Os Diários de Diego Dorhemee - Fevereiro

1 02 de Fevereiro de 1880 - Eu não posso sair?


Notas iniciais
Eu estava em dúvida, ou eu escreveria um série sobre a escola, ou eu escrevia algo no no estilo steampunk, então resolvi fazer os dois! É baseado no mesmo mundo paralelo de um livro que eu estou escrevendo (não vou postar aqui), mas não há nenhuma ligação entre os dois.

É simplesmente foda.

Desculpa usar essa palavra, mas é a única palavra que descreve a situação pela qual estou passando, certamente vocês já passaram por uma situação na qual essa palavra resume tudo, então vocês sabem como me sinto agora.

Você provavelmente não sabe quem sou eu, eu sou Diego Damnleer Dorhemee, 14 anos, e agora estudante do Instituto de Técnicas Mecânicas Aplicadas. O problema é que eu não quero estudar nesse maldito instituto!

Bem, talvez lendo meu diário desde o começo você entenda...

02 de Fevereiro de 1880 — Eu não posso sair?

- E aí cara?

Olhei o garoto friamente, a maldita reunião de boas vindas de uma hora e meia tinha finalmente acabado e eu estava morrendo de sono.

- E aí cara?! – Disse ele novamente achando que eu não tinha ouvido.

Eu acenei de leve para o garoto e forcei um sorriso, não estava a fim de puxar conversa, e ele parecia ser um tagarela.

- Vai tomar o café da manhã aqui? – Insistiu ele em puxar assunto.

- Eu não tomo café.

- Deveria tomar, o dia vai ser longo e cansativo, pelo menos é isso que disse o meu primo, sabe, ele já estudou aqui e blá, blá, blá...

Eu não prestei atenção na metade das coisas que ele disse, achei uma pedrinha no chão muito mais interessante.

- blá blá blá... qual é o seu nome?

- O quê?

- Seu nome? Eu sou Higor, Higor com “H”!

- Sou Diego...

- Vamos pro refeitório, cara! Daqui a pouco nós já teremos que ir pra primeira aula!

- Valeu cara, valeu mesmo! – Disse já irritado – Só que eu não estou a fim de comer!

- Então vem só ficar com a gente!

Então ainda tem mais idiotas com ele?

- Cara, eu não quero andar contigo, entendeu?

Ele ficou calado por um instante, eu pareci tê-lo ofendido, mas ele parecia ser idiota demais para entender qualquer tipo de ofensa.

- Meu primo falou que não é muito bom ficar andando por aí sozinho...

- Esquece o teu primo, tá?

- Três minutos! – Disse ele – Estou na mesa do canto!

Que tipo de idiota não entende quando não quero andar com ele? Esse instituto é colado a uma fábrica e é enorme! Pra que andar com ele quando eu posso ir para qualquer outro lugar?

Fui até as escadarias no fim do corredor e desci, então segui aquele longo corredor cinzento até sair num enorme descampado de terra batida, onde se avistava os muros que separavam a escola da fábrica que tinha enormes chaminés que soltavam uma fuligem preta no ar.

Eu simplesmente me sentei encostado na parede e abri um dos livros que eu havia recebido e comecei a folheá-lo e ver as imagens de máquinas a vapor com detalhes de engrenagens e válvulas.

Quando eu menos percebi o livro voou da minha mão e foi parar num monte de terra ali do lado, ao olhar pra cima me vi cercado por alunos com cara de mau.

- Desculpa! Eu não vi você aí! – Disse um deles rindo – Deixa eu pegar pra você... Opa! – Ele pisa no livro – Foi sem querer... – E joga o livro pra mim.

- O que é que você tá fazendo aqui, moleque?

- Eu estava lendo...

- E por que você não lê no refeitório?

- Por que lá está cheio de idiotas...

- Olha rapaz – Disse um deles se agachando pra falar comigo – Essa escola é enorme, como você já percebeu... Imagina o que aconteceria caso todos os alunos pudessem perambular por aí à vontade, quando quiserem?

Ele me esperou responder.

- O que aconteceria?

- O caos seria instaurado na escola... Mas o que aconteceria se eles não puderem andar por aí à vontade?

- Eu preciso responder?

O garoto mais velho se irritou e me levantou do chão, me empurrando contra a parede e dizendo:

- Eu não gosto de engraçadinhos, entendeu? O negócio é que é proibido os alunos ficarem transitando pelos corredores! Se você quer ficar num lugar a salvo dos inspetores de corredor, é com a gente que tem que tratar!

- Entendi!

- Só que pra ficar a salvo, você tem que liberar uma pequena verba pra gente, entendeu?

