Os Deveres De Um Assassino
7 Capítulo 7
Notas iniciais
— Para um simples amador, você tem muita coragem. – uma voz feminina sussurra no meu ouvido.
Tento abrir os meus olhos, mas me arrependo logo em seguida. Uma luz forte estava sendo mirada diretamente para meu rosto, e meus olhos ardem quando entro em contato com ela.
Tento mover meus braços e pernas, porém percebo que eles estão presos em fita adesiva. Mesmo com os olhos fechados, consigo sentir a presença da mulher no meu lado esquerdo.
— Eu não iria ficar me remexendo muito se fosse você. Só vai piorar. – ela comenta após alguns segundos de silêncio.
Ouço seus passos através do quarto onde me encontrava. A julgar pelo som abafado, não era muito grande. Ouço um som de click, e através das pálpebras vejo que ela tinha apagado a luz.
Lentamente, vou abrindo meus olhos. A única fonte de luz no momento era da lua que entrava por uma janela com grades ao meu lado direito. Consigo distinguir a silhueta da mulher, e ela está parada na minha frente, olhando diretamente para meus olhos.
O pouco que consegui ver, percebo que seus cabelos são loiros. Ela tem aproximadamente 1.75 de altura, e não aparentava ser muito forte. Não consegui distinguir a cor dos seus olhos, e nem mesmo o seu rosto em si. Meus olhos ainda estavam se acostumando a luminosidade do ambiente.
— Meu nome é Sara. Se isso for importante para você. – ela diz. – Você fez uma bagunça e tanto na sua casa. Mas isso é normal, também vieram atrás de mim quando eu resolvi sair.
No momento em que ela diz isso, minha mente quase se explode em dúvidas. Antes de conseguir me conter, pergunto:
— Espera um momento, eu não fui o único que resolveu sair da organização? – minha voz falhou em alguns momentos, minha garganta estava extremamente seca.
— Então eles não contaram sobre mim? – ela pergunta. E antes de eu ter a chance de responder, ela começa a se movimentar pelo quarto.
Não conseguia mover muito bem minha cabeça pelo fato de meus ombros também estarem amarrados. Porém o pouco que consegui ver, percebi uma espécie de escrivaninha do meu lado. Nela continha vários tipos de instrumentos diferentes. Bisturis, Cutelos, Facões e até mesmo pistolas.
— Oque você vai fazer comigo? – pergunto, tentando esconder o medo na voz.
— Se eu quisesse te matar, já teria feito a muito tempo. – ela diz. – Mas se começar a me encher o saco, talvez eu possa mudar de ideia.
O mais sábio a se fazer neste momento era ficar em silêncio. Resisto ao impulso de perguntar o porque ela ter me trazido aqui se não tinha a intenção de me matar, porém me contive.
E sem perceber, minhas pálpebras estavam começando a ficar cada vez mais pesadas. Minha visão começou a ficar cada vez mais escura. E então eu caio em um sono profundo.
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Desta vez eu acordei com um pulo. Ao contrário da outra vez, não tinha nada que amarasse meu corpo. A escrivaninha que estava do meu lado está vazia. O quarto onde eu me encontrava esta iluminado agora, com uma tênue luz da lua entrando pela janela.
Meus olhos ficaram cerrados por um momento, enquanto eu me acostumava a luz. Procurei por Sara, mas não a achei. Com um instinto, tento abrir a porta do pequeno quarto. Ela estava trancada no momento, e resisto ao impulso de gritar pelo nome de Sara.
Percebendo que estava só com uma bermuda, procuro uma camiseta pelo quarto. No canto direito, em um local relativamente escondido, estava apoiado em cima de um pequeno cesto de lixo uma camisa branca.
Visto ela rapidamente. Percebo que meu tórax tem várias cicatrizes, e logo associo eles com a minha luta com o professor.
O professor. Este nome ecoou pela minha mente por vários segundos, e eu pensei no dia em que consegui derrotar ele. Era como se esta memória ainda estivesse fresca na minha cabeça, algo que aconteceu a poucos segundos atrás.
Ao mesmo tempo em que pensei nele, me veio a cabeça Sara. Uma mulher que supostamente tinha saído da organização, enquanto que em anos de aprendizado nunca tinha ouvido falar de ninguém que tivesse desistido.
Ouço passos vindo do outro lado da porta, me tirando dos meus pensamentos. Ouço um “click” familiar de uma fechadura se abrindo, e a maçaneta da porta gira por alguns segundos. Quando ela se abriu, consegui ver que era Sara.
Seus cabelos loiros estavam brilhantes. Consegui ver agora que seus olhos eram uma mistura de castanho com um tom esverdeado. Suas bochechas tinham várias pintas em locais aleatórios.
— Parece que alguém resolveu acordar. – ela disse, enquanto fechava a porta. – Finalmente.
— Quando tempo exatamente eu dormi? – perguntei. Minha voz estava mais firme agora.
Ela pensou nisso por alguns segundos. Fazia tanto tempo assim? Após alguns segundos com ela franzindo o rosto em dúvida, respondeu:
— Eu diria que faz pouco mais que uma semana. – ela finalmente respondeu. – Você teve uma contusão na cabeça.
Isso me deixou confuso. Não lembro do professor ter conseguido me desferir um golpe forte na cabeça.
— Como que eu não lembro disso? – perguntei desconfiado.
— Algo chamado adrenalina. Não sei se você conhece. – seu tom era irônico, e isto me irritou um pouco. – Ela deixou seu cérebro trabalhando junto com seu corpo, até que você desmaiou por conta do golpe.
Como se por instinto, eu senti um local específico da minha cabeça doendo. Toquei nela, e no mesmo instante senti uma forte dor. Estava localizada próxima a minha nuca, perto dos ombros.
— Você teve sorte. – ela disse após ter percebido que eu toquei na ferida. – Uma contusão ai geralmente significa morte. Ou ficar paraplégico. Eu sinceramente iria preferir a primeira possibilidade.
Me senti tonto, e procurei um local para me sentar. Acabei me decidindo por sentar na cama mesmo. E só agora eu percebi que era uma maca de hospital.
Procurei por água por ali, e não achei. Só agora tinha percebido o quanto minha boca estava seca, e Sara estava me olhando enquanto eu procurava pelo quarto.
— Precisa de algo?
— Sim. Um copo de água. Urgentemente. – eu disse.
— Olha que coincidência! – ela disse. – Iria agora lhe mostrar o nosso grupo, e no caminho tem um bebedouro.
— Espera, vocês são um grupo? – perguntei.
— Sim. Você foi o primeiro a conseguir sair vivo da organização sozinho. O resto de nós nos ajudamos. – pude notar um certo respeito por mim nesse momento, por parte dela. – Você não é muito fácil de matar.
— Quer tentar? – disse, tentando parecer ousado.
— Você é bom, mas não tanto assim. Vamos, me siga. – e sem que eu tivesse chance de falar algo mais, ela abriu a porta do quarto e saiu.
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