Os Dois Anjinhos
6 Capítulo 5 – O tal pesadelo
Notas iniciais
OI, meus leitores favoritos.
Obrigada mais uma vez por seus comentários que eu tanto amo.
Eu tenho más noticías, mas contarei lá no final, pra não estragar o clima, tá?
Espero que gostem desse capítulo pois eu amei escrevê-lo. ;D
Boa leitura.
"Realidade é o pesadelo do mundo dos sonhos." Esaú Wendler
Rolou para um lado e rolou para o outro, sem poder se conter. A ideia de ir dormir cedo não estava lá indo muito bem. Depois de um dia cansativo e, de certa forma, revelador, Sasuke se sentia esgotado até para pensar. Fez o de sempre quando estava assim: tomou um banho relaxante e demorado e ficou procurando alguma coisa na televisão, onde ficou por um longo período de tempo.
Quando deu por si, era quase oito horas da noite e, então, resolveu comer. Caçou qualquer comida que atraísse sua atenção, o que foi fácil, já que sentia seu estômago roncar. Achou um macarrão instantâneo que logo estava pronto e que também foi comida. Após lavar a louça, foi tomar outro banho.
Sasuke não gostava de lugar muito grande, ainda mais que ele morava sozinho. Então, comprou a cobertura de um apartamento que, por sorte, tinha uma ótima vista. A sala era o maior cômodo da casa, com uma TV de 42 polegadas LCD na parede; uma namoradeira e uma poltrona, ambas de couro escuro, além de um tapete. Havia, também, uma cozinha, um banheiro e dois quartos. O quarto maior era o dele, o que era realmente óbvio. Uma cama box de casal, um armário enorme demais para ele e dois criados-mudos.
Deitou-se na cama cedo, contudo, já estava rolando nesta há quase uma hora. Os pensamentos não ficavam vazios e era cada vez levado para mais longe. Há dez minutos, pensava em seus pais; a cinco, no dia da viagem; naquele momento, pensava em Sakura. Engraçado que tudo estava entrelaçado: no dia que descobriu que sentia algo por Sakura, foi no dia da viagem, quando se despedia dela...
Flash Back On
Os olhos escuros do membro mais novo da família Uchiha pareciam perdidos no lado de fora do aeroporto. Aquele era uns dos poucos dias que o tempo estava perfeito, sem nenhuma nuvem. Dava para ver os pássaros voando por todos os lados, aproveitando aquele céu límpido tão raro. Os seus cantos eram impossíveis de se ouvir; ainda estavam na cidade grande e o ruído da metrópole era o único ouvido.
Sasuke, que tinha seus quinze anos, pensava se aquela viagem demoraria tanto para começar e para terminar. Queria que acabasse logo, todavia, não queria ir embora de Tóquio. Lá sempre fora a sua cidade, onde conhecia tudo e, só não conhecia todos, porque ele não queria. Contentava-se com os dois melhores amigos que tinha.
Bem, os dois melhores amigos que iria perder.
Sentiu uma vontade estranha de gritar e tirar aquela maldita agonia que percorria todo o seu corpo, inclusivamente seu coração. Naquela hora, não soube coisa era aquela que estava acompanhando-o fazia uma semana, desde o dia que seus pais falaram que teriam que se mudar para Nova York.
— A sede da empresa está descendo rapidamente e eu não sei o que fazer. — falara seu pai, em seu tom normalmente frio — Por isso, temos que ir para lá. Se estiver lá, saberei a gravidade da situação.
Agora, ele estava ali ao lado de sua mãe com uma mala pequena que coube todas as suas roupas. Esperando quando chamassem para embarcar no avião. Entretanto, não esperava o que aconteceu logo em seguida.
— Teme! — gritou uma voz extremamente irritante— TEME!
— Ai, Naruto-baka. — resmungou, porém procurava o amigo com os olhos. Quando encontrou, levantou-se e foi até ele. —O que você quer, dobe?
— Eu? O que você acha? — o loiro revirou os olhos e sorriu — Eu e Sakura-chan viemos nos despedir, ora bolas!
— Você e Sakura? — exclamou e procurou a menina com o olhar.
A rosada estava ao lado da mãe de Naruto, com o rosto banhado em lágrimas, e Sasuke quase pode sentir o coração ser triturado. O que? O que estava acontecendo com ele? Não soube responder, muito menos quando notou que ela corria. Em sua direção. Foi quando seu corpo não seguiu seu comando e ele passou por Naruto, estendendo os braços para a garota.
— E esse é momento para ele descobrir que está apaixonado por ela? — ouviu o Uzumaki suspirar, mas ignorou. Só queria abraçá-la pela qual supôs ser a última vez.
