Os Diários De Thalia - O Último Raio EM HIATUS
3 Capítulo 3 - Finalmente saio do acampamento
O mapa estava em um papel com um tom diferente como se alguém tivesse jogado pó de café em cima e rasgasse um pouco. O papel era quadrado, mas só tínhamos em mãos um pedaço quadrado de um grande quadrado, no caso, tínhamos a porção direita superior do mapa. Dava pra ver Miami e uma seta apontando “Acampamento Meio Sangue” em grego e com o desenho de um centauro. Dava pra ver também o a seta pro Empire State Building, a entrada para Olimpo com um “Ω” – ômega, a última letra do alfabeto grego. Havia basicamente o extremo sul de Miami Beach.
–Como nós vamos achar o resto? – perguntou Grover desesperado – Não sabemos de nada! Seriamente, sua mãe poderia ser mais clara, Annie, sem ofensas!
–É por isso que ela é a fonte de inteligência do mundo, ela não diz as coisas claramente. – Annabeth respondeu fazendo com que Grover se sentisse menor, do jeito que ela falou isso parecia à própria Atena falando. Aquela menina era muito “cabeça”.
–Calma Grover, nós temos que olhar o mapa como um todo para achar as outras partes, ou você acha que foi a toa que a parte que temos é Miami Beach? Significa que o resto do mapa está em Miami. – eu disse bem segura. Todos olharam para mim como se eu tivesse falado a coisa mais inteligente na minha vida.
–Certo, então vocês vão procurar o resto do mapa por Miami, sugiro que peguem um avião hoje e vão diretamente para a praia. Depois que acharem o mapa, vão para o primeiro local para pegar o transporte, o que irá facilitar pra vocês descobrirem onde que fica o “tesouro”. E tomem muito cuidado com monstros e lembrem-se da profecia. – Dionísio nos orientou e disse para sairmos amanhã bem cedo. Nós chamávamos o Louro de Atena de “tesouro” para não atrair monstros querendo roubá-lo.
Quando estávamos saindo mostrei meus presentes que Anne havia me dado para a missão. Ele ficou admirado e Annabeth e Grover curiosos, vieram ver também.
–B-é-é, eu já fui vítima dessa bombinha. Não é muito agradável. – Grover comentou.
Todos riram, o jeito que Grover falar era engraçado. Então, Luke me deu um beijo na bochecha de boa noite e foi pro seu chalé, Grover foi pra floresta e eu e Annabeth ficamos sentadas na grama conversando.
–Você tem certeza que quer ir nessa missão, baixinha? – ela ficou um pouco brava, porque apesar da idade, Annabeth sendo uma semideusa era muito mais matura do que alguém da sua idade.
–Seu aniversário é depois de amanhã, Thalia. Você vai virar adolescente de verdade – nós rimos. – Uma moça!
–Mas nada vai mudar vai?
–Você vai se apaixonar.
Fiquei impressionada de como Annabeth era esperta, talvez até mais do que Anne.
–Acho que não, ainda.
–Muitos já estão de olho em você.
–Quem?
–Não posso. Você terá que descobrir!
Ela foi para o seu chalé e eu fiquei lá, pensando no que ela tinha acabado de falar.
Meninos? Nunca fiquei pensando nos meninos daqui. Os mais bonitinhos são os filhos de Apolo, obviamente; loiros de olhos azuis. Acho que ninguém mais aqui é assim. Só o Luke.
Comecei a ficar com sono e fui deitar.
Dessa vez meu sonho foi um pouco mais cruel. Estava entrando em uma caverna muito úmida e com um péssimo cheiro. Olhei para cima e vi água escorrendo e um cheiro de sal, na hora sabia que estava em um túnel de baixo do mar.
Conforme ia andando por ele, ouvi barulhos, ecos próximos a mim. Parecia um lugar habitado por alguém. Finalmente cheguei a um lugar muito alto com uma fonte no centro, havia pedras e plantas por todo lugar, mas o que me chamou a atenção foi ver Luke deitado no chão, ensopado e desmaiado.
–Luke, Luke! Acorda, você tem que acordar, nós precisamos ir! Por favor. – eu estava choramingando.
Conseguia ouvir monstros vindo de alguma direção. De repente surgiu uma luz eu não via mais Luke, comecei a andar pra trás e voltei a correr como se não me restasse opções.
Acordei assustada, olhei pela janela, o sol estava nascendo pelo canto do mar. Os filhos de Apolo estavam sentados na areia, em bancos observando seu pai surgir.
