram cada perna de Sasuke que quase caiu.
Ele olhou para a namorada com um ponto de interrogação explicito no rosto e a Haruno apenas riu. Aquelas crianças não eram moles, entretanto, sempre tentavam ser legais com todos e aquilo era mais uma mistura entre Naruto e Hinata. Levantou o olhar para a mãe das crianças e vi que esta estava corada com a mão na testa, balançando a cabeça negativamente.
— Ok, vocês dois; chega de abraço — riu a Yamanaka e os dois se afastaram do rapaz — Se estão carentes, é melhor não abraçarem Sasuke, porque a Testuda pode ficar com ciúmes.
— Ei, ei, ei! Tá me estranhando ba-san? — bufou o garotinho e sua irmã gargalhou da cara emburrada dele — Não vi graça!
— Porque depende... Muito do seu... Ponto de vista...Querido kyôdai* — falava a menina, ou melhor, tentava em meio a suas gargalhadas.
— Que isso, Kouji-kun — piscou a loira e o menino revirou os olhos, cruzando os braços e fazendo bico.
— Sora, pare de rir de seu kyôdai — repreendeu a Hyuuga e a filha respirou fundo, tentando parar de rir.
— Gomen, okaa-san — secou as lágrimas — Mas foi engraçado...
— Vamos almoçar? — indagou o irmão, fugindo do assunto e ela tampou o rosto para não voltar a rir.
Dez minutos depois, estavam todos sentados na mesa. Na verdade, Sasuke, Sakura, Sora e Kouji, já que a mesa tinha apenas quatro lugares. A Hyuuga e a Yamanaka foram comer na sala enquanto conversavam sobre banalidades e acabaram voltando para um assunto sério.
— Hina, eu estava pensando em terminar com o Naruto-kun — confessou Ino e olhou-a de canto.
— Tem certeza disso? — indagou e forçou-se a dizer: — Vocês formam um belo casal...
Ino deu um sorriso fraco e voltou a ficar presa em seus pensamentos. Ela sabia que a amiga já não gostava tanto do namorado e aquilo era culpa de um ruivo chamado Gaara. Hinata estava contente pela a loira, afinal, sempre foi apaixonada pelo Sabaku e o seu romance com o loiro comprova isso, pois, mesmo supondo que o amava, continuou a amar o ex-namorado. No entanto, será que ela aceitaria a verdade? Aceitaria o que o rapaz sempre tentava explicar e ela sempre falava que era mentira?
Piscou e ignorou a vontade de suspirar. Ela sabia que a amiga não acreditava no rapaz tanto por insegurança quanto por que seu pai não gostava muito do namorado da filha – para não falar que o odiava; aliás, ela era insegura por causa de seu pai! Ino sempre dizia que seu pai nunca entrou naquela história, porém sabia que sim, pois, se fosse por sua amiga, já teria voltado para o ruivo há muito tempo. “Inoichi-san é bem legal, mas só estava pensando nele naquela época”, concluiu e voltou a prestar atenção.
— Tenho sim, Hinata-chan — ouviu-a suspirar —; eu já deveria ter feito isso há algum tempo.
— Você sabe a minha opinião sobre o assunto, não sabe?
— Sei e você também sabe que eu não quero sofrer de novo!
— Ino-chan, você deveria...
— Dar uma chance a ele? — interrompeu e desviou o olhar — Você está me falando isso há dois meses, Hinata.
— Eu sei; eu ainda tenho esperança que minha ideia entre na sua cabeça-dura. — imitou a amiga e esta riu baixo — Façamos o seguinte: se você der uma chance para o Gaara, eu vou atrás do Naruto — estendeu a mão e olhou desafiadora para a loira — É pegar ou largar...
Olhou para a mão da morena e hesitou. Sabia que aquilo era sério e que, naquele momento, não dependia só dela, como também do futuro da amiga e seus filhos. E os Hyuuga também mereciam um final feliz, certo? “Só espero que eu não me arrependa depois”, suspirou e estendeu a mão, apertando a da moça. Encararam-se por longos minutos e sorriram de canto.
