Os Dois Anjinhos

18 Capítulo 15 – Dando uma de cupido


Notas iniciais
Yooo mina! Obrigada pelos comentários, mais uma vez. Eu só não respondo que sempre bate uma preguiça, pois são vários, hehehe, mas eu leio todos. =D'
Boa leitura...

"Cupido, eu reconheço: sou tua nova presa." Ovídio


Entrou na cozinha na esperança de não encontrar ninguém e ignorou a vontade de bufar quando constatou que não estava só. Lavando a louça, estava sua irmã e o marido dela. Ela tinha os cabelos loiros escuros presos em quatro chuquinhas e seus olhos verdes escuros brilhavam quando estava com o preguiçoso do marido que tinha olhos pequenos e cabelo preso em um rabo de cavalo alto. Ela ria de alguma coisa enquanto ele apenas dava um pequeno sorriso de canto. Quando estava prestes a sumir dali...

— Está fugindo de mim, otouto? — indagou a loira, estreitando os olhos para o ruivo.

— Que nada, Tema — mentiu e deu um meio sorriso para ela — Eu só não queria atrapalhar o casal...

— Odeio quando mente — bufou e viu o irmão ficar sério — Por que não me conta a verdade?

Seus olhos se encontraram e não conseguiu ver nada naqueles benditos olhos azuis esverdeado. Para sua raiva, seu irmão era completamente inexpressivo que nem seu pai e essa era a única característica que odiava nele, contudo, era algo que não poderia mudar, pois ele, desde pequeno, foi muito zoado pelos ‘coleguinhas’(se é que poderiam se considerados assim) de escola e aquilo o deixou assim: fechado. “Principalmente quando o assunto é sentimento”, pensou e estreitou mais os olhos.

— Vou deixar o casal em paz — murmurou após alguns segundos de silêncio e saiu, fazendo que a irmã batesse a mão direita com raiva no balcão da cozinha.

— Calminha, problemática — Shikamaru alertou e a abraçou pela cintura — Sabe que Gaara é que nem você: problemático.

— Ora, Shika, tudo pra você é problemático — bufou e fechou a cara, sentindo seu marido girá-la para ficarem de frente.

— Não desconta em mim sua raiva — ele advertiu e ela suspirou, recebendo um beijo na testa e estendendo a mão para tocar-lhe a bochecha em um gesto de desculpas — Seu otouto-san não sabe lidar com os sentimentos da maneira correta, Temari.

— Ainda com essa teoria? Talvez ele não esteja apaixonado...

— Você acha?

— Hai, ele deve está passando por algum momento de saia justa no trabalho ou então...

— Então o que? — viu-o levantar uma sobrancelha e soube que não tinha mais o que falar, suspirando — Pelo que eu lembre, Gaara nunca escondeu qualquer problema no trabalho de você e ele não faz outra coisa além de trabalhar, entende?

— Hai, ele não é de sair muito desde que terminou com a Ino.

— Qual seria o motivo mais provável?

A loira desviou os olhos verdes escuros do marido e fez bico, ouvindo este rir baixo. Ela odiava quando ele estava certo e ela ficava se achando uma burra. Sentiu seu queixo ser levantado e encarou dois olhos sonolentos, brilhando de amor e carinho. Sorriu e esticou-se para beijá-lo. Um beijo calmo e sem nenhuma malícia e, quando foi ficando mais profundo, ela se afastou, deixando-o confuso.

— Eu já comentei que ainda estou irritada com seu atraso para o jantar? — perguntou e deu um sorriso inocente, fazendo que o rapaz engolisse seco.

— H-hai...

— E já comentei que, por causa disso, irei fazer greve de sexo?

— NANI?

Riu e afastou-se do marido que ficou estático, para depois ficar implorando para ela parar com aquela brincadeira sem graça. Enquanto se divertia com o Nara, tentava ignorar o fato que seu irmão mais novo não contava por quem estava apaixonado.

