Os Dez De Luz
2 Trovão e Vento andam juntos!
Eu e Eduardo tínhamos vivido uma situação muito, "estranha" digamos assim. Uma espada tinha me protegido de ser morto, e Eduardo quase morreu também.
– O que... foi... aquilo ? — Perguntei enquanto aquela imensa espada virava um mero colar -
– Me responda você, caraca, tu levantou um espada que deve ter mais de 60 quilos cara, destruiu um esqueleto maldito e seu braço pegou fogo e... -
– Ei calma — Eu o interrompi — Vai ter um mal súbito daqui a pouco se continuar a falar assim! — Ele me olhou com uma cara de tacho, respirou fundo e voltou a falar normalmente -
– Aquilo não foi normal, não foi mesmo — Ele disse sentando na cadeira da minha mesa — Eu não sei você, mas eu preciso esfriar a cabeça, vou pra praia — Ele disse pra mim se levantando -
–Eu vou também, que tal se convidarmos Agatha e a Juliana ? — Perguntei pra ele e seus olhos se arregalaram na hora -
– Claro — Disse ele -
– Hahaaaa, ta beleza, eu vou ligar pra elas — Pego o telefone e começo a ligar pra elas — Alô... Oi... Ah, a Ju ta aí contigo... Então, eu e o Edu vamos pra praia, e a gente pensou se vocês queriam ir conosco ?... A, ta ok então, a gente busca vocês aí daqui uma meia hora, então vão se arrumando que a gente já ta saindo daqui... Beijo, tchau — Desligo o Telefone — Cara, cê quer uma toalha do meu irmão ou tu vai na tua casa ? -
– Me da uma do seu irmão — Disse ele pegando um par de chinelos de dedo do meu armário. -
– Beleza — Fui até o quarto do meu irmão, peguei a toalha e entreguei pra ele — Vamos lá ?
– Claro — Ele me disse e saímos de casa, indo em direção a casa de Agatha. Chegamos la e fomos para a praia.
A praia tava do mesmo jeito de sempre, cheia, famílias, crianças, adolescentes. Jogavam voleibol, frescobol. As meninas ajeitaram suas toalhas no chão e se sentaram. Éramos colegas desde a quinta série. Estávamos conversando sobre provas que poderiam vir, qualquer coisa do gênero. Mas o que tinha acontecido mais cedo, não tinha saído do meu pensamento. Apesar de ter achado legal o que tinha acontecido, ainda pensava na possibilidade de ter morrido. E se eu tivesse morrido naquela hora. Por um momento, me perdi em pensamentos. Comecei a olhar para Agatha, estudávamos juntos desde a quinta série, mas nos conhecíamos desde que tínhamos cinco anos. O que aconteceria se eu morresse, qual seria a reação dela se aquilo acontecesse ? Também tinha Juliana, ela era minha melhor amiga, e a reação dela ? Também tinha Eduardo, ele era daqueles amigos que você leva pra vida inteira, e a reação dele ? Eu não fazia ideia, sei que o pesadelo de mais cedo reiniciaria naquele momento. Gritos novamente, mas dessa vez, vi a criatura antes de ela se aproximar. Era uma espécie de centauro marinho. Uma criatura totalmente aquática. Carregava um tridente consigo. Era completamente azul. Ele me viu, apontou seu tridente, e veio na nossa direção. Eduardo me olhou e eu sabia no que ele tinha pensado, eu teria que fazer de novo o que havia feito mais cedo. Não sabia se teria energia para fazer, mas se tivesse, eu iria protege-los. Retirei meu colar do pescoço, mas nada aconteceu. Ele não tornou a ser a imensa espada. Me preocupei, como aquela situação se resolveria ? Eu ia ter que raciocinar rápido. A vida dos meus amigos estava em jogo. De repente, uma coisa estranha aconteceu. Um vento forte começou a soprar. Era muito forte mesmo, a areia começou a se deslocar muito rápido. Estava parecendo um deserto. Eu não conseguia ver nada ao meu redor, a não ser meus amigos. Agatha e Juliana se protegiam com as toalhas. Quando tentei ver algo ao meu redor, percebi a situação. Eu estava no olho de um tornado.
– AGATHA, JULIANA – Dei um grito chamando as duas —
Elas me olharam e viram o que eu queria falar. Elas tentaram fugir, mas não conseguiram. Eu não conseguia de nenhuma maneira, fazer o colar virar a espada. Agatha se levantou, e eu vi uma luz estranha novamente. Quanto mais ela andava, mais a luz ia na direção dela. Ela continuou caminhando, até ficar de frente para a luz. Ela esticou a mão e a segurou com força. Quando a luz se dissipou, ela estava com um Leque em mãos. Ele era um pouco maior e era rosa. Pensei se estaria acontecendo com ela a mesma coisa que aconteceu comigo. Em um movimento rápido, ela puxou o leque para o lado e o tornado se desfez. Só consegui ver o tridente voando na direção dela. Outro movimento rápido e o vento desviou o tridente da direção dela. Ele fez um barulho estranho e em frações de segundos, algo aconteceu. Ele explodiu em água. Agatha veio correndo até mim e me abraçou com força. Eu não sabia o que fazer, abracei ela também. Edu e Juliana vieram até nós e nos avisaram que talvez não tinha acabado. Vi então o que eles queriam dizer. Me assustei. A água estava ganhando uma forma muito grande. Maior até do que o Esqueleto. Agatha lançou uma rajada de vento novamente no monstro. Desta vez, nada aconteceu. Uma tempestade se formava no céu e aconteceu novamente. Desta vez Eduardo. A luz desceu até ele e ele segurou igual Agatha. Desta vez, um arco, azul com leves tons amarelos nas laterais. Ele olhou para mim e para Agatha e acenou com a cabeça. Eu novamente senti energia correndo pelo meu corpo. Meu colar finalmente voltou a ser uma espada. Eu não precisei fazer nada, nem Agatha. Ele mirou e uma flecha em forma de Relâmpago se materealizou na base do arco. Ele apenas soltou e a flecha acertou certinho ele. Novamente aquilo se levantou. Eduardo lançou mais duas flechas e o monstro defendeu. Quando ele abriu o que seria os braços, eu notei um fenda, abaixo daquele lugar. Saí correndo com a minha espada e cortei o braço que tinha a fenda em baixo.
– AGATHA – Gritei. Ela me olhou e eu disse. — QUANDO EDUARDO LANÇAR A FLECHA, DESVIE ELA PARA A ESQUERDA! – Terminei de falar e chamei Edu — EDU, LANCE A FLECHA PARA LÁ – Apontei para o lugar -
Ele lançou a fecha e o monstro tentou defender. Logo após, Agatha lançou uma corrente de vento para a esquerda. O monstro demorou um certo tempo, até entender o que estava acontecendo. Quando a flecha atingiu a fenda, o monstro brilhou num azul celeste, explodindo alguns segundos depois. Peguei Agatha e me abaixei, nos protegendo com a espada. Eduardo se lançou com Juliana para trás de um barranco. Quando me levantei, não tinha mais monstro algum. Nos levantamos e um grupo começou a se aglomerar perto de nós. Saímos correndo e fomos para a casa de Agatha, tínhamos muito o que conversar. Seria um tempo longo para nós. O que aconteceria depois daquele dia ? Todos deviam estar fazendo a mesma pergunta em seus sub-conscientes.
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