Quando aconteceu, foi como se toda a aflição se multiplicasse e fizesse que virasse uma dor insuportável, contudo, com ela ali, ele se seguraria para não desabar. Sentia o pequeno corpo apertasse ainda mais contra o seu e sentia a respiração falha em seu pescoço, deixando-o um pouco arrepiado. O que era aquilo?
— Sa-Sa-Sasuke-kun — sussurrou Sakura no pé de seu ouvido, com uma voz embargada, fazendo tudo dentro do moreno piorar —Por-por favor, nu-nunca me esqueça...
Ele não pode se segurar e abraçou-a mais forte, como se aquele abraço iria a proteger de toda a dor, de todo aquele sofrimento. Quis se bater, quis bater em seu pai por ter tomado essa decisão tão repentinamente. E também quis ficar fazendo isso por toda a eternidade. Escondeu o rosto no pescoço da “amiga” e respirou fundo aquele cheiro viciante.
— Não se preocupe, Sakura-chan. — sussurrou para ela — É quase impossível te esquecer.
Assim que se afastaram, o voo foi anunciado. Viu a rosada morder os lábios e, dentro de seus olhos, viu desespero e dor. Impediu-se de abraça-la novamente e apenas deu um beijo em sua testa, num gesto carinhoso. Despediu-se de Naruto e acompanhou a família. Já distante, virou-se e acenou pela última vez, vendo um par de olhos verdes o chamarem, como se já sentisse sua falta.
Flash Back Off
Naquele dia, lembrou-se de sentir o coração pesar mais que qualquer coisa. Lembrou que sua mãe ficou ao seu lado e falando que era normal que seu coração pesasse, fazendo o garoto em plena confusão perguntar o porquê e quais eram os motivos de tanto doer e de tanto querer voltar a abraçar Sakura.
— Isso sempre acontece — falara a mãe, com um sorriso no rosto —, quando as pessoas apaixonadas se separam.
Enquanto isso...
O desejo de beijá-lo foi imenso. Parecia que cada célula de seu corpo clamava por aquele beijo com tanta intensidade que quis fazê-lo. Quis mostrar todo o seu amor, todo o seu fogo, toda a sua saudade. Quis beijá-lo com veemência. Mas três rostos vieram a sua mente.
O primeiro foi de Ino, com os olhos raivosos e decepcionados. Ouvia-a falar que confiava nela, que sempre confiara, e que aquela traição seria como uma faca nas costas. O segundo e o terceiro rosto eram de seus filhos, com os olhinhos vazios e cheios de rancor. Não vou machucá-los, pensou para si mesma.
Naruto ainda aproximava-se quando Hinata empurrou-o e levantou-se. Ele encarava a morena com uma mistura de surpresa e desentendimento e esse olhar ficou mais confuso quando notou um brilho diferente naqueles olhos. Um brilho que nunca pensou que veria naqueles olhos: o brilho de um ódio.
— Eu mudei, Naruto — rosnou Hinata, sem um segundo desviar de seu olhar —, e eu não serei mais aquela baka que eu era quando mais jovem. Você não tem nenhum controle sobre mim.
O silêncio reinou pelo que pareceram minutos, horas. Tentavam encontrar alguma coisa dentro do olhar do outro que mostrasse o que realmente sentiam, todavia, só viam a frieza. Eu criei um monstro, pensaram juntos enquanto seus olhos não se desviavam por um segundo. Céu contra pérola; azul celeste contra prateado; dia contra noite.
— Você não precisava falar isso; — murmurou Naruto e levantou-se também, ainda a olhando intensamente — eu já notei.
— Bom saber disso.
Olharam-se por mais alguns minutos. O loiro era mais alto, então, teve que olhar para baixo enquanto ela olhava para cima. E se afastaram – ela indo lavar a louça e ele indo para o seu lugar. Não falaram nada, até que ele quebrou o silêncio pela última vez. Aquela pergunta apenas cutucava, entretanto, quando Hinata deu-lhe um fora, a pergunta começou a martelar em sua cabeça:
— Me diga o por quê? Apenas me diga por que voltou.
A morena, por sua vez, continuou a lavar toda a louça. Sentiu o olhar dele em suas costas e aquilo a incomodava. E ele sabia que aquilo a perturbava. É apenas mais um teste, garantia-se mentalmente, é só mais um teste. Terminou de lavar e virou-se para o Uzumaki que não tirava os olhos dela por um segundo.
— Como eu já falei antes, isso não é da sua conta. — sorriu ironicamente quando viu crescer um brilho de raiva em seus olhos.
— Mas...
