Os Dois Anjinhos
2 Capítulo 1 – Bem vindos a Tóquio... Outra vez
Notas iniciais
Ai vai o primeiro capítulo. Espero que gostem...
“A vida só se compreende mediante um retorno ao passado, mas só se vive para diante.” Soren Kierkegaard
Seis anos depois...
O aeroporto de Tóquio parecia está o ponto de explodir. Pessoas passavam de um lado para o outro, algumas com pressas outras sem nenhuma; alguns com ternos falando ao telefone línguas variadas, como japonês, inglês, espanhol ou até mesmo português; outros andando em um grupo que era guiado por uma japonesa sorridente e falante, todos com câmeras de outros países nas mãos.
Tóquio era muito acolhedor. Sua população era tão grande que era a primeira cidade mais populosa do Japão. Mas não vamos falar sobre geografia... Voltando para nossos personagens.
Entre o pandemônio daquele extenso lugar, uma morena com uma aparência jovial andava com duas crianças que davam a mão para a mesma.
A mulher, de quase vinte e seis anos de idade, tinha olhos grandes e prateados, além de um lindo cabelo preto e liso com uma franja e algumas mexas de tamanhos menores. Pele branca e extremamente delicada. Parecia até ser de porcelana. E a perfeição de seu corpo com curvas maravilhosas apenas comprovavam isso. Vestia uma blusa regata salmão, uma calça jeans escura e um all star branco. Seu nome era Hyuuga Hinata – e isso não é surpresa.
Um sorriso se formou em seu rosto ao ver suas crianças olharem para tudo, com seus lindos olhinhos azuis que lembravam muito o céu sem uma misera nuvem. Igual aos do pai, pensou e conteve o suspiro. Os cabelos eram pretos, como os da mãe. Uma mistura do dia com a noite, como dizia Tenten. Ambos idênticos, mas com duas mínimas diferenças: um era um menino que tinha o cabelo curto e outro era uma menina que tinha o cabelo maior; um era levado, gentil e brincalhão, e o outro corajoso, falante e raramente tímido. A menina era Sora – que vestia um lindo vestido laranja claro, uma sapatilha e um arco branco – e o menino era Kouji – que estava de calça jeans larga e uma blusa de manga laranja escuro, além de um tênis.
— Okaa-san* — murmurou Kouji, com os olhinhos brilhando —, aqui é Tóquio?
— Não, meu amor, aqui é apenas o aeroporto de Tóquio.
— Isso quer dizer... — sorriu Sora e deixou Hinata.
— Tóquio é muito maior do que isso, meus bebês.
A Hyuuga riu quando os ambos arregalaram os olhos e agachou, ficando na altura destes e contando a sua história de quando chegara a aquele mesmo aeroporto, com apenas dezoito anos. Sorriu ao ver que eles estavam animados para saber mais da cidade.
Mas a mesma não pensava em Tóquio e sim naquelas lindas crianças que Kami-sama a dera. Seus filhos, seus lindos filhos, que cresceram na mesma cidadezinha que ela, que eram tão inteligentes a ponto de fazê-la mudar-se para Tóquio, atrás de uma escola melhor para ambos.
Antigamente, pensava que não se arrependia por causa dele, do pai de seus filhos. Agora, olhava para Sora e Kouji e pensava que aquilo foi o melhor dos erros que cometera. E, novamente, se perguntassem, responderia que faria tudo de novo, porque acabou ganhado um bem maior: sua vida era resumida apenas aquelas crianças.
— Então, vamos? — perguntou Hinata, levantando-se e pegando as mãos dos filhos.
— Okaa-san, para onde vamos? — perguntou Sora, um pouco receosa.
— Primeiramente, eu estava pensando em passarmos em um restaurante e comprar uns rámen... O que vocês acham?
A resposta dos pequenos Hyuuga foi puxar a mãe para fora do aeroporto e a morena riu. Eles estavam na porta quando ouviram:
— Hyuuga Hinata!