— Feito — murmurou a loira e deixou de sorrir —, agora, eu realmente tenho que terminar o meu namoro.
(...)
— Finalmente! — exclamou Kushina e voltou a ficar com a expressão de poucos amigos — Pensei que haviam morrido lá encima!
— Que exagero, kaa-san — revirou os olhos e beijou a bochecha da mãe revoltada.
— A comida da Nana até esfriou!
— Tudo bem, eu posso comer fria mesmo — deu de ombro e foi colocar a comida.
— Naruto-san, não quer que eu esquente para o senhor comer? — indagou a cozinheira.
Nana tinha mais de cinquenta anos e trabalhava há dez com os Namikaze. Tinha os cabelos castanhos claros curtos – na altura da orelha – e os olhos da cor caramelo; o rosto, que deveria mostrar cansaço, expressava-se prestativo e disposto ainda que tivesse poucas rugas. Acenou negativamente e deu um sorriso agradecido, falando que ele mesmo iria esquentar.
Enquanto isso, Minato encarava fixamente Jiraya que retribuía o olhar, contudo, não falava nada. Havia prometido: não contaria nada para os pais de seu afilhado e entendia o porquê. “Eu, por exemplo, ficaria espantado ao descobrir que tenho netos.” Pensou o padrinho e deu um sorriso que diz: ele está bem. Ele estava bem... Bem confuso. Quando o viu o loiro estreitar os olhos, Naruto apareceu na porta da cozinha e gritou:
— Ero-Sennin, venha almoçar também! Não acredito que preciso te chamar para isso; você já é da casa!
Voltou para cozinha e revirou os olhos. Sua mãe ainda o encarava com de cara fechada e braços cruzados; conhecia bem aquela expressão, porque a dele era igualzinha. Será que um de seus filhos fazia aquilo também? Só de imaginar ficou com vontade de rir e só conteve-se, pois sua mãe agora o encarava de uma maneira estranha. Arqueou uma sobrancelha e, em silêncio, perguntou se havia algo errado.
— Hã... Nada! — a viu dar de ombro e piscar.
— Ok, eu irei me concentrar na minha comida, porque é a única coisa que eu entendo nesse momento.
Minutos depois, já estava servido e comendo alegremente seu querido almoço. O problema começou quando sentiu que estava sendo observado e era horrível saber que estão te vendo enquanto você come. Lentamente, levantou o olhar e deparou-se com os olhos de Kushina. Estranhou e esqueceu a comida por alguns segundos.
— Kaa-san, por que está me olhando comer? — perguntou enquanto brincava com os hashis em sua mão.
— Eu queria saber quem você quer chamar para sua festa de aniversário...
Arregalou os olhos e desviou o olhar. Sua festa. Seu aniversário! Estava chegando e nem havia percebido – e como poderia? Estava tão focado no que deveria fazer ou como deveria agir que não teve a menor noção do tempo. Lembrava que, logo após o aniversário de Ino, vinha o seu... Ino... Lá estava ela novamente em seus pensamentos e Jiraya também fez a mesma orientação que o pai e Sasuke: terminar logo com ela.
— Além disso — seu padrinho sorrira maliciosamente —, parece que você está querendo é uma morena.
Balançou a cabeça e focou-se na Uzumaki que o encarava, esperando uma resposta.
— Er... Na verdade, não. Depois eu penso nisso e...
— Não Naruto! Você tem que ver logo para mandarmos o convite! — bufou a mulher e cruzou as pernas — Seu aniversário irá cair na segunda, então, quero ver se faço uma festinha na sexta.
Fora só impressão ou ela deu ênfase à palavra 'festinha?' Não, ele não havia pirado. Uma das coisas que aprendeu sobre Kushina em seus vinte e sete anos era que tudo que ela fala com “-inha”, era quase o oposto. Tipo, quando ela ia fazer umas comprinhas, comprar algumas roupinhas e gastou uma graninha. Entendeu a situação? Pois bem, Naruto não queria uma festa de arromba, até porque não estava muito alegre esses dias.