(...)

Os dois encaravam o céu em um silêncio mortal e incomodo, já que ambos gostavam de falar bastante. Ino sabia que iria chover desde o final da tarde, quando Kouji a mostrou as nuvens escuras que se aproximavam por cima dos altíssimos prédios de Tóquio e esperava que algum raio lhe atingisse a cabeça naquele instante, para, pelo menos, ter ideia do que falar. “Mas não é ele que quer falar comigo?” Perguntou-se e viu de canto de olho que ele abria e fechava a boca diversas vezes. “É, vamos dar um empurrãozinho”.

— Então, Naruto, como foi seu sábado?

— Hm, bem. — viu um fraco sorriso crescer nos lábios dele — Minha kaa-san quer mesmo fazer uma de suas ‘festinhas’ para mim e Ero-Sennin chegou de viajem.

— Jiraya-san? Como ele está?

— Hai, ele voltou de Londres... Falando que as inglesas não eram moles — os dois reviraram os olhos e começaram a rir — Eu acho que está bem e pronto para fazer outro de seus livros ero.

— O que não é novidade. — concluiu e riram novamente.

— Ino-chan... — chamou depois de alguns minutos em um silêncio confortante — Você sabe por que estou aqui?

— Tenho uma ideia, mas aguardo uma confirmação.

Suspirou e escondeu um pouco do nervosismo. Seu padrinho ficou a tarde toda conversando com ele sobre isso e, naquela hora, na hora H, todas as palavras que havia pensado sumiram em menos de um segundo. “Merda, e o que eu falo agora?” Pensou um pouco desesperado e não soube o que falar. Respirou profundo e resolveu ir direto ao ponto.

— Ino, acho melhor terminarmos nosso namoro...

“Bem na lata!” Olhou para o loiro sem expressão e esperou que continuasse.

— Eu... Er... Sei que estamos juntos há quase um ano e isso é bastante tempo para mim, acredite — ele brincou e ela deu um risinho —, mas acho que eu só te vejo como amiga e, como qualquer amigo, não quero ver você sofrer por minha causa.

O Uzumaki demorou alguns segundos para olhar para a mulher e viu que ela estava o encarando inexpressiva. Desviou o olhar e voltou a fitar o céu. Será que ela entenderia? Bem, ele havia dado um motivo bem convincente e verdadeiro. O que ela mais pediria? Algo como “estou apaixonado por outra pessoa” ou “eu nunca te amei”? Nenhum dos dois era verdade... Pelo menos uma das afirmações não era verdadeira... Balançou a cabeça e virou-se para a Yamanaka, surpreendendo-se ao ver um sorriso nos lábios dela.

— Tudo bem, Naruto-kun — Ino murmurou e levantou-se da escada que estavam sentados — Eu entendo que não iria muito longe esse nosso namoro.

Naquele momento, ele arqueou uma sobrancelha e esperou que ela começasse a chorar, entretanto, não aconteceu e percebeu que ela já havia se preparado para aquilo. Quando notou uma expressão compreensiva no rosto da moça, levantou-se e sorriu largamente, abrindo os braços para um abraço. Viu a loira rir e correr para abraçá-lo.

— Arigatou por entender, Ino-chan — agradeceu quando se afastou e beijou-lha a testa.

— Hai, hai! Continuamos amigos?

— Claro! — sorriu e recebeu outro sorriso.

— Então posso dar um conselho de amiga? — ela perguntou e ele estranhou, porém assentiu — Você deveria conversar com a Hina-chan sobre os seus filhos.

Por um segundo, achou que a mulher estivesse brincando e até gozando da cara dele, então foi quando se lembrou que estava com ela quando conheceu os seus filhos ainda não sabendo que eram filhos dele. Isto queria dizer uma coisa: ela sabia, sempre soube que ele era pai. E, se ela sabia, Sakura sabia e, provavelmente, Sasuke também sabia... “Mas por que não me contou?” Perguntou-se e sentiu algo quente no seu rosto, fazendo a Yamanaka rir e apertar-lhe as bochechas.