Pararam e olharam para trás enquanto Sora e Kouji escondiam-se atrás de cada perna da mãe, temendo o pior. Hinata, contudo, conhecia aquela voz como se ela nunca tivesse mudado e ficou com vontade de sorrir.
A alguns metros, uma mulher passava pelas pessoas com dificuldade. Esta mulher tinha os cabelos rosa um pouco acima dos ombros; seus olhos eram verdes e estavam destacados com um pouco de maquiagem; pele branca e lisinha. Vestia uma blusa regata branca, uma calça jeans cinza claro e uma sapatilha Peep Toe.
A Hyuuga quis sorrir, mas um pensamento a impediu. Como ela saberia que estava de volta? A morena não avisara a ninguém, só a irmã Hanabi que, agora com vinte e um anos, estava estudando em uma faculdade de Tóquio, quase se formando e quase se casando. Essa era a vida que também quis ter, mas acabou que não aconteceu. E acabou saindo abruptamente de seus pensamentos, quando foi abraçada pela rosada.
— Hinata, sua maluca! — murmurou e afastou-se, deixando Hina perceber a raiva misturada com preocupação e saudade nos olhos — Você queria me matar? Por que foi embora? O que aconteceu? Por que não mandou notícias? Por que não telefonou ou qualquer outra coisa? Mas não! Eu vou matar a Sakura, era isso que você pensava. Sabe por quanto tempo eu te procurei? Seis meses e...
— Sakura-chan, calma! — interrompeu a Hyuuga e ela pode ver a amiga parar para respirar — É uma longa história. Eu tive que fazer isso.
— Longa história que você vai resumir, ouviu dona Hinata?
Hyuuga deixou um sorriso crescer nos lábios e abraçou a rosada forte. A mesma, ainda que estivesse com raiva, abraçou-a e deixou para perguntar depois. Sakura e Hinata eram melhores amigas desde que começaram a faculdade. Então, de um dia para o outro, a morena havia sumido e a amiga ficou desesperada. Não só ela, como todos os amigos da Hina, incluindo um amigo dela, ou melhor, o pai das crianças.
Hinata sentiu seu vestido ser puxado e lembrou-se. Soltou de Sakura e sorriu, deixando a rosada confusa. A morena olhou para baixo e a amiga seguiu o olhar, notando pela primeira vez aquelas pequenas figuras e quase arregalando os olhos. Alguma coisa naquelas crianças era tão familiar...
— Hinata...
— Sakura-chan, apresento-lhe Sora e Kouji, meus filhos. — o sorriso da Hyuuga alargou-se e mostrou o orgulho que sentia por isso.
As crianças, ainda atrás de Hina, saíram lentamente e ficaram na frente desta, mas ainda encostadas na mãe. Então, Sakura percebeu o que era tão familiar naquelas crianças e deixou os olhos se arregalarem. Quando voltou o olhar para a amiga, esta notara que ela já sabia.
Suspirou. Sabia que para Sakura, ela não poderia esconder nada.
(...)
A rosada sentia que se pudesse seu queixo já estaria no chão. Olhou para as crianças, que comiam alegremente seus queridos rámens, e voltou para a Hinata, que estava com as bochechas vermelha.
— Hinata, e-eu não esperava por isso. — consegui dizer finalmente.
Sakura viu que os olhos da amiga brilhavam e a mesma olhou para o teto, não deixando nenhuma lágrima cair. Não choraria na frente dos filhos, percebeu a rosada e sentiu orgulho da morena.
Depois das apresentações, apesar da Sakura estar um pouco chocada, apresentou-se as crianças e estas só relaxaram quando a mãe falou que a rosada era para ser a madrinha de Sora. Os três ficaram surpresos com o anuncio, porém, logo começaram a se acostumar.
Saíram do aeroporto – sim, ainda estavam no meio daquela barganha – e Sakura propôs um almoço juntos. Sora e Kouji, já sem nenhum medo desta, gritaram ao mesmo tempo:
— RÁMEN!