Fui para o pavilhão de jantar e lá estava Luke, sentado tomando néctar escondido.
–Bonito hein? Típico de seu pai. – ri.
Ele riu fazendo sinal para eu me juntar a ele.
–Você está pronta ou preocupada demais pra ir?
–Pronta estou, mas preocupada também. – suspirei – A profecia, não foi muito agradável, não é?
–Não mesmo, você conseguiu decifrar algumas coisas já, ou não?
–Na verdade não, mas Luke, alguém vai se machucar, nós não vamos falhar e alguém vai morrer! Por que estamos fazendo isso se já sabemos de tudo isso? – me descontrolei um pouco e ele ficou surpreso.
–Thalia, profecia são suposições. Elas nunca são assim tão óbvias. Ou você realmente acha que se aquilo fosse acontecer Sr.D iria aprovar? Eu acho que você não dormiu bem, está muito nervosa.
–Talvez, mas então precisamos tomar cuidado com cada ação. – Eu não quis falar de meu sonho para ele. Já estávamos prontos para uma missão importante, eu não queria criar outra preocupação.
Ouvi Quíron andar pela varanda da Casa Grande. Estava na hora.
–Prontos heróis? – Quíron exclamou.
–Sim! – Grover saiu da floresta correndo com sua flauta de bambu.
Annabeth saiu de seu chalé conversando com o Ric que a dava conselhos e estratégias de sua mãe. Ela estava com o cabelo loiro preso bem alto, usava a camisa laranja com um cinto enrolado em seu braço que era um suporte para sua faca de bronze celestial. Usava shorts jeans e carregava uma mochila nas costas.
Anne me entregou minha lança que agora estava com a ponta nova e afiada, fez um melhor suporte e me entregou o cinturão com 10 bombinhas e 3 facas com veneno. Eles eram bem pesadinhos. Ainda de última hora, deu uma adaga para Luke que paralisava monstros na hora. Eu também estava com a camisa laranja, mas usava minha jaqueta de couro preto, meus braceletes do Green Day e Aegis. Meu cabelo era o de sempre, preto, bem bagunçado, eu não ligava para isso muito. Estava de calça jeans um pouco rasgada e all star.
Luke pegou suas armas com seu irmão Connor. Sua enorme espada Mordecostas, metade aço e metade bronze celestial e um escudo novinho que havia ganhado por ser um ótimo líder do chalé de Hermes e da equipe azul por anos. Luke era o mais velho aqui no momento, ao seu lado estava Anne, Ric e Lucy. Ele usava a camisa laranja também, um casaco e um jeans, carregava uma mochila igual de Annabeth que continha os tênis alados e alguns apetrechos de seu pai.
Estávamos todos prontos para ir. Fomos até a colina acompanhados por Quíron, Anne, Ric, Connor e Travis, Clarisse e Mila. Despedimos-nos de todos e entramos na floresta aberta, sem proteção.
–Alguém comeu antes de sair? – perguntou Grover.
–Não, por que você está pensando em comida, Grover? – Luke perguntou
–Estou com fome. – ele murmurou.
–Aqui. – Annabeth abriu a mochila e retirou um pacote de biscoitos de canela e jogou pra Grover que agarrou no ar. Ele olhou pro pacote come se estivesse segurando uma barra de ouro. – Não coma muito, deixe pra mais tarde.
–Acho melhor você ouvir a filha da sabedoria, cara. – Luke brincou, mas Grover já havia colocado 3 biscoitos na boca de uma vez.
Todos riram e quando percebemos já era possível ver o Rio East no horizonte entre as árvores. Grover, após comer 5 biscoitos devolveu o pacote a Annabeth e agradeceu.
–Como vamos até o aeroporto? – perguntei quando finalmente chegamos à beira da estrada.
–Se eu não me engano a parte esquerda superior do mapa seria o sul de Miami Beach, no cais 16 onde tem o farol, assumo que esteja por lá, calculei as coordenadas e fica em algum lugar por ali. – Annabeth disse com simplicidade.
Todos ficaram impressionados com a capacidade de uma menina de 9 anos descobrir aquilo em uma noite. Nós ficamos boquiabertos encarando-a, eu ergui as sobrancelhas e ela percebeu que estava sendo observada por nós.
–O que?
–Acho que deveria ser proibido alguém tão inteligente assim – brinquei.