— Você fica uma gracinha quando está corado!

— Haha, não fico nada — afastou as mãos e tentou ignorar o fato de sentir o rosto ficar mais quente — Eu... Eu não sei o que faço, Ino-chan. É um pouco complicado pra mim, ser otou-san; ainda mais agora que eu e Sasuke estamos tentando unir as empresas. — murmurou e suspirou — Eu quero ser um bom otou-san, pois não quero que meus filhos pensem que nunca os amei, pelo contrário, nesses últimos dois meses, eu sentir um grande amor pelos dois, mesmo não os conhecendo de verdade. Mas com a pouca quantidade de tempo, acho que seria como foi meu relacionamento com meu tou-san: nós seriamos afastados e poucas vezes nos veríamos. E eu não quero isso.

Ino foi pega de surpresa com o que Naruto havia dito e o viu abaixar o olhar para o chão. “Então, ele realmente quer cuidar dos filhos”, deu um pequeno sorriso. Isso era bom, muito bom. Só faltava que Sora e Kouji soubessem da verdade e a última parte dependia apenas de uma pessoa: Hyuuga Hinata. Mordeu o lábio inferior para conter a vontade de rir alto; é, ela logo faria a morena ir falar com o loiro e...

— Ino-chan, também posso dar um conselho de amigo? — indagou o rapaz e arqueou uma sobrancelha — Ah, qual é! Eu não duvidei de você.

— Eu não duvidei, só estranhei. Fale antes que comece a chover!

— Ótimo — ele sorriu e abaixou-se para sussurrar no ouvido da garota que se arrepiou com o ar quente — Corra atrás de quem você ama de verdade.

A loira ficou ainda mais surpresa do que antes e engoliu seco. Ele sabia quem era seu amor? Que esse amor não era ele? Ai, Kami-sama! Sentiu todo o corpo congelar enquanto o coração batia mais rápido. “Será que ele sabe que eu e Gaara nos beijamos?” Perguntou-se e mordeu o lábio inferior. Olhou nos olhos do loiro e sorriu ao ver que não tinha nenhuma raiva, apenas um carinho de amigo.

Ele queria o bem dela e queria que ela corresse atrás de seu amor. A questão era: ela correria? Iria atrás de um tal ruivo e perdoaria aquela antiga traição? Deveria, é claro. “E se ele repetir a dose, o que faço?” Entristeceu com o pensamento e balançou a cabeça, tentando impedir-se de chorar e de ficar deprimida.

— Agora, acho melhor você entrar. — murmurou o rapaz, recebendo sua atenção — Está começando a chover, mas antes...

Viu Naruto puxar algo do bolso interno do casaco e ficou curiosa, tentando espiar. Ele viu sua intenção e levantou os papeis sobre a cabeça enquanto ela se esticava para pegar. Pulou, ficou na ponta do pé, tentou subir nele e nada adiantou. Revoltada, cruzou os braços e encarou-o com cara de poucos amigos, fazendo que ele risse e abaixasse o braço, entregando-lhe três papeis. Estreitou os olhos e examinou o primeiro, levantando uma sobrancelha e o encarando.

— Festa de aniversário?

— Hai, kaa-san começou a organizar hoje e já fez todos os convites — ele revirou os olhos — Ai está o seu, da Sakura e da Hinata. O do Sasuke está lá em casa; eu não trouxe porque não sabia que ele estava aqui.

— Eu não acredito que sua okaa-san fez isso com você — riu e ele fechou a cara — Qual é, Naruto! Convite escrito “você está convidado para a festa de aniversário de Uzumaki Naruto” é gozação.

— Eu sei! Mas não é minha culpa. — ele bufou e ela riu mais — Para de rir! O meu azar é tão grande que minha kaa-san fez questão de fazer convite apenas para as pessoas que eu quero convidar.