E, graças a Kami-sama, Sakura e Ino entram na cozinha. A rosada seguindo para o lado da Hinata, assim com a loira ia para o lado do namorado. Sem falar nada, a Haruno abriu uma gaveta e puxou uma toalha e entregou para a morena que ficou sem entender. Como ela sabia que eu precisava de uma toalha?
— É melhor você secar, já que ainda não sabe onde que se guarda as coisas. — piscou Sakura e Hinata riu baixo.
— É, uma boa ideia — pegou um prato e começou a secá-lo —, mas como sabia que eu precisava disso?
— Digamos que eu vi a louça molhada e cheguei a essa conclusão. Mas eu acho que não era esse o motivo de você estar virada, certo?
A rosada riu quando viu uma coloração aparecer no rosto da amiga. A Hyuuga iria contar tudo, contudo, lembrou que ainda estava na cozinha, não muito distante do individuo. Repensou e sorriu ainda sentindo as bochechas queimarem.
— Não tire opiniões precipitadas. Eu nem contei minha versão da história.
— Não precisa; eu consigo ver nos seus olhos que as coisas foram bem tensas — confessou a Haruno e virou-se para amiga, séria — Só, por favor, me diga que não fez nada que possa magoar Ino.
— Não, nada demais. E, pelo amor de Kami, diga que falou para Ino não contar sobre... — olhou para trás, vendo Naruto e Ino concentrados em sua conversa, e abaixou a voz — Sora e Kouji.
— Claro! Você acha que eu sou o que? — Sakura fez uma careta — Uma baka?
Já Naruto e Ino, conversavam sobre...
— Mas depois de tanto tempo, ele volta? — perguntou Ino extremamente surpresa. A notícia que Sasuke voltou para Tóquio a pegou desprevenida.
— É — murmurou Naruto, pensando até quanto poderia contar para a namorada —, ele acabou prometendo para a mãe que voltaria.
— Entendo e me surpreende saber que ele ainda não se casou. — com essa, Naruto engoliu seco. — Sabe, ele pode até ser todo fechado, mas também já está com vinte e sete anos na cara!
— E o que tem? Eu também tenho vinte sete anos, Ino-chan.
— Mas você tá namorando. Já é alguma coisa. — bufou a loira e encostou-se ao loiro — Eu só quero ver quando Sakura receber essa notícia.
— Prometa-me que não falará nada para ela. Sakura-chan ainda não pode saber disso.
— Por que não, Naruto-kun? Você sabe que ela ama-o desde que eram adolescentes. Eu acho que ela me mataria se não contasse-a que ele está de volta.
— Apenas não conte para ela, ok?
(...)
O vento frio batia em seu rosto com violência e o pouco cabelo dançava. Olhou para os lados e sentiu um arrepio passar por todo o seu corpo. Por algum motivo, sabia que estava sobre no último andar de um prédio.
Kouji andou para a saída, porém ficou surpreso quando notou que a porta estava trancada e procurou algo no bolso. Achou um clipe de papel e um sorriso torto cresceu em seu rosto. Igual ao pai, ouviu uma voz na sua mente e reconheceu ser a voz de sua mãe, ficando paralisado.
Sua mãe. Onde ela estava? E por que falara sobre seu pai? Nunca falou sobre ele! Nunquinha. Olhou para os lados e sentiu os olhos se arregalarem. Sua mãe, Hyuuga Hinata, estava na borda do prédio e ainda conseguia olhá-lo com um sorriso. Um sorriso triste e orgulhoso, um sorriso quase que muito usado nessa última semana.
— E eu queria que soubesse disso. — Hinata sorriu largamente. Percebeu que a voz que pensou estar ouvindo em pensamentos estava vindo dela. Só que ela não estava ali a poucos segundos atrás.
— Okaasan, o que esta fazendo ai? — perguntou, sentindo o coração ir a boca.
— Só queria avisar para você cuidar de sua irmã. — Assim, viu-a se jogar.
Gritou e correu, mas não parou na borda. Jogou-se na esperança de que alguém poderia salvar os dois. Todavia, as coisas não foram como planejado. Naquele momento, notou que ele caia sozinho e que ninguém o salvaria.
(...)
Não soube como, entretanto, não acordou gritando como sempre. Apenas respirava com uma dificuldade extrema e que não estava no mesmo que dormia por seis anos. Olhou para o lado e quase suspirou aliviado ao ver que Sora dormia em paz. Sorte dela que nunca teve pesadelo, pensou e abraçou suas pernas.
Olhou para o outro lado do quarto e prendeu o ar. Sua mãe. Ela não estava lá; onde estaria ela? Pulou da cama e viu a irmã se mexer. Repreendeu-se e andou até a porta. Abriu-a lentamente e lembrou que estava na casa de Sakura-chan e Ino-chan. Suas novas supostas tias.