A rosada gargalhou e suas suspeitas foram confirmadas. Ela sabia quem era o pai das crianças. Assim, lá estavam eles. Duas crianças competindo quem comia mais enquanto as velhas amigas conversavam e Hinata acabou contando tudo.
— Eu também não, Sakura-chan, eu também não — murmurou a Hyuuga e tirou a rosada de seus pensamentos. —, mas eu não iria conseguir olhar nos olhos de ninguém. Eu estava me sentido... Me sentido...
— Usada? — chutou Sakura.
— Não. Eu não iria querer olhar para ninguém, pois pensava que as pessoas ficaram decepcionadas com isso e me abandonariam.
— Hina-chan, acha mesmo que eu te deixaria quando você mais precisasse de mim? Além do mais, eu forçaria o...
— Não fale o nome dele. — sussurrou Hinata e olhou para os filhos, voltando depois para a amiga — As crianças não podem ouvir.
— Por que não?
No olhar da Hinata, havia uma mensagem que Sakura entendeu como “depois eu falo”. Assentiu e a morena sorriu ao ver que a amiga tinha entendido. Pode sentir menos um peso na consciência quando contou tudo a rosada, todavia, ainda sentia que tinha muita coisa para acontecer e deixá-la completamente livre.
Viu Sakura virasse para seus filhos e, quando notou que os filhos já haviam acabado e se encaravam, soube que estavam se comunicando e iriam fazer alguma coisa. Uma coisa que Hinata não entendia, mas adorava era o fato de Sora e Kouji eram tão conectados e se entendiam tão bem. Nunca brigavam e parecia saber o que o outro pensava.
— Oba-san** — riu Kouji quando Sakura arregalava os olhos —, nós queríamos saber umas coisas.
— Hã... — olhou para Hina e a mesma deu um sorriso confiante, assim voltou para as crianças — O que desejam?
— Você e a okaa-san se conhecem há quanto tempo? — perguntou Sora.
— Bem... Há quase oito anos.
— Mantiveram contato quando a okaa-san estava fora? — perguntou Kouji.
— Não — Sakura sorriu triste —, fazia seis anos que não nos falávamos.
— Então, como obasan sabia que estávamos chegando? — perguntaram em uníssono, o que fez a rosada surpreender.
— É mesmo, Sakura-chan, como você sabia de nossa chegada? — concordou Hinata.
Todos olhavam para a mulher de cabelos rosados que apenas sorriu inocente e deu de ombros. A morena havia esquecido essa dúvida e, agora que foi lembrada, queria uma resposta. Havia sido estranho quando Sakura apareceu “sem querer” no aeroporto na hora prevista para pouso.
— Bem, eu recebi um telefonema de Hanabi-chan. Ela avisou que Hina estava vindo e eu queria muito matar as saudades.
Deixou de lado o fato de querer algumas respostas, pois não sabia se a mãe deles havia contado que já vivera para Tóquio e que o pai deles era de lá. Os dois assentiram em sincronia e ela se perguntou se eles sempre faziam isso. Ela era assim com Hinata, mas tinha vezes que elas não se entendiam. Eles pareciam experientes.
— Sakura-chan, temos que ir. — a morena tirou a amiga dos pensamentos, mesmo que sem querer — Eu ainda tenho que conseguir alugar um apartamento e comprar uma cama para nós. — suspirou alto.
A rosada piscou. Estava tão presa em pensamentos que nem notara que a Hyuuga se levantara e fora pagar, e já havia voltado. Ou ela estava pensando demais ou a amiga era realmente ligeira. As palavras da mesma ficaram na sua mente até ela compreender e teve uma ideia. A morena já estava na porta com as crianças que acenavam e sorriam para Sakura, quando a mesma levantou.
— Ei, Hina-chan — chamou, indo até esta, e a jovem olhou sobre o ombro —, que tal você morar comigo?
Por esta, nem Hinata nem as crianças, esperavam. Os três ficaram parados bem na saída do restaurante, causando um pouco de tumulto. Algumas pessoas passavam encarando, meio que um aviso do tipo “saía da frente”. Sakura começou a guiá-los – leia-se empurrá-los – para fora do recinto e estavam novamente na avenida principal.