— Kaa-san, eu quero uma festinha mesmo; para poucas pessoas e sem muita coisa. — murmurou e olhou para sua mãe, arrependendo-se quando percebeu o olhar assassino dela.
— NANI? — ela gritou e ele pensou ter ficado surdo. — MAS NEM PENSAR!
— Por que não? Kaa-san, vou fazer vinte e oito anos; não acha que eu já estou na hora de... Sei lá, decidir minhas coisas, incluindo minhas festas? — indagou, voltando a comer.
Pelo silêncio, soube que a ruiva o encarava e pensava séria mente sobre o assunto. Ele não estava mentindo, faltava menos de três anos para fazer trinta e já tinha um emprego, uma casa – que não era aquela, é claro. Só faltava... Não! Ele não iria completar esse pensamento. Balançou a cabeça e sentiu alguém sentar ao seu lado, sabendo que era seu padrinho.
— Mas eu quero organizar, Naruto.
— E você vai! Só não faça uma festa de arromba, por Kami. — riu para sua mãe que deu-lhe um sorriso — Hmm, voltando para meus convidados, já pensei em alguns...
— Quem? — perguntou e sorriu.
— Sasuke, Sakura, Ino — fez careta quando ele mencionou o nome e ele apenas revirou os olhos — Shion e...
— Hinata! — falou Jiraya e seu filho rapidamente o encarou.
— Ah, é a Hyuuga Hinata que você está falando, Jiraya? — perguntou e sentiu seu marido nas suas costas, abraçando-a por trás.
— Como você sabe? — o viu levantar a sobrancelha e o loiro voltou a comer, parecendo tenso. Aquilo era estranho.
— Bem, ela vem fazendo destaque na empresa desde que começou a trabalhar lá, há dois meses — contou Minato e olhou para o filho — Eu também queria conhecê-la pessoalmente; tem problema chamá-la para seu aniversário, filho?
O Uzumaki pareceu pensar e Kushina notou que o filho continuava tenso. Estreitou os olhos e ficou encarando as expressões que ele fazia. Por que será que ele ficou daquele jeito desde que comentaram o nome da Hyuuga?
(...)
Já era de noite quando ouviram a campainha tocar. Todos estavam na sala, rindo da televisão. Sakura havia deitado Sasuke e colocado sua cabeça em seu colo na namoradeira enquanto Ino, Sora e Kouji estavam no sofá. Hinata? Estava sentada no braço do sofá e levantou-se para abrir a porta.
Abriu e seu sorriso sumiu. Na sua frente, um rapaz loiro olhava para o chão e levantou o olhar, tirando todas as suas suspeitas – era o Uzumaki. Engoliu seco e desviou os olhos. Maldito momento que sentia aqueles olhos azuis percorrer-lhe o corpo e mais maldito ainda quando sentiu seu coração bater com mais velocidade e sentiu as bochechas ganharem uma coloração.
— Yo Hinata — ouviu e encarou-o, arrependendo-se amargamente assim que percebeu seu olhar no seu — Poderia chamar a Ino?
— Hai — respondeu simplesmente e afastou-se da porta — Ino-chan, visita para você.
A loira estranhou o comportamento e ficou olhando para ela, como se esperava alguma explicação que não veio. Estreitou os olhos e passou pela morena, vendo quem estava na porta e entendendo a reação da amiga. Ficou com vontade de rir da garota, todavia, conteve-se em sorrir e recebeu um sorriso de volta do namorado.
— Yo Naruto-kun; não quer entrar? Sasuke está ai com a Sakura?
— Olha só, ele tomou alguma iniciativa — brincou e os dois riam — Bem, eu até poderia, mas eu creio que temos alguma coisa para conversar, certo?
— Hai, tem toda razão.
Murmurando isso, Ino saiu e fechou a porta atrás de si.
Notas finais
Hmmm, o que será que vai rolar agora? Uma coisa eu garanto: Hina vai se envolver bastante com o caso GaaIno e, acreditem, ela vai fazer acontecer. ;D
Deixa eu ficar quieta, KKKK'
Até o próximo capítulo. :*
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