— Hm, então, você quer convidar a Hina-chan... — brincou e gargalhou quando viu as bochechas do amigo corarem violentamente.

— Ino!

— Já parei — respirou e sorriu, abraçando-o pela última vez — Ja ne, Naruto-kun.

— Hai, hai! Ja ne. Fale que eu quero vê-las lá e você também, ouviu?

— Entendido, capitão.

Afastaram-se e ela entrou em casa, ainda olhando o Uzumaki. O que havia acontecido? Era estranho demais saber que tinham terminado o namoro e mais estranho ainda sentir-se jubilosa com tal ato. Voltou a olhar para dentro de casa e viu que Hinata carregava Sora no colo; quando seus olhares se encontraram, a Hyuuga sorriu e apontou para o andar de cima.

— Venha me ajudar! Sakura e Sasuke já levaram Kouji e ainda nem arrumei a cama deles — sussurrou e começou a subir as escadas, com a loira no seu enlaço.

A Yamanaka arrumava o futon das crianças enquanto a morena se mexia de um lado para o outro, não deixando que a filha acordasse. Quando terminou, Hina colocou a menina na cama e a rosada apareceu com Kouji no colo com um sorriso lindo. Depositou-o na cama e levantou-se, encarando os gêmeos ao lado das amigas. Os anjinhos começaram a se aproximar e sorriram.

— Eles são muito kawaii — concluiu Ino e viu a mãe os cobrirem e dar um beijo na testa de cada — E você é a melhor okaa-san do mundo, Hina-chan.

— Eles são kawaii, mas eu não nem perto de ser a melhor okaa-san do mundo. — ela falava enquanto acariciava o cabelo do garotinho — Eles merecem muito mais...

— Você é a melhor kaa-san, sim, Hyuuga Hinata! — brigou Sakura, revoltada com a chatice da amiga. Que mania chata de nunca ser boa demais!

— Se vocês dizem...

— Hai, nós dizemos — concordou a loira e virou para a estante de livros perto dali, lembrando-se que tinha colocado os convites do aniversário ali — Ah, eu havia me esquecido disso...

— Nani? — perguntaram as outras duas, confusas.

— Naruto mandou uma coisa — pegou os papeis e guiou-as para fora do quarto, entregando-as logo em seguida — Ele quer que vocês apareçam.

— Por mim, tudo bem — sorriu a Haruno, guardando o papel na calça jeans.

— E você, Hinata?

Nesse momento, perceberam que a moça estava mais branca que o normal e parecia ler e reler o papel. Aproximaram-se e viram o que assustava tanto: o convite estava direcionado a ela e seus filhos. “Que mau pressentimento é esse que estou sentindo?” Pensaram as três juntas e se entreolharam.

(...)

Segunda feira. Que diabos!

Estacionou seu Volvo C30 branco com detalhes preto em uma vaga qualquer do estacionamento subterrâneo da empresa e desligou o carro com um suspiro. Mais uma semana; mais trabalho; mais cansaço. “Mas é melhor do que ficar em casa!” Pensou e assentiu derrotado. “Pelo menos, agora.” Saiu do carro e trancou o mesmo, indo em direção ao seu querido amigo elevador.

Já entre quatro paredes de metal, respirou fundo e abaixou a cabeça, deixando-se pensar no fim de semana. Temari estava cada vez mais desconfiada e teimosa. Antigamente, agradecia mentalmente a cada dia que a irmã não o pressionava com nenhuma pergunta sobre ele e sua vida e, desde alguns dias, ela vinha tentado fazer com que ele fale. E estava ficando cada vez mais difícil esconder dela.

O elevador logo ficou cheio e ele ficou olhando para o teto, ouvindo Beethoven como músiquinha de fundo. Teria que ignorar a vontade de contar esse problema para ela e teria que ignorar esse problema. Afinal, já faziam dois meses que não a via e ela não veio mais vê-lo. Ela queria distância... “Então, é isso que terá.” Pensou decidido e chegou em seu andar, indo direto para sua sala.