Chegamos à beira do Rio East e já era possível ver o Empire State Bulding em Manhattan. Passamos pela ponte Williamsburg, por cima do rio. Quando chegamos a Manhattan, atravessamos uma avenida e fomos para uma pequena estação de metrô. Estava bem vazio por lá. Havia uma senhora com um lenço rosa cobrindo seu rosto carregando um carrinho de bebê, um casal jovem de mãos dadas. Lembrei-me do que Annabeth havia dito sobre me apaixonar. Parecia bobeira no momento.
Manhattan era muito grande e a linha de metrô também, então pra chegarmos ao aeroporto iríamos passar um bom tempo no metrô.
Sentei-me em um banco duplo, ao meu lado sentou Annabeth e na frente, Luke. Grover ficou de pé.
–Cara, esses jeans estão apertados – ele comentou.
Annabeth riu e Luke ficou me olhando, pois estava com uma cara de preocupação e só tinha percebido quando ele olhou pra mim e deitou a cabeça no ar.
–O que você tem?
–Hã? Ah, nada.
–É a profecia?
–Talvez
–Mas ela só começa após acharmos todo o mapa. Fique tranquila.
–É verdade, lembro-me de uma missão que a profecia só começou 5 dias depois que partirmos. Mas me deixaram comer biscoitos à vontade – Grover olhou pra Annabeth e franziu a testa.
Todos riram e quase caímos, pois o metrô freou bem agressivamente quando chegamos a estação do Empire State. Umas pessoas saíram, umas entraram; tudo muito agitado. Dessa vez muita gente entrou e um homem loiro usando um boné branco, carregando uma maleta. Usava roupas de atletismo, quase tudo branco e um tênis de atletismo. Ele nos chamou atenção por estar todo de branco e parar em frente a gente de pé, pois não havia muito espaço. Conseguíamos vê-lo de perfil olhando para fora pela janela, ele tinha cara de cansado.
Percebi que apenas Annabeth tinha reparado no homem, mas não viu nada de mais.
De repente Luke, que estava com a cabeça baixa apoiando os braços em seu joelho levantou a cabeça e quando viu o homem arregalou os olhos desesperadamente e ficou paralisado.
–Luke? – perguntei? — O que houve?
–Faz quanto tempo que ele está parado ali? – ele cochichou ainda paralisado.
– Entrou faz pouco tempo quando paramos, por quê? Quem é ele? – cochichei de volta
–É... O... – as palavras não saiam de sua boca.
–Meus deuses! – Annabeth cochichou também. – O que ele está fazendo aqui?
–Alguém pode me dizer quem é o cara? – enquanto perguntava e olhava para eles, vi que eles arregalaram os olhos, percebi que o homem estava parado atrás de mim quando ouvi:
–Bom dia, crianças.
–Bom dia, senhor – Annabeth respondeu friamente. Luke ainda estava paralisado, mas virou a cabeça pra parede desta vez.
–Pra onde estão indo? – o homem perguntou
Achei estranho um homem vir falar assim com um monte de crianças.
–Por que o senhor quer saber? – perguntei dando um sorriso pra não tentar ser rude.
Annabeth olhou pra mim e pisou em meu pé tentando alertar alguma coisa
–Não fale assim com ele. – cochichou.
Luke ainda estava olhando para a parede, fingindo estar invisível. O homem olhou diretamente pra ele e sorriu. Luke percebeu que estava sendo observado e finalmente olhou pro homem e disse:
–O que o senhor quer conosco? – Me perguntei por que Luke podia falar assim com o homem e eu não.
–Você cresceu! – o homem disse. Como assim? Quem era o homem?
–Olhe Pai, estamos em uma missão importante, o que você veio fazer aqui?
Claro! Agora tudo fazia sentido! Como não tinha reparado que o homem era igualzinho ao Luke? O mesmo cabelo, mesmos olhos, mesma voz e mesmo sorriso. O homem era Hermes, também conhecido com pai de Luke. Depois que descobri que era uma boa pessoa, de um sorriso e me aliviei.
–Relaxe, meu filho. Eu sei de sua missão, é por isso que estou aqui. – ele retirou um pote de plástico com umas plantas dentro. Tinham uma cor esquisita e me lembrou do mar de meu sonho. – Plantas aquáticas, roubei um pouco de Poseidon. Fiquei sabendo que vocês terão que ir para o litoral em algum momento, e essas algas fará com que vocês prendam a respiração por muito mais tempo que o comum. É só comê-las, mas elas não têm um gosto muito bom.