Deslizou para fora do quarto e, em passos silenciosos, explorava o lugar com os olhos. A escada era perto, a direita do quarto. Andou até ela e paralisou ao ouvir uma voz masculina. Apoiou-se no corrimão da escada e ficou quieto para ver se escutava alguma coisa.
— Está na minha hora, meninas. — falou a voz masculina novamente e Kouji estreitou os olhos. Não era conhecido e não era um bom sinal.
— Sayonara, Naruto-kun. — ouviu duas pessoas falarem em coro e reconheceu a voz da sua mãe, fazendo-o quase desmaiar de alívio.
— Sayonara Hinata-chan, Sakura-chan — e, então, apareceu na porta da cozinha com Ino-chan ao seu lado.
Kouji tratou de se esconder atrás do vaso ao lado da escada. O problema foi que o tal homem notou um vulto e os passos dele pararam. Soube que ele encarava o local onde estava o vaso e que estava estreitando os olhos. Kouji lutou contra si mesmo para não aparecer e ver como era aquele cara, contudo, algo avisava a ele que não deveria aparecer.
— O que houve, amor? — ouviu Ino-chan murmurar.
Naruto não conseguia desviar o olhar daquele vaso. Via alguma coisa e era grande demais para ser um rato ou uma ratazana. E sabia que aquela coisa não apareceria. É claro, se fosse ele, não apareceria com certeza.
— Acho que nada, Ino-chan. — sorriu, sem tirar os olhos do vaso — Mas achei aquele vaso bem bonito.
— Que nada. É velho, mas não consigo jogar fora. Deve ser porque é herança da família. — a loira deu de ombro e o namorado olhou para ela.
— Oyasumi, Ino-chan. — encostou seus lábios nos da loira e sentiu a mesma se derreter, fazendo-o sorrir internamente.
Kouji olhou sobre o vaso e quase vomitou dentro deste, voltando para trás do vaso. Ver dois adultos se beijando, era realmente muito nojento. Ainda bem que não é aquele outro beijo, agradeceu mentalmente. Aquele outro beijo era ainda mais nojento, porque tinha língua, baba e... OK, é melhor parar de pensar nisso, pois se não o cara veria ele correndo para banheiro, indo vomitar o jantar.
— Oyasumi, Naruto-kun. — ouviu a tia falar com uma voz tremula.
Não vomite. Não vomite!
Quando deu por si, notou que estava prendendo o ar para não vomitar e soltou tudo quando ouviu a porta ser fechada. Olhou novamente por cima do vaso e viu Ino-chan com uma expressão sonhadora e viu-a suspirar, andando para a cozinha.
— Ele já foi? — perguntou sua mãe.
— Já sim, e estava muito fofo comigo hoje. —outro suspiro.
Kouji soube que esse era o momento para descer, antes que a loira começasse a falar coisas melosas de gente apaixonada. Ele teria certeza que vomitaria. Desceu os degraus e deixou-se ouvir a conversa das adultas, mesmo sendo uma coisa realmente perigosa. MUITO perigosa.
— Você poderia ter avisado quem era ele, sabe. Sem esse mistério todo. — bufou Sakura.
— É, acho que seria menos impactante. —concordou sua mãe.
— Mas vocês não acreditaram em mim! — explodiu a loira — Vocês nunca acreditariam se eu falasse que estava namorando Uzumaki Naruto!
Parou no meio da escada. Uzumaki? Uzumaki Naruto? O dono da empresa de motos mais velozes do mundo? O coração dele foi a mil por hora. Amava aquelas motos e sempre quis ter uma. No futuro, compraria uma e esfregaria na cara de quem quisesse ver. Por quê? Porquê, além de ser a mais veloz do mundo, era também uma das mais caras do mundo.
Mas não foi por causa da moto que parou. Foi porque já ouvira aquele nome várias vezes. Não se lembrava de onde, quando, mas já ouvira. Aquilo o fez voltar para o quarto, sem ver se a mãe estava bem ou não. Queria pensar sozinho e sua mãe não o deixaria pensar, o colocaria para dormir e ele não queria perguntar para ela sobre o tal Naruto. Não sabia por quê.
Em algum momento entre a saída de Naruto e a entrada de Hinata no quarto para ir dormir, o pequeno investigador já estava dormindo. E tendo um bom sonho.
Notas finais
KKKKKKKKKKKK'
Enfim, a má notícia: essa semana não poderei entrar. É semana de prova e, como estou no final do ano, tenho que recuperar as notas, sacoéné.
Espero que entendam e que perdoem-me. Além do mais, é só até sábado que vem.
Bjs e boa semana.
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