Quando abriu a porta, surpreendeu-se me ver uma mulher olhando suas fotos de costas para ele. Balançou a cabeça, livrando-se da expressão pasma para algo entre indiferença e raiva.

— O que está fazendo aqui? — perguntou e estreitou os olhos.

— Eu não acredito que não me reconhece, Gaara-san! — ela falou indignada e virou-se, mostrando seu rosto e seu sorriso doce — Pareço tão diferente assim?

Hinata se olhou e voltou a olhar o rapaz que, pela primeira vez, demonstrou alguma reação: espanto. Colocou a mão na boca e riu. O ruivo sempre foi tão na dele que não pensou que ficaria tão pasmo ao vê-la novamente. “Pelo visto, me enganei feio”, sorriu e viu-o voltar a ficar inexpressivo. Observou-o se aproximar e, pegando-a completamente desprevenida, ele a abraçou. Exatamente! Passou os braços pelo pescoço da morena e apertou-a contra si.

— Gaara-san, eu... — tentou falar, corada, só que ele a cortou.

— Eu senti sua falta, Hyuuga.

Com aquilo, ela não resistiu e retribuiu o abraço com força. Ficaram assim pelo que pareceu horas, dias, meses! Ele, sentindo o pequeno corpo da amiga entre seus braços, sendo apertado com força e carinho ao mesmo tempo; ela, sentindo o amigo se aninhar em seu pescoço. Após alguns longos minutos assim, afastaram-se e ele sentiu as bochechas esquentarem um pouco.

— Gomen, foi um momento de fraqueza.

— Ah, para de palhaçada, Gaara-san! — revirou os olhos e deu um sorriso carinhoso e amigável — Sei que deve estar sofrendo bastante desde o último encontro com a Ino-chan — ele levantou a sobrancelha — Moramos sob o mesmo teto, acha mesmo que ela não vai me contar isso?

— Eu pensei que ela contaria e vocês ficariam rindo da minha cara, me chamando de baka — ele confessou e deu de ombros, vendo a moça olhá-lo como quem diz: sério mesmo? — Quando voltou?

— Nem pense em mudar de assunto — cortou e sentou-se no divã da sala, cruzando as pernas — Eu faço as perguntas e você responde — ele revirou os olhos e assentiu — Como vai a vida?

— Está seguindo...

— Ainda gosta da Ino-chan? — ele negou com a cabeça — Resposta errada!

— Na verdade, eu não gosto dela; eu a amo — ouviu-o sussurrar e sorriu com isso.

— Então, por que não vai atrás dela?

Viu quando ele abaixou o olhar e concluiu que estava pensando em sua proposta. Sabia que, de alguma maneira, aquele casal só precisava de um empurrãozinho para voltar a ser a que era antes e era aquilo que faria: juntaria aqueles dois e se livraria do orgulho de ambos. Se convencesse o Sabaku, convenceria a loira e fim de papo. Sorriu largamente e este murchou logo depois, quando viu o rapaz negar com a cabeça.

— Porque ela quer assim. Se ela for ficar infeliz ao meu lado, prefiro que não fique.

— Mas, Gaara...

— Não, Hinata, eu não quero vê-la infeliz.

— Você não entende! Ela só será feliz ao seu lado... — percebeu ele absorver aquelas palavras e continuou — Ela também está sentindo sua falta... Você tem que acreditar.

— Eu acredito — murmurou de repente, fazendo a mulher parar de falar abruptamente —, mas eu cansei de ir atrás dela, Hinata.

— Como assim? — perguntou com medo das palavras a seguir.

— Eu corri esse último ano atrás dela e ela não me dava uma chance. Eu sempre sofri, tentando mostrar o quanto eu a amo e cansei. — afirmou e encarou no fundo dos olhos prateados — Se ela ainda me ama, então, venha me procurar.