Ele as entregou para Annabeth que estava mais perto dele.
–E, tenho recado para todos diretamente dos Olimpianos – ele olhou pra Grover – Menos para o sátiro.
–De nossos pais? – perguntei.
–Sim – ele respondeu pegando duas cartas de sua maleta. – Thalia Grace, filha do senhor do céu, seu pai lhe disse que você deve visitar seu irmão no colégio, pois ele anda tendo alguns problemas. E Annabeth Chase, filha da deusa da sabedoria, sua mãe está orgulhosa pela sua coragem e tem certeza que você irá conseguir terminar essa missão perfeitamente; diz que você é muito inteligente igual ela e seu pai. E pediu pra te entregar isso.
Hermes tirou uma sacola da mala – que parecia caber tudo que ele quisesse lá dentro –, onde estava escrito “Yankees”, o time de baseball da nossa região de Nova York.
–E Luke, já entreguei sua carta. Espero que leia com atenção.
O metrô freou de novo e havíamos chegado à estação “Harlem”. Muita gente saiu, inclusive nós e Hermes. Quando saímos do metrô Hermes disse adeus para mim, Annabeth, Grover e olhou pra Luke e o desejou boa sorte pra seu filho. E foi embora.
Olhei para Luke e abri um sorriso. Eu ficaria feliz em encontrar meu pai no metrô, mas obviamente ele deixou claro que não se importava muito comigo devido ao fato de me mandar uma mensagem falando pra eu ver meu irmão enquanto Atena elogiava sua filha e a dava boa sorte e presentes. Senti um pouco de raiva, e inveja.
–Certo, vamos fingir que isso não aconteceu. – ele disse enquanto Annabeth guardava as algas em sua mochila e Grover comia biscoitos de canela.
–Luke, aquele foi seu pai, um deus te visitando em um metrô e ainda nos dando um presente que vai ser muito útil. – disse Annabeth.
–Mas eu e meu pai não nos relacionamos direito.
–Ele lembra você, Luke – comentei. – Ele é bonitinho, achei que ele aparentaria mais velho.
De repente todos olharam pra mim como se eu tivesse dito alguma coisa errada, então percebi que parecia que eu tinha acabado de chamar o Luke de bonitinho – daquele jeito.
–Hã, não que o Luke seja bonitinho, mas eu também não quis dizer que ele não é bonitinho, ele é... – Luke começou a rir.
Ele veio em minha direção enrolou o braço no meu pescoço e me deu um beijo na bochecha enquanto eu fazia cara de paisagem. Ele me soltou e continuou andando rindo e Annabeth e Grover o seguiram, e eu fiquei parada tentando entender, mas tudo bem.
Quando subimos as escadas chegamos à Avenida do Aeroporto. Estava muito calor e Annabeth reclamou de eu estar de roupa preta. Disse que sempre usava roupa preta e não ligava pro calor.
Atravessamos a avenida, entramos no gigante aeroporto e fomos para a fila comprar a passagem.
Havia muita correria pelo aeroporto, muita mala e como era muito grande, se perder era muito fácil e eu tinha certeza que pelo menos 2 pessoas ali dentro daquele lugar eram monstros disfarçados.
Grover estava muito cansado e sentou em uma cadeira em frente os balcões onde tocava uma péssima música dos anos 80. Eu, Annabeth e Luke estávamos na enorme fila.
–Ah, que música horrível! – comentei. – Eles não têm Green Day?
–Gente, eu queria agradecer a vocês dois. – Annabeth disse olhando para a carteira.
–Nós? – perguntei olhando para Luke e depois pra ela.
Ela guardou a carteira no bolso e nos olhou meio envergonhada.
–Por cuidar de mim, me trazer pra essa vida maravilhosa no acampamento. Se não fosse por vocês dois, eu estaria perdida nesse lance de semideus. E vocês ainda estão arriscando tudo por minha mãe.
Luke e eu sorrimos e olhamos para ela como se ela ainda fosse um bebê. E Luke disse:
–Foi nosso prazer te conhecer, Annie. – ela abaixou na altura dela e passou a mão em seu cabelo. – Família para sempre. Eu prometo.
Eu abaixei também e fiz o mesmo que Luke.
–Família pra sempre – repeti.
–Família pra sempre – Annabeth concluiu e abriu um largo sorriso de satisfação.
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