— Hm... Não sei não, Sakura-chan — confessou quando a mesma foi para frente deles — Sora e Kouji dão trabalho e precisam de espaço.
— Qual é, Hinata-chan! Não venha com esse papo. Sabe que se fosse alugar um apartamento, não seria lá um lugar com muito espaço. Até porque eu e Porca-chan compramos uma casa e...
— Quem é Porca-chan? — perguntaram em uníssono e Sakura começou a ficar com um pouco de medo disso.
— É uma amiga da okaasan, meu amores. — sorriu Hinata enquanto observava que eles ainda estavam com dúvidas.
— Mas por que porca? — perguntou Kouji.
— Porca não é um apelido feio? — indagou Sora e Sakura riu.
— Porque Ino significa porco e esse é o nome dela. — respondeu ao menino logo após voltando para a menina — E um apelido só é feio quando a pessoa que recebe o apelido não gosta e fica triste.
— Entenderam? — A Hyuuga perguntou já sabendo a resposta.
— Hai! Mas okaa-san... — começou Sora.
— Queremos conhecê-la. — finalizou Kouji, prontamente.
A rosada levantou uma sobrancelha em sinal de uma clara confusão e olhou para outra que também não tinha uma expressão muito diferente e que olhava de um para o outro. Quando a garota voltou a olhar para frente, Sakura ainda olhava para as crianças e as mesmas fizeram uma coisa: piscaram apenas um olho, sorrindo de uma forma sapeca, e ergueram a mão em um sinal positivo. Então, aquilo era armado?
Por um segundo, achou que estava olhando para cópias mirins de Naruto quando também era apenas uma criança, com o sorriso e olhos mostrando a mais pura confiança e amizade. Piscou de volta e, quando olhou para a Hinata, ela estava de olhos fechados e suspirando alto.
— Está bem. Iremos à casa de Sakura e Ino — quando viu que os filhos estavam prestes a comemorar, parou-os com um movimento de uma mão e continuou —, mas termos que ir embora. Não devemos nos instalar lá, ouviram?
— Hai — sorriram largamente e abraçaram-na — Aishiteru, okaa-san.
— Aishiterumo, meus anjos.
Naquele momento mãe e filhos, ela se sentia uma intrusa e quis se afastar. Era tão focada em sua carreira que não pensava em sobre seu futuro. Balançou a cabeça discretamente. O futuro já havia chegado, contudo, ela não estava aproveitando. Tinha vinte e sete anos (ela era um ano mais velha que a amiga) e não tinha namorado, pois trabalhava demais.
Não por falta de oportunidade, até porque não era feia, mas ela sempre dispensava os pretendentes com uma desculpa pela falta de tempo. No fundo, sabia que essa consequência não era causada sem querer e sim propositalmente. E ela só gostou de verdade de um garoto, mas meio que perderam o contato e nunca mais ouviu falar deste.
— Terra chamando obasan. Controle Alfa K está mandando a ordem de volta imediata para a Terra. — brincava Kouji, abanando a mão na frente do rosto da rosada, que piscou imersa em pensamentos — Repetindo: abordar missão de contato com a mente. Retorne imediatamente para a Terra e...
Ele parou abruptamente de falar e foi quando notou que Sora acabara de bater no irmão. O garoto esfregou o local atingido enquanto fuzilava a irmã, que apenas revirou os olhos e voltou-se para Sakura.
— Não se preocupe, obasan. A doença dele faz que ele se empolgue demais, mas não é contagiante.
Não reprimiu a gargalhada. Aqueles dois, lembravam tanto ela e Naruto que chegava a ser estranhamente divertido e familiar. Todavia, outra pergunta rodava em sua mente: Será que acharia o amor algum dia desses?
Notas finais
* Okaa-san: mamãe;
** Oba-san: titia.
Viu, cheios de intimidade com a Sakura-chan, UHASIUHAIUSUA'
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