(...)

Se ela ainda me ama, então, venha me procurar? — perguntou Sakura, parecendo um pouco indignada.

— Hai, ele disse com essas palavras — suspirou e enrolou o fio do telefone no dedo, um pouco nervosa — O que faremos agora, Sakura-chan?

Estavam conversando no telefone, poucos minutos depois do encontro que teve com o ruivo. Ela havia planejado com a rosada a conversa com o rapaz e o problema ocorreu quando ele não disse “tudo bem, eu vou atrás dela”. E elas não haviam pensando nessa parte... Respirou fundo e ouviu a amiga resmungar que o Sabaku era tão cabeça dura quanto a Yamanaka, fazendo a morena rir.

Eu não sei o que pensar! — confessou a Haruno e suspirou — O que mais podemos fazer para juntar esses dois?

— Acho que teremos que fazer o que Gaara falou; fazer que ela o procure!

É, falar é fácil! Hina-chan, nós duas sabemos que Ino é tão orgulhosa quanto... Você!

— Ei! Vou considerar isso um elogio — bufou e ouviu a rosada rir — Mas ela, além de orgulhosa, é dura na queda.

Acho que só se a garota que o traiu fosse falar com ela pessoalmente... — murmurou a moça sem pensar e, então, Hinata sorriu largamente.

— Sakura-chan, você é um gênio!

Nani? Não me diga que você vai fazer isso! Hina, a garota sumiu do mapa desde o termino dos dois; como você vai achá-la?

Olhou para o teto e fechou os olhos, tentando achar algum argumento e, para sua maior tristeza, notou que a rosada estava certa. Mordeu o lábio inferior e reprimiu a vontade de se xingar. Voltaram ao nada e não tinham ideia de como sair deste! Que maldição! Só elas duas não dariam certo, tinha que ter mais alguém. Alguém que quisesse o bem de um dos dois; alguém que estivesse ao seu lado! “Mas quem?” Perguntou-se. “Quem poderia ser essa pessoa?” Lembrou-se das fotos que tinha na sala do Sabaku e ajeitou-se na cadeira.

— Sakura, você lembra se o Gaara tem um parente próximo?

Bem, há anos atrás, ele tinha a onee-chan, Sabaku no Temari— recordou a rosada — Ino falava que ela era a melhor cunhada do mundo!

— Que tal eu ir atrás dela? Talvez, ela possa nos ajudar com nossa missão impossível...

Nossa missão quase-impossível! — ela corrigiu e a morena sorriu — Se fosse impossível, nós não estaríamos continuando com essa maluquice.

— Tem razão. Agora, tenho que desligar! Meu chefe está me chamando para ir a sala dele, para resolver sobre uma futura reunião.

Hai. Ja ne, Hinata-chan!

— Ja ne — despediu-se e desligou o telefone — É, agora para a sala do chefe.

Logo a Hyuuga já estava na frente da porta do seu chefe e respirava fundo, tentando se acalmar. Por que estava sentindo o coração bater mais rápido só em pensar em entrar na sala do Nobuhiko? Ignorando isso, bateu na porta e entrou. Perdeu completamente o ar quando encontrou dos olhos azuis fitando-a fixamente a ponto de se sentir nua e corou com isso. Ficou encarando aquele olhar até que foram interrompidos.

— Ora, vejo que chegou, Hinata-san! — sorriu — Vamos começar logo essa reunião.

Mas hein?

(...)

— O que você ficou falando com a Hinata esse tempo todo? — perguntou a loira assim que desligou o telefone com um sorriso.

— Hã? — indagou e deu um sorriso nervoso — Nada demais.

— Nada demais o que?