Eu fiquei em silêncio por um tempo e o brilho em seus olhos aumentou.

- Eu não tenho dinheiro! – Eu disse.

Algum tempo depois eu já estava caminhando todo sujo de terra para o refeitório onde os alunos terminavam de comer o seu café da manhã.

- Aqui! – Acenava Higor num banco junto de outros alunos.

Diego sentou-se a contragosto, e Higor começou a falar:

- Eu pensei que você voltaria em três minutos, mas foram quatro...

- Por que não me disse antes? Sobre os caras do segundo ano?

- Eu disse, mas você não prestou atenção!

Eu estava furioso e queria descontar tudo no Higor, mas sabia que não podia fazer isso. Tudo o que eu queria era sair daquela maldita escola. Eu simplesmente fiquei olhando para baixo.

- Ei Diego, cumprimente os demais!

Olhei ao meu redor e não vi quase nada, não costumo guardar lembranças inúteis por muito tempo, mas aqui está uma lista que eu consegui fazer após algum tempo, tentando me lembrar daquelas pessoas na mesa:

Jeremy (Ou Jeremias) – Foi o primeiro que falou. Ele tem a voz meio afeminada mas tenta parecer bastante másculo. Tenho certeza que ele não é homossexual, mas tem potencial...

Karina – A única menina no grupo. Ela se veste como uma Gothic Lolita, mas não é tão bonita, ela é calada.

Marco(s) – É divertido e gosta de fazer piadas.

Higor (Com “H”) – É tagarela, e já leu muitos livros, o que seria interessante se ele não falasse demais e acrescentasse demais sua própria opinão, aliás o bordão dele é “Na minha opinião”.

(Não lembro o nome) – Tinha mais alguém sentado na mesa, eu lembro que era um garoto, mas não lembro se ele disse alguma coisa durante os intermináveis dois nove minutos que eu passei com eles.

O sino no alto da torre tocou e ao sair do refeitório fomos postos em várias filas diferentes, éramos 200 alunos novos.

Ao sermos enfileirados, recebemos faixas amarelas que deveriam ser amarradas aos nossos braços, éramos do primeiro ano, e não podíamos andar sem nossas faixas, os alunos do segundo ano tinha uma faixa azul e os do terceiro (quase não eram vistos na escola) tinham faixas vermelhas.

Os alunos foram divididos em três fileiras.A primeira iria para o teste de cognição e percepção, a fim de diagnosticar sua capacidade mental, a segunda iria para um tour entre as máquinas e a terceira iria para o teste físico.

Eu fiquei na primeira fileira, longe do Higor (graças à Deus) que não parava de tagarelar, mas junto de Karina e Jeremy (que não parava de contar vantagem sobre si próprio). Os alunos tiveram que sentar-se no chão numa fileira.

O tal do Jeremy se mostrou mais irritante do que Higor, ele não parava de falar sobre o dinheiro da sua família, e em como ele era rico, parecia até que... não! Ele realmente estava tentando impressionar Karina.

- ...Minha mãe era superprotetora sabe, ela nunca me deixava sair de casa e todos os meus brinquedos eram tipo protegidos pra bebês – Dizia Jeremy, eu não acreditava em uma só palavra – Mas era incrível que eu mesmo assim conseguia quebrá-los!

- Quando eu era criança, se eu quebrasse meus brinquedos, eu ficaria sem nenhum! – Eu disse – E ainda apanhava pra aprender a lição!

Karina riu pela primeira vez, ela estava tão entediada quanto eu por ouvir a conversa de Jeremy.

- Com uma colher de pau, não é?

- Isso mesmo! Você não deve ter passado por isso, não é Jeremy? Afinal sua mãe é superprotetora e tal...

- Eu... er... – Seu estoque de mentiras havia acabado, ainda bem! Eu não estava mais aguentando!

- Você parece ser legal! – Disse Karina.

A última coisa que eu queria era conversar. Eu só falei aquilo para que Jeremy parasse de tagarelar.

- O problema é que eu não sou legal, e não gosto de conversar! – Eu disse.

- Então nós podemos nos dar bem!

Eu e Karina não trocamos mais nenhuma palavra, de fato nós estávamos nos dando muito bem.

O teste de cognição não foi nada mais que andar sobre uma linha reta no chão, saber identificar cores (descobrimos que havia um garoto daltônico),testar se nós temos alergia à graxa ou a outras substâncias utilizadas na mecânica... Era interessante ver as meninas fazendo caretas enquanto metiam a mão na graxa, mas Karina não fez careta alguma.

Após terminarmos os testes, fomos para o tour entre as máquinas que iríamos utilizar, e os nossos guias eram os alunos do segundo ano, justamente aqueles que me bateram por não ter dinheiro.