Sakura suspirou e revirou os olhos. Estava tão focada na conversa com a morena que acabou se esquecendo de olhar ao redor. Não tinha mais volta; teria que falar alguma coisa convincente e que deixasse a loira sem muitos argumentos para supor que era mentira. “E o que eu posso falar?” Perguntou-se, vendo a amiga estreitar os olhos. “Ai, Kami! Ela já está suspeitando!”

— Hm... Bem, a Hina disse que foi falar com o... — “Quem? QUEM?” — o Naruto, hoje mais cedo.

— Nani? — exclamou a Yamanaka e se sentou ao lado da amiga — O que eles conversaram? Por que ela não me ligou também? Você podia ter me chamado!

— Er... É que ela está sem tempo e não conseguiu ligar para o seu celular, falou que deu fora de área. — riu nervosa e não engoliu seco; certamente, aquilo a entregaria.

— O que eles conversaram? — repetiu a pergunta.

— Bem... Eles...

Assim, ela começou a falar algumas mentiras para a amiga. Contou que eles haviam conversado sobre as crianças e que ele lutaria pela guarda deles. Ino, coitada, ficou tão intrigada com a conversa da rosada que nem percebeu o quanto a moça mentia. Após um tempo, Sakura começou a mentir com mais facilidade e, então, as duas estavam fofocando normalmente.

— Ai, eu não acredito que ele vai fazer isso! — exclamou a Yamanaka com um sorriso — Eu sabia que ele seguiria meu conselho.

— Isso é bom, não é? A Hina-chan também vai se dar bem com essa história.

— Concordo! Só temos que dar um ‘empurrãozinho’ nela para que se livre desse medo...

— Medo? — estranhou — Que medo?

— Medo de se apaixonar pelo Naruto! Está na cara que ela não esqueceu ele...

“Acredite, ela não é a única”, pensou, referindo-se também à loira apaixonada pelo Sabaku.

— E o Naruto não está muito diferente dela não, viu? — continuou a Yamanaka, recebendo novamente a atenção da rosada — Ele está gamadinho na Hina! Ontem, ele admitiu pra mim que a Hinata era uma pessoa que ele queria chamar pra festa dele e ficou todo coradinho, muito kawaii!

— Hm... E o que vai fazer? — perguntou, mesmo já sabendo a resposta.

— O que você acha, Testuda? Você já foi mais inteligente e eu vou culpar o seu namorado por isso — com essa, ela corou e a amiga gargalhou — Haha, eu sabia.

— Hahaha, não vi graça — fechou a cara e repetiu — O que você vai fazer?

— Enfim, serei a ‘cupida’ do casal e você vai me ajudar...

— Nani? Por que eu?

— Porque é a única que está namorando lá em casa — quis argumentar, porém suspirou derrotada e desviou o olhar — Viu? Sabia que nos entenderíamos.

— Hai, hai! Agora deixa eu voltar pra minha sala, antes que a Tsunade me mate — levantou-se e encarou a moça que tinha um sorriso vitorioso no rosto — Na mesma mesa para almoçarmos juntas?

— Claro! Ja ne!

Enquanto corria para sua sala, Sakura se pôs a suspirar e pensar no que havia feito. Havia se metido em uma furada: primeiramente, na sua mentira, Hinata já havia conversado com Naruto e ele queria a guarda das crianças; também tinham se decidido como seria a vida dos pequenos dali para frente, quando a morena falasse sobre o pai para os anjinhos. Outro detalhe? Teria que ajudar tanto a Hyuuga quanto a Yamanaka a serem cupidas! Que maravilha, não?

A parte boa? Ela estava feliz. “Afinal, elas sempre estiveram ao meu lado!” Pensou e sorriu. “E se eu posso ser feliz, por que elas não podem?”

Notas finais
Tá ai! Naruto e Ino terminaram. Temari entrou no jogo e, provavelmente, será bem importante!
E a Hina e Ino dando uma de cupido? O que acharam? Próximo capítulo com NaruHina a vista; FINALMENTE, UHASUIAUI'
Até!