- Dentro da escola, nós temos algumas máquinas à vapor em pequena proporção, se comparadas às da fábrica – Disse o aluno do segundo ano que atendia pelo nome de José – Mas vocês só poderão trabalhar aqui no segundo ano, no primeiro ano vocês só virão fazer visitas ocasionais...

- Então o que estamos fazendo aqui? – Eu falei baixo, mas ele conseguiu escutar.

- Eu não queria que arruelas como vocês andassem aqui nas NOSSAS máquinas – disse José – Mas são ordens da reitoria então eu não posso negar, aqui estamos para treiná-los para a vida industrial!

Eu fiquei quieto, já tinha aprendido minha lição por um dia, não queria ser marcado por eles.

- Ah! E vocês também podem testar algumas de suas invenções mecânicas aqui, embora raramente algum arruela consiga fazer alguma coisa aqui...

Outros garotos do segundo ano se aproximaram trazendo dois objetos entre panos. Eles estavam rindo demais e eu não gostava disso.

- Essas belezinhas foram criadas por mim quando eu era um arruela como vocês!

De dentro do embrulho dos panos ele tirou uma espécie de pistola cromada com o tubo muito largo. Sua culatra era cheia de engrenagens que não paravam de se mover, e também possuía uma manivela na parte superior.

José começou a girar a manivela rapidamente e a pistola fez um zumbido.

- Eu a chamo de Arma de Pulso! – Disse José ainda girando a manivela – Ela não dispara projéteis! Basta girar a manivela que uma grande quantidade de ar comprimido é armazenada, e ao puxar o gatilho, uma onda de ar é ejetada e esse modelo, mais simples, tem alcance de cinco metros!

De dentro do segundo embrulho foi tirada outra arma de pulso que foi dada a Diego.

- É só uma espécie de recepção! – Disse José – Um duelo entre o representante dos arruelas contra o representante do segundo ano!

- E porque eu tenho que ser o representante dos arrue... quer dizer, dos calouros?

- Por que eu escolhi, droga! – José andou até Diego e os dois ficaram com as costas de um coladas às do outro – Você conhece as regras! Três passos e depois nós dois atiramos!

Eu não podia dizer não, eu simplesmente tinha que aceitar o duelo.

A cada passo que dávamos, os veteranos contavam.

Um... Dois... Três!

Eu me virei rapidamente e puxei o gatilho várias vezes, mas a pistola somente estalava cada vez que eu puxava o gatilho.

- A manivela... – Disse José, rindo – Esqueceu que você devia girar a manivela?

O veterano apontou a Arma de Pulso para minha barriga e disparou. Eu fui jogado emdireção à parede devido à força da arma e fiquei sem fôlego devido ao golpe no estômago.

- Então, os veteranos venceram esse duelo! – Disse José, que depois caminhou até onde eu estava e tomou a Arma de Pulso de minhas mãos – Mais sorte da próxima vez!

Queria que não tivesse próxima vez... Também queria que eles não me marcassem, mas já era tarde demais, eu estava na mira dos veteranos.

Após o tour entre as máquinas, nós fomos dispensados para o almoço, depois disso nós iríamos para o teste físico.

Higor conseguiu me achar novamente, e eu só tentava ficar o mais longe o possível de todos eles.

- Ei! Para onde você está indo? – Exclamou ele – O refeitório fica do outro lado!

- Estou indo até a portaria!

- Por quê?

- Por que eu não vou almoçar aqui! – Respondi, irritado – Eu não passo mais nem um segundo nessa maldita escola!

- Um minuto! – Disse Higor – Te esperamos na mesma mesa!

Eu simplesmente ergui meu dedo médio e mostrei pra ele, saindo rapidamente de sua vista e indo até a portaria.

Chegando lá fui barrado por um cara de uniforme azul cinzento.

- Aonde pensa que você vai?

- Almoçar!

- O refeitório é na direção oposta!

- Eu não vou almoçar aqui!

- Então vai ficar sem almoçar!

- O quê? Então eu não posso sair?

- Só durante os fins de semana! – Disse o porteiro – Seus pais não lhe avisaram? Essa escola é uma espécie de semi-internato!

- Mas tem alguém lá fora com quem eu quero muito falar!

- Espere até o fim de semana!

- Eu não vou sobreviver até o fim de semana!

- Vai almoçar logo garoto!

Então eu voltei para o refeitório onde estava Higor e os outros. Eu voltei exatamente um minuto depois, como Higor havia dito.

Era foda...

Eu precisava muito vê-la, e certamente eu daria um jeito... À noite...

Notas finais
é meio fraquinha, mas eu posso fazer melhorar Comentem.